Esquecer me lembra você

13 Acordo com o diabo


Notas iniciais
Oi gente! Eu sei que sumi, mas nunca vou abandonar vocês e nem essa fic ( que é o meu mais lindo bebê). Depois de muitos pedidos da minha amiga Dedéa e da linda mensagem que a Crícia deixou eu não pude fugir, então aqui está mais um capítulo escrito com muito carinho a meses. Espero realmente que gostem. E dsculpa por ter demorado tanto.

Passo o resto da tarde jogada no sofá tentando me distrair assistindo Friends. Mas mesmo com as gargalhadas que eu dava não conseguia tirar da cabeça a imagem de David chorando.

A noite já havia caído quando Laura chegou. Ela estava cada dia mais feliz e animada com emprego, isso era provavelmente a única coisa que poderia me tirar da fossa onde eu estava entalada.

Depois de tomar um longo banho Laura se joga ao meu lado, batendo palmas junto com a abertura do seriado.

–Qual o seu problema? –Ela me pergunta confusa, mas eu apenas dou de ombros. –Tem que ser um problema bem grande pra você não ter batido palmas junto, é uma lei! Anda, me conta o que houve.

Respiro fundo algumas vezes.

–Eu mostrei o diário pro David. –Digo bem rápido e baixo.

–O que? –Laura grita me fazendo pular do sofá. –Você contou tudo pra ele?

Afirmo com a cabeça da forma mais triste possível.

–E isso realmente acabou comigo. –Digo.

–Você fez a coisa certa. É bem melhor uma verdade dolorida do que uma mentira por mais doce que ela seja. –Ela diz calma olhando fundo nos meus olhos.

Puxo minha irmã para um abraço bem forte, tentando tirar dali alguma força.

Os dias seguintes passam em câmera lenta. Na escola David me evita a todo custo e eu tento evitar seus amigos. Agora todo dia almoço sozinha no pátio, mas sem os olhares frios e penetrantes de CK não é a mesma coisa. Ele resolveu faltar todos os dias, como que para manter ainda maior a minha reclusão. No grupo de estudo parece que entendo menos a cada dia, mesmo com todo o esforço. E em casa minha vida se resume a lista de Laura, que está a cada dia mais perto do fim já que ela não tem mais tempo de acrescentar nenhum filme nela. Minha irmã chega cada vez mais tarde em casa, mas ao mesmo tempo o seu sorriso só aumenta. O estoque de comidas prontas na dispensa só diminui, e como eu não sei cozinhar nada descente ou ir ao mercado sem me perder na volta, tudo que me resta é ir até a lanchonete. E é exatamente isso que vou fazer hoje.

Essa lanchonete em questão fica bem perto, precisa apenas virar a esquina e andar um quarteirão. É um dos três caminhos que eu sei fazer na cidade, os outros dois se resumem a ir para a escola e para o hospital.

Saio de casa ao pôr do sol e faço o caminho de sempre. Apenas mais cinco pessoas estão na lanchonete quando eu chego. Sento-me junto ao balcão, mas então por cima do meu ombro vejo alguém que me faz levantar. Com passos lentos me aproximo silenciosamente da última mesa encostada na janela e como se tivesse sido convidada me sento na frente dele. Ele levanta seus olhos frios do caderno onde desenhava assim que me percebe ali.

–Não sei se você percebeu, mas tem muitas mesas vagas ainda. Você não precisa sentar aqui. –CK diz grosseiro como sempre.

–Eu sei, mas senti falta da sua maravilhosa presença na escola esses dias. –Digo me debruçando na mesa para tentar ver seu desenho.

–Você é a única. –Ele diz e volta a desenhar. –Mas agora que já matou a saudade pode ir para outra mesa.

–Na verdade eu aprecio muito sua companhia. –Finalmente consigo distinguir seu desenho, é um grande lobo raivoso e feroz. –Ótimo autorretrato.

Ele me encara e abre a boca para falar algo, mas é interrompido pela garçonete.

–Já sabem o que vão querer? –Ela pergunta tirando um bloquinho do bolso do avental.

–Torta de chocolate. –Eu e CK falamos juntos. Olho para ele com um sorriso, porém ele me encara com o maior olhar de desprezo que consegue.

–Duas fatias de torta de chocolate. –A garota anota sorrindo. –Eu trago logo.

–Como você ousa pedir a minha torta?- Ele pergunta raivoso como o lobo que desenhava.

–É a minha preferida. E além do mais eu não sabia é uma torta exclusiva sua?

–Pois agora você sabe. E para de me encara com essa cara.

–Só você que pode encarar também? –Pergunto sorrindo irônica. CK apenas bufa em resposta.

Nossos pedidos chegam trazidos pela garçonete. Duas tortas de chocolate maravilhosas e deliciosas. Junto com o primeiro pedaço da torta a carranca de CK vai embora, dando lugar a uma cara de paz e um pequeno sorriso de canto da boca. E é nesse exato momento que eu percebo o quanto ele é sexy comendo um pedaço de torta, ele deveria sempre estar comendo um ... Esse pensamento me faz morder o lábio.

–Qual o seu problema em? –Ele pergunta me despertando.

Envergonhada dou uma grande garfada na minha torta. Assim que aquele gosto maravilhoso entra em contato com a minha língua fecho meus olhos e começo meu devaneio novamente, mas dessa vez com um rio de chocolate.

–Você é realmente muito estranha. –CK diz, posso ver um singelo sorriso torto.

–Você já descobriu o que eu tenho a te oferecer em troca da sua ajuda?- Pergunto.

–Você vai mesmo continuar insistindo nisso? –Sua carranca volta. –Eu já disse que não quero te ajudar.

–Mas por que não? –Questiono curiosa comendo mais um pedaço da torta.

–Porque não. –Ele responde bravo segurando bem firme o garfo.

–Eu sei que muitas outras pessoas te pediram ajuda para essas provar e você não negou a elas.

–Porque certamente elas têm algo a me oferecer. –Ele bate seu punho fechado na mesa fazendo-a tremer.

–Eu também tenho. –Falo séria.

–Você é muito irritante sabia? –CK diz com raiva e chama a garçonete.

–Desejam mais alguma coisa? –Ela pergunta.

–Mais um pedaço! –Nós dois falamos juntos novamente, mas dessa vez quase em um grito.

Comemos em silêncio. Assim que CK come o seu último pedaço ele joga algumas notas na mesa se levanta e vai embora sem nem olhar para trás. Ele é realmente uma pessoa desprezível, só não entendo o porquê de não conseguir odiá-lo como deveria.

Volto para casa a passos duros, bato com força as portas atrás de mim até o meu quarto e me jogo na cama soltando um grito de raiva abafado. Na semana seguinte as provas já começam e eu não sei quase nada das matérias. Só mesmo um milagre pode me tirar dessa.

***

Vou para a escola por mera obrigação em uma tentativa falha de fingir para Laura que está tudo bem quando eu sei que vou me ferrar totalmente semana que vem.

O dia passa quase igual aos anteriores, tendo como única diferença a presença de CK e seu olhar enigmático. No almoço tento correr e pegar a mesa dele de proposito, só para ver sua cara de raiva. Mas para minha tristeza e surpresa e ele não se importa nem um pouco. Senta-se ao meu lado como se fosse a coisa mais normal do mundo.

O silêncio mais uma vez reina entre nós, interligado por olhares confusos e encaradas sem emoção.

–Eu vou te ajudar. –Ele quebra o silêncio.

–O que? –Pergunto em choque.

–Você é surda? –Ele pergunta grosso como de costume.

–Eu entendi o que você disse, só não entendi o porquê?

–Talvez tenha uma coisa que você possa fazer pra mim? –Ele diz sério.

–E o que é? –Quero saber curiosa.

–Não vou falar agora.

–Okay! –Me animo mesmo que lá no fundo algo me avisasse do perigo eminente.

–Eu vou te esperar hoje ás duas da manhã em frente a sua casa.

–Para que?

–Você vai saber se aparecer lá. -Ele se levanta da mesa e caminha devagar até o corredor cheio.

Eu sabia que possivelmente me arrependeria logo em seguida, mas minha curiosidade falava mais alto no momento. Eu sabia que com toda certeza estaria em frente a minha casa às duas da manhã para encontrar um cara realmente não confiável, mesmo sem saber pra que ou pra onde iria. Laura nunca poderia saber disso, nunca mesmo

Notas finais
E ai gente? Por favor comentem o que vocês acharam, é isso o que nunca me deixa desistir. Não prometo data do próximo capítulo, mas sei que como Andréa não vai mais me dar sucego não vou demorar tanto desta vez. Um beijão a todos.