Esquecer me lembra você
14 O plano da madrugada secreta e totalmente perigosa
Notas iniciais
Aqui estou eu deitada na minha cama sem conseguir dormir, ainda é meia noite, o que me daria mais 2 horas antes do despertador tocar. Mas a ansiedade e nervosismo para minha fuga no meio da noite não me deixa dormir.
Laura chegou do trabalho a pouco tempo então tenho quase certeza que ela ainda não está dormindo. Como de costume seu sorriso hoje estava enorme, o que parece estranho já que eu no lugar dela não iria ficar nem um pouco feliz em fazer horas extras todo dia. Por varias vezes eu já quase perguntei isso a ela, mas talvez seja só uma bobeira da minha cabeça desmemoriada como sempre. O trabalho dela deve ser ótimo e ainda mais se sentir realizada em estar trabalhando duro para sustentar nós duas.
Após mais algum tempo deitada olhando para o teto resolvo levantar e trocar meu pijama por outra roupa. Escolho um conjunto de moletom rosa que estava por perto e apenas visto por cima do pijama de bichinho.
Desativo o despertador do meu celular alguns minutos antes dele tocar, o coloco no bolso do casaco e saio do quarto na ponta do pé carregando meus tênis. Cuidadosamente desço as escadas sem acender as luzes, e me forço a guardar um uivo de dor quando dou uma topada em algum móvel da sala. Calço meus tênis e saio pela porta tentando fazer o máximo de silêncio possível.
Assim que saio avisto uma caminhonete parada bem em frente ao meu portão e mesmo com medo dou meus pequenos passos em direção a ela. Aproximo-me e bato de leve no vidro ao mesmo tempo em que a porta do passageiro se abre para mim. Entro na caminhonete ainda receosa e lá está CK sentado de frente ao volante com seu olhar de sempre.
***
–Você entendeu o plano? –CK pergunta.
Estamos parados na esquina da escola no meio da madrugada. A única coisa que enche as ruas é o silencio da noite fria que nos cerca.
–Acho que sim. –Respondo um pouco incerta e muito nervosa. Afinal estamos prestes a fazer algo ilegal.
–OK, estão repita ele. –Ele diz com uma ruga de duvida na testa.
–Nós vamos esperar até a troca de turno dos guardas daqui a meia hora para podermos entrar pulando a grade do lado da escola, depois vamos contornar até a parte de trás onde fica a cozinha onde eu vou entrar pela saída de ar e abrir a porta por dentro pra você. Então nós vamos subir até a sala do diretor onde você vai pegar alguns papeis enquanto eu vigio a porta. –Digo rápido tentando memorizar todas as informações.
–Depois nos vamos voltar pelo mesmo lugar e ir embora pra casa. Você até que não é tão burra. –CK agora parece mais tranquilo. –Já está na hora.
Calmamente nós saímos do carro e andamos em direção à escola. Apenas um poste fraco ilumina a área onde nos posicionamos. O mato alto cresce ao longo da grade onde esperamos a hora certa.
CK me disse que o guarda sempre larga o posto 5 minutos antes de seu substituto chegar, o que nos dá tempo suficiente para pulara agrade.
Na hora exata programada o homem gorducho de farda entra na escola. CK me ajuda a escalar a grade que não é tão alta, mas mesmo assim levo algum tempo para tomar coragem em pular. Por outro lado ele faz tudo agilmente.
–Agora é sua hora de brilhar, baixinha. –Ele diz com um sorriso no rosto enquanto se abaixa na intensão de me ajudar a alcançar a pequena passagem.
Arranco facilmente a grade enferrujada da saída de ar, com cuidado para não cair eu vou passando por ela. Abro a porta para CK que entra rápido e logo me direciona para as escadas. Apenas com a fraca luz de uma lanterna caminhamos apressadamente pelos corredores da escola vazia.
–Fique de guarda aqui. –CK diz baixo e entra na sala saindo poucos minutos depois.
–Tão rápido assim? –Pergunto curiosa.
–Não, essa é a sala dos professores. Eu precisava de um café. –Ele diz mostrando a xícara e me fazendo revirar os olhos longamente.
Andamos até outra sala, onde CK me entrega a xícara e abre sua mochila, de onde tira duas ferramentas pontiagudas e logo começa a forçá-las na fechadura da porta que quase imediatamente se abre.
Ele entra na sala e me deixa de guarda do lado de fora. Com o passar de alguns minutos resolvo beber o café da xícara que ainda estava comigo.
–É realmente muito bom, mas como pode ter café pronto a essa hora? – Pergunto a mim mesma, mas nem tenho tempo de responder. CK logo sai da sala com a mochila nas costas e mais apressado.
–Você realmente fez uma ótima escolha em vir de tênis. –Ele diz rindo.
–Por quê?
Mas antes que ele responda descubro a resposta quando ouço um homem gritar. Corremos loucamente e nem percebo quando passo agilmente pela grade.
–Você disse que tinha tudo calculado e que não seriamos pegos nunca. –Digo fadigada assim que entramos no carro.
–Eu disse que eu não seria pego, mas você realmente me surpreendeu ao conseguir escalar tão rápido. –Ele responde rindo como nunca tinha visto ainda.
–Você realmente é um completo babaca! –Quase grito irritada, ele apenas ri mais.
CK dirige calmo pelas ruas vazias da cidade batucando os dedos no volante ao som de um rock que nunca ouvi antes. Logo reconheço o bairro onde moro, mas o carro para varias casas antes da minha. Encaro CK com duvida e ele apenas desce da caminhonete, faço o mesmo.
Vejo-o sentado do meio fio alguns metros antes, encarando uma casa do outro lado da rua. Descido sentar ao seu lado.
–Dizem que essa casa é mal assombrada. –Ele diz após algum tempo.
–Eu não acredito em fantasmas.
–Eu também não.
O silêncio mais uma vez domina entre nós.
–Obrigado. –Ele fala baixo encarando os pés.
–Pelo que? –Pergunto confusa.
–Por invadir a escola comigo. –Ele sorri.
–Pelo visto sua mãe te deu educação. –Sorrio também.
–Ela deu sim, mas eu prefiro não usar.
–Eu percebi. –Levanto e sigo para minha casa devagar. –Esse foi o meu favor em troca da sua ajuda?
–Claro que não. –Ele levanta e entra na caminhonete e então estaciona entro da garagem da casa onde estávamos sentados em frente.
Nesse momento eu percebo que CK mora três casas antes da minha.
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