Esposa de Mentirinha
15 You're picture perfect blue
Notas iniciais
POV Emma
– Por favor, fiquem até o fim de semana – Mary falou novamente, ao nos ver descer as malas. Porém, por mais que estava feliz em voltar, feliz por tudo que tinha me acontecido naqueles poucos dias em Storybrooke, não poderia ficar ali. Não conseguia assimilar meus sentimentos e pensamentos quando os dois me pressionavam para algo que não estava preparada, mesmo que quando aceitei voltar, pensava que enfim estava preparada, era totalmente mentira, não conseguia lidar com o fato do abandono deles, não conseguia suportar a ideia de perdoá-los, sentia-me traída comigo mesma, com todos os anos que demorei a superar tudo aquilo.
– Mary, por mais que queira ficar, não estou preparada – sussurrei ao me aproximar dela e de David, que se encontravam no canto da porta com uma expressão frustrada em seus rostos – Prometo a vocês voltar quando tudo aqui dentro se resolver – sorri da forma mais sincera que consegui.
– Obrigada pela hospitalidade – Henry disse ao se aproximar de mim e enlaçar seus braços em minha cintura. Em sua forma simbólica de dizer a mim que estava tudo bem, ele me protegeria, eu apenas poderia sorrir da forma protetora do meu garoto de apenas 11 anos.
– Não há de que Henry, volte sempre que quiser – falou minha mãe – E já estamos com saudades – Prosseguiu ela, fazendo um sorriso torto aparecer nos lábios do garoto enlaçado na minha cintura, me fazendo sorrir também. Regina o tinha criado tão bem que não me impressionava o quanto ele poderia ser educado e simpático.
– Obrigada — Disse ele meio sem graça – Emms, estou esperando no carro – sussurrou para mim após se despedir dos meus pais, apenas assisti e logo fiz o mesmo, me despedi deixando aquele lugar o mais rápido possível.
....
– Você está bem? – A pergunta de Regina quebrou o silêncio de algumas horas, me fazendo pensar se eu estava bem com tudo aquilo, e na verdade por mais confuso que tinha sido aquela viagem, sem dúvidas tudo para mim estava perfeito. Pude sentir Regina, consegui enfim entender meus sentimentos por aquela mulher. Mesmo que tudo tivesse sido confuso ainda sim amei cada instante daquela viagem e o que ela pode me proporcionar.
– Apesar de tudo? – A respostas saiu mais como uma pergunta, tendo meu olhar para Regina e a ver concentrada na estrada me fez sorrir – Foi a melhor viagem que já fiz – disse por fim mordendo meus lábios e olhando para a janela novamente, seguindo a paisagem que em tempos em tempos mudava.
Regina apenas se calou, ficando com seus olhos perdidos na estrada, me fazendo entender que ela estava pensativa, tentado assimilar tudo que tinha acontecido, criando um plano para agora, e para algum tempo. Pois por mais que agisse por impulso, ela não sabia bem como lidar com as coisas quando a realidade caía sobre ela e esse era um dos motivos que me fazia temer a noite que me fez sentir a mulher mais sortuda do mundo, porque perder a pessoa mais importante da minha vida estava totalmente fora de cogitação.
– Gina? – sussurrei baixinho, não conseguiria viver no silêncio, sem ter ideia do que ela estava pensando e querendo fazer, pois conhecia aquela mulher de todos os jeitos e sabia que o que ela tinha de controlada tinha de impulsiva quando assuntos eram relacionamentos.
– Sim? – a voz dela saio arrastada e baixa, como se estivesse em outro plano.
– O que somos? – questionei, depois de vários minutos em silêncio, tentando ter coragem de soltar aquela frase. Tinha medo de qual fosse à resposta, temia perder minha amiga ou perder o passo que havíamos dado a pouco mais de um dia atrás.
– O que somos, Emma? – E em uma rapidez Regina devolveu a pergunta me pegando de surpresa, junto com o carro que estacionava no acostamento e os olhos castanhos claros da morena se dirigiam a mim. Pela primeira vez me sentia sem o que responder a ela, sem entender toda aquela loucura.
– Somos o que você quiser – por fim as palavras abandonaram meus lábios, sem ao menos conseguir pensar sobre elas, meu coração achava certo e meu cérebro ignorou minha vontade de pensar sobre elas, apenas as jogando para um futuro incerto ao que a ser julgado pelo meu coração disparado, minha ideia de futuro era ter Regina bem mais do que minha melhor amiga, se é que poderíamos ser amigas, depois de tudo.
– Emma, assim você não ajuda em nada – esbravejou ela tentando manter a calma o que me fez sorrir, geralmente quando estava frustrada sem saber como expressar o que sentia acusava meio mundo, o que me faria crer que talvez tivéssemos uma chance de futuro como precisava, como todas as minhas terminações nervosas estavam buscando desde que elas conheceram o quanto aquela mulher era maravilhosa em tudo que fazia.
– Não jogue a culpa em mim – levantei os braços em defensiva. – Você sabe muito bem o que quero – concluí olhando para as minhas mãos sentindo minhas bochechas corarem. Assumir o que sentia não era algo fácil, ainda mais quando sua amizade estava em jogo.
– O que você quer, Emma? – A pergunta veio com um soco no volante e lágrimas escorrendo dos olhos castanhos, o que fez o sentimento de culpa se abater sobre mim – Porque eu sei exatamente o que quero, sei que quero você, não importa como, mas quero você na minha vida. Quero você na minha cama, quero você todos os dias comigo, quero isso há tanto tempo que me negar está me deixando mais frustrada do que consigo dizer.
O sorriso de satisfação se apoderou de meu rosto e com um olhar rápido para o banco de trás verificando se Henry não tinha despertado, tirei meu cinto e me inclinei para frente, com uma mão puxei o rosto de Regina para ficar de frente com o meu, olhei em seus olhos e tentei demonstrar tudo o que sentia e busquei seus lábios, busquei no contato daquele beijo demonstrar que queria ela igualmente como ela queria, tentei invadir sua boca com a delicadeza que queria que nosso relacionamento tivesse, tentei colocar a paixão em minhas mãos que foram a sua nuca, para tentar a fazer entender que a amava tanto que não sabia mais esconder
– Eu te amo, Regina. E quero você não como amiga, e sim como minha mulher.
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