Esposa de Mentirinha
11 Haunted
Notas iniciais
POV Emma
– Isto não vale, Emma. – gritou Henry, me fazendo sorrir ao dar um carinho em seu jogador e dominar a bola virando o jogo.
– Gol. – Disse perto o suficiente de Henry para o ver bufar e tomar novamente a bola do meu jogador, me fazendo sentir em casa naquele lugar já tão esquecido para mim, era como se Storybrooke sempre fora meu lar e mesmo que agora nada fosse igual, voltar estava me fazendo bem, dividir quem eu era com as duas pessoas mais importantes de minha vida mostrava o quanto aquilo era importante. Mesmo negando todos os dias que nunca me importei aonde era localizado meu endereço.
Estar ali naquela sala, antes meu refúgio, agora jogando vídeo game com a criança que era minha de um modo estranho, me fazia sentir novamente a garota viva e apaixonada que há tantos anos se perdera em todo o caminho esburacado que tinha vivido. Era voltar ao passado de uma forma boa, como se nunca tivesse saído dali. Que de algum modo tivesse encontrado Regina, me casado, e Henry fosse o fruto de nosso amor, e sem dúvidas era aquilo que desejava. Mas sabia que se tudo não tivesse sido exatamente como foi a morena nunca teria entrado na minha vida e o filho dela nunca teria meus genes, e por alguns instantes pensar nesta hipótese me fazia ter certeza de que todo o caminho valera a pena e se pudesse escolher mudá-lo, o faria exatamente igual.
– Podemos conversar com você? – A voz doce e baixa de Mary me fez tirar os olhos da TV perdendo o foco sobre o jogo e os pensamentos mirando-a e tentado imaginar o que ela queria falar comigo.
Fazia tantos anos que não via minha mãe que, observá-la de perto era como se perder no tempo, seus cabelos pretos agora com alguns fios brancos caiam em cascatas até o meio de suas costas, seus olhos azuis antes tão vivos agora pareciam tão cansados. Uma mulher cheia de vida estava tão abatida que me perguntava o que tinha acontecido em todos esses anos que estive fora.
– Já venho. – sussurrei dando pause no jogo, e logo dando um beijo no topo da cabeça do garoto ao meu lado, passei andei a passos lentos para a cozinha.
Olhava para toda a cozinha espaçosa, tentando tirar o foco dos meus pensamentos para aquela conversa, sabia o que era e também tinha certeza que uma hora ela viria, só não esperava que tão cedo.
– Emma, querida. – sussurrou Mary ao sentar a minha frente colocando uma caneca de chocolate quente ao modo Swan.
– Diga. – Disse observando a caneca, não estava pronta para desculpas, eu nunca quis tudo que acontecera, me feria ao ponto de agora querer apenas esquecer o passado e seguir em frente, mesmo que com o futuro incerto e mentiroso que contei com meu medo insano deles tomarem conhecimento que minha vida amorosa estava tão fracassada quanto um dia eles afirmaram que seria. Neste momento apenas queria aproveitar uma semana com a mentira perfeita, e idealizando a família feliz caso eles tivesse aceitado a mim como era e não como eles queriam.
– Sabe, pensei sobre o que falar todos os dias durante todos os anos que me arrependi, ensaiei diversas vezes e agora? Eu apenas quero pedir desculpas, sem explicações para aquilo que se tem apenas uma. – Minha mãe disparava me fazendo morder os lábios e tentar olhar para qualquer lugar menos os olhos tomados por lágrimas dela. — Eu errei, deveria aceitar você do jeito que sempre foi. Mas quis mostrar à sociedade a filha perfeita a qual você realmente é, e noto isto no modo que olha para Regina, no modo que tenta fazer tudo certo por eles. Sempre busquei idealizações erradas, sempre quis mostrar ao mundo a família perfeita, mas toda perfeição tem falhas e notei isto da forma mais dolorosa, quando você saiu de casa. Quando me olhou com mágoas e agora quando novamente me olha do mesmo jeito, posso notar que tudo que busquei estava errado. Quando vejo o garoto que você e sua mulher criaram eu me sinto tão envergonhada e arrependida, porque por crenças preconceituosas, perdi a chance de cuidar do meu neto, de cuidar da minha filha e de conhecer o que você tem de melhor. Me orgulho, mesmo que não tenha permissão de tudo que você se tornou filha, e me desprezo por ter me privado de tudo o que você construiu, de não poder participar de todo o seu caminho ate aqui. – as lagrimas caíam dos meus olhos sem permissão, me sentia nua, despida com todas as palavras da mulher a minha frente, que por tantos anos odiei e agora olhá-la desesperada me falando tudo aquilo, me fazia sentir-me culpada por não ter dando uma segunda chance antes. Suas mãos tremiam, seus olhos vermelhos por conta das lágrimas que desciam sem parar a cada palavra que soltava. — Eu peço desculpas, realmente peço que me perdoe e que um dia possa-me ver como sua mãe novamente, mesmo eu tendo certeza que meus erros nunca poderão me dar você de volta. Eu te amo filha, amo com todo o meu ser.
Não tinha o que falar, minha garganta estava com um bolo, tremia igualmente a mulher a minha frente. Não tinha ideia do que pensar, não poderia perdoá-la, não conseguia. – Desculpe, não sei se posso a perdoar, não agora, foi doloroso para mim conviver todos esses anos com a certeza que meus pais nunca me amaram, que era descartável, e mesmo que estar aqui ouvindo isto e querer de todo meu coração disser a você que te perdoou não é fácil assim, não consigo apagar todos os anos que alimentei e sofri com tudo que aconteceu. Mas posso disser que te amo, mesmo com todo o ódio e magoa que carrego eu amo você, amo papai. Porque não posso deixar este sentimento de lado, mas perdoar, esquecer não e fácil e nunca vai ser. Desculpe. – As palavras saíram confusas, no fundo estava tão confusa quanto todas aquelas palavras.
E como se aquele ambiente me pressionasse me tornando claustrofóbica em poucos segundos corri para a porta, corri por pelas ruas fugindo de um passado a qual não queria lembrar, fugindo de todos os problemas ou apenas por alguns instantes naquela adrenalina de atravessar e correr por dentre as ruas e floresta de Storybrooke, me fizesse livre de todos os problemas de todos os medos e incertezas que aquela viagem fora capaz de trazer a tona.
Agora naquele pequeno espaço de tempo, Emma Swan era apenas Emma Swan, sem toda a bagagem e culpa que minhas costas carregavam. Uma pessoa qualquer com os joelhos dobrados sobre a terra da floresta que rodeava a cidade que cresci.
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