Esposa de Mentirinha
3 93 Million Miles
Notas iniciais
– Vamos embora, talvez eles tenham esquecido que vínhamos. – Argumentou Emma, ao tocar a campainha há um minuto e até aquele momento ninguém dava sinais de que viria os receber, estava nervosa e mesmo que repetisse o mantra “Fique calma” milhares de vezes, não estava ajudando em nada.
Sonhava com o dia que veria seus pais novamente desde que fora expulsa de casa, desde que tivera que engolir todo o orgulho e bater na porta de Regina buscando abrigo e mesmo que tudo o que eles fizeram ainda era uma ferida em aberto, ela tinha conseguido tudo que sempre buscou. Uma família, de um jeito estranho, mas Regina e Henry era exatamente o que precisava e não importava quantas mulheres passavam por sua cama, todas as manhãs eram deles e sempre seria assim.
Emma continuaria lutando apenas por eles, fazia tudo por eles. Mesmo que algumas coisas no fundo eram para impressionar os pais que ela sabia que nunca se impressionariam com nada que ela tinha conseguido, pois Emma era o erro que deveria ser evitado. Uma anomalia a qual eles desprezavam, ela sabia o quanto poderia ser desastrosa aquela viagem.
Mas ela precisava mostrar que tudo que eles imaginaram jamais fora verdade. Ela tinha uma família, tinha uma empresa e tinha dignidade. Ela lutou por tudo aquilo para esfregar na cara deles que tudo que disseram para colocá-la para baixo, para destruí-la, só fez que lutasse mais. Só fez conseguir tudo o que precisava e jamais desistisse.
– Emma? – O nome da loira sussurrado tão espantado fez com que ela levantasse o olhar e focasse na porta que acabava de se abrir. Olhar novamente para a mulher que a causou tantas feridas era estranho, ela não tinha mudado muito, apenas alguns rugas. Mas ainda tinha o olhar doce que um dia confiou, os lábios vermelhos vivos que a contava histórias de dormir. Ela ainda parecia a sua mãe, não a bruxa que ela se lembrava de ter a expulsado de casa. Mas agora ela sabia que mocinhos no fundo eram vilões disfarçados e não importava quanto os olhos mostravam arrependimento, ela sabia o que de verdade existia por trás do azul. – David, é Emma. – Cantou Mary para dentro da casa, que logo trouxe um homem com cabelos grisalhos, rosto endurecido pelo tempo, mas um sorriso animado nos rosto que não combinava muito com o homem que a loira lembrava.
– Emma? – Disse o homem espantado, ela estava tão diferente da garotinha que segurava nos braços, ela tinha um olhar frio, uma postura dura. Ele sabia que tinha errado que ele e Mary tinham errado em tudo, mas não sabia o quanto ao ver o olhar de dor que os olhos verdes direcionavam aos dois.
– Acho que sim. – Murmurou Emma simplesmente, dando um meio sorrio aos dois, não sabia como agir e muito menos o que esperar. Aquilo era tão confuso e sem sentido que estava se perguntado por que tomou aquela decisão. Ela poderia ter ficado em NY assistindo filmes em preto e branco com Regina ou jogado vídeo games com Henry, seria tudo mais fácil, menos constrangedor e doloroso.
– Entrem. – Sorriu Mary, dando espaço para que Henry, Regina e Emma entrarem. A mulher mais velha observava atentamente a mulher pouco menor que sua filha que possuía madeixas castanhas e um olhar reprovador direcionado especialmente a ela. Sua mão pousava possessivamente na cintura de Emma e a outra segura às mãos do pequeno garoto. Que fazia Mary se lembrar da loira quando era apenas um bebê.
– Vocês são? – A morena mais velha questionou o mais gentil possível a acompanhante de sua filha.
– Regina Mills, esposa de Emma. – Respondeu Regina o mais cordial que conseguia, estendendo a mão para a mulher a sua frente. Emma não pode deixar de sorrir internamente ao notar o olhar de curiosidade e espanto de sua mãe, era uma satisfação pessoal, mesmo que não tivesse muito sentido.
– Prazer, Mary Margaret. – Disse antes de apertar as mãos de Regina. No fundo Mary esperava que sua filha tivesse se casado com um homem, mas ela sabia que não seria assim, Emma era rebelde e fazia tudo que eles não gostavam.
Por isto fora que MM acabou expulsando-a de casa, para ver se colocava juízo na menina, e que a fase rebelde “Gosto de mulheres, uso roupas pretas e bebo” acabasse quando notasse que não teria mais as mordomias e seus caprichos feitos na hora. Mas algumas horas se passaram e sua menina não tinha voltado e ela soube na hora que nunca mais poderia ter ela de volta. Aquilo doeu, e a corroeu, tanto que só parou de chorar a noite quando soube onde sua filha estava. E mesmo agora que tudo parecia bem para Emma, ela ainda não conseguia conviver consigo e seus erros, seus pensamentos errados e julgamentos piores ainda.
– E esta criança adorável? – perguntou acariciando os cabelos de Henry que simplesmente sorriu e se apresentou. Ele não entendia como uma mulher doce como àquela que ele acabava de conhecer pudera fazer mal a Emma, como poderia ter expulsado a pessoa mais legal que ele tinha conhecido em toda a sua vida, por algo tão normal?
– Henry é meu filho, Mary. – Sussurrou Emma explicando a confusão que seus pais estavam quando Henry falou que era filho das duas. – Porem fora gerado no útero de Regina. Ele é nosso. – Disse simples e sorriu para o filho que retribuiu o sorriso.
– Bem, venham, vou mostrar o quarto de vocês. – Disse David cortando o momento constrangedor e silencioso que se arrastara depois da pequena revelação de sua filha.
– Estávamos planejados alugar quartos na pensão da Granny. – Cortou a loira, não queria ficar muito tempo perto deles, os quartos não eram muito confortáveis, mas para Emma parecia uma opção melhor do que ficar naquela casa revivendo fantasmas desnecessários.
– Insistimos que fiquem aqui, a casa é grande e tem acomodações melhores que a pensão de Granny. – Argumentou Mary, não dando escapatória para a loira, eram apenas alguns dias afinal. Ela poderia se virar e engoli as lembranças que aquele lugar a trazia, algumas muito boas outras nem tanto, mas tudo aquilo era ela afinalm não?
– Tudo bem. – Emma deu de ombros e partiu para seguir David, que se sentia alegre por novamente ter sua menina em casa. Ele ainda sofria por ter deixo Emma ir, por não ter imposto sua opinião e não deixado às ideias loucas de sua esposa fazer ela se afastar, mas fora fraco e deixou-se levar por tudo que sua esposa enfiava em sua cabeça e agora para sua filha ele era apenas mais um estranho.
– Henry pode ficar no seu quarto Emma, o que acha? Ele continua do mesmo modo de quando partiu. – perguntou David ao parar na porta que costumava ser o pequeno refúgio de Emma.
– Se ele quiser. – A loira deu de ombros olhando para o garoto que mastigava o interior de sua bochecha compulsivamente, esperando toda aquela tensão desaparecer. Sem dúvidas aquela mania era de Regina, que como um espelho repetia o ato de Henry.
– Se ele não for rosa e cheios de pôsters sobre bandas de garotos eu aceito. – expôs Henry, fazendo todos os três rirem.
– Não sei se percebeu kid, mas eu fui tudo na adolescência, menos a garota que tem um quarto rosa lotado de pôsters. – Brigou Emma, cutucando as laterais do corpo do garoto moreno ao seu lado.
– Então eu aceito o quarto, obrigada Sr. Swan – Agradeceu Henry, usando toda a educação que Regina tinha o ensinado. Ele no fundo queria mostrar que “suas mães” o tinham criado muito bem, sem um homem por perto.
– Me chame de David, garoto.
– Okay, David? – Sorriu Henry, seguindo o homem para o antigo quarto de Emma, e se espantando o quanto era parecido com o seu. Livros por todos os lados, alguns até sobre o chão, ele gostou da ideia de ficar ali no fim. Poderia se isolar quando o assunto fosse de zona segura a pequenos terremotos.
– O quarto de vocês é ao lado. – direcionou David para o quarto ao lado, grande porém simples, ocupado apenas por uma grande cama de casal. Emma se sentiu espantada, não poderia acreditar que eles deixariam Regina e ela no mesmo quarto, okay elas tinham um filho juntas, para eles, mas os pais que um dia teve eram conservadores demais para isto. E no fundo ela estava contando em dormir em camas separadas, pois Regina não gostaria nada de dividir a cama com a loira, pelo menos era o que ela achava.
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