Esposa de Mentirinha
4 Not Alone
Notas iniciais
– Desculpa. – A primeira coisa que Emma conseguiu falar após David deixar o quarto – Eu não poderia prever. – sussurrou ainda olhando para o chão, esperando a qualquer momento Regina murmurar seu descontentamento.
– Pelo que Emms? — Perguntou a morena confusa, tirando os sapatos de salto que apertavam seus pés.
– Por ter que dormir no mesmo quarto que eu, sei que odeia dividir a cama e tudo mais. – falou Emma, sentando-se sobre a cama. – Vou pensar em um jeito de trocar de quarto com Henry não sei.
– Emma, relaxa. Está tudo bem. Somos casadas afinal não? – questionou a morena, ela odiava a bagunça de Emma, não suportava ter que ceder seu espaço na cama. Mas de algum modo estava confortável de ficar acomodada com a loira naquele lugar, era natural afinal não? Um casal dormir na mesma cama, os pais dela poderiam desconfiariam se fosse diferente.
– Mesmo assim eu vou dormir no chão, já que de maneira voluntária ou não acabarei nele. – Suspirou Emma, lembrado-se dos hábitos espaçosos da morena quando viam filmes juntas.
– Se você insiste não sou eu que vou ficar de frescura. – Disse Regina, odiava discutir com Emma, aprendera cedo que era perca de tempo, a loira quando colocava algo na cabeça nada a fazia mudar de ideia. A morena também era assim, porém com Emma aprendera a ceder quando podia, assim como a loira fazia com ela. – Já que estamos entendidas, vamos buscar as malas no carro?
...
Algumas longas horas depois, as malas estavam desfeitas e organizadas no guarda-roupa, assim como a cama de Emma estendida sobre o chão. Regina tentou algumas vezes disser que era perca de tempo, mas como sempre a loira a ignorou e continuou o que estava fazendo.
– Swan pode desligar a luz? – Perguntou Regina, quando seu corpo pedia desesperadamente um descanso da longa viagem e da tensão que estava desde que colocaram os pés naquele lugar.
– Sim, deixe só ajeitar os últimos detalhes para enviar ao cliente mais chato que já tivemos. – Emma respondeu igualmente cansada, porém se não terminasse aquele projeto hoje o cliente reclamaria e não estava com paciência para aturá-lo com suas críticas e gostos excêntricos que não ajudavam nada na imaginação dela.
– Ainda é o Killian? — Questionou Regina olhando para a planta de um prédio que a empresa Mills-Swan fora contratada para projetar e construir. Mas o dono queria algo como “Os piratas do caribe” e Emma mesmo com sua imaginação toda, estava ficando irritada com as exigências do homem.
– Ele resolveu agora que quer a piscina no formato do barco do Capitão Jack Sparrow. – Bufou puxando os cabelos, ela não estava achando um jeito de conciliar a piscina com todo o resto. – Se você me ama Mills, por favor, quando aparecer um cliente descubra se ele não e um louco apaixonado por piratas.
– Pensarei no seu caso. – Disse sorrindo ao ver Emma ir apagar a luz e desligar o notebook que dificilmente se separava. – Boa noite Em.
– Boa noite, senhora Swan. – Emma brincou. – Sonhe comigo. – Disse maliciosa, logo sendo acertada por um travesseiro.
– Você às vezes é tão palhaça que me pergunto por que está no ramo das construções. – Ironizou Regina se ajeitando na cama imensa só para ela, às vezes sentia saudades do calor de alguém, julgado que nunca tinha deixado ninguém passar uma noite completa ao lado dela, era meio estúpido o que sentia.
– Mills. – Emma chamou depois de alguns minutos.
– Sim, Swan.
– O que você achou deles? – a pergunta veio baixa, difícil de escutar, mas de algum modo Regina sabia do que se tratava.
– Emma querida, se eu disser o que acho deles, mesmo antes de conhecê-los, pesaríamos a semana falando sobre isto. – Regina os odiava desde que Emma apareceu em sua porta em platôs, elas mal tinha se visto duas vezes, mas nas condições que a garota loira se encontrava, a morena simplesmente não pensou, abriu sua porta e naquele instante também seu coração para uma amizade que jamais pensou conseguir naquela altura do campeonato. – Mas seu pai é até um pouco melhor do que imaginava.
– Ele não apoiava minha mãe, eu sempre soube, ele me disse – Emma confidenciou baixinho, tentando não pensar muito e deixar as lagrimas caírem, ela não chorava por isto há onze longos anos, porque choraria agora? – Mas David sempre foi muito domado por Mary, ele jamais falaria que ela estava erra.
– Às vezes certas coisas devem acontecer. – Regina falou deixando tudo o que pensava sobre aquilo escapar. – Se não fosse pela burrice e preconceito deles jamais teríamos Henry, eu jamais te conheceria. – sussurrou pela primeira vez o que achava daquilo. – E eu sou egoísta, você sabe não? Eu não sei bem o que seria de mim se eles não tivessem feito o que fizeram. – Regina pela primeira vez deixou se expressar mostrando por palavras o que sempre fazia por gestos.
– Obrigada. – Emma sussurrou sorrindo, era a primeira vez que pensava nos erros de seus pais como algo bom para ela. – Bem, agora vamos dormir, prometo não te acordar mais.
– Até amanha, não esqueça de me acordar para conhecer a cidade. – Avisou Regina se lembrando do péssimo hábito da loira de não gostar de acordá-la.
...
As lagrimas escorriam pelo rosto de Emma sem permissão, tinha acordado após um pesadelo, que mais parecia uma lembrança do pior dia da sua vida. Ela sabia que voltar ali traria novamente os pesadelos, o medo de rejeição e a angústia que durante anos foram seus melhores amigos.
O choro baixo acordou Regina, que tinha o sono leve e a preocupação apertou seu coração. Não sabia se tinha o direito de invadir o espaço pessoal de Emma, elas eram melhores amigas, tinha passado por muitas coisas juntas. Mas algo que elas aprenderam desde cedo era como respeitar o espaço pessoal uma da outra, como deixar certos assuntos apenas para elas.
Mas aquele assunto Regina não poderia simplesmente ignorar, ela sabia como Emma era frágil sobre seus pais, como nada a atingia igual aquele assunto, ela viu durante anos o quanto aquilo transformou a garota doce e animada a uma mulher fechada e amargurada com a vida. Talvez aquilo as ligasse e permitisse que a amizade delas não existisse mascaras.
Sem pensar muito Regina saio de baixo das cobertas e em passos lentos foi até a cama improvisada de Emma, se deitando e puxando a loira para o seus braços.
– Eu estou aqui. – sussurrou a morena beijando os cabelos da loira, e entrelaçado os dedos com os dela. – E não importa o que aconteça nunca vou sair.
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