Capitulo Nove

- Alô?! – Jo atendia ao telefone sonolenta, enquanto espiava no relógio o horário, 7:20. Seu sono passou por completo ao escutar a voz do outro lado – Sim, estou indo – Ela deu um beijo em Yunho, que permanecia dormindo, pegou algumas roupas no armário, vestiu-se, estava usando um calça e abrigo de moletom, pegou um boné, passou novamente os olhos em seu marido, na cama, coberto apenas com um lençol e saiu.

Poucos minutos depois estava num parque. Ela ajeitou o boné de basebol e trancou o carro, apertando o botão do alarme em seu chaveiro. Começou a correr. Passou por um homem, um mendigo pedindo esmola.

Ela lhe entregou uma moeda, de cor azulada. Ele lhe deu um sorriso e entregou um papel. Poucos metros a frente ela mostrou o papel que havia ganho a outro homem e ele lhe entregou uma espécie de chave de cristal.

Ela continuou correndo até chegar em uma cabine de telefone, tirou o telefone do gancho e colocou a pequena chave de cristal em uma fissura que havia no telefone. Colocou novamente o telefone no gancho e o telefone tocou uma vez, ela tirou novamente o telefone do gancho e recolocou-o, em seguida um cartão de acesso era expelido pelo telefone. Ela pegou aquele cartão e correu mais alguns metros, até chegar em uma pequena ponte, passou o cartão de acesso e digitou alguns números em um teclado alfanumérico, uma parta se abriu. Ela olhou em volta, para ter certeza que não havia ninguém seguindo-a e entrou naquela porta, ela se fechou em seguida e um elevador foi acionado, ela virou-se e pode ver através do vidro do elevador panorâmico.

A cada andar que ela descia, ela podia ver pessoas caminhando de um lado para o outro, mesas, monitores, todo o tipo de aparelhagem.

O elevador parou e ela virou-se novamente, as portas se abriram e ela pode ver um enorme corredor, aquele corredor que há muito tempo ela não via.

Poucos passos, caminhando por aquele corredor, com várias portas e vários nomes desconhecidos, ela parou em frente a quem lhe chamara: [Yeong Jung]

Ela bateu na porta

- Entre – O homem que estava lá dentro, esperando-a lhe dava autorização

- Chamou senhor? – Ela abriu a porta e dava de cara com um senhor de cabelos grisalhos, de estatura média, estava de pé, segurando alguns papéis.

Assim que ele a viu, guardou os papéis em seu cobre, ao lado da mesa e sentou-se em sua poltrona

- Sim, sente-se por favor – Ele então apontou para a cadeira a frente de sua mesa

- Sobre o que seria para me chamar tão cedo? – Perguntou ela curiosa, há muito tempo não era chamada. Deveria ser algo muito importante

- Pegue – Ele tirou um arquivo de sua gaveta e entregou a ela.

Jo começou a folhear, mas parou em uma página, surpresa com o conteúdo. Tinha vários nomes, dentre eles ‘Jocasta Bessone’, seu nome de solteira

- A agente Daiana conseguiu esta lista, nesta madrugada.

- O quê? – Jo estava aturdida, confusa, sem entender todos aqueles nomes. O mais importante, por que haviam lhe chamado

- Você irá entrar em contato com a WIA e lhes dizer que tem esta lista. Assim você irá demonstrar que você está ainda está do lado deles. Eles estão fazendo algo grande e queremos saber o que é, e terminar antes que seja tarde.

- Mas se eu entregar essa lista... – Ela olhou para seu nome novamente na lista — É o mesma que dizer ‘Me matem’

- Você irá entregar uma lista falsa, preciso que faça isso antes do meio dia de hoje – Ele esboçava um sorriso, algo quase impossível, se ela entregasse uma lista falsa, provavelmente eles iriam descobrir na hora

- Ok, só preciso levar Nathy a escola – Jo pegou o arquivo e colocou em sua bolsa

- Ora, Jo, Nathy está bem crescida e pode subir em uma komb que a pega em frente a sua casa, sozinha. Ela já tem cinco anos! – Respondeu ele, ríspido

- Sim senhor, entendo a urgência, mas anda sim, prefiro entregar-la nas mãos dos professores

- Ok, não irei me intrometer nisso, desde que você tenha tudo pronto às 12 horas. Já são 8:48am, o tempo passa rápido, minha filha – Ela esboçou um sorriso, forçado. Colocou sua bolsa no ombro e saiu apressada. Pegou seu telefone da bolsa e discou o número 9, normalmente era usado para emergências, mas não no seu telefone

- k2;l3;l3;l6; Barr, i0;k2;l2; k6;kl3;k2;? (Olá Baar, como está?) – Falava ela em um Russo perfeito – Estou com algo interessante para você – Dizia enquanto olhava a lista, viu vários nomes que lhe eram desconhecidos, inclusive, alguns que ela conhecia bem. Eram divididos em níveis. E agências para qual trabalhavam. Muitos eram extremamente sigilosos “Vou ter que fazer muitas alterações nisto”

Ela parou em alguns nomes, os nomes que ela deveria alterar, principalmente por causa de seus níveis e funções

“Daiana CIA Espiã Nível Gama Ativa

Yoochun CIA Espião Nível 1 ... Ativo

Jocasta CIA/WIA Espiã Dupla Nível Alfa Inativa/Infiltrada

Yasha CIA/WIA Espiã Nível 2 Ativa/Infiltrada”

Este último lhe chamou muito sua atenção, “Yasha está infiltrada? Aquela criança? Não acredito que Yunho teve coragem de fazer isto com ela”

Ela continuou olhando a lista, enquanto destravava o alarme e entrava no carro, mas fora surpreendida por uma voz que ela bem conhecia e não suportava.

- A quanto tempo – Sussurrava a voz em seu ouvido, com uma faca pressionando-lhe a jugular

- TaeYeon... O que você quer?! – Perguntou Jo, seca, mas demonstrava desprezo por aquela mulher – Acabei de falar com Barr, você não quer confusão se metendo comigo, ou quer?

- Barr me mandou para pegar a lista – Retrucou ela, enquanto arrancava o papel das mãos de – Hm, Tiffy ficará contente ao saber sobre Yasha... – Ela fez uma pausa e soltou uma gargalhada em seguida — Olha só o que temos aqui... Você é realmente da CIA, Barr estava mesmo certo... Droga... Perdi minha aposta, achei que você fosse das nossas, Jozinha! – Disse enquanto puxava Jo pelos cabelos e passando a faca de leve no rosto de Jo, fazendo-lhe um corte superficial — Isso é por Nicolas

- Isso é uma lista falsa, sua idiota, a verdadeira não está comigo, eles nunca me daria – Jo tentava manter-se calma, TaeYeon era boa em luta com armas brancas

- Então por que de seu nome estar na lista, querida! – TaeYeon estava confusa, poderia ser verdade o que Jo lhe falara, mas também poderiam ser mentiras

- Coisa da cabeça daquele velho chato – Jo ainda mantinha um sorriso sarcástico no rosto

- De qualquer forma, minhas ordens são de te levar... Não me importo por você estar contra nós, aliás, fico feliz, poderei me vingar... Uma vingança dolorosa – Ameaçava novamente Jo, com a faca

- Se suas ordens são me levar viva, por que continua tentando me matar, sua loira burra!?

- É tingido... Mas... Hmpf... Eu gosto de ver seu sangue escorrendo... Mas de qualquer forma, vamos para sua casa

- Por que!? Você já não tem o que quer?

- Falta uma pequena parte da minha ordem! – TaeYeon empurrou Jo para dentro do carro, deixando-a como motorista e ela ficando no banco de trás – Cuidado com movimentos bruscos ou eu posso enfiar, sem querer, a faca em suas costas!

O que TaeYeon falou sobre ‘Pequena parte’ fez Jo estremecer. Ela imaginou o que poderia seria, mas torcia para não ser realmente.

Alguns minutos depois chegaram na casa dela, Yunho já havia saído

- Mamãe, logo, logo, vão vir me buscar, por que me deixou sozinha – Nathy falava aborrecida, indo de encontro a Jo e pulando em seu colo

- Desculpe a sua mamãe, coisinha fofa e rosa – TaeYeon se referia ao pijama rosa que Nathy usava, além das pantufas e enfeite de cabelo – Hoje você não irá à escola, mas vai se divertir comigo e com a sua mamãe

- Ela não precisa ser envolvida nisso – Implorou Jo. Seus olhos estavam em chamas, à fúria lhe consumia. Ela deu pequenos passos até a varanda, ainda com Nathy em seu colo. Ela pegou uma vassoura e bateu na mão de TaeYeon, fazendo-a derrubar a faca. Jo largou Nathy, e a pequena correu para dentro da casa.

Jo deu um chute em TaeYeon, que a fez voar da varanda. Caindo na gramado, pouco mais de três metros de distância. Jo foi até ela e sentou-se no quadril da garota, não permitindo que ela se levanta-se, acertando-lhe vários socos rápidos.

- JO – Jessica gritou, saindo de dentro da casa, segurando Nathy pelos cabelos — Pare, se não quer que machuquemos sua princesinha – Ela virou-se e viu a cena, ficou imóvel, recebendo uma pancada em sua cabeça, dada por TaeYeon.

Quando Jo acordou novamente, ela escutava o choro baixinho de Nathy, ela olhou em volta e estava em um beco, não conseguia reconhecer o lugar.

- Calma minha filhinha, não precisa chorar – Jo pegou Nathy no colo e a embalava, tentando acalmá-la – Onde estamos? – Jo levantou-se, com Nathy nos braços e saiu do pequeno beco, olhou em volta e reconheceu alguns letreiros

- Japão? – Ela sentiu suas pernas tremerem “Por quanto tempo eu fiquei desacordada?” – Pronto, pronto, não precisa chorar! – Jo deu um beijo na testa de Nathy – Filhinha sabe há quanto tempo estamos aqui? – Jo levantou o rosto de Nathy e ela apenas sacudiu a cabeça em sinal de negação

- Aquelas mulheres más machucaram a mamãe, e nós trouxeram para cá! – Dizia ela ainda soluçando

- Filhinha calma – Jo começou a andar pela rua, sem rumo, apenas tentando achar algum ponto conhecido. Parou um homem e começou a falar com ele, num Japonês perfeito, perguntava onde estavam.

O homem somente riu e lhe respondeu: Tokyo.

Ela levou um susto ao escutar, sorriu para o homem, agradecendo-lhe e pegou seu celular. Discou o número 3, e viu o nome no display Daiana.

Ela falou por um tempo com sua amiga. Queria explicar tudo, para ela repassar a Yunho para este não mal interpretasse.

Sentiu alguém tocar em seu outro, ao virar-se deu de cara com quem ela menos esperava, ele lhe tomou Nathy e em seguida seu telefone

- Barr... O que você está fazendo aqui? – Jo estava visivelmente abalada ao encontrá-lo

- Eu lhe disse Jo, nunca peça ajuda, você quebrou as regras, irá perder algo valioso – Dito isso ele seguiu pega rua, Jo levou outra pancada, indo direto ao chão, viu sua filha sendo levada, mas acabou desmaiando.

- Another place (Outro lugar) – Disse ao olhar em volta e não ver mais os letreiros luminosos de Tokyo. Começou a andar sem rumo, mas ela sentia que já conhecia aquele lugar. O conhecia muito bem.

Teve certeza disso ao chegar em uma estação de trem e ver a placa [Moscou]. Tateando seus bolsos ela sentiu seu telefone. Discou novamente para o número 3.