Espiral
6 Você Sabe Por quê? Porque eu Lembro!
Notas iniciais
Você sabe Por quê? Porque eu Lembro.
Eu não me importava, na verdade eu me importava realmente. Quando pequena acha ser vampira incrível, até um dia em que estava passeando com a mãe da minha amiguinha e ela, e fomos atacadas por dois vampiros.
Eu devia ter uns nove anos, eu sentia um medo incontrolável que beirava a raiva extrema, eles estavam com suas fardas de trabalho azul com branca o que em si já me assustava, eles nos olharam com aqueles olhos vermelhos sangue e aparência bela e predadora.
— Olha que coisa mais linda Tomas. – Falou um dos vampiros quando estávamos andando, Ângela minha amiga estava de mãos dadas com a tia Carla e eu também, estávamos voltando de uma pequena festa de aniversario. O outro nos olhou de alto a baixo e sentiu o cheiro do ar.
— Sim, e com um cheiro excitante. – Responde se aproximando de nós, tia Carla nos empurrou para trás dela, como se visse o pior acontecer, o Tomas parou na frente dela colocando a mão no seu pescoço e cheirando intensamente, o outro já estava passando dela para perto de Ângela, eu sabia que seria a próxima. Carla já estava no chão sendo sugada por um dos vampiros, enquanto Ângela por outro, eu não conseguia me mover.
Eu estava parada sem mover um musculo do meu corpo, meus olhos brilhavam eu estava indignada com o que estava acontecendo e ao mesmo tempo apavorada. Até que escuto um forte uivo que veio junto com um ser gigantesco que arrancou com as patas o vampiro de cima de Carla e depois com os dentes degolou o vampiro, o outro ainda preso ao sangue, não notou que um lobisomem estava prestes a mata-lo.
Depois de matar um dos vampiros, pulou em cima do outro que percebeu e tentou se defender a toa. O lobisomem era tão forte que jogo o vampiro como se ele fosse um pequeno pedaço de papel. Ele teve uma morte parecida, sendo apenas esmagado na parede e degolado com os dentes. O animal parou olhando dentro dos meus olhos.
Você sabe como um Lycan é de verdade?
Ele não se parece com um homem e não é muito prazeroso de se olhar pela primeira vez, ele tem quase três metros de altura, com as costas curvadas para frente, às garras da frente de mobilidade assustadora e os pés se alongam deixando-o apenas se apoiar com o peito do pé, apenas com a parte da frente. Seu corpo é coberto por pêlos grossos e aparentemente sujos, seu rosto se contorce dando a vaga lembrança de ter sido um humano.
Mas o rosto é o que mais é temido. Os dentes parecem aumentar dentro da boca e serem empurrados para fora, dando um focinho ao dono, um nariz rápido e capaz de sentir qualquer cheiro. Os olhos são de um perfeito preto que sempre beiram um pouco para âmbar, sempre parecendo tão irracionais e perdidos, quanto qualquer pessoa que está sem saber o que está acontecendo. As orelhas pontudas e os músculos pareciam saltar deixando os pêlos eriçados. Eu gravei cada detalhe dele quando o Lycan salvava a minha vida.
Vampiros chegaram sentindo o cheiro do Lycan, eles seguravam armas com balas de prata e espadas para corta-lo ao meio a qualquer momento, meu corpo se colocou para frente tentando em vão salva-lo, mas nenhum pareceu me dar atenção.
Você sabe qual é a sensação de quase morte?
Prazerosa é como se a vida se tornasse mais bela, como se tudo se tornasse perfeito. Você não consegue ver o que estava de ruim ou errado, você se agarra aquele sentimento que faz com que seu corpo lute por vida, que faz com que seu cérebro pense e haja por conta própria, às vezes não dando a você o controle do seu próprio corpo.
Corri na direção do Lycan com a inútil tentativa de cobrir seu corpo com o meu, para que nada o acontecesse, um dos humanos que tinham vindo percebeu a minha decisão, e pulou para cima de mim, não me deixando continuar. Ele me segurava enquanto as lagrimas rolavam pelo meu rosto, eu não emitia nenhum som, a chuva começou a cair confundindo as minhas lagrimas com gostas de agua.
Os vampiros o atacaram com varias balas de prata, alguns com espadas. Depois de vários golpes o pobre animal chorava, aquele fino e agonizante uivo que deixava qualquer pessoa com pena. Isso os divertia. Um dos vampiros decidiu dar o golpe fatal, levantando uma espada vinda da china, ele degolou o Lycan assim como ele tinha degolado os vampiros. O Lycan voltou a sua forma original, um garoto de mais ou menos doze anos de olhos puxados e corpo magro. Ele tinha sido o meu salvador.
Os vampiros sorriam vendo o Lycan morto. Olharam para os vampiros mortos também rindo, pois tinha perdido para apenas uma criança lobisomem.
Você sabe o que é ver a pessoa que lhe protegeu morrendo?
Não tem sensação pior. Não tem como descrever em palavras o que é. Seus olhos turvam, seu corpo estremece e você percebe que faria qualquer coisa para que nada o acontecesse. Porque você tem medo. E sabe que apenas ele pode lhe salvar. Que nada mais vai conseguir. Que ele morreu tentando lhe salvar. Ele não tinha nenhuma obrigação de lhe proteger, e vendo ele na sua forma lobisômica e depois na sua forma humana, era difícil de compreender o porquê.
Depois de contatar os meus pais, o guarda humano me perguntou o que tinha acontecido, eu contei que o Lycan apareceu e que matou os vampiros, eu não poderia contar a verdade. Eu seria implicada se as pessoas começassem a acreditar que os Lycans poderiam protege-las, mas eu não pensava em mim. Pensava na minha família e em tudo o que aconteceria com eles se eu dissesse a verdade.
A minha família eu contei. Eles acreditaram em mim, e disseram que os Lobisomens estavam morrendo, pois protegiam os humanos, meu amor por vampiros morreu naquele exato instante, e meu amor por Lycans, Lobisomens ou seja lá o que chamavam ascendeu como uma chama antiga e forte, que poderia incendiar qualquer lugar.
Brincava com meus irmãos, falando em como ajudaria os Lycans, em como seria o lugar onde eu esconderia os lobisomens até o dia em que entraríamos em guerra para tomar o Brasil dos sanguessugas. Meus irmãos gostavam da ideia, e meus pais pareciam não se importar muito. Mas aquele sonho pareceu se apagar no meu peito. Ou melhor se apagar na minha memoria.
* * *
— Onde estou? – Perguntou o novo hospede a Jackson que estava parado perto do sofá. Jack o olhou calmamente e disse.
— Você está escondido, e será protegido. – Falou com a voz suave e confortante, Jackson sempre tinha o dom de fazer com que qualquer um dos pacientes não desse uma crise. Enquanto Scott tinha o dom de apaziguar qualquer fera, com sua perfeita e extasiante oratória. Eu nunca tinha conseguido isso.
— Você está na minha casa. E estamos cuidando de você Carlos. Mas precisamos que você descanse. — Como minha titia dizia, Jackson tinha o dom de fazer com que qualquer pessoa acreditasse nele, enquanto Scott tinha o dom de influenciar e fazer uma pessoa obedece-lo, às vezes de uma forma cega.
Mas eu não. Eu não conseguia conversar ou fazer as pessoas acreditarem e me obedecerem falando. Eu era como um soldado. Um soldado esperando a guerra, mas não um simples soldado, eu era o melhor, o comandante.
Porque eu era o único em que eles realmente confiavam, no qual eles depositavam a sua fé, aquele que os protegeria de qualquer coisa. O herói, o irmão que sempre estaria por perto. Aquele que sempre os protegeria. Porque enquanto Jack e Scott estivessem fazendo as pessoas acreditarem neles, eu estaria provando a elas que poderiam acreditar em mim.
— Como sabe meu nome? – Perguntou percebendo que o corpo já estava se curando da maioria dos tiros que tinha levado.
— Carlos Magno, vinte e sete anos, pai e mãe morta. – Falou Jackson olhando, ele estava mostrando que sabia de sua condição. Aproximei-me da cama olhando-o.
— Assassinados. – Falou Carlos, eu não tinha muito jeito com as palavras mais eu conseguia saber mexer com os sentimentos de uma pessoa.
— Você também seria. Eles tinham mandado lhe dar a esperança. – Ele me olhava não da forma confortável que olhava para Jack, ele me olhava com certo medo, e via nas minhas palavras uma forma assustadora de perigo. – Você estava tentando provar que eles tinham matado seus pais, e eles o silenciaram.
— Josh! O paciente ainda não está recuperado. – Falou Jackson se irritando pelo coração do paciente ter acelerado com as minhas palavras. Eu não conseguia deixar de sentir raiva, os vampiros estavam matando todos e destruindo tudo. Eles queriam apenas sugar toda a vida existente na terra. – Não se mova e tente se acalmar, você levou muitos tiros e seu corpo ainda precisa de descaço.
— Eu queria que eles morressem. Todos eles! – Carlos exclamou para mim que o olhava com um sorriso triunfante, eu tinha vencido uma pequena batalha. Cheguei perto dele mesmo com Jackson não querendo, ele levantou rapidamente ainda frágil corpo, em poucos segundos eu tinha conseguido modificar o rumo da conversa.
— Você? – Perguntou de forma um pouco assustada. Não terminando a frase. Jackson concordou com um pequeno pesar de não ser ouvido. O corpo do transmorfo pareceu um pouco desconfortável, mas logo depois confiante. – Eu devo estar muito mal.
Jackson dopou novamente Carlos para que ele se recuperasse mais rapidamente, ele precisava de ajuda, e não de vontade de vingança, pelo menos não agora. Eu já tinha arrumado as coisas e já estava voltando para o trabalho quando Jackson parou na minha frente com cara marrada.
— Porque fez isso?
— Porque precisamos leva-lo logo. Não podemos deixa-lo aqui. Você sabe. – Falei mudando a culpa do lugar, Jackson bebeu um forte gole de agua, esperando que eu continuasse a me defender.
— Tchau! – Falou quando percebeu que eu já estava de saída. Eu apenas acenei ainda de costas. As coisas estavam ficando rápidas demais, e tudo parecia estar correndo para que o nosso sonho se realizasse, o único problema agora era Suzanna e o Cruore.
Minha mente trabalha de forma incessante, Jackson já estava fazendo as identidades falsas e eu já estava conseguindo um lugar para que Suzanna ficasse escondida com Scott, ninguém poderia saber que ela era uma garota apta para estar no Cruore. Minha mãe estava tentando conseguir algum atestado que dissesse que ela tinha algum tipo de doença incurável que não a deixasse boa para ser convidada.
Cada um de nós procurava algo para que ela fosse impedida, não poderíamos deixa-la perto de nenhum dos sanguessugas. Meu pai não suportava a ideia e nenhum de nós, enquanto minha tia dizia, que se ela fosse ela seria a escolhida pelo vampiro. Disse que o cheiro dela é mais forte do que qualquer humana que chegue ao lado dela.
Às vezes eu queria tranca-la no quarto e contar a verdade, mas ninguém concordava comigo, todos estavam acostumados a fazer viver na mentira até que acontecesse, senão acontecesse o que era raro nenhum mal seria feito. Poderia acontecer de outra forma e ela poderia não suportar isso.
A verdade seria libertadora como dizem, mas não era o caso. Ela abriria os olhos de Suzanna, mas não a livraria do que aconteceria. Enquanto não saber poderia faze-la não perceber. Lembrava-me de quando ela era pequena e de como gostar de brincar de cachorrinho conosco.
Suzanna não era tão boa nas palavras como Scott, nem manipuladora, não conseguia fazer as pessoas ficaram confortáveis como Jackson, ou conseguia acalmar os sentimentos de uma pessoa. Nem se parecida comigo, ela não era tão boa quanto eu seguindo e dando ordens. Ela não era nada disso. Eu pensei que ela pudesse parecer com os nossos pais.
Mas ela não tinha o controle e a calma de papai, ou a bondade sem limites de mamãe. Nem da titia ela tinha puxado o jeito frio mais confiante de ter sempre coragem.
Ela era o tipo de pessoa em que você não acreditava e não deixava se manipular, não levava a serio e que não lhe transmitia nenhuma paz ou conforto, não obedecia ou seguia, não tinha controle ou calma, ou bondade infinita, não era a pessoa fria e corajosa, mas ela tinha o diferencial.
Aquele magnifico dom, aquela qualidade, ou melhor, aquela habilidade, de fazer com que qualquer pessoa desse a sua vida por ela, sem questionar. E esse pequeno talento fazia dela a melhor de todas nós. Fazia dela o símbolo. O nosso símbolo. A pessoa por quem eu daria a minha vida.
Ela já tinha provado esse dom varias vezes, mas sem nunca percebe-lo, a primeira vez foi quando ela estava na primeira serie, que ela estava para cair de uma arvore o colega de sala pulou na frente dela quase caindo apenas para segura-la, e ficou a segurando enquanto os adultos chegavam. Um humano de muito caráter.
O fato se repetia, mas em formas diferentes, um dia ela chegou com um amigo que tinha quebrado a perna, ele tinha pulado na frente do carro para tira-la no caminho, o carro infelizmente não conseguiu parar pegando na perna dele. O fato que mais se destacava era o do menino Lycan.
Uma vez ela foi atacada com mais duas pessoas por vampiros, ela tinha nove ou dez anos. E simplesmente um Lycan veio antes que a atacassem e matou os vampiros para depois morrer pelos soldados vampiros que chegaram logo após a morte dos assassinos. Ele era um garoto que ela não conhecia que simplesmente se arriscou mesmo sem conhecê-la para que ela ficasse viva.
Notas finais
Odiaram? Uma pena não?
Poisé...
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