Espelho, espelho...
2 Capítulo 2 - Certezas, e incertezas.
Notas iniciais
Capítulo 2 — Certezas, e incertezas
A noite já estava em suas altas horas. Harry Potter não conseguia dormir por mais que tentasse. Depois de dois anos após a guerra, Hogwarts estava novamente de pé, todos os alunos foram convidados a voltar as atividades; e muitos deles de fato o cumpriram, menos um certo alguém, que não seu sinal de existência ao longo dos desses lentos anos.
Suspirava a cada minuto, um suspiro pesado e triste. Muitas coisas o atormentavam, e Draco era uma delas.
Desde o final da guerra, tudo ficou pesado para o jovem bruxo. Perder os amigos e as pessoas as quais ele considerava família, não estava sendo nem um pouco fácil. Ele se recordava do Professor Lupim, de Fred... e de muitos outros amigos de Hogwarts que morreram em seu nome, para que ele pudesse acabar com Voldemort.
Também lembrava de Draco. Seu namorado, seu amigo, seu inimigo e sua alma gêmea. Cada vez que imaginava o rosto do loiro seus olhos marejavam, e mesmo que ele tivesse um sorriso brilhante e energético nos lábios, ele temia em fechar-se. Afinal, ele sofrera desde seu sexto ano, quando descobriu que Draco tinha a missão de matar Dumbledore, e era por isso que ele vivia se afastando. Lembrava-se também de quando Draco abraçou o Lorde Das Trevas, bem na sua frente, enquanto o olhava com seus olhares de perdão e misericórdia.
Já seus amigos que lutavam contra aquela força do mal nem conseguiam encará-lo de verdade. Mas Harry não, Harry o olhava da mesma forma, sabia que o louro era obrigado, e juraria fazer a mesma coisa no lugar dele. Ele sabia que Draco sofria por não poder estar ao seu lado, e também sabia que ele não arriscaria.
Esse pensamento fez Harry Potter fechar os punhos com força, ele almejava Edwiges ao seu lado naquela hora. Sua linda coruja das neves que foi morta para slavar sua vida. Quantas pessoas tinham que morrer por ele? Já não bastava?
Harry começou então a chorar. Chorava baixinho e fungava alto com a imagem de todos aqueles que amou e ainda amava passando na sua cabeça. Ele não podia negar, ainda amava Draco Malfoy como sempre amou, quem pensasse até mais. Mas o que doía em seu peito não era amor, era saudades. Draco se foi, deixou-o como sempre disse que nunca faria. Deixou-o sem nem o dar adeus, deixou-o apenas com saudades.
"Você definitivamente precisa parar de pensar, só está se machucando." Pensava o bruxo, mas quem ele iria enganar? Suas noites de insônia não eram por mera vontade, disso ele tinha certeza.
O bruxo continuava a chorar sozinho, e, por mais que se acalmasse, ele não conseguia dormir.
Ao fundo do dormitório masculino, Ron seu amigo de longas datas o encarava. Sempre com a caranga de sempre, amaldiçoando mentalmente quem sequer fazia parte do sofrimento do amigo. Já se faziam algumas noites que Ron sabia dos problemas de Harry. Acordava com seus choros e ouvia suas lamúrias; sempre perguntando pela mesma pessoa: Draco Malfoy.
Ah, ele o odiava, como odiava. E depois de tudo o que aconteceu, não se impressionaria a odiá-lo mais ainda.
– Draco... — Ouviu seu amigo quatro-olhos murmurar.
"Já chega." Pensou o ruivo. "Chega disso, eu não aguento mais vê-lo assim." Pegou sua varinha em cima do criado mudo, e aproximou-se do amigo lentamente, tocou seu ombro na espera de que percebesse sua presença. Logo que o escolhido virou-se o encarou surpreso ainda com os olhos vermelhos e a cara pegajosa das lágrimas. Harry estava atônito, sabia que chorava alto as vezes, mas não esperava acordar ninguém.
– R-Ron? — Harry colocou os óculos que segurava com força nas mãos. — Caramba cara, você me assustou! — Sorriu — Mas o que você...
Não deu tempo para que Harry terminasse a frase, Ron apenas apontou sua varinha para a testa de Harry com a expressão fechada.
– Obliviate. — Murmurou, para não acordar seus amigos ainda sonolentos. — Chega de Draco Malfoy...
Sorriu, e então, ao ver seu amigo pegando completamente no sono, tomou seu rumo de volta a cama.
– Boa noite, Harry.
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Os três amigos encrenqueiros estavam sentados lado-a-lado. Era início de um novo ano em Hogwarts, mas somente Ron parecia estar de mau humor. Claro que, somente ele sabia o motivo.
– Desculpe Harry... — Murmurou sozinho o garoto, enquanto o novo diretor da escola dava suas palavras de aconselhamento.
– O que tem eu? — Harry sussurrou de volta ao ruivo.
– Huh, eu disse que o discurso está chato, Harry. — Harry assentiu e continuou ouvindo.
– Muito bem alunos! — Era a vez da professora McGonagall de se pronunciar. — Temos um último aviso, depois de todas as palavras acolhedoras do nosso novo diretor Cornelius Stump, tenho de anunciar a chegada de um aluno conhecido nosso esteve sumido por um tempo...
– Não... — Ron disse atônito.
– Draco Malfoy! — Depois das palavras da professora, um garoto de cabelos loiros muito claros, vestindo roupas da casa da Sonserina. Seus cabelos estavam um pouco mais longos, presos com uma fita verde em um rabo-de-cavalo baixo.
– Draco? — Harry disse, exalando um pouco de raiva. Hermione sentiu aquelas vibrações negativas ao seu lado, vendo que Harry não estava nem um pouco feliz, perguntou:
– Não está feliz que ele voltou?
– Feliz?! Aquele comensal bastardo! — Quis, mas não quis bater a mão na mesa. — Nunca vou estar feliz!
– Mas ele é o seu...
Ron pigarreou, e em seguida soltou uma risada nervosa, pedindo que os dois prestassem atenção.
Nenhuma mesa das casas — nem mesmo a da sonserina — quis aplaudi-lo. Mas o loiro não parecia ligar. Ele encarava a mesa da Grifinória, mais precisamente, um certo Grifinório. Harry percebeu que Draco o olhava, tentou de todos os jeitos evitar seus olhos. Mas algo o prendia.
– Primeiramente, ele tem algo a dizer. — McGonagall ignorou a má-educação de todos em Hogwarts ao ex-comensal.
– Desculpem... — Draco começou, fazendo algumas pessoas rirem. Olhou para baixo um pouco envergonhado, mas então começou a lembrar do que o fazia forte, qual era o motivo dele voltar a Hogwarts e passar por toda essa lamúria. Suspirou, e encarou novamente os olhos verdes de um jovem bruxo.
– Desde o início eu não gostei da ideia de me tornar um comensal, muito menos de abraçar aquele bruxo repugnante. Eu ficaria do lado da escola! Eu juro... mas não pude escolher. Sinto muito.
Harry olhava profundamente para o loiro na sua frente. Ele não entendia o porquê de tudo aquilo, Draco Malfoy pedindo desculpas?
Do fundo da mesa Grifinória, um moreno de olhos verdes levantou, e começou a bater palmas. Junto dele, Ron e Hermione. Logo depois, todos os outros no salão faziam o mesmo.
Logo depois de todo o alvoroço, Draco caminhou lentamente pelo corredor, ansiando chegar a Harry. Parou na sua frente e sorriu. Depois de murmurar alguns pedidos de desculpa e alguns obrigados, abraçou-o. Ele não sabia exatamente o que deveria fazer, não sabia se afastava o garoto louro, ou se correspondia ao abraço.
Ele conseguia sentir o cheiro de colônia cara do pescoço dele, conseguia sentir suas mãos tremerem um pouco enquanto apertavam suas costas. Sem falar no seu coração, que parecia querer pular para fora do peito a qualquer instante.
Afastou-se do abraço e o olhou inespressivo. E aquela foi a primeira vez que viu Draco Malfoy sorrir.
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