Especial Inner Beauty

24 Capitulo Vinte e três parte IV


Notas iniciais
Heyyyyy! People! Eu nem vou mais tentar me desculpar com vocês, a partir de agora vou atualizar sem demorar e assim me redimir com esse tempo todo parada x.x Olha, os comentários do capitulo anterior me deixou muito feliz! Eu agradeço muito a compreensão de vocês, quando eu perdi meu HD não foi fácil, mas esse ano eu quero repor tudo que perdi =D Ultimamente estou escrevendo tudo no papel, além de dar mais resultado não tem mais perigo de perder - só se eu perder o caderno, mas é improvável - o que significa que a partir de agora dificilmente uma fic ficará parada xD Acho que o fato de eu sentir que o que tá no papel não dá para perder como no pc me dá mais confiança para escrever e minha inspiração retorna *_* Gente, só dois capítulos desse especial quase preencheu um caderno de 10 matérias... To nas últimas folhas xD Se não ficasse feio colocar aqui eu tiraria uma foto para vocês verem que não to mentindo kkkkk Bom, mais uma vez eu quero agradecer por continuarem acompanhando a fic apesar da demora e de todos esses problemas! De verdade, muito obrigada *___* ALERTA DE HENTAI: Hey esse capitulo tem cenas de sexo, então se você não gosta ou não deveria estar lendo, fica de aviso. Ás que estavam aguardando esse momento vamos bater palmas e gritar Aleluia! Boa leitura e desculpem os erros!

Dezoito parte IV

Uma pessoa normal gritaria e encontraria um meio de matar aquele animal venenoso, para sorte desse animal eu não era uma pessoa normal. Enquanto todo mundo ainda especulava sobre a mordida que o Phil havia levado eu tentei espantar o pobre animal assustado – o que não foi fácil, Jararacas são extremamente agressivas.

Óbvio, a cozinha não estava tão distante e alguém ia acabar me vendo tentando convencer aquela criatura de ir para fora do quiosque.

— Essa não... — Levei um susto com a voz do Peter atrás de mim. Ele me olhou com uma mistura de preocupação e temor, depois se voltou para o amigo ao longe. Coçou a nuca e num longo suspiro gritou: — Michael!!! — Por um instante eu jurava que ele estava chamando o Michael para dizer que EU tinha trazido a cobra só para picar um dos amigos dele.

— O que fo...! — E ele fez a mesma expressão do amigo. — Ah cara, que merda... — Nisso se virou nervoso para mim. — Sinto muito, mas essa coisa não vai viver. — Cruzei os braços fazendo um bico.

— Olha, isso não teria acontecido se tudo mundo estivesse de perneira como eu, então a culpa não é exatamente dela. — Murmurei e o pior aconteceu, uma das escandalosas se aproximou e começou a gritar que nem uma histérica.

— AH MEU DEUS O PHIL FOI PICADO POR UMA COBRA! — Berrou Leah. TODOS ouviram claro. E o desespero tomou conta de todo o pessoal.

— Uma cobra? Tipo, sério? Não é mais uma brincadeirinha sua não né ruivinha? — Flint veio apavorado no meu rumo. Abri a boca para responder quando o Michael tomou a frente.

— É, Flint, a Sophie ia trazer uma cobra venenosa e deixar picar o Phil só por diversão! — Andou até o amigo ofendido que estava pálido de medo. — Temos que ir para o hospital, você consegue andar!

— E se ele morrer no caminho? Tem que chupar o sangue se não ele vai morrer no caminho! — Quanta idiotice. Me espantei ao descobrir que quem tinha dito isso chorando era a Safira.

— Ele pode morrer? — Alguém tentou cochichar, mas foi alto suficiente para todo mundo ouvir.

— Claro que ele pode morrer, é uma cobra, tem que amarrar a perna dele para evitar que o veneno suba! — Meu Deus, como assim?

E todo mundo começou a falar que o coitado do rapaz ia morrer NA CARA DELE. Evidentemente, Phil foi de branco para amarelo e eu pensei que ele fosse chorar ou desmaiar de medo. Flint, Leah e Safira abriram o berreiro, o resto estavam super preocupados e desesperados sem saber o que fazer, todo mundo falando ao mesmo tempo em voz alta e contanto as probabilidades altíssimas do pobre rapaz falecer nos próximos minutos seguintes.

Notando que eu era a única criatura racional ali, o jeito foi tomar as rédeas. Dei ‘boa sorte’ para serpente – ela tinha que ser rápida, porque assim que alguém me visse saindo ia lembrar dela e seria uma paulada atrás da outra – e corri no rumo da minha barraca.

Como eu esperava estar num acampamento de verdade, havia trazido os itens para um acampamento de verdade. Isso inclui um kit de primeiro socorros.

Dei um sonoro e alto assobio fazendo com que todos me encarassem assim que voltei.

— OK todo mundo quieto! — Gritei o mais alto que pude – o que não era muito. Cheguei a tempo, o Peter estava tentando espremer o calcanhar do Phil como se a ferida fosse uma espinha. Assim que todo mundo fixou os olhos em mim, eu ergui o queixo. — Sem choro! Ou então vão chorar em outro canto! — Apontei para os três que choravam bem nervosa. — Sem teorias malucas para tirar o veneno! — Agora para os que achavam que chupar o sangue ia resolver algo. — E pelo amor de DEUS tira a mão dessa ferida imediatamente, e lave ela com álcool Peter! — Ele olhou assustado para as próprias mãos e correu para o banheiro. — Montanha! — Olhei para o maior de todos. — Tira todo mundo de perto do Phil AGORA! — Ordenei com o queixo erguido.

— Quem você pen...

— Eu fiz curso de primeiro socorros, já vi três pessoas serem picadas por serpentes e uma delas foi meu pai, então, a não ser que você tenha um curriculum melhor Piper, sugiro que cale a boca e se afaste junto com os demais! — Não sei se foi meu timbre ou minha expressão séria, mas não é que eles começaram a obedecer. — Michael pega uma água para o Phil. — Ele nem mesmo discutiu e notei o Montanha pedindo para o pessoal dar espaço e fazer silêncio.

— Você já fez isso mesmo? — Me perguntou Phil com a voz tremula – ele todo estava tremendo, coitado.

— Não, mas já vi fazerem. Olha, você precisa se acalmar, em primeiro lugar: Você não vai morrer! Teria que ter uma reação alérgica para morrer do modo como eles estão falando, não é assim! A maioria das pessoas não morrem nem quando não tomam o soro, o que nem vai ser o seu caso. — Ele assentiu ainda receoso. — Sei qual espécie te picou, isso elimina qualquer probabilidade, por que com o soro correto é provável que passe menos de uma noite no hospital e já te deem alta. — Engoliu seco concordando. — Então se acalma o máximo que consiga, e se achar melhor fique deitado, mas o importante é relaxar. — Ele tentou relaxar mais no banco normalizando a respiração.

— Aqui. — Disse Michael enchendo um copo de água e entregando para ele. — E agora? — Me perguntou ainda preocupado.

— Arrume o carro para levar ele. — Ordenei e me voltei ao Phil. — Erga seu pé um pouco. — Ele obedeceu assistindo o Michael andar às pressas no rumo do veículo. Peguei a garrafa de água que trouxeram e lavei com delicadeza. Enrolei uma gaze em volta da ferida deixando o mais frouxa possível. — Peter e Montanha, vocês dois levam ele para o carro. — Ambos concordaram e pegaram o amigo levando no rumo onde o Michael tinha estacionado o carro – agora perto da entrada do quiosque.

[...]

Acabou indo todo mundo para o hospital – tudo amontoado nos carros, ainda bem que não fomos parados por polícia nenhuma. Enquanto a enfermeira analisava o ferimento, eu expliquei a outra sobre qual a serpente que havia ferido o Phil.

Era um pessoal chorando de um lado, outros com cara de funeral do outro e dois tentando acalmar o Phil enquanto o médico não chegava. Ainda que eu tenha explicado um milhão de vezes que o Phil não ia morrer, mas quem disse que alguém me ouviu?

Até que finalmente uma médica do hospital chegou.

— Não, não! Só duas pessoas podem ficar com ele... — Alertou ela quando todo mundo se aproximou. Eu já imaginava, por isso nem me aproximei quando a médica pediu para levar ele para um dos quartos.

— Eu vou. — Disse o Michael de supetão.

— Eu também... — Pelo visto só eu fiquei surpresa quando a Safira – ainda chorando um pouco – se prontificou. Okay, confesso que apesar da situação fiquei um pouco enciumada, o Michael e ela ia passar a noite no hospital? No aniversário dele? Juntos?

— Nãooo... — Ecoou uma voz dolorida ao fundo. Phil se levantou com a ajuda do Peter e encarou ela bem sério. — ...Se eu for morrer essa noite você é a última pessoa que eu quero ver... — O queixo dela e de muita gente caiu ali.

Silêncio colossal tomou todo mundo – inclusive a médica. Que frase forte e bastante exagerada já que as chances dele morrer são mínimas, não tinha se passado nem uma hora depois da picada e a cobra picou num lugar que nem é de risco!

Felizmente o Peter quebrou o silêncio.

— Faz o seguinte, eu e o Michael ficamos e vocês levam as meninas de volta para o acampamento. — Os dois rapazes que sobraram concordaram sem muito o que dizer. Michael entregou a chave do carro para o Montanha e depois se aproximou de mim enquanto o Peter ajudava o Phil a seguir as enfermeiras.

— Tudo bem? — Assenti contrariada. — Amanhã bem cedo eu devo aparecer, se tudo der certo aqui, ok? — Suspirei puxando o braço dele para olhar o relógio.

— Faltando trinta e quatro minutos, eu sou a garota mais sem sorte do planeta terra! — Ele deu uma risadinha fraca.

— Se eu não deixar ninguém me dar parabéns vai se sentir melhor? — O fitei seca negando. Ia abrir a boca para dizer algo quando fui interrompida.

— Não, eu não vou... — Disse uma voz feminina nervosa atrás de mim. Me virei para ver Safira – ainda chorando só que dessa vez com raiva. — ...Não to nem aí se ele não quer que eu fique Montanha, eu vou ficar aqui. — Que pessoal mais complicado. Eu achei que ela ainda gostava do Michael, mas não quer largar o ex atual?

— Não dá trabalho Safira! Não deve ser bom para ele ficar nervoso e com você aqui esse é o mínimo que o cara vai sentir, vamos, levanta daí! — Tentou puxar ela pelo braço e não forçou o suficiente já que ela se jogou na cadeira de novo.

— NÃO VOU SAIR! — Disse em alto tom e todo mundo ficou olhando para ela. E eu achando que quem ia fazer cena era eu.

— Safira, não tem nada que você possa fazer aqui, honey, só vai ocupar banco e preocupar o Peter e o Michael, vamos voltar, amanhã cedo a gente vem. — E ela bateu o pé no chão negando.

— NÃO! — Naquele momento eu critiquei as ações dela um monte de vezes na minha cabeça. As palavras que surgiram na minha mente iam de ‘infantil’ a ‘histérica’. Mas aí me veio uma reflexão que ela lembrava a mim mesma em Santa Mônica um tanto desesperada pelo Michael ter desmaiado.

— Você vai sim, senhora! — Intrometeu o Michael sério. — O Phil vai passar a noite tomando soro e não sabemos como ele vai reagir, se vai passar mal, se vai sentir dor, então não quero esquentar a cabeça por que a senhorita ta dando birra na recepção! Amanhã bem cedo, se quiser, você volta, mas hoje, nesse exato momento o Phil é prioridade, e já que você incomoda ele, não vai nem sonhar em ficar por perto. — Ele falou com tanta seriedade que até espantou alguns.

Michael sendo o líder do grupo ficou meio impossível de alguém ir contra a decisão dele.

[...]

De acordo com o horário eu já deveria estar dormindo, mas tudo que consegui ao chegar no acampamento foi sentir pena da pobre cobra morta jogada distante do quiosque – foi o próprio Peter que matou, pelo que entendi – e ficar conferindo os presentes do Michael na barraca contrariada por que aquele era para ser o momento em que eu os entregaria, primeiro que todo mundo.

Não conseguia dormir, então achei que um banho quente resolvesse o problema.

Saí da barraca com minhas coisas na mão e dali eu já podia ver a luz e ouvir uma música dramática vindo do quiosque. Sozinha, enchendo um copo com cerveja, minha suposta rival estava com os olhos vermelhos afundada numa amargura sem fim.

A princípio pensei em dar meia volta, até por que não fazia ideia do que fazer numa situação dessa. Os dois ex querendo ela longe, independente de qual deles ela gosta devia ser bem tenso. Mas assim que dei um passo para trás um galho seco surgiu do nada em baixo do meu pé e fez o barulho ecoar o suficiente para ela ouvir e se virar no meu rumo.

Achei que fosse me ofender, ficar nervosa, mostrar o dedo do meio, qualquer atitude hostil, só que ao invés disso a maluca começou a rir acenando para que eu me aproximasse.

Bonequinhaaa! Venha, não finja que me ver assim não te agrada, por que eu sei que sim! — Franzi a face confusa e de fato entrei indo no rumo dela.

— Pois está enganada, está tudo dando errado tanto para você quanto para mim e certamente te ver assim não me faz sentir melhor. — Ela deu um grande gole acabando com a cerveja no copo e logo dando um suspiro.

— Ahhh ‘está tudo dando errado’, isso me define bem... — Resmungou continuando a acenar. — ...Senta aqui. — Apontou para o seu lado. — Eu sei que você não gosta de mim, mas se meu ex prefere ficar com meu ex num hospital, acho que significa que nos duas não vamos morrer se fizermos o mesmo. — A pouca lógica naquela frase me deixou mais confusa ainda. Ainda assim, a falta de sono me convenceu que ficar um pouco ali realmente não ia me matar. — Aqui. — Tirou uma latinha de uma caixa vermelha no chão colocando ao meu lado.

— Eu não bebo... — Murmurei virando o rosto assim que ela riu amarga.

— Claro que não, princesas nunca bebem, não é? — A fitei seca me levantando para sair, porém ela segurou meu braço dando outra risadinha, dessa vez sem graça. — Tá bem, tá bem, desculpa, não precisa apelar. — Tornei a me sentar. — Ah, não... Espera... — Ela remexeu na caixa vermelha de novo e dessa vez tirou uma bebida diferente, era uma garrafa pequena de vidro e um liquido branco bem clarinho. — Acho que esse você bebe... — Tirou a tampa e eu tornei a negar.

— Não bebo nada alcoólico. — Reafirmei.

— Tem certeza? É da Piper e essa é uma bebida bem cara que ela... — Antes que ela concluísse o raciocínio eu já estava tomando só de raiva, o que fez a outra cair na gargalhada. A bebida tinha um sabor doce na língua, mas assim que passou pela minha garganta foi como se esquentasse. — ...Sabe qual é a melhor parte? Se ela falar um ‘a’ para você o Michael vai brigar é com ela! — Contou como se realmente fosse algo bom.

— Achei que ela fosse sua amiga. — Ela tomou uma golada prolongada da cerveja e apenas acenou com a cabeça sem resposta. Houve um silêncio incomodo que precisei preencher com outra golada naquela bebida que já desceu mais suave na segunda vez. — Phil não vai morrer, só para você saber. Se fosse outra espécie, outro tipo de veneno, talvez, mas a jararaca não é tão venenosa como todo mundo pinta. — Foi o que consegui pensar de última hora para não ficar só bebendo ali olhando para cara dela. Ela tomou outra golada e se virou para mim.

— Você sente aquela sensação? — Perguntou quase em um sussurro. Um pouco confusa – e achando que ela provavelmente já estava bêbada e falando coisa com coisa – relaxei no banco apoiando meu braço na mesa.

— Que sensação? De premonição que ele pode morrer? — Chutei tentando juntar o sentido do que falei com a pergunta. Porém Safira franziu o nariz negando.

— Nãooo! Não falando do Phil, falando do Mike... — Isso me fez enrijecer o corpo não gostando no tópico.

— Sensação de que o Michael vai morrer? Não! — Tive até que tomar a bebida da Piper novamente só espantar o arrepio na pele ao dizer aquilo. A maluca do meu lado riu negando.

— Não, bonequinha, não estou falando disso! Esquece essa história de morte, estou falando daquele comichão na ponta do estomago. — Mordi os lábios olhando para o teto sem entender.

— Como as borboletas dos livros? — Ela ficou tão confusa quanto eu, concluiu mais uma latinha e levou a mão para pegar outra. Assim que abriu a nova tornou a se virar no meu rumo.

— Quando eu namorava com o Michael, e olhava para ele, eu sentia bem aqui... — Safira apontou no meio da barriga uns dois dedos abaixo dos seios. — ...Um comichão, dava a sensação de que sempre que me olhava ele estivesse aguardando o final. — Eu devia ter bebido demais, por que não entendi nada.

— Como assim? Como se ele quisesse morrer? — Ela gargalhou negando.

— Não! Como se ele esperasse, como se já soubesse e só estivesse esperando o final do namoro, saca? — Não tinha sacado nem um pouco. Bebi mais do que quer que fosse aquele liquido claro e neguei.

— Você olhava para o Michael e sentia que ele queria terminar? — Ainda não entendia por que estávamos falando dele, mas a essa altura nem me importava. Bebeu novamente e respirou fundo.

— É como se ele te olhasse e não visse futuro, é como se ele olhasse e soubesse que não duraria muito, entende? — Pisquei algumas vezes.

— Acho que sim, você sentia como se não fosse durar? — Ela quase engasgou negando.

— Não! Eu não, ele me olhava assim, como se eu tivesse um prazo de validade, como se mais cedo ou mais tarde fossemos terminar. — Safira se ajeitou no banco se virando totalmente para mim. — Eu conversei com ele bonequinha, contei como sempre contava tudo, dessa sensação de como se ele estivesse só esperando alguma coisa acontecer para gente terminar, como ele tinha certeza que ia acontecer... — Meu Deus, eu estava discutindo o relacionamento dela com o Michael e por incrível que parecesse muito interessada.

— E aconteceu, você se envolveu como Phil, não é? Então ele não estava errado. — Comentei e ela se levantou num pulo quase ofendida.

— Não foi assim! Não sabe o que é tentar chegar em alguém e essa pessoa impedir de todas as maneiras possíveis, eu não conseguia ter uma conversa profunda com o Michael por que sempre que começávamos a falar dele ele não levava o assunto a sério, e vinha com aquele típico olhar que dá aquela sensação de não querer falar por justamente estar aguardando o namoro acabar. — Outro gole por que eu estava confusa demais.

— Eu achei que tivessem tido o relacionamento perfeito pelo jeito que ele fala... — Comentei sentindo um amargo na garganta. — ...Vocês tem tanto em comum. — Ela riu.

— Sabe qual a sensação que eu tinha em relação a ele? — Outra? Tornou a se sentar do meu lado com um olhar bem sincero e neguei em resposta. — Mesmo quando fazíamos algo que ambos gostávamos, mesmo quando brigávamos, ou quando nós fazíamos as pazes... A sensação era que eu não era quem ele realmente esperava ver, tipo ‘você é uma pessoa incrível, nos damos tão bem e eu estou tão contente, mas... Não é a certa’. — Senti uma pontada, principalmente por que eu duvidei que eu também fosse a certa.

— Como a madrinha Eloise com o padrinho... — Comentei mais para mim do que para ela.

— ISSO! Exatamente, é como se ele esperasse algo daquele tipo, entende?! Algo... — Eu percebi que ela tinha dificuldades para encontrar palavras para expressar.

— Algo que fizesse ele sentir que estava tendo o mesmo que eles! — Ela sorriu largo assentindo.

— SIM! Daí ele olhava para mim e dava para ler nos olhos dele aquela pequena frustração ao notar que eu ainda não era aquela pessoa que proporcionaria o mesmo que o que os pais tinham... — Até a própria Safira ficou um pouco confusa com o que disse. Afirmei.

— Foi quando você se envolveu com o Phil? — Isso fez o sorriso dela morrer e ficar um pouco sem graça. Suspirou com os olhos fixos no chão.

— Apesar de toda a atenção do Michael, de parecer que estávamos no relacionamento ideal já que tínhamos tanta coisa em comum como você mesma disse, sentir e de alguma forma saber que no fim eu não era o que ele queria ver... Acabou mexendo comigo. Eu já era amiga do Phil... — Ela tomou a cerveja para ter mais coragem, eu acho. — ...Ele é uma pessoa discreta, sabe?! Aos poucos eu fui me abrindo mais com ele, e aos poucos eu fui preferindo conversar com ele do que com o Michael... — E os olhos dela foram ficando vermelhos. — ...E quando eu dei por mim, ele já tinha virado meu confidente e procurava mais ele para passar o tempo do que o... — Concluí a garrafa de bebida da Piper e nem quis saber se era alcoólico ou não, peguei outra na caixa. O assunto era muito tenso para eu ficar parada. — ...E como o Michael já sabia que tudo acabaria, já pode imaginar que ele nem fez força para impedir... — Essa parte eu conhecia, o próprio Michael me disse que não fez nada.

— Mas você gosta do Michael ou do Phil? — A pergunta que não queria calar e não sei de onde tirei coragem para fazer. Ela me fitou sem jeito.

— Ahhh bonequinha, eu amo o Michael, ele apareceu num momento tão complicado na minha vida e simplesmente mudou tudo. — Quando ela viu que fiquei um pouco nervosa com aquilo começou a rir. — Mas isso ele faz com todo mundo. Só que com o Phil é diferente... — Rosnei ao ouvir isso, descobri que ODEIO a palavra ‘diferente’.

— Ah nem precisa concluir, já sei muito bem por que o Phil terminou com você! — Disse zangada e ela ficou boquiaberta.

— Como sabe que... O quê? Como assim? — Encarei ela.

— Qual é o problema seu e do Michael que acha que dizer que uma pessoa é diferente faz todo sentido? Eu sinceramente, tenho vontade de matar o Michael sempre que ele diz que comigo é diferente! Pelo amor de Deus, vocês dois precisam aprender a se expressar melhor! — De raiva tomei umas três goladas da bebida de gosto doce e ardente. — Há tantas formas de interpretar isso que é impossível que vocês dois achem mesmo que vamos adivinhar a que se referem! — Ela me deu um sorriso divertido.

— Ele disse que com você é diferente? — Assenti nervosa e ela gargalhou. — Fora da cama? Por que eu só ouvia sobre ele gostar de mim quando queria... — Pigarreei alto e ela entender para maneirar. Esvaziou a latinha e levou a mão para pegar outra. — ...Sabe?! Esse é um dos lados que eu mais gosto do Phil, ele não é de sentimentalismos, só que quando falava, na maior parte das vezes não tem nada a ver com sexo. — Meu Deus, onde essa bebida alcoólica estava nos levando? Já que eu estava me sentindo meio aberta resolvi dar corda ao assunto.

— Não preciso contar sobre o Michael, não com você, óbvio. Mas sinceramente, tenho raiva sempre que ele age como se de fato não pensasse besteira o tempo todo. — Ela gargalhou quase engasgando com a bebida.

— Desculpa, Sophie, só que isso aí é novo para mim. — Dei uma risadinha. — Como assim?

— Ele tem dificuldades de confessar que muitas das atitudes dele são totalmente intencionadas para me levar para cama. — Expliquei e ela tornou a rir.

— Talvez ele queira dar mais significado ao que faz por você, eu mesma, desde que conheci o Michael nunca vi ele parar de beber por ninguém. — Isso me fez ficar curiosa.

— Por que você contou para madrinha mesmo sabendo que não deveria sobre o chalé? — Ela tomou a cerveja desconcertada.

— Eu e o Phil estávamos muito bem, mas quando eu soube que ele enfrentou a mãe por uma garota, o que NUNCA fez antes, acho que fiquei enciumada e isso acabou com meu relacionamento, então nem precisa ficar brava comigo, por que o preço eu pagando... — Falou amargurada.

— Por quê? Se você estava bem com Phil...

— Porque eu não tinha percebido que gostava tanto dele assim... Até eu ver que eu podia perder ele de vez... — Limpou uma lágrima no canto do olho. Suspirei encerrando a segunda garrafinha e me sentindo um pouco tonta, mas não o suficiente para encarar outra.

Teve um período de silêncio enquanto ela se recompunha e eu abria outra garrafinha das bebidas da Piper – que provavelmente ficaria uma fera se soubesse.

— O Michael dormiu com a minha melhor amiga... — Contei o que deixou ela espantada. — ...Aposto que é uma coisa que também nunca fez antes com você, então ainda está no lucro. — Safira me fitou indignada.

— Por... Por...

— Quando eu tinha onze anos ou doze, ele me proibiu de entrar no quarto dele e disse que eu era criança demais para ficar perto dele. — Outro longo gole. — Ele bateu no meu primeiro namorado e me levou arrastada do baile de formatura, isso por que não estou levando as brigas que temos em consideração. — Mais uma golada.

— E você tá namorando esse idiota por que, garota? — Mexi os ombros como se fosse óbvio.

— Sou estupidamente apaixonada por ele, caramba, eu aceitei vir aqui mesmo sabendo que provavelmente ele dormiu com a maior parte das garotas que teriam no acampamento. — Ela deu uma risadinha.

— Gosta mesmo do Mike mesmo depois dele ter dormido com a sua melhor amiga? — A encarei séria, ainda que estivesse quase vendo duas Safiras.

— Amo o Michael desde os cinco anos de idade e provavelmente vou amar ele mesmo depois dele terminar comigo, como fez com você e as outras. — Isso certamente tirou o sorriso dela e a deixou surpresa e até um pouco de pena. — Tudo bem, eu já sabia que se...

— Uau... Isso é intenso... — Ela me interrompeu. — ...Agora eu sei o que ele tava procurando em mim e não conseguia encontrar. — Ou eu estava realmente bêbada ou ela estava por que EU não entendi – mais provável que fosse eu. — Sabe?! Acho que sinto a mesma coisa pelo Phil... — Não sei se ela estava sendo sincera, mas foi um alivio.

Não sei que horas eram quando as garrafas da Piper acabaram, só sei que estava tarde, muito tarde quando resolvi não me importar com o que bebia. Safira colocou uma música no celular mais animada e por mais incrível que pareça nós desatamos numa conversa sem fim sobre a única coisa que tínhamos em comum.

— Você-você não odeia quando-quando tenta falar algo sério com ele e ele ri da sua cara? — Perguntei em pé já tonta me apoiando na mesa. Ela gargalhou afirmando.

— Ah sim! Ou quando te leva para jantar e de repente aparece um monte de gente que conhece ele e ELE DEIXA eles se sentarem com a mesa! — Contou a outra levantando as mãos para o céu com a voz engraçada. — Jesus obrigada por fazer o Phil antissocial e eu não ter mais que passar por isso! — Disse entre risos. Me restou rir também e nem sei por que.

— O ar de-de que-que sabe mais do que eu quando-quando estamos fazendo sexo, isso-isso me dá uma vontade de arranhar a cara dele! — Falei rangendo os dentes e ela riu.

— Arranhe, ele vai adorar! — Eu deveria ficar brava por ela saber disso, mas a bebida bagunçou meu cérebro e comecei a rir também. — Odiava quando ele dizia qualquer coisa naquelas ‘horas’ só por que sabia que não gostava do silêncio, acredita que uma vez ele começou a dizer umas coisas e só me dei conta que tava recitando uma música da Britney Spears quando disse: Hit me baby one more time! — Deus por que fiquei rindo dela contando sobre suas experiências na cama com o Michael?

— O que o Phil diz? — Ela ficou corada.

— Coisas mais românticas do que: give me a sign, hit me baby one more time! — Gargalhei jogando uma das latinhas direto no cesto. Ela pegou uma latinha na caixa vermelhe e jogou para mim que quase não consegui pegar no ar – eu juro que não sei como peguei.

— Ah se-se ele me dissesse coisas-coisas românticas certamente eu ficaria com medo e não-não feliz... — Comentei entre risos abrindo a cerveja e bebendo. Era engraçado por que eu tinha muita dificuldade de concluir raciocínios simples.

— E o que ele diz para você? — Danei a rir me aproximando dela como se tudo fosse piada.

— Ele me ameaça e dá ordens! ‘Faça isso’, ‘se continuar assim eu vou dar o troco’, ‘não tão depressa’, ‘abra os braços’, ‘se me beijar eu te ataco’... — Safira simplesmente chorava de tanto rir – não era a única bêbada ali. — ...Isso-isso quando-quando ele não quer jogar algum jogo estupido... Ímpar ou par, pedra, papel ou tesoura, quem piscar primeiro perde, quem chegar primeiro tira a roupa do outro... Meu Deus... — Parei para pensar mesmo tudo estando confuso. — ...Estou fazendo sexo com uma criança... — Ela ria tanto que colocou a mão na barriga como se sentisse dor.

— NÃOOOO! — Gritou uma voz masculina ao longe que assustou tanto eu quanto ela. — Não, isso não tá acontecendo, não, isso não pode estar acontecendo... — Forcei a vista e notei que era o gigante do Montanha desesperado dando voltas em torno dele mesmo. Respirou fundo e em passos largos veio na minha direção pálido. — Me dá isso aqui! — Tirou a latinha da minha mão apavorado. — Pelo amor de Deus, Sophie quantas você tomou? — Encarei ele séria e no mesmo segundo comecei a rir junto com a Safira que também caiu na gargalhada – nada fazia sentido. — Ahhhh o Michael vai me matar... Você embebedou ela Safira? Ficou maluca de vez? — Se virou para ela furioso. — Como é que eu vou encarar o Michael e dizer que você encheu a cara da namorada dele?

— Eu não estou bêbada! — Afirmei ofendida. — Eu bebi três somente, se quer saber... — Informei e tanto eu quanto a Safira tornamos a rir.

— E mais quatro das biritas da Piper... — E o Montanha saiu correndo dali no rumo das barracas. Não demorou muito voltou com a Joy que tapou a boca assustada.

— O Michael vai matar a gente... — Murmurou ela.

— Não, o Michael vai ME matar! — Disse ele desesperado.

— Safira como pode dar álcool para ela?

— Hey! — Chamei a atenção deles. — Eu tenho dezoito anos, ok? Não falem assim com ela! Somos amigas agora! — Eles se entreolharam como se eu tivesse matado alguém na frente deles.

— A gente só bebeu um pouquinho... — Disse Safira se levantando e quase caindo ao mesmo tempo. Joy respirou fundo e olhou para o namorado.

— Chama a Leah para cuidar da Safira, eu vou colocar a bonequinha do Michael na cama... — Nisso minha suposta amiga tomou frente.

— O nome dela é Sophie, não bonequinha! E eu consigo me cuidar sozinha! — Ela certamente tinha bebido mais do que eu, por que não deu dois passos e tropeçou no ar ficando de quatro no chão.

— Vou acordar a Leah... Cuida das duas. — Alertou o grandão.

E eu até protestaria se estivesse em plena sã consciência naquele momento. Me deixei guiar pela Joy e antes que chegasse na minha barraca eu já tinha vomitado metade da bebida que tomei. Daí fomos obrigadas a retornar ao quiosque para eu ir no banheiro.

Tomei um banho que mal me lembro, mas certamente foi sentada no chão por que recordo de ficar girando o ralo com o dedo e a Joy me mandando sair logo. Vomitei mais um pouco no vaso e depois acho que fui carregada nos braços pelo gigante do Montanha que me colocou já quase desmaiada na barraca.

Meu pai que nem sonhasse que passei o aniversário do Michael completamente embriagada falando de sexo.

[...]

Não sei quem foi a criatura que teve a brilhante ideia de que ingerir álcool seria interessante. Os efeitos colaterais a ingestão eram tão ruins que quando abri os olhos naquela manhã jurei constantemente jamais colocar uma gota de álcool novamente na boca, por menor que fosse o teor. A iluminação fazia minha cabeça latejar, o som dos pássaros nunca me incomodaram tanto e eu tinha um gosto amargo na boca, sem contar o mal estar no corpo.

Cobri o rosto com um travesseiro num gemido longo, decidi naquele dia que daria mais ouvidos aos alertas do meu pai. Nem tudo que ele falava era exagero.

Tornei a dormir perdendo completamente noção do tempo, e na segunda vez não despertei espontaneamente, foram os gritos ao lado da minha barraca que me acordaram fazendo minha enxaqueca aumentar mais ainda.

— Não foi nem doze horas Montanha! — Gritou uma voz conhecida lá fora.

— Qual é Michael?! Se quer culpar alguém, culpa a Safira, foi ela que...

— Eu vou culpar VOCÊ, seu gordo babaca! Quem eu pedi para ficar de olho nela foi você, a Safira eu sabia que ia encher a cara por conta própria! — Revidou super nervoso. Tanto berreiro fazia minha cabeça explodir.

— Dá pro casal discutir a relação em outro lugar, por favor???!!! — Pedi em alto tom em retorno. Houve um breve silêncio até os passos firmes de um deles se direcionar na barraca e o zíper da porta se abrir com força.

Dei uma rápida olhada na face do Michael que não estava para muitos amigos. As sobrancelhas juntas com o rosto franzido, a boca enrugada num bico nervoso e os dentes quase rangiam.

— Tá com ressaca, doninha?! — Eu nem respondi e ele abriu por completo a entrada da barraca deixando o sol entrar com vontade e quase me cegar. Cobri o rosto com o travesseiro gemendo mais uma vez.

— Nãoo... Fecha... — Pedi entre um gemido e outro.

— São três da tarde Sophie, quase quatro! Levanta! — Apenas balancei o indicador negando.

— Não, eu vou dormir, minha cabeça tá doendo... E fala baixo. — Retruquei com a voz manhosa involuntariamente.

— Sophie ou você levanta agora ou eu estaciono meu carro do lado da barraca e ligo o som no máximo! — Ameaçou. Tirei o travesseiro do rosto tentando olhar para ele.

— Quando você ficou bêbado eu fui gentil com você sabia? — Ele semicerrou os olhos e dessa vez rangeu os dentes.

— Estou sendo o mais gentil que consigo, acredite. Minha vontade é entrar na barraca te arrastar para o banheiro e te dar uns tapas durante o banho, mas vou guardar essa vontade para uma ocasião mais apropriada... — Eu notei o brilho raivoso nos olhos dele junto a um sorriso malicioso.

— Você é a última pessoa que devia me criticar com...

— Sophie, eu prometi para o seu pai que manteria você longe de cerveja, não estou bebendo exclusivamente e unicamente só por sua causa e você extrapola todos os limites bebendo todas numa única noite! — Me encolhi fazendo um bico. Ele respirou fundo e forçou um sorriso no rosto. — Levanta, você bebeu demais e vomitou tudo que comeu se continuar dormindo vai ficar fraca e eu vou ter que te levar para o hospital também para tomar soro, anda! — Meio desengonçada achei melhor obedecer.

Tomei um banho gelado e confesso que até que aliviou um pouco o mal estar no corpo, a dor de cabeça nem tanto. Depois fui para o quiosque, Montanha e a namorada estavam assentados a mesa, enquanto Flint e a Leah se mantinham longe cabisbaixo provavelmente preocupados com o amigo.

— Aqui, fiz um pão com queijo para você. — Ele colocou o alimento na minha frente junto a uma xicara bem quente de café. Ainda meio sonolenta sorri tímida.

— Obrigada. — Falei baixinho quando se sentou do meu lado. Ele continuava meio zangado comigo. — ...Michael... — Chamei sua atenção sorrindo de algo que só então me veio em mente.

— Hun...?! — Revidou num bufo me fitando.

— Feliz aniversário. — Disse depositando um beijo na bochecha dele. Pronto, no mesmo instante a cara amarrada dele sumiu e eu consegui a proeza de desarmar ele, me lançou um sorriso largo provavelmente querendo me bater por ter feito isso.

— Que jogo sujo...

— Ah é! Hoje é seu aniversário, tampinha! — Montanha se levantou sorrindo. — Com essa merda toda, eu até tinha esquecido. — Concluiu.

— O que vamos fazer? — Joy perguntou para o namorado empolgada. — Temos que fazer algo, né? Phil não iria querer que deixássemos o aniversário do Michael passar em branco. — O grandão ficou pensativo e confesso que eu também fiquei empolgada com a ideia.

— Não precisa, eu vou revezar com o Peter de noite de novo, então podem esquecer a festinha. — Isso fez nós três ficarmos desanimados.

— Ele não ia sair hoje? — Questionou o Montanha.

— Ia, ele tá reagindo bem e tudo mais, mas o médico disse que acha melhor ele passar mais uma noite em observação, então ás seis eu vou e o Peter vem. — Explicou.

— Eu vou no seu lugar. — Surgiu a voz feminina quase que do nada.

— Para quê? Para embebedar ele como fez com a Sophie? Não, Safira, você fica e de preferencia bem longe dela. — Ele apontou para mim.

— Dá um tempo Michael! Você conhece o Phil, ele vai se sentir horrível por seu aniversário ter passado em branco por causa dele. — Ela se sentou na frente da gente bem séria.

— Ele não quer te ver criatura...

— Resolvo essa parte quando chegar lá, qual é Michael? A bonequinha veio só para passar o aniversário com você e tu vai largar ela sozinha... De novo? — Notei pelo olhar dela que ela praticamente implorava minha ajuda. Suspirei não acreditando que eu realmente ia dizer aquilo só para ajudar ela.

— Pedi a Claritta para me ajudar a escolher seu presente, se me deixar sozinha eu vou aproveitar ele sozinha. — Ele começou a rir com deboche.

— Pediu ajuda para aquela maluca? Meu Deus, aposto que o presente é... — O sorriso morreu e ele ficou olhando para o nada surpreso. Depois se virou para mim, dei um sorriso singelo bebendo um pouco do meu café, acho que ele entendeu onde aquilo queria chegar. — ...Isso se chama chantagem, viu? — Neguei.

— Não, tecnicamente é ultimato. Eu não passei horas batendo perna e ouvindo besteiras da Claritta para você me largar sozinha no dia do seu aniversário. Se não tivesse ninguém para ficar com o Phil, eu entenderia, mas a Safira está se oferecendo de bom grado, então não é o caso. — Olhei bem séria para ele. — Você fica e recebe o presente ou você vai eu me divirto sozinha e nunca verá ele. — Os três na nossa frente pareciam espantados.

— É só eu ou mais alguém está curioso para ver esse presente? — Questionou a Joy quebrando o silêncio.

— Na verdade, eu comprei quatro presentes para ele, que eu vou distribuir entre vocês se ele insistir em me largar sozinha. — Arregalou os olhos perplexo.

— O quê? Comprou quatro presentes para mim? — Assenti.

— Eu não sabia o que dar, você tem tudo! Então eu pedi conselhos e escolhi os mais prováveis que te agradariam, um deles você vai ter que gostar. — Ele sorriu largo.

— O da Claritta, com certeza vai ser o que eu mais vou gostar... — Sorri tendo que concordar.

— Talvez, mas para isso você tem que estar aqui esta noite. — Ele me olhou, depois aos amigos que seguravam o riso e por fim para Safira.

— E se o Phil não quiser que você fique? — Ela girou os olhos.

— Deixa isso comigo, ele pode ficar irritado, mas vamos ficar bem. — E mais um longo silêncio se fez.

— Então... Quer dizer que vai ter uma festinha? — Perguntou a Joy animada e o Michael acenou que sim. — YES!

[...]

Foi algo bem modesto, bem a cara do Michael. Muita comida envolvendo carne e apesar dos pedidos ele ainda estava nervoso com a história de eu ter ficado bêbada e não permitiu que trouxessem nenhuma cerveja ou coisa parecida.

Na hora dos presentes foi uma comédia, cada um deu uma coisa mais idiota do que a outra – acho que fui a única que levou a coisa dos presentes a sério.

O Montanha deu uma medalha dos alcoólicos anônimos, a Joy presenteou o Michael com uma caixinha de leite rico em proteínas que ajuda no crescimento. Peter deu a ele um relógio de pulso que dá corda com o movimento alegando que se ele usasse na mão certa ia funcionar para sempre, o que gerou quase meia hora de risos. Piper para ser a estraga prazeres deu o recibo da bebida que ela comprou e eu tomei na noite anterior. Flint deu um cupom de 60% de desconto em um tatuador.

Eu ficaria com dó, mas eu sabia que ele ganharia um presente diferente de cada parente e com tantos tios e tias e avós, o quarto dele estaria abarrotado de presentes. Na hora de entregar os meus fiquei um pouco sem graça, eu não tinha bem o senso de humor deles, todos os meus presentes eram uma tentativa dele gostar ao menos de um e não zoar.

Só de buscar e aparecer com as mãos cheias com todo mundo me encarando como se eu fosse louca já me deixou completamente vermelha.

— Hum... Tô nem aí! Ruivinha a proposta está de pé, assim que o Michael der a idiotice de te largar... Me Liga! — Falou o Flint querendo pegar um dos presentes na minha mão.

— Se tocar eu vou te amarrar de verdade numa árvore no meio da floresta, galo! — O amigo risonho do Michael deu uma risadinha nervosa recuando a mão.

— Ok. — Me coloquei a frente dele entregando um dos presentes. — Esse foi um palpite do meu pai. — Ele abriu o embrulho e começou a rir.

— Caveiras, adoro estampa de caveira! — Disse olhando a camisa.

— Foi o que meu pai disse... — Joguei o segundo presente, que era o mais pesado. — Esse foi ideia da mamãe, ela achou a que você usa meio desgastada. — Franziu o cenho confuso e rasgou o papel do presente curioso. Era a jaqueta preta de couro sintético. Me lançou um olhar meio preocupado.

— Hum... Isso aqui não tem cara de ter sido muito barato... — Não tinha sido, mas não falei nada por que não achei que fosse certo responder a isso. Ignorei o olhar dele entregando o próximo.

— E como eu sei que você adora comer mais do que qualquer outra coisa, pensei em te dar isso. — Colocou a jaqueta de lado pegando a caixinha comprida na minha mão. Ao abrir se deparou com seis fileiras de sete bombons de variados sabores.

— Uhhh... Agora eu tô começando a ficar sem graça... — Murmurou num sorriso fraco.

— Por quê? — Questionei preocupada.

— Eu te dei uma tartaruga e você me dá presentes que valem o triplo? — Respondeu baixinho.

— Jabuti. E eu não sabia o que te dar, normalmente você ganha tudo de aniversário, então achei melhor ter um leque de opções assim tem mais probabilidades de você gostar de algum. — Expliquei sorrindo tímida. Era o primeiro aniversário depois de anos que passava com ele, queria que fosse perfeito.

— Ouviu isso Montanha? — Joy acertou o braço do namorado se metendo na conversa. — “Leque de opções”, no meu aniversário eu quero um ‘leque de opções’, não só UMA coisa que você acha que eu gostaria de ter, mas várias coisas que você supões que eu vá gostar! — Não soube dizer se ela estava falando sério ou brincando, porém como todos riram, levei na brincadeira. — Ou isso ou eu e o Flint vamos brigar pela Sophie quando o Michael enlouquecer. — Tornei a corar sem graça.

— Não seja boba, o Michael armou isso para passar ciúmes em mim, da onde uma garota como ela iria gastar dinheiro do próprio bolso para comprar esse monte de presente para esse ‘pouca gente’? — Se defendeu o grandão. Segurei o riso.

— AH! Não venha se achar a última almondega da panela, bolota! Te troquei por ela justamente por isso, você não me valoriza, mas ela sim! Então... Com licença, DUPRE! — No inicio todo mundo riu, só que do nada um silêncio pairou e eles ficaram chocados – e eu sem entender.

— Dupre...? — Repetiu a Joy espantada. A ira na cara do Montanha era inigualável, ele tava roxo de ódio olhando no rumo do Michael.

— Seu tampinha filho da...

— Dupre...!? Seu nome é Dupre? — Foi aí que eu fiquei chocada, a Joy não sabia o nome do próprio namorado?

— Você não sabe o nome do Montanha? — Com um sorriso largo ela se virou para mim.

— Não! Ninguém sabe o nome dele além do Michael, então... — Tornou a se virar para o namorado grandão sorrindo debochada. — ...Dupre?

— Dupre não é meu nome, digo, é meu nome, mas é o nome do meio. — Fitei o Michael surpresa, e o sacana tinha aberto a caixa de chocolates e apenas se divertia comendo e assistindo a cena.

— Qual o problema com seu nome de verdade? — Perguntei e meio nervoso ele bufou.

— Eu não gosto. É Montanha e ponto final! — Revidou nervoso.

— Deve ser algo como... Minimus? Acertei? — Questionou o Flint para o Michael que riu mexendo os ombros.

— Começa com...

— Escuta aqui meio metro, eu não quero te bater no seu aniversário, mas se você...

— Tá! Relaxa.

[...]

No geral foi uma noite agradável sem muitos acontecimentos, tanto que o Michael nem mesmo percebeu que ainda faltava um presente para eu entregar – justamente aquele que ele queria.

— Tive que esconder os chocolates, sobrou apenas quatro, acredita? Povinho folgado... — Ouvi ele resmungar assim que entrei na barraca depois do banho guardando a roupa suja. A coragem foi diminuindo conforme eu notava que precisava logo falar do ‘outro’ presente.

— São seus amigos, queria o quê? — Respondi engolindo em seco, felizmente eu não percebeu o nervosismo na minha voz e sorriu.

— Engraçadinha...

— Tem... Tenho outro presente para você. — Falei sentindo meu rosto ferver, mas o olhar de desespero dele me deixou confusa demais para continuar e dizer o que era.

— Nãooo! Por favor, Sophie, chega. Três já me deixaram sem graça o suficiente, eu não faço ideia de como repor isso e não sei se vou conseguir no ano que vem quando for o seu aniversário. — Clamou indignado.

— Eu já disse, te dei por que não sabia o que te dar! Além do mais, os que eu te dei vão durar no máximo cinco anos e o que você me deu vive no mínimo quarenta anos, então nem tem comparação. — Em resposta ele me lançou um sorriso debochado.

— Na sua mão eu não sei não Sophie, a vida útil dos seus bichinhos não é lá muito longa... — Peguei a primeira coisa que minha mão alcançou e atirei nele – que foi minha chinela.

— Idiota! Tá bem! Se você não quer o presente azar seu! — Arqueei uma sobrancelha dando um olhar sugestivo. — ...Mas eu estou usando ele agora... — Empinei o nariz e sorri. — ...Boa noite Michael. — Me deitei de costas para ele ao seu lado. Não demorou muito para o pervertido estar quase colado em mim.

— Se o presente é meu porque você está usando...? — O fitei pelo canto dos olhos fingindo um ar esnobe.

— Não ficaria bem em você. — Ele aproximou os lábios até minha orelha.

— Humm... Então meu presente tem que ser usufruído através de você? — Abafei um sorriso com a mão negando.

— Não exatamente, você pode colocar ele se quiser, mas acho que vai ficar apertado e um pouco... Estranho. — Brinquei o fazendo rir.

— Será? Por que não me deixa ver? — Segurei os lábios nervosa e ansiosa.

— Promete que não vai rir?

— Eu prometo tentar não estragar o presente... — Me virei de uma vez no seu rumo saindo das cobertas. Comecei a desabotoar a blusa do pijama completamente envergonhada. — ...Olha, se o presente é meu, nada mais justo que eu desembrulha-lo, né? — E o infeliz ia mesmo avançando em mim apressado para tirar minha blusa, porém eu o impedi antes.

— Não! Quem está dando o presente sou eu, não é para ir de uma vez assim! — Briguei recuando um pouco para trás.

— Ah não! Hoje é meu aniversário, pelo menos hoje nós vamos fazer do meu jeito! — Franzi a cara fechando a blusa por completo.

— Do seu jeito não tem presente. — Alertei bem séria – nem tanto, eu ainda estava com vergonha do que tinha vestido.

— Oh espertinha! O presente não é meu? — Perguntou irritado.

— Mas está em mim, se quer usufruir dele comigo vai ter que ser do meu jeito, agora se quer se divertir com ele sozinho eu vou no banheiro, tiro e te entrego em cinco minutos. — Um enorme sorriso sarcástico brotou nos lábios dele.

— Quem te ensinou a chantagear nessas horas? — Sorri apenas. — Está bem madame, e o que o aniversariante faz? — Me sentei nos joelhos de frente para ele sorrindo.

— Espera, observa e se não fizer nenhum típico comentário maldoso... Pode sentir a textura do presente. — Ele segurou o riso ainda que sem muito sucesso.

— Certo. Estou pronto. — E mais uma vez tomei fôlego para criar coragem de continuar da onde havia parado.

Seus olhos estavam preses aos movimentos lentos das minhas mãos – que deviam estar tremulas – desabotoando o resto dos botões. Quando a ideia da Claritta ficou a mostra eu mal conseguia respirar ao sentir a blusa descendo pelos meus braços. Na minha opinião aquela lingerie tinha enfeites demais para uma roupa intima.

No entanto, o olhar faiscante do Michael no rumo do presente deixou claro que não eram demais para ele.

Mais nervosa ainda precisei me levantar para tirar a calça do pijama, e na timidez excessiva que eu me encontrava acabei batendo a cabeça na lanterna dentro da barraca. Ele nem mesmo riu, nem deve ter visto por que não tirava os olhos do meu colo esperando a roupa descer.

E quando eu a tirei um nó se fez na minha barriga de tanta vergonha. Era cetim e laços demais para o meu gosto e o fato do Michael nem piscar não ajudava a me acalmar.

— Quer que eu feche os olhos? — Ele perguntou depois que soltei um gemido sofrido. Foi como ouvir uma música relaxante.

— Sim! Gostaria muito! — Falei prontamente ficando aliviada só com a ideia. O cretino deu uma risadinha diabólica negando.

— Ahhh... Que pena... — E de envergonha eu fui para irada.

— Você adora me ver assim, não é? Me contorcendo de vergonha! — Questionei retoricamente, estava bem óbvio o quanto ele curtia me ver sem jeito.

— Eu acho extremamente fofo... É como se fosse a primeira vez todas ás vezes. — Lancei um olhar furioso para ele dando um claro alerta de que no próximo comentário eu colocaria a roupa de novo. — Não me olha assim, a ideia dessa enrolação toda foi sua, estou seguindo suas regras... Observando atentamente ao meu presente, que ficou muito bem em você por sinal. — Me fitou mais uma vez dos pés à cabeça – aproveitando que eu ainda estava de pé. — ...Ok! Se o resultado final era deixar o aniversariante excitado... — Deu uma rápida analisada em si mesmo. — ...Sim, você teve sucesso. — Rolei os olhos.

— Você fica excitado com qualquer coisa! — Revidei ainda nervosa.

— Isso não é verdade! — Pensou um pouco reformulando. — ...Ok, não é totalmente verdade... Olha, você não pode esperar que eu fique normal por muito tempo te vendo assim cheia de fitas e lacinhos feitos para eu puxar! E acredite, estou me esforçando ao máximo para não fazer isso. — Apontei o dedo para a cara dele.

— Só por que acha mais divertido me ver morrendo de vergonha! Nós dois sabemos que não está se segurando por ser um bom rapaz. — Michael me deu uma risada descarada como se eu tivesse ofendido ele ao mesmo tempo que acertado.

— Fico muito feliz que me conheça tão bem, por que agora que a senhorita está com raiva e não com vergonha eu não preciso bancar o bom rapaz, não é? — E a mão dele foi mesmo até uma das fitas da calcinhas.

— Michael! — Dei um tapa na sua mão.

— Sophie! Eu já esperei, já observei, e agora tô afim de ir para a terceira parte... Sentir a textura! — Ele tornou a vir com aquela mão boba querendo estragar todo o esquema que eu tinha elaborado. Segurei sua mão o encarando.

— Você pode tocar... Só o presente. — Quando disse isso ele começou a rir.

— Mas ele é tão pequenininho... — Franzi o cenho tornando a alertar ele. — ...Tá! Você não vai aguentar muito mesmo... — Eu queria muito discordar na hora, mas quando a mão dele começou a alisar a fita, imaginei que talvez... Talvez fosse verdade.

Era uma mistura de tortura com deleite, voltei a me sentar sobre os joelhos na frente dele e quando percebi que meus joelhos iriam doer assim, tomei a ousadia de aproveitar a macies das pernas do Michael e me sentar sobre elas. Ele me fitou num estado de pânico soltando um gemido contido. Notei que ele passar a mão pela minhas pernas quando o impedi.

— Só o presente... — Peguei sua mão levando ao lado esquerdo do sutiã. Ele não aprovou muito, mas também não pareceu estar em total desagrado.

— No seu aniversário eu vou fazer joguinhos macabros e você vai ter que jogar... — Sorri mordendo a língua.

— No meu aniversário... — Alisei os ombros dele sorrindo. — ...Você vai estar vendado e sem roupa, mas curiosamente bastante feliz... — Michael ia abrir a boca para me contestar, quando parou para pensar melhor.

— Provavelmente... — Retrucou concordando enrolando o laço do sutiã no seu dedo indicador.

Deslizou os dedos pelo laço do meio que prendia as duas partes do sutiã, desceu até o final que terminava pouco acima do meu umbigo. No percurso ele arqueou o mindinho tocando furtivamente na minha pele que se arrepiou. Pensei em repreendê-lo, porém a sensação me fez fechar os olhos e ignorar tudo.

Depois sua mão foi bem vagarosamente até meus ombros onde os laços que sustentavam o sutiã. Era difícil respirar, ou pensar em brigar com ele por as vezes deslizar os dedos pela pele. Ficar parada só permitindo logo não me pareceu uma posição muito agradável.

Infelizmente ou felizmente ele tinha razão, eu não ia aguentar por muito tempo.

Quando começou a mexer nos nós do laço da roupa de baixo, o tempo limite estourou. Abri os olhos segurando seu rosto e prestes a beijá-lo se aquela mão idiota não tivesse ficado na frente.

— Não, não, ainda estou averiguando a qualidade do produto...! — Claro, ele só estava se vingando, o sorriso maldoso dele deu logo na cara. E lá fui eu ficar zangada de novo.

— Sério?! Quer que eu tire para experimentar você mesmo? — Perguntei brava.

— Não, fica perfeito em você. Esses lacinhos pretos combinam com a cor avermelhada que está a sua pele agora! — Semicerrei os olhos fazendo um bico. — O jogo é seu Sophie, só estou entrando nele. — Debochou.

— Ahhh... — Aumentei o meu bico contrariada. Pensei na coisa mais idiota da noite acreditando que aquilo fizesse ele mudar de ideia, de certo modo, fez. — ...Aposto que se fosse a Safira você não seria tão cruel! — Eu jurava que ao dizer isso ele tentaria de alguma forma me provar que uma coisa não tem nada a ver com a outra, demonstrando isso com beijos e paixão. Mas, ele parou tudo que fazia e me lançou um olhar sério e nem um pouco divertido.

— Eu tenho quase certeza que existe uma regra moral de não mencionar ‘exs’ durante a relação... — Retrucou nervoso. Antes que eu me pronunciasse completou: — ...E respondendo a sua pergunta, não! Eu não seria tão cruel com ela, a Safira não me infernizava com esse tipo de assunto idiota! — O tom grosseiro me fez fechar os olhos para ter certeza que não foi tudo fruto do meu pessimismo natural. Respirei fundo e ao encontrar o clima morto por uma apunhalada nas costas, me dei conta de que, sim havia acontecido.

Ao abri os olhos já era... Não havia um pingo de qualquer sentimento ou vontade de dar continuidade naquilo. O grilos lá fora pareciam mais animados para aquilo do que a gente. Eu sabia que em parte era culpa minha, só que ouvir aquilo naquele tom não diminuiu a raiva que eu senti dele.

Uma raiva diferente, que me fazia não querer falar com ele ao invés de querer dar uns tapas nele como eram as demais. Peguei minha blusa que estava perto e me vesti rapidamente apenas com ela. Dei dois tapinhas brandos na cabeça dele e um sorriso confuso e forçado.

— Boa noite Michael... — Me joguei do outro lado me cobrindo com a coberta.

Demorou um pouco, ele continuou parado do jeito que estava, fechou os olhos por um momento e massageou as pálpebras dando um suspiro atrás do outro.

— É, eu sei... Minha balança vai sempre, sempre estar negativa com você... — Ao invés de responder afundei o rosto no travesseiro não querendo ouvir aquilo, não querendo ouvir nada. E acho que ele percebeu isso, por que não disse mais nada.

Então, ele fez o que sempre fez. Se levantou e saiu. Não só da barraca, mas pegou as chaves do carro, entrou nele e simplesmente foi, me largando sozinha.

Naquela noite eu fiquei dividida, não sabia se culpava ele ou me culpava, o que não fez diferença já que chorei me atormentando com as duas linhas de raciocínio. Tinha momentos em que eu tentei me obrigar a dormir que só resultava em mais choro. Outros eu colocava a cabeça par fora da barraca só para ter certeza que ele realmente tinha saído de verdade.

Foram longas duas horas e meia, mas o Michael retornou. Virei o travesseiro ao contrário para que ele não me visse deitada numa fronha encharcada, forcei os soluços a pararem e assoei o nariz na calça do pijama. Quando os passos dele se aproximaram eu quase entrei em pânico para fingir descentemente que estava dormindo, não podia cobrir o rosto todo, me sentia sufocada assim.

Um barulho aqui, outro ali e ele entrou na barraca ligando a luz da lanterna presa no topo. Me remexi fingindo um gemido incomodo típico de quem tá dormindo. Em contrapartida, Michael fez mais barulho e deu para ouvir ele até tirar os sapatos.

Me segurei firme para não ceder a curiosidade de olhar e manter meus olhos fechado.

A cama se mexeu e quando uma mão gelada tocou eu rosto o susto foi involuntário.

— Sophie... — Me chamou baixinho. — Vamos, eu sei que está zangada comigo e que não está dormindo, você fala enquanto dorme... — Me virei nervosa para ele.

— Não falo não. — E o cretino me lançou um daqueles sorrisos que se tornou uma expressão preocupada no mesmo tempo.

— Ahh caramba, você tava chorando? — Virei o rosto negando fortemente.

— Não! É sono... Me deixa dormir... — Ele começou a acariciar meus cabelos e se aproximou do meu rosto.

— Você está com meu presente... — Quase não acreditei quando aquele filho da mãe disse aquilo.

— Passou da meia noite, você não é mais aniversariante. — Revidei brava.

— E o que eu vou fazer com esse tanto de bolo aqui? — No susto eu levantei o rosto procurando o tal bolo.

— Que bolo? — Ele me deu outro daquele maldito sorriso e começou a tirar um monte de pedaços de bolos em caixinhas de plástico de uma sacola grande e barulhenta que estava no canto.

— Esses... — Colocou os diversos bolos em fileiras na minha frente. — ...Dezoito primeiras fatias de dezoito bolos diferentes. Não me pergunte da onde vieram, a essas horas eu acho que algum desses vem com drogas de brinde para serem vendidos assim... — Arregalei os olhos e ele riu. — ...Dê preferência aos com logotipo na caixinha...

Eu não possuía vocabulários pronto. Abri a boca diversas vezes sem conseguir falar nada coerente. Então só fiquei encarando aquela fileira de fatias de bolos querendo muito voltar a chorar.

— A primeira fatia é para quem a gente mais gosta, não é? Como fiquei devendo alguns anos, achei melhor pagar tudo de uma vez... — Me sentei dando uma risadinha incrédula.

— Você nem gostava de mim alguns anos atrás... — Peguei um como se fosse uma joia rara. Abri com todo cuidado e o Michael me entregou uma colherzinha que estava na sacola.

— Claro que gostava, eu só não sabia... — E quando eu coloquei um pedaço na boca chorar foi inevitável, rolou do meu rosto e eu nem me preocupei em limpar. Me senti no direito de expressar já que era algo que eu realmente queria quando pequena. — ...Nossa, você está me fazendo sentir como o cara mais babaca do mundo... — Eu ri afirmando.

— Você é. — Falei de boca cheia e os olhos úmidos. — ...Desculpa ter dito aquilo... — Ele sorriu e negou.

— Desculpa ter brigado com você... — Se aproximou sentando do meu lado. — ...Sei que ás vezes eu passo dos limites te provocando, e que sou um pouco cruel, mas... — Afagou meus cabelos para que eu o olhasse. — ...Você é a única pessoa com quem eu posso ser assim, é a única que me conhece de verdade e está comigo mesmo assim, não tenho que fingir com você... E... Tente entender que eu sou filho de dois sádicos assumidos, tá no meu sangue. — Eu dei uma risada negando.

— Não, não, o padrinho não tem nada de sádico.. — Ele me abraçou dele assentindo.

— Pergunta a minha mãe, ela vai te contar como sua imagem em relação a ele está totalmente errada. — Dei outra colherada no bolo. — Como está minha balança? — Apesar do sorriso deu para notar uma tensão no olhar dele.

— Dezoito pontos mais positiva... — Falei comendo o bolo com gosto. Isso pareceu tranquiliza-lo mais. — ...Bom, obviamente sua balança está quebrada por que mesmo quando faz idiotices ela pesa mais para o lado das coisas boas... — Michael deu risadinha contente.

— Isso me deixa extremamente aliviado. — Seu olhar sobre mim de repente mudou, o ar sereno nele ficou intenso, o que me fez virar o rosto para o outro lado corada. Aquele olhar geralmente tinha um significado que eu já conhecia. — ...Você ainda está vestindo meu presente... — Comentou deslizando o dedo pelo meu ombro esquerdo que estava exposto mostrando o laço.

— Para ser sincera ele não é lá muito confortável. — Disse puxando a blusa cobrindo a fita. Evitei cruzar nossos olhares, pois já imaginava o sorriso enorme e malicioso que ele tinha nos lábios.

— Eu imagino... — Comi o último pedaço do bolo com meu rosto esquentando pelas imagens que eu imaginava que o Michael estava pensando. Bem delicadamente ele tirou a caixinha de plástico vazia das minhas mãos e colocou fora do colchão. — ...Vou estar sendo muito babaca se eu disser que gostaria muito do meu presente agora? — O fitei encolhendo os ombros tímida. Tirei a colher da boca procurando uma resposta que não dissesse não, mas também não parecesse desesperadamente um sim.

— Vai ser cruel de novo? — Foi o que saiu junto a uma expressão de cachorro sem dono na minha face. Ele sorriu torto sem jeito assentindo.

— Sim, é bem provável, só de olhar para você toda vermelhinha agora já me faz delirar de vontade de bolinar você a noite inteira... MAS! — Levantou o dedo indicador fazendo uma pausa de ênfase. — Te dou um bônus de novo em compensação. — A princípio não parecia nenhum pouco favorável para mim, ainda mais da forma devoradora que me olhava enquanto dizia que ia me bolinar, porém a ideia do bônus acabou se tornando cada vez mais agradável conforme eu lembrava dos bônus anteriores.

— Um bônus? Como os outros? — Acenou que sim dando um sorriso gigantesco.

— Um bônus do jeito que você quiser... — Falou ansioso esperando que minhas próximas palavras dessem a autorização para sua investida. Apontei a colher na frente dele que pegou e jogou para trás de qualquer jeito.

E sem dizer nada, comecei a desabotoar a blusa tirando ela mais uma vez, curiosamente tão nervosa quanto da primeira, fiquei de frente para ele deixando que apreciasse seu presente.

— Feliz aniversário... De novo... — Disse baixinho corada. Michael puxou o ar com força e segurou por alguns segundos antes de soltá-lo pelo sorriso no rosto.

E o papo furado terminou ali.

Ele avançou jogando qualquer coisa no caminho para fora da cama. Segurou meu rosto me beijando com urgência. Suas mãos escorregaram para meus ombros e em seguida passearam com firmeza pelas minhas costas, me fazendo soltar um gemido sufocado na garganta tendo cada fio do meu corpo se arrepiando – principalmente por que a mão dele estava um gelo.

Para não continuar apenas derretida em suas mãos procurei com as minhas os botões inexistentes da sua e demorar alguns segundos até raciocinar de que para minha infelicidade o beijo deveria ser rompido para que aquela roupa pudesse sair dele. Enfiei minhas mãos dentro dela sentindo a pele dele me fazer arrepiar mais uma vez – o que não fez muito sentido na hora.

Foi uma dúvida cruel, não conseguia adentrar muito o interior da blusa como queria, mas também não queria que aquele beijo intenso acabasse. Para minha felicidade ou infelicidade ele não tinha dúvidas, cessou o beijo e num ato instintivo tirou a camisa em menos de um segundo colando a boca na minha novamente.

Involuntariamente ao invés de continuar minha exploração passei as mãos em torno do pescoço dele num abraço. Minhas mãos deslizaram pelas suas costas sentindo cada curva aumentar meu libido, e meus dedos ficarem úmidos a cada contorno. Quando liberou meus lábios indo do queixo ao pescoço sugando a pele durante um beijo e outro eu suspirei deixando um gemido escapar.

— Você... Tá suado... — Balbuciei nem sei por que a sensação gélida nos meus dedos passando pelas suas costas eram intrigantes. Ouvi uma risadinha abafada vindo dele e os beijos seguirem até minha orelha.

— Também vai ficar... — Sussurrou com a voz transbordando luxúria.

Ia responder a aquela afirmação se não fosse surpreendida com o laço do meio no meu sutiã sendo desfeito pela mão boba dele. Prendi a respiração quando a mesma mão boba começou a examinar cada centímetro de um dos meus seios. O beijo no meu pescoço terminou com um chupão carinhoso, e seu olhar foi chamado quase obrigatoriamente pela mão boba que estava impaciente com algo interrompendo sua analise. Ao perceber que o sutiã não sairia dali se não desfizesse o resto dos laços, não levou nem meio segundo para puxar as fitas que jogar o presente de lado.

Para variar ele seu interior sádico o forçou a olhar primeiro para meu rosto e ver a cor roxa das minhas bochechas ao ficar despida na parte de cima. E num sorriso diabólico desceu os lábios até um dos seios enquanto sua mão continuava acariciando e apertando o outro.

Voltei a respirar soltando o ar com um certo desespero, e um gemido não muito baixo acabou escapando.

Não interessava o que a Claritta tinha tido, não conseguia pensar no que fazer quando todo meu corpo estava mole apreciando cada beijo e toque em mim, eu custava me sustentar sentada daquele jeito, se não fosse a outro mão do Michael me segurando nas costas desde o inicio eu já tinha me jogado para trás a muito tempo.

Era uma sensação tão incrível que apagava as ideias da minha mente, ainda assim acariciei seus cabelos me forçando a pensar em algo, qualquer coisa que não fosse ‘Ahhh isso é bom demais!’, ou ‘não faça barulhos ou os amigos do Michael vão ouvir!’. Com muito esforço voltei minhas mãos para suas costas, desci até o abdômen sentindo a contração firme da sua barriga. Desci mais um pouquinho e encontrei a textura do zíper da bermuda e... Algo mais evidente ali.

Tomei a ousadia de abrir o zíper e tocar aquele ‘algo mais’. Claro, aquele ‘algo mais’ era a parte mais sensível ou pelo menos pareceu ser quando ele parou tudo só para emitir um som de surpresa. Ele parou e eu recobrei alguns sentidos adorando a expressão indecifrável na face dele, acariciei com mais astúcia e Michael não conseguiu ficar indiferente a aquilo.

Em gemidos baixos tentou puxar minhas mão pelo pulso ou não daria conta de continuar sua ocupação anterior. Ah! Mas por mais deleitoso que tinha sido ver o rosto dele começar a ser tingido de vermelho era muito mais prazeroso, por isso ignorei e voltei a mão onde estava.

Nesses momentos eu me sentia incrível, ele parecia tão indefeso e vulnerável só com um toque.

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Criei coragem me apoiando nas palavras da maluca da minha amiga, era aniversário dele e apesar de adorar seus beijos e as caricias, achei que merecia que eu ao menos tentasse por ele.

— Tira... — Pedi com pressa puxando eu mesma a bermuda jeans para baixo.

— Calma aí, assim... — Nem esperei ele concluir e dei outra puxada com força recebendo uma risada em retorno.

— Michael! Péssima hora para ser cruel... — Falei nervosa o fazendo rir. — ...Faz parte do presente, anda! — Contei e não soube dizer a razão, mas ele o sorriso fechou e ficou sem graça, quase tímido, o que foi curioso. — Ficou com vergonha de mim? — Brinquei chocada e ele pareceu desafiado.

— Eu? Vergonha? — Retrucou se levantando e tirando tudo de uma única vez. Claro, após isso quem ficou envergonhada ao extrema fui eu, ainda que não fosse a primeira nem a segunda vez que o visse nu. Respirei fundo e mantendo a coragem intacta.

Para ser franca eu não conhecia as regras básicas do sexo oral, meus conhecimentos eram puramente anatômicos da qual eu entendia que o órgão masculino era algo bem sensível. Mas no geral sempre achei a ideia da pratica um pouco egoísta uma vez que apenas um dos integrantes se beneficia quando o ato é praticado, sendo que o mesmo resultado poderia ser tirado do sexo propriamente dito dando o prazer aos dois. Isto por que nem levei questões higiênicas em pautas, mas se o Michael pode fazer isso por mim mais de uma vez sem esperar ou se preocupar com um troca equivalente... Achei naquele momento que valia o esforço tentar.

— Vamos voltar aonde paramos? — Ele perguntou ao notar que eu encarava demais sua região intima cogitando os passos que eu deveria seguir – nada muito útil surgiu. Concordei levando minha mão até ele e acariciando com cuidado novamente. Mais uma vez o autocontrole do Michael foi para o espaço.

— Michael... — O chamei sem cessar os movimentos esperando ele dar qualquer sinal de que estava me ouvindo.

— Hum... — Murmurou. Me aproximei engolindo em seco um pouco inquieta.

— Fecha os olhos...? — Ele me fitou com os olhos turvos negando.

— Sophie... Eu... — Buscando minha melhor entonação e fazendo meu melhor bico quase implorei:

— Por favor, rapidinho... Só mais essa vez? — A respiração dele já estava entrecortada e felizmente ele cedeu. Respirou fundo fechando os olhos com força dando um pequeno rosnado fazendo a óbvia expressão de que não era algo que ele queria.

Eu sorri bem mais aliviada e de certo modo feliz por ele ter concordado em consideração a mim.

— Não abra, não importa o que aconteça, tá bom? — Sussurrei no seu ouvido me afastando em seguida o suficiente. Ele engoliu em seco franzindo o cenho.

— Nós já não passamos por isso...? — Tomei fôlego acumulando a coragem que faltava ao analisar meu alvo preso nas minhas mãos. Eu devia ter me informado mais, porém nada melhor que a prática para dar um fim na questão.

— Eu não... — Murmurei baixinho para mim mesma me abaixando e dando inicio a minha primeira tentativa.

E eu mal tinha encostado minha boca na ponta e o imbecil deu um gemido alto se remexendo me dando um enorme susto.

— OW! — Levantei com as mãos erguidas jurando que tinha começado do pior jeito possível.

— Ah! Machuquei você? — Ele segurou os lábios com força cobrindo os olhos com a mão negando com a cabeça.

— Não... Você... Me pegou de surpresa... — Balbuciou quase sem voz. Arqueei uma sobrancelha dando uma rápida olhada para o membro dele.

— Que sensível... — Falei em voz alta sem pensar.

— Bastante... — Meu rosto ficou roxo ao notar que ele tinha ouvido. Felizmente ele mesmo tinha coberto os olhos.

— Você... Quer que eu continue? — Perguntei usando um tom de voz inocente bem desnecessário, mas saiu sem querer.

— Tô quase furando meus olhos por você, isso não responde? — Revidou respirando fundo. Meio tímida concordei, ainda que ele não tenha visto.

Então eu continuei do jeito que pensei que deveria fazer. Suas reações eram uma mais exageradas do que a outra, ás vezes ele prendia a respiração e emitia alguns sons engraçados que eu não soube dizer se eram gemidos de dor ou estava gostando, como não tinha protestos eu continuei.

Momento cientifico: Eu não faço ideia de como descrever isso, mas de alguma forma vê-lo com cara de bobo só me dava mais vontade de continuar. E não é lá tão nojento quanto achei que seria.

Uma coisa era positiva no que descobri enquanto assistia as reações diante mim, Michael deixava de ser o cretino cruel louco para me atormentar para ficar totalmente submisso e passível a chantagem por alguns beijos e lambidas na região certa do corpo dele. Eu tive a impressão de que poderia pedir qualquer coisa naquele momento, por mais maluco que fosse.

Confesso, isso me empolgou bastante, era como ter encontrado o ponto fraco extremo do Michael e totalmente acessível.

Em um certo momento eu pressionei ele com mais força e acelerei os movimentos só para ver até onde cientificamente Michael iria aguentar ficar imóvel apenas grunhindo e ficando seu ar. Mas quando eu achei que iria chegar em algum lugar recebi um empurrão apressado e os olhos do Michael presos em mim com um desespero sufocante.

— Vem... — Me chamou levando as mãos até as fitas da minha calcinha puxando de uma vez.

— Michael! — Ele me fitou quase me implorando para não criar uma discussão aquele instante e irmos logo com aquilo. Eu abri um enorme sorriso. — Sorte sua eu não ser cruel como você, e vai ficar me devendo! — Ele me deu um beijo rápido rindo sem dizer nada – estava quase sem fôlego.

Então ele se deitou e simplesmente me chamou. Arqueei uma sobrancelha surpresa estranhando, eu meio que sabia que funcionaria, só não sabia exatamente como.

— Vem cá... — Um pouco incerta andei de joelho até estar no meio dele.

Por alguns momento eu quis estapear a cara lava do Michael que se encontrava numa posição muito cômoda no momento embaixo de mim, imaginei que era exigir demais da minha pouca experiência num único dia, já havia sido confuso o suficiente o ato anterior.

Quando ele notou que eu estava um pouco perdida em como me ajustar, estendeu suas mãos me guiando e precisei prender a respiração com o coração acelerado quando me encaixei a ele apoiando minhas mãos no seu peito achando aquilo no mínimo estranhamente atraente – para não dizer que era bem prazeroso sentir a respiração dele embaixo de mim.

Fixou suas mãos firmemente uma em cada lado na minha cintura e num sorriso malicioso me impulsionou me fazendo mover, suspirei soltando o ar vagarosamente sentindo cada nervo do meu corpo reagir a cada inda e vinda. Logo as mãos dele apenas deslizavam da minha cintura para minha barriga e até onde seu braço conseguia se estender e eu dei continuidade fazendo a força motriz sozinha sem interromper.

Joguei a cabeça para trás aumentando gradativamente os movimentos conforme meus instintos insistiam. Me segurei ao máximo para não exagerar nos níveis sonoros dos meus gemidos ou fazer algum som estranho, mas em pouco tempo eu não conseguia pensar em mais nada.

E aquilo não durou muito, de repente fui invadida por uma onda atrás da onda de prazer e pouco depois o Michael pareceu estar tão satisfeito quanto eu. O que foi um alivio já que meus joelhos doíam. Me joguei para o lado ofegante e cansada, porém com um largo sorriso no rosto.

— Quase não teve beijo... — Comentei rindo. — ...Eu gosto dos seus beijos... — Ele deu uma risada sem força e engoliu em seco.

— Discordo, teve muito beijo... — Tomou fôlego. — ...Vinte minutos e... — Puxou ar mais uma vez pigarreado. — ...Eu beijo você onde quiser... — Sorri confusa.

— Quer uma bombinha de ar? Eu fiz o trabalho todo e você cansa? — O sabichão me lançou um sorriso ainda ofegante.

— Engraçadinha, eu não tiro sarro de você quando... — Me virei para ele me apoiando nos cotovelos e segurando meu rosto.

— Você não tira? — O interrompi – até por que ele parou de falar para respirar de novo. — Michael, você tira sarro dos sons que eu faço, da cor que eu fico, dos pontos fracos que eu tenho e até das... — Um pouco constrangida completei: — ...Coisas que eu gosto que você faz... — Respirando mais regularmente ele riu.

— Eu amo você. — Aquilo me pegou de surpresa, eu estava esperando uma alfinetada e não uma declaração.

— Idem. — Falei tímida deitando minha cabeça no ombro dele o abraçando. — ...Não fui tão ruim, fui? Digo, pela primeira vez? — Não sei aonde tirei coragem para perguntar aquilo. Ele sorriu.

— Não faço ideia de como responder a isso. — Apoiei meu queixo em seu ombro cogitando.

— Numa escala de zero a dez das melhores com quem já dormiu, eu estaria mais ou menos entre elas? — Ele fechou os olhos rosnando.

— A gente não acabou de brigar por causa de conversa de ex? Eu não vou responder isso Sophie! Não existe uma resposta certa e eu vou acabar tendo que comprar mais bolo para te compensar... — Fiquei completamente perplexa com a parte de não haver uma resposta certa.

— Peraí?! Eu não nem entre ás dez? — Abriu os olhos me encarando nervoso.

vendo?! Eu nem dei uma resposta e já estou sendo condenado! Como é que fomos de ‘eu te amo’ para o rank das melhores com quem já dormir? — Fiz um enorme bico ofendida.

— Isso é injusto! Você tem um ‘rank’, enquanto eu tenho como base só você! Eu devia ter feito como a Claritta e dormido com mais gente assim não ia ficar tão insegura com tudo que tento fazer para te agradar! — Reclamei me sentando e cruzando os braços zangada, mas não era a única brava, ele afundou o rosto no travesseiro e gritou de raiva. Depois me fitou sério.

— O que quer que eu diga? Eu não posso mudar nada disso, faz parte do que eu vivi, não há nada que eu possa fazer. Só se eu liberar você para dormir com outros caras, quer isso? Quer dar um tempo para experimentar todas as coisas que não teve para depois voltar para mim? — Aquele era o típico discurso dramático que só podia ser herdado da madrinha Eloise. Suspirei negando.

— Não foi o que...

— Foi sim! — Me interrompeu nervoso. — me acusando pelo fato de eu ter experiências e você não! — Pensei um pouco e assenti.

— Ahh não, disso você é culpado mesmo. — Ele deu uma risada incrédulo.

— Sou? Sou por quê?

— Primeiro porque quando eu tomei coragem você me impediu, segundo se você nunca tivesse me afastado talvez eu tivesse experimentado tudo isso junto com você! — Ele se sentou de frente para mim completamente horrorizado com a ideia.

— Ok, você me culpar pelo peixinho eu aceito, mas ficou completamente louca se realmente acredita que se não tivéssemos nos afastado eu teria feito as coisas que já fiz com você. — Arregalei os olhos ficando perdida. — Sophie acorda! Você é três anos mais nova que eu, não parece muito agora porque já amadureceu, só que lá trás faz muita! Com quinze anos eu não era nem virgem mais, onde é que você se encaixa nisso? Tinha doze, eu nunca tocaria numa garota de doze, aliás, eu nunca toquei numa garota de doze desse jeito e espero nunca tocar por tantas razões... — Me fitou bem sério. — ...Especialmente você, Sophie! — Me encolhi tentando entender enquanto meu bico queria ficar a mostra por não gostar de ouvir aquilo.

— Você não podia me esperar? — Deu uma risada.

— Esperar o quê? Que você crescesse o suficiente para eu poder fazer alguma coisa? Sério Sophie? Isso te parece aceitável? — Franzi o cenho.

— Então é isso? Se a gente não tivesse brigado você não teria se importado com o que eu sinto e feito as mesmas escolhas sendo um mulherengo? Mesmo sabendo que eu era apaixonada por você? — Ele lançou um olhar pena que só me deixou mais irada. — Ahhh, então eu esperei por alguém que nunca teria me esperado... Que deprimente... — A última parte foi para mim.

— Não... Não é. — Pôs uma mexa de cabelo meu atrás da minha orelha acariciando meu rosto enquanto se aproximava. — Quer saber o que aconteceria? Se a gente não tivesse se afastado lá trás? — Mexi os ombros.

— Você continuaria sendo um babaca? — Sorriu concordando.

— É, mas ainda assim daria um jeito de você me perdoar, ficaria magoada comigo por eu sair com outras meninas e de vez em quando largar você com a minha irmã, só que eu daria meu jeito. Então, continuaríamos próximos mesmo você nunca gostando de nenhuma das minhas namoradas. — Pisquei assentindo.

— Plausível, embora ache que não fosse te perdoar tão facilmente. — Sorriu carinhoso discordando.

— Sou bom em consegui seu perdão desde moleque, eu acharia um jeito, imagine mais bolos, mais tartarugas, sorvete, uma cama com balinha suficiente para uma diabete certeira, uma noite inteira assistindo Dr.Who e comendo meu delicioso chocolate... A Sophie criança não iria me negar o perdão... — Rolei os olhos evitando sorrir.

— Plausível, era meio idiota. — E provavelmente ainda era.

— Não, era doce e fofinha como ainda é. Então imagine, você cresce perto de mim, assim eu acabaria te protegendo do bulliyng, de encrencas e principalmente dos engraçadinhos como eu. — Uma risadinha escapou dos meus lábios. — Seria como uma irmã para mim e eu não iria permitir que qualquer panaca chegasse perto de você. — Fechei o sorriso não gostando do título.

— Irmã?

— É. Até você ter seu primeiro inevitável namorado. Eu e seu pai fomos contra, mas a tia Kailyn manda na parada e esse infeliz preenchia todos os requisitos de alto padrão e ótimas referencias. Não era um tarado, não era burro ou nem tanto, vinha de boa família, com grana e quem sabe até um trabalhador descente e pensa num futuro cor de rosa para vocês dois tudo bem planejado do jeito que seu pai gosta, mesmo ele não aprovando a ideia de você namorar. De um jeito ou de outro, não posso fazer nada. — Deitei no colchão sem tirar os olhos dele e ele me seguiu apoiando o cotovelo e segurando a cabeça continuando a história. — Eu fico incomodado, é claro, só que você não é mais uma criancinha e a minha mãe me mata se eu amedrontar seu namorado como fazia com o panacas. E um dia para o meu azar encontro a garotinha que eu protegia e cuidei cautelosamente ao amassos com o Sr. Perfeito no sofá.

— Acho que eu faria isso só para te irritar. — Brinquei e o Michael assentiu.

— E funcionou, provavelmente brigamos e nos entendemos por que eu era a última pessoa que deveria repreender alguém por dar uns amassos na sala. A situação se inverte, eu fico cada vez mais nervoso com isso, seu tempo comigo cada vez menor e de repente apenas nos encontramos em curtos períodos noturnos em que ambos chegamos de encontros, no meu caso mais festas. A diferença é que você está feliz e eu cada vez mais frustrado sem conseguir entender a razão, como se eu estivesse perdendo algo que nem sabia o que era... É difícil para mim, não fazia sentido ficar infeliz por você ficar feliz.

— E o que você faz? — Perguntei atenta curiosa. Afagou meus cabelos de novo suspirando.

— Começo a desenvolver hábitos estranhos para suprir isso, saiu com garotas ruivas ou que tenham seus olhos, ou sardas na ponta do nariz... — Tocou meu nariz acariciando em seguida minha bochecha. — ...Meus amigos ficam preocupados, me questionam por que dessa mania minha, mas eu não tenho resposta para minha fixação com as ruivas. Dá certo por um tempo, só que elas não são quem eu queria ver e a frustração só aumenta enquanto eu tento entender o meu problema. — Colou sua testa na minha sorrindo. — Aí você vem para o natal e só de ficar te olhando já faz eu esquecer que tenho um problema, de repente, você surgi com uma notícia incrível e me diz que terminou seu namoro com o Sr. Perfeito e eu vejo a raiz do problema... Eu estava com ciúmes, eu fiquei tão aliviado e feliz com o seu termino, como se voltasse a ser a minha Sophie ainda que nunca tivesse ido de fato e eu entendo que o problema era que... Estou perdidamente apaixonado por você e eu quero que me ame como me amava no início.

— E você se confessa? — Ele afasta o rosto do meu negando.

— Não, eu fujo. — Abri a boca sem entender.

— Foge?! Por quê?

— Como eu posso estar apaixonado pela garota que eu cresci protegendo? Eu sou o tipo de cara que jamais teria permitido sair com você. Então em negação eu me afasto e você fica furiosa comigo. Passa mais um ano e eu ainda saindo com ruivas, na verdade, meu problema piorou por que agora eu sei por que gosto das ruivas e fico com remorso depois de ficar com elas, mas não consigo parar...

— Ficamos juntos no final do seu raciocínio? Por que do contrário eu não quero ouvir mais... — O interrompi não gostando de como a história seguia.

— Um dia você vem para minha casa como sempre, ainda está brava comigo, só que não dá mais para eu fingir, pois meu probleminhas com as mulheres se tornou quase patológico por sua causa, agora eu só saio com garotas que se chamam Sophie só para poder dizer seu nome em voz alta enquanto eu...

— Não me chamou hora nenhuma hoje... — Ele riu negando.

— Eu fiquei com medo que parasse, deixa eu continuar... Eu desisto de tentar não sentir nada por você, então...

— Então me inferniza para ganhar minha atenção de volta e consegue em dois tempo, aí descobre que ainda sou apaixonada por você... — Completei a história o que o fez rir mais ainda.

— E acabamos numa barraca sem roupa falando das minhas exs... Meu ponto com essa história toda é exatamente esse. O final Sophie é o mesmo, não importa se no meio fomos afastados ou ficamos juntos na história, vamos acabar aqui discutindo o fato de eu ser um babaca e ter demorado tanto para me apaixonar por você, ainda que em todas as hipóteses possíveis eu acabe apaixonado por você querendo que me ame como no inicio. — Sorri largo pulando em cima dele espalhando beijos por todo seu rosto.

— E eu esperando você nas duas ou mais versões possíveis. — Aproximei do ouvido dele sussurrando: — Por acaso, meus vinte minutos de espera já terminaram... — Ele riu assentindo.

— Bem lembrado! — Me beijou intensamente mais uma vez.

[...]

Comecei aquela manhã com um senso de humor totalmente diferente das demais, estava feliz e ainda que a noite tenha sido longa acordei mais cedo do que o costume com um sorriso enorme.

E para melhorar aquele início de manhã revolvi toma rum banho quente que quase me fez perder a noção de onde estava.

— Aí, moída! Quem tá tomando banho? — Disse a voz feminina familiar, era a Safira. Verifiquei se a porta do box onde eu estava tinha trancado corretamente sentindo um frio na barriga apesar da água quente.

— Ah... Sou eu... Sophie... — Balbuciei quase desesperada olhando para os lados.

— Ah! Bonequinha! Como foi o aniversário? Menina, minhas costas estão moídas, eu quase não dormir essa noite, a cama do hospital era terrível. Cadê o Michael? Ele não está dormindo, né? A gente achou melhor vir de táxi ao invés de esperar ele, o médico liberou o Phil as seis e não queríamos acordar ninguém para ir buscar a gente. — Ela continuou falando tanto e eu só ouvi a pergunta apavorada olhando para o Michael do meu lado que não parava de morder meus ombros. Dei um tapa nele nervosa para fazer silêncio.

— Que... Que bom... — Falei sem saber o que tinha dito.

— Bom...? Como assim bom? — Busquei algo coerente na minha cabeça.

— Ah! Que o Phil já teve alta... — Disse a primeira coisa que me veio.

— Ah sim, entendi. É, é ótimo, ele bem, o médico disse que ele deu sorte de não ter nenhum idiota com ideias malucas para tirar o veneno quando a cobra picou ele. Falou que geralmente só piora e que os primeiros socorros que você fez nele ajudou bastante! — Contou e eu pude ouvir o Michael bufar do meu lado. — Aí! Fiquei sabendo que guardaram chocolate para gente e que...

— Safira caí fora! — Michael quase gritou impaciente. Dei mais uns tapas nele envergonhada ouvindo o som surpreso que a garota do lado de fora fazia.

— Ahhh minha nossa, que nojo Michael! Você está aí? Esse é o banheiro feminino, caralho! — Revidou ela indignada.

— Tem três box aqui e não dá para levar a Sophie no masculino, então rala peito! — Eu já estava completamente encolhida e vermelha de vergonha.

— Argh... Bonequinha, você vendeu sua alma para esse grosso idiota? Como pode deixa ele te convencer a fazer essas maluquices? — Não tive forças nem para responder. — Mike, ela é uma donzela seu porco, você não...

— Caí fora Safira, tá deixando a Sophie com vergonha e eu sou o único que pode fazer isso... E para sua informação foi a donzela que me chamou, pagando rounds atrasados. — Ela gargalhou bem alta.

— Tá com rounds atrasados? Como isso é possível? E eu não consigo imaginar a bonequinha fazendo uma proposta...

— Safira...! Saííí! — Danou ele nervoso.

— Tááá! Tô indo! Mas meu silêncio não vai sair barato, hein?! — Arregalei os olhos perplexa, era chantagem? Eu sabia brincar disso também.

— Que tal eu não colocar uma cobra na sua barraca quando estiver dormindo e negar socorro quando ela te picar? — Um longo silêncio se fez.

— Feito... Parece justo e... Assustador, bom banho para vocês dois. — Disse ela com um certo medo na voz saindo do banheiro. Mirei o Michael que começou a gargalhar.

— Nem foi comigo e eu fiquei com medo... — Mexi os ombros não querendo ouvir mais conversa naquela manhã que deveria ser incrível.

— Onde paramos? — Perguntei num sorriso tímido.

— Oh, antes de você ameaçar jogar uma cobra na barraca da Safira? Antes eu estava... — Suas mãos deslizaram pelas minhas nádegas numa caricia descendo para as minhas pernas, enquanto voltamos a nos beijar.

[...]

Todos pareciam contentes com o retorno do Phil e mais tranquilos ao ver que não tinha sido nada grave. Antes do almoço Peter teve a ideia de ir a um lugar que chamaram de prainha que pelo visto não era longe – uma desculpa para ninguém cozinhar e comerem fora.

E assim fizeram, felizmente eu havia trazido o meu maiô, embora não tivesse plano algum de banhar no rio com eles.

Não era um mar, mas tinha uma praia e espreguiçadeiras com guarda-sol para alugar, também tinha um restaurante e pequenos quiosques espalhados por lá. Quando chegamos não tinha muita gente, então foi bem fácil encontrar um lugar para ficarmos.

— Cadê todo mundo? — Perguntei ao Phil me aproximando da mesa onde estava nossas coisas. Ele era o único sentado na cadeira tomando um gole de suco e se engasgou na hora ao me ver. — Ah! Você está bem?

— Cof... Cof... — Começou a tossir e eu até ia no seu rumo para ajudar quando gritou: — Não chega perto, por favor, não faz isso... — Levei um susto ficando estática. — ...Estou bem... — Disse ajeitando o óculos na face. Ele percebeu meu olhar chocado pela cena anterior, me sentei na outra espreguiçadeira após colocar minha bolsa no chão e levar meus óculos escuros para cima da cabeça.

— Tá... — Falei apenas ainda achando tudo muito estranho.

— Não... Leva a mal, não é... Ah, sabe?! Michael, eu, e outra namorada dele... — Soltei um ‘ahhh’ sonoro entendendo tudo.

— Entendi. Atitude exagerada, mas entendi. — Comentei procurando meu protetor solar ou em menos de meia hora aquele pouco sol me transformaria numa pimenta malagueta. — Como está seu pé? — Perguntei por educação vendo o pé dele enfaixado.

— Doí um pouco, inchou bastante no primeiro dia, só que agora tá bom. — Respondeu limpando o suco derramado na roupa. — Ah, o pessoal foi ver se conseguia um desconto para grupo todo no restaurante. — Amarrei meus cabelos assentindo. Coloquei protetor nas mãos e comecei a esparramar pelos ombros e por baixo do maiô. Por alguma razão Phil virou a cara para o outro lado continuando a tomar seu suco.

— Como conheceu o Michael? — O silêncio estava ficando incomodo então achei melhor introduzir algum tópico. Deu uma rápida olhada para mim e encarou o suco.

— Ahm... Simpósio, fizemos um mesmo minicurso sobre empreendedorismo, eu particularmente só fiz para conseguir horas, tinha que fazer dupla e simular abrir um negócio inovador, ele foi meu par. — Abri um sorriso imaginando a cena.

— E qual foi o negócio inovador de vocês? — Ele ficou meio corado na hora de responder.

— Érr... Delivre de... Camisinha, era um aplicativo que... Na hora de uma emergência... — Pigarreou vermelho e eu só ri.

— Ideia do Michael, imagino. — Afirmou.

— É, quase fomos expulsos da sala. — Contou. Mais um pouco de protetor na outra mão para o outro ombro.

— Deve ser divertido estudar com ele. — Me olhou rápido negando.

— Não estudo com ele, foi só dessa vez... Eu faço ciência da computação. — Me surpreendi e tornei a sorri.

— Ahh! Meu tio Dick é graduado em ciência e engenharia da computação, mas ele trabalha mais com um pessoal da ciência na empresa. — Foi então que ele parou de desviar o olhar para me fitar de fato enquanto falava.

— Sério?! Em que empresa ele trabalha? — Mexi os ombros sem saber.

— Não sei, é uma grande, ele se gaba bastante por ser o chefe dos chefes dos empregados ou algo assim. — Normalmente quando ele falava demais a tia Undine lascava o soco nele para parar, o que era engraçado. — Ele vive atrás de alunos do meu pai para estagiar, mas meu tio é BEM exigente então, quase todo mundo desiste. — Ele abriu a boca surpreso e fechou procurando palavras.

— No ramo da ciência da computação? — Afirmei.

— É, é tipo para testes e melhorias, ou algo assim. Eu não sei explicar, para ser sincera eu não sou muito ligada em tecnologia ou no ramo de exatas, sou mais da biológicas. — Ele coçou a sobrancelha rindo e ficando sério o mesmo tempo.

— Eu... Seu tio ainda está procurando? — Perguntou sem graça e eu sorri largo.

— Aguenta ouvir desaforo gratuito? — Ele piscou pensando.

— É remunerado? — Ri afirmando.

— Que eu saiba sim, até o estágio do Michael foi remunerado.

— Me pagando horas extras e dinheiro eu aguento tudo. — Dei uma pequena gargalhada.

— Ele costuma fazer dois testes com os estagiários... — Eu parei de falar quando uma moça parou do meu lado sorrindo com um suco cheio de enfeite na mão colocando na mesa.

— O rapaz da mesa ali mandou para você, disse que aceita um ‘oi’ como agradecimento. — Ela apontou para um grupo de homens sentados distantes e um deles acenou para mim. E minha mãe dizia que meu maiô de bolinhas espantava os caras.

— Diz para o rapaz ali que o namorado dela não sabe levar gracinhas na esportiva. — Fiquei feliz que o Phil estava perto e não precisei negar eu mesma a bebida. A moça piscou gentilmente assentindo e levando a bebida com ela. — Ahhh senhor... Que eles não insistam e que o Michael não chegue para ver isso... — Ele literalmente orou com as mãos juntas. — Desculpa, é que ás vezes parece que situações assim são atraídas para gente. De repente estamos de boa num lugar todo mundo feliz e tranquilo, aparece um bando de idiotas irritam e caçam briga com o Mike, então entra o Montanha e o Peter partindo para ignorância e vai todo mundo para delegacia dar jeito de ligar para tia do Mike livrar nossa cara. — Eu queria ficar surpresa com aquela informação, mas pareceu bem típico.

Infelizmente não foi naquele dia que a oração do Phil deu certo, por que minutos depois veio um dos caras trazendo a maldita bebida de novo e colocando em cima da mesa.

— Meu amigo faz questão que você fique com a bebida... — Fechei a cara apertando o protetor solar.

— Agradeça seu amigo por mim, mas não quero, obrigada. — Forcei um sorriso e o estranho sorriu de volta.

— Qual é? Ele não morde...

— O namorado dela morde, sério, manda seu amigo azarar outra menina. — Concordei com o Phil quando o desconhecido me fitou.

— Você é o namorado dela que morde? — Ele negou no mesmo tempo. — Então cala a boca! — Suspirei.

— Tá bom, deixa essa coisa e some! Agradeça o idiota do seu amigo por mim. — Falei nervosa no mesmo tom de grosseria que ele falou com o Phil.

— Hey... Calma lindinha, estamos...

— Ele ainda não te viu, sua deixa é agora ou nunca, irmão. — Alertou o Phil e nem eu entendi. Procurei o Michael pela praia e não encontrei.

— Fica na sua! Escuta, ruivinha, meu amigo gostou muito de você, só conversa um pouco com...

— Ah droga ele viu. Fingi que é o garçom e ninguém sai machucado. — Tornou a interromper e eu ainda estava procurando o Michael com os olhos. Até que finalmente vi vindo no nosso rumo o grupo esquisito composto por um baixinho, um gigante, duas loiras, duas morenas, um desengonçado e o Peter de normal. Quando o estranho viu o Montanha ele tinha que perguntar:

— É o grandão?

— É, é o grandão, corre. — Phil mentiu. Eu gargalhei, o desconhecido saiu às pressas levando a bebida com ele.

— Acho que ele não viu... — Sussurrei aguardando o pessoal se aproximar.

— Ele viu. — Revidou o Phil engolindo seco. E eles finalmente chegaram até nós. Joy me olhou colocando as mãos no rosto agoniada rangendo os dentes.

— MEU DEUS! Que vontade de morder essa garota! — Me encolhi assustada. — Bonequinha você parece uma boneca...! Só que com peitos grandes! — Michael empurrou ela de lado se sentando do meu lado. — Ela é muito fofa para você, Michael! É como se o Chuck tivesse namorando a Polly adulta ruiva. — Fiz careta negando.

— Quem era o cara aqui? — Ele foi direto ao ponto bem sério. Eu e o Phil nos entreolhamos em concordância.

— Garçom. — Dissemos em uníssono. Nisso Michael sorriu divertido.

No final das contas, eu acabei me dando bem com os amigos do Michael, até com quem eu jurava que não me daria.

Embora meu grande desafio nunca fosse eles, meu maior problema estava em casa me esperando e dormindo com a minha mãe... Meu maior problema era o: Olivier Gasnier.

Felizmente eu tinha cinco meses para me preparar.

#BÔNUS#

Olivier

Desci as escadas do porão apressado antes que a Kailyn descobrisse que tinha trazido outra aranha para casa, abri a tampa do aquário vazio colocando ela com cuidado lá.

— Não se preocupe Smith, me dá uma semana e ela vai dizer sim para tudo que eu pedir! Sabe como são as mulheres, especialmente a minha, ela acha que aranhas afastam os vizinhos, como se meus repteis não. — Conversei empolgado com o novo morador. — Espera só até conhecer minha ma petit, ela é como eu, adora qualquer tipo de bicho... Embora, não muito os mamíferos! Mas não se preocupe, ela não é como os outros humanos, ela é inteligente, doce e confiável! A única confiável provavelmente que você vai conhecer. Minha bebê nunca mente, ela jamais mentiria, pelo menos não para mim, nunca para mim, já que...

— Olie! Oliver! — Dei um pulo para trás assustando o Smith que ficou armado.

— Shhh! Tudo bem, vou te trazer comida mais tarde. — Acalmei ele. Subi as escadas fechando a porta encontrando minha ruiva com as mãos na cintura me esperando na sala com um olhar desconfiado.

— Estava fazendo o que no porão sozinho? — Pensa rápido Olivier!

— Você fica linda desconfiada... — Ela semicerrou os olhos.

— Oliver...? — Sorri torto.

— Não estraga a surpresa ma chérie... — A desconfiança dela sumiu para ficar toda animada e feliz.

— Surpresa? Para mim? — Fiquei de costas para ela me ferrando de vez enquanto ela me seguia. — O que é? Oliee! Te dou dez pontos se me contar!

Droga! Lá vou eu gastando uma noite inteira no google pra descobri alguma surpresa que eu já não tenha feito para ela. Eu tenho que parar de trazer animais clandestinos pra casa...

[...]

Notas finais
Oiiii! Só mais uns avisos... Primeiro: Vou responder os comentário agora! Segundo: Estou querendo colocar as fics em outra plataforma, gostariam que me contassem outras plataformas que vocês usam além do Nyah! Sobre o proximo capitulo... Gente... Falta mais dois capítulos para o final (fora alguns extras entre eles). Preparem o coração! Não vou demorar muito dessa vez, sei que não acreditam, mas fiquem alertas para quando eu postar xD Abraços e até! o/