Especial Inner Beauty
26 Capitulo Vinte e Cinco
Notas iniciais
Dezenove
PARTE II
O silêncio na minha casa era ensurdecedor. Nunca fomos muitos barulhentos, mas naqueles dias o vento fazia mais sons do que a minha família.
A expectativa de todos que estavam por dentro da punição do meu pai era que em menos de uma semana ele mudasse de ideia e voltasse a falar comigo e parar com a idiotice de andar pela casa sem o aparelho auditivo. O que foi um grande engano.
Fazia um mês, ele continuava me ignorando e deixando a minha mãe louca de raiva. No início eu não queria falar com ele diante toda aquela infantilidade, mas com os dias se passando e ele virando a cara sempre que eu tentava me comunicar... Foi me deixando sem ação.
Sentia falta de conversar com ele, afinal eu sempre fui mais aberta com meu pai do que a minha mãe.
E se algum dia pensei que o fato do Michael morar em outra cidade fosse impedimento para ele fazer seus testes malucos, confesso que foi bem inocente da minha parte. O oceano pacifico não ficaria no caminho para impedir o meu pai de fazer da vida do Michael um inferno.
O rapaz que nunca ficava doente foi parar duas vezes no hospital com intoxicação alimentar, o restaurante começou a receber visitas nada agradáveis, o carro dele de um dia para o outro apareceu todo arranhado e com os pneus furados e isso por que não estou levando em conta o que o acontece quando ele vem me visitar.
Além de não deixa-lo entrar em casa, meu pai usa todo animal que conhece e isso inclui os universitários para atormentar o Michael. Tentou aranhas, cobras, escorpiões, até uma moreia morta que colocou na cama do hotel dele que, sinceramente, não sei onde meu pai arrumou.
Eu tinha que pedir ajuda de fora, aquilo estava indo longe demais.
— Não vou me meter nisso. — Revidou meu tio Dick tranquilo. — Um dia minha filha vai ter sua idade, um engraçadinho vai vir para cima dela e conto com a colaboração do seu pai para matar ele sem deixar resquícios. — Cruzeis os braços incrédula.
— Tioo! Isso não é brincadeira! Meu pai não fala com a minha mãe a um mês! Não acredito que está do lado dele! — Ele se ajeitou na cadeira do escritório suspirando.
— Escute, eu nunca conto nada a Kailyn, em especial quando não quero que o Olivier saiba. É inevitável, sempre foi assim, sua mãe nunca conseguiu esconder nada dele... Até agora. — Mexi os ombros sem entender. — ...Não é seu envolvimento com o Michael que incomoda ele, é o fato das duas pessoas que ele mais ama no mundo se unirem contra ele. Se a cabeça oca da sua mãe e você tivessem chegado para ele no início de tudo e contado, provavelmente ele teria cuspido fogo, mas aos poucos aceitado melhor. Só que não, você fingiu de um lado, sua mãe fingiu de um outro, tudo com o mesmo propósito: Esconder a verdade do Olivier.
— Tudo bem, tudo bem...Eu não quero que o senhor interceda por mim. Fui irresponsável ao pensar que papai seria coerente com o tempo, mas ele está agindo como uma criança birrenta! Tô pedindo que converse com ele para parar com essa coisa de só falar com a minha mãe em libras... — Colocou a mão no queixo atento. — ...Meu pai não confessa, só que eu sei que ele sente falta de falar com ela, mas é teimoso demais para admitir! E pior... Ele anda visitando ‘aquela’ pessoa e isso tem feito minha mãe subir pelas paredes de raiva.
— O quê? Contou ao seu avô isso? — Perguntou espantado. — Minha nossa, se meu pai descobrir que o Olivier anda... — Me olhou como se eu fosse inocente demais para próxima palavra.
— Fumando maconha, é, e na casa de você sabe quem. Ele me ligou preocupado por que o papai deu para aparecer lá dia sim dia não. — Tio Dick pigarreou meio sem graça.
— É um equívoco. Seu pai nunca fuma, colocar um cigarro perto dele é pedir para ele vomitar, o que dizer... — Explicou e eu continuei cética. — ...Enfim, não sei como posso ajudar. Te garanto que sendo irmão da sua mãe isso não me fará ter bons argumentos.
— O que eu faço? Termino com o Michael para aplacar a raiva dele? — Meu tio negou.
— Querida o Michael não é o problema, vocês sabem disso. Partiram o coração dele, se fosse só uma das duas ainda dava para você ou sua mãe interceder, mas as duas ao mesmo tempo. Uma das razões que fizeram seu pai se apaixonar pela sua mãe foi a incapacidade dela de mentir para ele, agora ela não só consegue como está mentindo. — Encolhi os ombros. — Eu vou ligar para sua mãe, vou conversar com ela e ameaçar o seu pai em relação as visitas dele com você sabe quem, tenho certeza que ele não quer que seu avô descubra que anda comendo bronwies ‘mágicos’ para esquecer os problemas. — Isso me fez rir.
— O senhor já comeu? — Ele segurou os lábios para não rir.
— Seu pai não foi tão boa influência assim como todo mundo pensa. — Dei uma risadinha concordando.
[...]
Era um final de semana quieto, quase agonizante. Não tinha nada para fazer, o Michael estava ocupado no trabalho, minha mãe tinha saído e meu pai até estava em casa, só não queria interagir comigo. Fiquei no sofá apenas e o Mike enquanto alguma coisa boba passava na TV.
De repente meu pai apareceu na sala com uma caixa de papelão pequena nas mãos.
— A mamãe não quer que você traga mais bichos pai. — Comentei inutilmente. Ele se quer ouviu. Ao abrir tirou algo que eu jamais esperava... Um pequeno ouriço bebê. Confesso, nunca fui chegada em mamíferos, mas a coisinha era bonitinha!
— Que gracinhaa! Onde achou? — Mais um longo silêncio incomodo. Se quer me olhou. Rosnei colocando o Mike no sofá e indo até ele. — Onde você achou? — Dessa vez chamei sua atenção e fiz sinais. Mexeu os ombros com desdém voltando seu olhar para o pequenininho. Dei um tapa no ombro dele para que me encarasse. — Chega pai! Não pode me ignorar para sempre, isso não vai resolver nada! — Pegou o ouriço recolocando na caixa e saiu me ignorando por completo.
Respirei fundo sem acreditar que meu pai naquela idade era mais infantil do que as crianças que eu cuidava na creche.
Só que não ia durar por mais tempo. Notei isso assim que minha mãe chegou a tarde em passos firmes com o rosto tingido de vermelho de tanta raiva. Me perguntou nervosa onde estava ele e quando eu disse que no porão ela subiu para o quarto resmungando algo sobre ‘isso acaba hoje’.
Até pensei em falar com ela, porém na ira que estava achei melhor dar um tempo para se acalmar, bom... Isso era o plano, se minha mãe não começasse a fazer barulhos. Deixei o Mike no meu quarto e corri para o quarto dela com receio.
E o pior parecia ter acontecido, ela estava fazendo as malas.
— Nãoo! Você não pode ir embora! — Falei já começando a tremer. Eu jamais permitiria que meu envolvimento com o Michael resultasse na separação dos meus pais! Ela me fitou assustada e sem conseguir sorrir por estar nervosa demais negou.
— Que isso, Sophie?! Enlouqueceu? Eu não vou embora. — Apontei para as malas que ela colocou no chão e as roupas em cima da cama. — Ahhh...! Não se preocupe, querida, é mais fácil eu matar o seu pai do que largar dele. — Suspirei aliviada.
— E para que essas malas? — Me encarou bem sério.
— Fui paciente, Sophie, Deus sabe que estou sendo desde que essa besteira toda começou, achei que ele precisava só de um tempo para assimilar tudo, mas... — Jogou a roupa com força na mala rangendo os dentes. — ...Ele continua com isso! — Me fitou furiosa. — Acredita que ontem de noite ele... — E eu tive a leve impressão que o vermelho do rosto dela foi de raiva para vergonha, já que pigarreou e sorriu sem graça. — ...Esquece. — Sentei na cama rindo.
— Mãe, eu não fiquei jogando cartas com o Michael no acampamento e ele herdou o espirito libidinoso da madrinha, então acho que consigo ouvir certas intimidades. — Ela gargalhou com a mão sobre a boca.
— Muito bem. — Parou de fazer as malas para me olhar. — Depois de menos de uma semana que fizeram aquele acordo idiota, eu disse ao seu pai que se ele quisesse fazer algo comigo teria que falar de fato comigo, entende? — Assenti e ela suspirou tristonha. — Acho que o fato dele ainda não falar comigo dá para supor o que ele escolheu, não é?
— Sério? Então, desde aquilo vocês... — Fez que sim se aproximando.
— Antes de ontem eu mexi na caixinha de recompensas dele, escolhi um, mesmo sem ele merecer e planejei fazer tudo ontem de noite.
— Pela sua raiva não deu certo... — Ela bufou.
— Ele se trancou no banheiro! Disse que se eu ia jogar sujo não ia ficar perto de mim! Seu pai DORMIU no banheiro, Sophie! — No fundo eu queria rir, deve ter sido torturante ver minha mãe toda disposta a fazer qualquer coisa por ele e ter que recusar. — Ahhh mas isso acaba hoje! Aliás, vá arrumar suas malas também, teremos uma reunião familiar e em seguida partimos! — Disse nervosa.
— Para onde? — Antes que ela respondesse meu pai já tinha entrado no quarto e pela cara apavorada dele pensou o mesmo que eu.
— Non, non, non! — Disse tirando as roupas dela de dentro da mala. Ele falou... O que me fez sorrir e sentir um peso sair das minhas costas.
— Para com isso! — Revidou tirando as roupas do chão. Papai não ouviu e pelo visto não tinha entendido, andou às pressas até o criado mudo e tirou o aparelho de lá colocando no ouvido. — Ahh agora você quer me ouvir? — Falou com desdém para ele. Ia abrir a boca para falar quando ela intrometeu. — Shiiu! Presta bem atenção: Nós somos uma família! E vamos resolver nossas diferenças como uma família, juntos, está magoado, eu entendo, mas ficar sem falar com a, Sophie? COMIGO? Isso acaba aqui! — Ele balançou as mãos concordando.
— Certo, certo, ultrapassei alguns limites... Que tal guardamos... — Ia no rumo das malas quando minha mãe ficou na frente dele.
— Ultrapassou todos os limites, até mesmo se tratando de você. — Cutucou o peito dele. — Nós vamos viajar todos juntos, chega de voto de silêncio, chega de teste, chega de drama, entendeu? — Papai fitou as malas.
— Nós? Você não vai me largar? — Minha mãe semicerrou os olhos se aproximando dele.
— Bem que você merecia... — Segurou minha mãe pelos ombros ofegante.
— Je meurs, sans toi je meurs, ma avie est toi, mon amour... — Isto certamente desarmou minha mãe que sorriu.
— Diga algo para sua filha Oliver. — Ordenou. Ele se virou para mim e me encarou.
— Saí do quarto filha de Dalila. — Arregalei os olhos e apesar da ofensa não pude evitar de rir. Pelo menos ele falou comigo. Minha mãe deu um tapa dele.
— Não assim! — Balancei a cabeça ainda rindo.
— Tudo bem, mãe. Vou arrumar minha malas. — E fui saindo do quarto deles com os olhos ardendo, queria chorar de alegria por finalmente as coisas se ajeitarem.
[...]
Se eu soubesse que para tudo retornar ao normal era preciso só um pouco de alusão indicando que minha mãe fosse embora, eu teria sugerido isso muito antes. O humor dele não mudou muito, verdade, só que pelo menos o voto de silêncio foi revogado. Tivemos até uma conversa tranquila no jantar e enquanto o assunto do Michael não viesse à tona ele parecia menos arisco.
Para ser franca, meu pai lembrava os gatos de rua, enquanto desse o que ele queria ficava por perto, mas do contrário ele se arrepia todo e saia de perto.
— Tem mesmo que levar esse bicho? — Perguntou minha mãe ao volante – meu pai odeia dirigir, então era comum ela fazer isso nas viagens. Ele acariciava o tal ouriço com carinho em seu colo.
— Sonic, ele tem nome. — Respondeu. — E é muito bebê ainda, não tive coragem de deixar na mão de terceiros. — Concluiu e o bichinho se encolheu com o carinho. Me empurrei para frente para ouvir o dialogo melhor, tanto tempo no silêncio mortal dele que particularmente eu estava extremamente animada com qualquer assunto que fosse.
— Oliver... — Chamou sua atenção num timbre preocupado. — ...Você não acha que ultimamente tem trazido animais demais? Antes você só arrumava um se um dos seus morressem, agora...
— Por que perguntou isso como se fosse minha terapeuta? — A interrompeu indignado.
— Não fiz isso, é só que... Você se apoia muito nos seus bichos de estimação quando está deprimido, então queria saber se há uma razão. — Ela falou lentamente usando seu tom mais terno possível.
— Tirando a apunhalada recente que recebi? — Se entreolharam por uns instantes. — Estou bem. — Completou meio seco.
— Olha, eu até aceitaria isso se tivesse começado com essa acumulação de bichos nesse período, mas Oliver, você arrumou cinco aranhas, dois caranguejos e queria comprar um coala no mês passado! — Meu pai mexeu os ombros.
— Coalas são legais! — Disse como se fizesse sentido.
— Não são não, eles são quase como preguiças, não fazem nada. — Me intrometi em protesto.
— Seu jabuti também não, e desde quando arrumamos bichos de estimação para fazerem algo? São adornos. — Revidou na defensiva.
— Sabe o que você está parecendo papai? — Esperei ele me olhar para dizer. — Aquelas velhas beatas solitárias que arrumam cinquenta gatos, só que ao invés de gato o senhor pega outros animais. — Óbvio que ao ouvir isso ficou ofendido.
— Por que eu voltei a falar com você mesmo, filha de Dalila? — Fiz um bico fingido.
— Para de chamar ela assim! Ou esqueceu que ela é minha filha? — Ele voltou seu olhar para o ouriço.
— Dalila mãe, Dalila filha... — Resmungou.
— Olie, quer fazer terapia de casal de novo? — Assustado se virou para ela.
— Não vou pagar cem dólares na consulta de uma terapia para ouvir você reclamar e um idiota diplomado pagar de Freud! — Ela rolou os olhos e isso o fez bufar. — Podemos resumir uma hora de terapia aqui, agora! Me diz, o que eu fiz? O que eu não fiz? Por qual defeito serei acusado dessa vez?
— Eloise tem razão, estamos na crise dos sete anos, ela passou por isso com o Dillan. — Tanto eu quanto meu pai franziu o cenho confusos.
— Ficou louca? Temos vinte e dois de casados não sete.
— Exato! Estamos tendo a crise dos sete anos tardio! — Meu pai me fitou ainda confuso. Apenas mexi os ombros sem entender.
— E o que se faz quando a crise dos sete anos vem aos vinte e dois anos? — Questionou com desdém. Ela tirou os olhos da estrada por um instante.
— Terapia. — Ele tornou a rosnar e eu comecei a rir.
— Você não vai mesmo contar para onde estamos indo? — Perguntei mudando de assunto. Ela sorriu largo.
— Vamos para uma das casas de férias da mãe da Undine, ela deu carta branca para nós. — Isso era um bom sinal, a família da minha tia era muito rica, então provavelmente o lugar não seria tão ruim.
[...]
Foram longas duas horas de viagem tranquila sem mais tantos conflitos entre eles. Colocaram uma música melosa e passaram esse tempo um lançando olhar sugestivo para o outro, em um outro momento talvez eu achasse isso bemmm entediante, mas naquelas circunstâncias ver meus pais se flertando era colírio para meus olhos.
Em uma pequena cidade mamãe resolver fazer uma breve parada numa lanchonete para esticar as pernas e tudo mais. Papai sugeriu um posto para já aproveitar e encher o tanque, só que ela queria por que queria ir na lanchonete.
Ao entrarmos lá dentro um choque, tanto para mim quanto para meu pai.
Numa mesa do canto estava uma família que conhecíamos muito bem, a madrinha, o padrinho, o casalzinho desastres naturais e... Olhei para todo lado procurando a peça que faltava, Michael não estava com eles. Assim que me viu a madrinha Eloise apontou para o rumo do banheiro com um sorrisinho malicioso.
— Mas o que significa isso? — Questionou meu pai num sussurro zangado.
— Eu disse que ‘todos’ íamos viajar... — Se colocou na frente dela abismado.
— ‘Todos’ da ‘nossa’ família, não ‘todos’ da ‘sua’ família inteira! Você me enganou! — Ela suspirou.
— Se eu te contasse você não vinha... — Cruzou os braços fechando a cara.
— Kailyn se eu resolver brincar de duplo sentido você não vai gostar, como...
Parei de dar moral a discussão deles assim que eu vi alguém sair da porta onde meus olhos simplesmente não tinham deixado. Corri até ele com um sorriso enorme e empolgado saltando em cima dos seus braços. O beijei puxando o ar com lentidão e intensidade sentindo aquele cheiro que tanto me fazia falta.
— Devia ter me contado! — Sorriu entre um beijo e outro.
— E perder uma entrada dessa? Nem sonhando... — Dei um leve tapa no seu ombro voltando beijá-lo, só que dessa vez com profundidade.
— Isso... Continuem, vou adorar mandar o carro de alguém para o ferro velho. — Disse a voz desdenhosa atrás de nós. Saí dos braços do Michael para fita-lo.
— Tio Oliver! Como é bom ver você! Geralmente isso quer dizer que não está armando uma das suas ‘brincadeirinhas’. — E meu pai sorriu torto.
— Gostou do presente que te mandei? — Michael deu uma leve estremecida.
— Que presente? — Perguntei curiosa.
— Ahhh ele me mandou um bolinho com testículos de algum bicho nojento dentro... — O fitei com pena.
— Você comeu? — Meu namorado gargalhou e encarou meu pai.
— Depois de duas intoxicações alimentar, claro que não. E o cartãozinho com a mensagem ‘espero que isso melhore nosso relacionamento’ me pareceu bem forçado tio, vai ter que mudar a tática. — Meu pai sorriu mais ainda.
— Filho, se eu quisesse que você comesse esse bolo, você teria comigo, o jogo não era esse.
— Ah! Como é bom ver a família se entender assim, os melhores relacionamentos começam com ameaças e joguinhos macabros, não é amor? — Intrometeu o padrinho se direcionando a minha esposa que riu. Minha mãe se aproximou do meu pai tocando lhe as costas.
— Vamos nos sentar e acalmar os nervos. — Ele rosnou para o Michael e foi. Ficou de frente para as crianças que devoravam uma torta de presunto e queijo.
— Meu Deus... Você não vai parar de crescer não, garoto? — Perguntou ele para o Logan que só agora que vi, ele havia crescido no mínimo mais dez centímetros desde a última vez que o vi, só que dessa vez mais magro.
— Está com um e oitenta e três, a tendência é chegar nos noventa já que o pai dele tem um e noventa e cinco. — Explicou o padrinho o sorrindo.
— É muito esforço cerebral para crescer tio, o Logan fica mais burro a cada centímetro que aumenta. — O garoto de cabelos louros escuros a encarou com raiva.
— A Gaby devia cuidar dos próprios assuntos. — Atrás de mim o Michael suspirou.
— O Logan devia saber que se pede cola para mim no colégio, então é assunto meu a burrice dele. — Franzi o cenho confusa... Ela falou isso olhando para ele.
— A Gaby se esqueceu que eu paguei pela cola? Fiquei fazendo lanche para Gaby durante duas semanas! — Ela virou o rosto.
— Detalhes técnicos que o Logan não devia mexer. — Retrucou ela de boca cheia.
— A Gaby não entende nada de detalhes técnicos, a Gaby é trapaceira e... — E eles continuaram discutindo, mas dei atenção ao Michael que suspirou novamente no meu ombro. Assim que olhei para ele fez uma expressão de coitadinho.
— Eles estão com isso tem quase três semanas, desde que brigaram, ‘a Gaby isso’, ‘o Logan aquilo’, estão se falando na terceira pessoa, dá para acreditar? Fizeram isso a viagem toda... — Olhei para os dois que continuavam com a briga verbal. — ...Gostava mais quando eles saiam na porrada para se entenderem. — Resmungou.
— Por que eles brigaram dessa vez? — A Gaby ouviu minha pergunta, ignorou o amigo e se virou para mim vermelha de raiva.
— O Logan espalhou para todo o colégio que eu menstruei e tava tropeçando na cordinha do absorvente! — Eu demorei um pouco para entender que o ‘absorvente’ era o O.B e que ela tropeçava por que era baixinha. Minha madrinha gargalhou junto ao meu padrinho, felizmente meus pais foram mais discretos, mas também riram. Segurei o riso tentando parecer confortadora para ela.
— Você fez isso Logan? — Ele estava sorrindo, porém parou e ficou nervoso no mesmo tempo.
— Eu só fiz isso por que a Gaby saiu espalhando que minha primeira namorada é uma toalha de banho! — Se defendeu. Me virei para baixinha que deu uma risadinha, embora não tenha entendido.
— Não teria feito isso se o Logan não tivesse fazendo indecências com uma toalha de banho! — Oh, agora tinha entendido. Meus padrinhos choravam de rir.
— Indecências? — Ele olhou para ela vermelho de vergonha e depois para mim, em seguida apontou para amiga. — A Gaby foi parar na diretoria por que tava nadando pelada na piscina da escola! — Abri a boca chocada, fitei o Michael que assentiu que era verdade.
— Isso é coisa para o Logan ficar contando?! — Revidou corada dando um murro nas costas dele. — O Logan foi para diretoria também por...
— Tááá...! Isso não vai ter fim, todo mundo sabe que vocês dois não batem bem da cabeça! — Interferiu o Michael. — Tio apesar do senhor poder resolver parar o carro no meio do nada e me largar, prefiro essa ameaça eminente do que passar mais cinco segundos ouvindo a briga desses dois! — Logan se virou para ele de boca cheia.
— Se eu soubesse que era só brigar com a Gaby para tirar você de perto, tinha feito isso antes. — E lá foi um peteleco na cabeça do garoto.
— Cala boca! Não era nem para você ter vindo narigudo, não é da família! — Achei que Logan fosse ficar sem graça, mas sorriu torto encarando meu pai.
— Tio Oliver, eu ficaria honrado em ajudar você a separar o Mike da Sophie! Minha mãe se casou de novo, agora é um latifundiário velho e mais rico que o anterior, dinheiro não será problemas para seus planos. — Os olhos do meu pai brilharam e ergueu a mão para cumprimentar o Logan. Michael deu outro peteleco nele.
— Quer levar uma surra moleque? — Logan se virou com desdém para o Michael.
— A Sophie não devia ficar com alguém tão violento, e se um dia ele for agressivo com você, Sophie? — Cruzei os braços.
— Não vai, eu confio no Michael. — Falei séria.
— Não devia, as exs dele não saem do restaurante! — Arregalei os olhos e me virei para o Michael que mexeu os ombros.
— Não dá ouvidos para ele Sophie, ainda que elas venham eu não fiz nada. — Apontou o dedo para o Logan. — Eu vou quebrar sua cara se colocar ela contra mim! — Piscou os olhos nem um pouco amedrontado.
— Não preciso, você vai fazer isso sozinho Michael, seu sobrenome é auto sabotagem, lembra? — Franzi o cenho começando a discordar da Gaby, de burro ele não tinha nada.
— Não dessa vez. — Revidou o Michael tenso.
— Estou gostando dessa conversa... Logan, precisamos bater um papo depois. — Disse meu pai com o dedo no queixo.
— Nada disso! Nossa viagem é para fazermos as pazes, não você criar mais intrigas! — Replicou minha mãe.
— É isso aí, vamos ficar naquela casa por cinco dias e nesses cinco dias vamos todos chegar a um consenso! — Complementou o padrinho Dillan.
— Quero que essa coisa de teste acabe papai, aqui e agora. — Já que o assunto ficou sério eu também entrei no meio. — Depois de tudo que o senhor já fez, eu acho que Michael provou mais do que o suficiente de está sério comigo. — Meu pai mostrou a língua infantilmente.
— Filha, meu acordo foi com ele não com você, o teste continua em vigor e que seu namorado se cuide numa casa no meio da mata ao lado de um lago fundo e propenso a afogamentos. — Fitei minha mãe seca.
— Chega de ameaças Olie, não foi para isso que viemos. — Ele apenas rolou os olhos. — Você me prometeu que se comportaria...
— Isso foi antes de eu descobrir que ele ia. — Era demais pedir bom senso dele.
— Olha, essa discussão será longa, acho melhor deixarmos ela para ser debatida na casa de férias. — Interveio meu padrinho. — Terminem logo isso e vamos pegar a estrada. — Disse aos mais novos que concordaram.
[...]
E para minha alegria o Michael realmente ia conosco no carro, sentei o mais perto possível dele aproveitando ao máximo para beijá-lo, já que outras coisas não pareciam permitidas ainda pelo acordo.
No primeiro posto de gasolina que paramos ainda na mesma cidade da lanchonete meu pai apareceu com uma pistolinha de água da loja de conveniência cheia e apontou para a cara do Michael.
— Tira a mão boba da perna da minha filha! — Eu e o Mike nos entreolhamos incrédulos.
— Vai jogar água nele, Olie!? Que infantilidade! — Disse minha mãe ligando o carro.
— Não é água... Tive que beber duas garrafinhas de água, mas consegui encher. — De incrédulos fomos para anojados.
— Você mijou nisso aí pai?! — Chocada minha mãe desligou o carro avançando na mão dele.
— Olie que nojo!!! Me dá isso! Solta! Eu vou jogar fora! — Ela tentou tomar, só que ele não deixou.
— Espera, não... Não toca nisso, não faz assim... Você vai...! — Tarde demais, em um dos puxões dela o tubinho por onde entra a água saiu e caiu um pouco do liquido amarelo sobre o pescoço e o busto.
O cheiro não enganava, enquanto o silêncio prolongado se fazia no carro era tudo que podíamos sentir. Eu e Michael fizemos uma careta e um olhar de pena para mamãe que não poderia estar mais vermelha. Ela se virou lentamente para o me pai que sorriu sem graça.
— Ma chérie, mon amour, ma avie... Não foi de... — Ela virou a arma de brinquedo no rumo dele e atirou sobre seu rosto sem dó. Michael colocou a mão na boca para segurar o riso, eu não achei graça, estava mais enojada do que achando engraçado. — ...Okay, isso me parece justo. Embora a urina seja minha, e até faça bem ao corpo... — Na raiva minha mãe jogou a arma para fora do carro e saiu em seguida. — ...Espera! Eu vou com você, ma chérie! — Antes de sair se virou para gente. — Isso não vai ficar assim! Se encostar nela... — E saiu sem terminar a frase atrás da minha mãe.
— O carro está fedendo... — Resmunguei tirando o cinto, fitei o Michael que estava quase chorando de rir com a mão na barriga. — ...Que tal usar suas habilidades de mulherengo para encontrar um lugar escondido para gente dar uns amassos enquanto eles tomam banho? — Ele parou de gargalhar no mesmo instante me encarando com um sorriso malicioso.
— Á suas ordens madame. — Ele saiu do carro olhando de um lado para o outro. — Ah! Achei, vem comigo!
E fomos para de trás do posto de gasolina matar a saudade um do outro, claro, sem perder a vista o carro do papai quando ele retornasse.
[...]
Descobri que ter algum parentesco com alguém muito rico pode ser extremamente vantajoso. A casa de férias era no mínimo encantadora.
Envolta de eucaliptos e pinheiros, um casa rústica feita de pedras e madeira, com janelas largas de vidro que dava para ver tudo lá dentro. Havia um píer atrás da casa que estendia por um longo caminho sobre o lago, no qual no final dela possuía uma escada indo para dentro da água. Em cima do píer algumas espreguiçadeiras e um suporte que suspeitei ser para fogueira.
Ao saímos do carro tanto eu quanto meu pai suspiramos com um sorriso bobo no rosto. Este certamente era o que nós dois chamaríamos de habitat.
— Aposto que a Gaby não tem coragem de... — Logan ia desafiando quando a madrinha o interrompeu.
— Ninguém vai entrar no lago sem roupa de banho! — Ambos abaixaram a cabeça contrariados.
Ao entrar na casa um novo choque de encanto, tudo era tão rustico e meio retro. O conjunto de meses, os móveis, a decoração, apenas os aparelhos domésticos que era mais modernos. Então eu tinha entendi o plano da minha mãe, aquele certamente era um ambiente que apaziguaria os nervos do meu pai.
No andar de cima três quartos, dois com camas de casal e um com três camas de solteiros. Assim que subimos meus pais coloram suas malas em um quarto e meus padrinhos em outro.
— Então... Quem... — Ia perguntar quem ia ficar na sala já que tinha apenas três camas.
— Eu! — Disse Logan levantando a mão dando meia volta. O Michael olhou para a irmã mais nova dando um aceno para ir junto.
— Eu não vou dormir com o Logan no sofá para você ficar sozinho com a Sophie, pode tirar o cavalinho da chuva. — Revidou a baixinha com desdém.
— Você sabe que vai acabar dormindo lá, vamos apenas resumir tudo. — Empinando o nariz ela andou até a cama do meio e jogou sua mochila.
— Fico com essa. — Mostrou a língua para ele e saiu do quarto. Michael se virou para mim rindo.
— Ela vai ou ele vem, um dos dois... — Brincou entre um sorriso. Fui até ele o abraçando de frente.
— Eles são fofos...
— Eles são nojentos. — Revidou. — Você não percebe por que não passa muito tempo com eles. — Explicou e nem dei moral. Era tão bom estar ali com ele, não fazia diferença se tinha ou não mais pessoas no meio.
— Senti sua falta... — Falei num sussurro. Me lançou um sorriso depositando um beijo carinhoso na minha testa.
— Vai ter cinco dias para me aproveitar... Ou o inverso... — Brincou com um sorriso malicioso. Levei meus lábios até o seu ouvido com muita suavidade.
— Estou falando de outro jeito... — Seus olhos se arregalaram e logo fez uma expressão sofrida no rosto.
— Não me fale uma coisa dessas. Tá que eu já fiquei mais tempo do que isso, só que não com quem eu quero fazer por perto me provocando. — Contou usando um timbre doloroso na voz, dei um selinho nele sorrindo.
— Quando todo mundo for dormir... — Dizia com a boca roçando sobre a sua. — ...Nós usamos suas habilidades e damos uma escapadinha... — Ele respirou fundo sorrindo sarcástico.
— Sophie... Você está me propondo uma indecências dessas? — Gargalhei.
— Que leviana eu sou, tentando alguém tão puritano quanto você, não é? — Ele riu mais animado ainda, entretanto negou.
— Eu sei o quanto isso vai parecer... — Pausou escolhendo a palavra correta. — ...Estranho vindo de mim, mas quero a permissão do seu pai. — O soltei dando alguns passos para trás.
— O quê? Michael, não precisamos disso, lembra? Somos adultos, gostamos... — Ele remexeu as mãos para me acalmar.
— Eu sei, eu sei! Isso parece até meio machista de pensar que preciso da autorização do seu pai para ficar com você quando na verdade você é dona de si, porém eu acho que preciso disso. — Franzi o cenho confusa. Ele segurou meus ombros me fitando sério. — Preciso ouvir da pessoa que mais te ama que... Sou bom suficiente para você. — Suspirei com pena.
— Michael você não precisa disso, meu pai está psicótico com esse assunto Deus sabe lá por que, ele já tomou uma decisão e é não te aceitar! SE ele disser que aceita vai ser sob pressão da minha mãe. — Tentei explicar, no entanto ele estava irredutível.
— Sophie... Se eu conseguir provar para o seu pai, principalmente do jeito que ele está agora, ninguém, nem mesmo você vai duvidar que estou falando sério sobre nós. — Fechei os olhos por um momento.
— Eu sei que você está, não...
— Então por que disse para Safira que ia me amar mesmo depois que eu terminasse com você? — Me interrompeu irritado. — Do mesmo jeito que disse a minha mãe MESES atrás sobre a minha instabilidade emocional? De que em um ano eu iria terminar com você e estava bem ciente disso? — Encolhi os ombros sem resposta. — Se eu conseguir a aprovação do seu pai, coisa que você também não acredita, só que tendo a dele, eu sei que você, a sua mãe, meus pais, os pirralhos, todo mundo vai parar de duvidar de mim. — Fiquei surpresa, nunca pensei que ele se sentisse daquela maneira. — Por que o tio Oliver tem muitos defeitos, mas como você mesma disse, quando ele não aprova algo tem um bom motivo fundamentado e com bons argumentos contra isso... Se eu passar... Serão motivos fundamentados e com bons argumentos ao meu favor. — Ele parecia doído com aquilo, como se a opinião do meu pai definisse realmente quem ele era. Ficamos um longo momento em silêncio, ele fitava os próprios pés com um semblante confuso. Me aproximei dele segurando seu rosto o forçando a me olhar nos olhos.
— Eu te amo... Não dou a mínima para o resultado final desse maldito teste. — Me deu um meio sorriso.
— Mas vai me deixar tentar, não é? — Queria balançar a cabeça negativamente, porém suspirei afirmando.
— Desde que meu pai não passe dos limites. — Concordou me abraçando, ia acontecer um beijo se não tivéssemos ouvido um gemido de dor vindo do lado de fora do quarto.
Andamos até a porta para ver a cena patética do meu pai tentando subir uma poltrona para o andar de cima. Ele estava a um ponto de ter um ataque de asma com a respiração ofegante.
— Cadê seu aliado para te ajudar? — Brinquei entre risos. Meu pai parou para respirar.
— Es... Está... Levan... Levando uma... Surra da pequenininha. — Respondeu com dificuldade. — Acho... Acho que depois de... Dormir com a minha filha, Michael, o mínimo que você deveria... Fazer é pegar isso aqui para mim, não? — Eu ia negar, só que o Michael passou por mim ás pressas para ajudar meu pai.
— Onde quer que eu coloque tio? — Perguntou levantando a poltrona com facilidade e subindo as escadas. Com as mãos na cintura recuperando o ar ele apontou para o nosso quarto.
— O senhor não está pensando em...
— Vigiar? — Completou sorrindo. — É bom saber que ainda resta um pouco de inteligência nessa cabecinha oca. — Michael já tinha terminar de subir a poltrona quando olhei para os lados procurando a outra ruiva na casa.
— MÃE! MAMÃE! — Gritei a sua procura. Isso era o que eu definia como ‘passar dos limites’. — Mamãe controle o seu marido ou eu juro que vou cometer parricídio! — Notei meu pai sorrir diabolicamente.
— É irônico pensar que eu te ensinei essa palavra. — Cruzei os braços.
— O senhor devia estar tentando consertar o seu casamento, não se meter nos meus relacionamentos! — Fez cara de desdém.
— Blá, blá, blá! Você e a sua mãe quando desatam a reclamar, mon Die! Chego a pensar em ficar com dó do Michael! — O Michael começou a rir e eu fiquei vermelha, só que de raiva. — O problema no meu casamento Sophie, é a minha filha, sabe? A cria de Dalila! — E o meu namorado ao invés de me defender continuou rindo. — Anda, filho, coloca lá no meio do quarto, de preferência o local com a visão mais ampla para as camas! — Ordenou e foi quando minha mãe apareceu subindo as escadas.
— Para onde vai levar essa poltrona?
— Ele quer me vigiar no quarto mãe! — Acusei apontando o dedo para ele.
— O quê? Você perdeu o juízo Oliver? Pistolinha de água com xixi, agora vai passar as noites numa poltrona encarando a Sophie? Já ouviu falar de bom senso? — Ele deu de ombros.
— Eu nem comecei... — Se virou sorrindo diabolicamente para o meu namorado. — ...Se nesses cinco dias eu não fazer um passeio com você no inferno, Michael, transe com a minha filha no sexto! — Abri a boca perplexa. Que coisa horrível de se dizer! O Michael não sabia se ria ou se ficava com medo, pois o brilho nos olhos do meu pai era de fato de dar medo.
[...]
E a guerra começou! Meu pai ia atirar para todo lado para atingir o Michael e ele não poderia se quer resmungar. Seu plano teve início no primeiro dia quando meu namorado foi tomar um dos seus muitos banhos e de repente suas roupas toalhas sumiram.
Papai só esqueceu de anotar em observações em sua caderneta do mal que se tem uma coisa que a família da madrinha não se incomoda é de ficar nu diante as pessoas. Nas palavras do Michael: ‘Minha mãe e a tia Kailyn trocaram minhas fraudas, meu pai, tio Oliver e o Logan são homens, a Gaby é totalmente a favor ao nudismo e a Sophie já me viu pelados várias vezes, não tenho por que ficar com vergonha.’. O primeiro tiro saiu pela culatra.
O segundo veio mais tarde, meu pai tentou jogar cola no cabelo do Michael enquanto dormia, ele acordou assustado e no susto deu um soco no estomago do bobão do meu pai que voltou gemendo com cola derramada toda na camisa para o quarto dele. Eu fiquei rindo por horas! Bem feito!
O terceiro tiro veio no dia seguinte bem cedo, lembrou que o Michael idolatrava bacon e banhou em todo tipo de pimenta forte possível. Esse tiro não só acertou o alvo, também acertou minha mãe – Michael tinha colocado um pouco para ela, meu pai não percebeu. – que furiosa quis matar ele, não matou, mas garantiu que na cama dela ele não dormia aquela noite.
É claro, tudo isso foi acompanhando de pequenos momentos que não considerei como tiros, por não serem planejados. Ele empurrou Michael no lago, derramou suco ‘acidentalmente’ nele, sumiu com os pares de tênis do coitado, fez o meu namorado de empregado dando ordens a todo instante e nos interrompia sempre que tentávamos nos beijar.
Meu pai estava agindo como um criança birrenta irritante.
— Padrinho conversa mais com meu pai, ele está insuportável! — Clamei por ajuda na cozinha aproveitando que não via sinal do senhor Oliver-pirraça.
— Sophie, seu pai vai ter que aceitar isso mais cedo ou mais tarde, eu falar só vai deixar que seja mais tarde. Quanto menos aliados ele achar que tiver mais raiva do Mike ele vai ficar. — Explicou sereno.
— Princesa, quando eu comecei a sair com o Dillan, a mãe dele era uma megera... — Ia dizendo a madrinha e pensou melhor. — ...Bom, na verdade ainda é, só que com o tempo a gente se tolerou. Isso é comum, especialmente se tratando de relacionamentos pai e filha, é normal ter toda essa intriga. — Minha mãe foi entrando na cozinha zangada.
— Não comigo, meu pai só faltou dar um dote ao Oliver por mim! Eu não entendo por que ele está agindo dessa forma, primeiro são os bichos, depois a implicância com as terapias e agora parece que estou assistindo a um daqueles filmes de comédia onde uma criança vira o capeta para importunar os outros! — Revidou impaciente.
— Kailyn, com todo respeito, mas levar o Oliver numa terapia é no mínimo ofensivo, não acha? — Questionou meu padrinho com cautela. Ela se virou para ele espantada.
— Não! Por que seria ofensivo? É para ajudar no nosso casamento! — Ele negou veemente.
— Não, não, não! Isso é mito, você tem que estar aberto a ir numa terapeuta para ouvir uma segunda opinião sobre seu relacionamento, não é o caso dele! O Oliver é arrogante e orgulhoso por natureza, é Phd em diversas áreas, levar ele num desconhecido de qualificação que ele pode não considerar suficiente para discutir intimidades na relação de vocês... — Tomou fôlego a encarando sério. — ...Eu não consigo ver algo bom saindo disso! Ele no mínimo vai se sentir agredido num ambiente assim, talvez seja até por isso que ele tenha arrumado mais bichos do que o comum. — Mamãe se sentou perdida.
— Ele me diria se achasse tão ruim assim... — Arregalei os olhos diante o murmúrio dela.
— Ele disse mãe, uma quinhentas vezes só durante a viagem para cá! Ele tem pavor de terapia. — Nisso ela fitou minha madrinha.
— E como é que eu vou resolver a crise dos sete anos sem ajuda? — A madrinha Eloise mexeu os ombros.
— Não está passando por crise de sete anos algum, Kailyn! Ele ainda leva você para jantar, ele ainda está empolgado com aquele jogo idiota, ele ainda te compra presentes, ele ainda ouve você mesmo sendo uma chata melosa, ele ainda sente CIÚMES de você... Você tem noção do que eu tenho que fazer para o Dillan sentir ciúmes de mim? — Meu padrinho bateu a mão na testa suspirando. — Eu tenho que estar nua em cima de outro cara para ele ter um relapso rápido de ciúmes e me perguntar ‘o que está acontecendo?’, e se satisfaz muito fácil com um ‘nada’. — Isso fez ele bufar.
— Tenho ciúmes de você, só não sou histérico como você! Não gosto quando trabalha de noite no escritório com aquele advogadinho hippie, mas eu não reclamo porque é o seu trabalho. — Ela apenas virou a cara.
— Certo, vamos focar no meu casamento só por um momento, por favor?! — Pediu minha mãe. — Se não é a crise dos sete anos, que crise a gente esta tendo? Por que bem não estamos, ele ficou um mês sem falar comigo diretamente. — Meu padrinho respirou fundo pensando.
— Não sei, Kailyn. Talvez o problema não seja na vida conjugal em si, talvez seja algo mais pessoal. Só que para isso vocês dois tem que sentar e conversar abertamente. — Ela abaixou o rosto concordando como se fosse óbvio.
— Eu sei... — Murmurou.
— Querem saber? — Disse minha madrinha. — Essa casa está silenciosa demais... — Meu coração chega acelerou o ritmo, me levantei apavorada. Estava de noite, não é possível que meu pai tenha feito algo com o Michael.
— Papai?! Michael!! — Chamei os dois já andando de um lado para o outro a procura. — Pai!!! — Gritei e notei que minha mãe vinha atrás.
— Oliver não é hora para... — A Gaby e o Michael estava no píer sentados nas espreguiçadeira conversando. Momento estranho de irmãos? — Cadê seu tio?
— Ele saiu de carro tem uma hora mais ou menos. — Contou meu namorado.
— E o idiota do Logan foi com ele. — Complementou Gaby nervosa. — O Logan imbecil... — Resmungou.
— Ou seja, posso espera tudo ruim quando chegarem. — Bateu a mão no banco ao seu lado sorrindo. — Até lá, senta aqui comigo. — Corri que nem um filhote de cachorrinho empolgado pro colo do dono.
— O que estavam conversando? —A Gaby sorriu largo.
— O Logan e eu descobrimos que a nossa professora de espanhol, a Consuelo, andou mandando nudes para o tio Ed. Ela tem uma verruga no lado do bico do peito! É muito engraçado, parecem três mamilos! — O Michael gargalhou junto com ela, eu fiquei corada. Mirei minha mãe que sorriu e voltou para dentro da casa.
— Como é que vocês descobriram isso? — Com um sorriso travesso ela se aproximou sussurrando.
— Tio Ed não sabe mexer muito em smartphone e trocou de celular recentemente, a gente foi restaurar o backup das imagens dele, sabe? E quando fomos ver tinha umas quinze fotos dele, as mensagens? Puts! Já consigo ler uma revista pornô em espanhol sem esquentar a cabeça com tradução! — Abri a boca espantada e fitei ao Michael.
— Eu disse que de fofos eles não tem nada! Gaby, conta para Sophie a história do poodle! — Ela mais do que animada gargalhou concordando.
— Ahh Sophie, você vai adorar essa! O vizinho do Logan, o velho Albenic, saiu do armário assim que o filho mais velho dele se formou. Ele saiu espalhando para toda vizinhança que já não tinha compromisso com mais ninguém além dele. O que a gente não sabia é que ele tava interessado no tio Ed, e teve uma noite que ele achou que eu e o Logan estávamos na minha casa... — Ela tentava muito não rir antes de terminar a história.
Me recuso a contar o que ouvi naquela noite vinda da boquinha suja da minha cunhadinha que notei não ter limites. Só digo que aos treze anos ela já tinha vivido o triplo de loucuras que eu e a expectativa dela era aumentar horrores.
[...]
Assim que meu pai retornou de Deus sabe onde junto com Logan e ambos estavam sorrindo demais, meu coração se apertou. Coisa boa não podia ser. Era muito tarde, eu ainda estava acordada e podia ouvir a respiração tranquila do Michael dormindo. Diferente da Gaby que mal emitia qualquer som do meu lado, exceto quando se remexia.
Minha vontade era me levantar e ir me deitar com o ele, porém tive a leve impressão que assim que me mexesse meu pai surgiria que nem um fantasma com o dedo apontado na minha cara dizendo: NEM SONHE!
Só que eu queria tanto que comecei a bolar planos para me esgueirar no quarto e me enfiar por entre as cobertas do Michael. Primeiro eu me arrastaria até o chão vagarosamente e com maior cuidado, ao fazer isso eu engatinharia bem silenciosamente até a cama dele e como um gato subiria sorrateiramente ali torcendo para ele não se assustar e me acertar na cara.
Contei até três e...
Congelei! A Gaby se sentou na cama por uns instantes, se envolveu na coberta abraçando o travesseiro e se levantou seguindo rumo a porta na ponta dos pés. Pisquei inúmeras vezes curiosa.
Em passos leves, andei até a porta também para espiar a baixinha desder as escadas. Segui ela até o último degrau. Naquela escuridão só dei conta de ver o braço esguio do Logan erguido e ela sumir de vista.
...Não é que o Michael tinha razão.
[...]
Um grito feminino desesperado ecoou pela casa no lago. Acordei num pulo caçando o Michael com os olhos, e a cama dele estava fazia – não era tão cedo quanto pensei. Com a mão no peito assustada os berros femininos não cessaram, eu só cogitava uma possibilidade: Outro tiro fora do meu pai!
Desci as escadas correndo indo atrás dos gritos estridentes que simplesmente pareciam mais aterrorizados que no inicio quando acordei. Encontrei os dois pestinhas mais novos, minha mãe surpresa segurando as crianças, meu pai num canto com as mãos nos cabelos com cara de quem fez besteira para variar.
Dei mais alguns passos para entender tudo. A madrinha estava em cima de uma mulher seminua enchendo ela socos e o padrinho tentando impedir que ela matasse a estranha com o Michael.
— SOCORRO!!! SUA MALUCA! — E madrinha Eloise calou ela com outro soco no meio da boca.
— EU VOU TE ENSINAR A NÃO MEXER COM MARIDO DOS OUTROS SUA VAGABUNDA! — Retrucou feroz.
— Eloise PARA! — Meu padrinho tentou puxar ela pela cintura para longe da estranha e eu não aguentei a curiosidade, me aproximei das crianças e sussurrei espantada.
— O que está acontecendo? — A Gaby apenas aproximou seu rosto do meu sem tirar sua atenção da briga.
— Meu pai foi trocar de roupa e essa mulher estava no quarto, minha mãe pegou no flagra! Puxou a coitada pelos cabelos arrastando pela escada e deu nisso aí! — Coloquei a mão na boca pasma.
— Da onde que surgiu essa criatura? — Ela ergueu as mãos sem saber. Não sei, mas algo me fez girar o rosto no rumo do Gasnier tinha um semblante assombrado, caminhei até ele bem séria. — Papai... — O chamei rangendo os dentes. Assim que me viu suou frio.
— Ma petit¸ os gritos te acordaram? Que confusão, né? — Meu indicador acusador ia direto para o nariz dele se os berros da madrinha não tivessem aumentado.
— ME SOLTA! EU VOU ACABAR COM ESSA...! — Gritava histérica sendo segurada pelo Michael e o padrinho. A outra mulher de cabelos ruivos tingindo num vermelho caqui, limpou os cantos da boca sangrando e olhou com ódio no meu rumo – que na realidade era no rumo do papai.
— Não foi esse o nosso COMBINADO! Você não me disse que tinha louca que me impedira de seduzir o baixinho! — Todo mundo encarou meu pai horrorizados.
— Era o OUTRO baixinho! Não o baixinho mais velho! — Revidou nervoso.
— Você não me disse que tinha DOIS baixinhos e que eles eram parecidos! — Protestou a mulher começando a chorar pelos machucados.
— Oliver... — Minha mãe disse seu nome num suspiro. Ele girou os calcanhares no rumo dela desesperado.
— Ma chérie, eu posso explicar! Eu...
— Contratou essa... Mulher? Você... Onde você... Como você achou ela? — Antes que ele contasse o Logan tomou a frente.
— Timder! Você ficaria chocada com o tipo de pessoas que costumam frequentar esses aplicativos! — Michael ia avançar nele nervoso.
— Você está envolvido nisso, narigudo?! — Nisso minha mãe é que bufou.
— VOCÊ envolveu uma criança com esse...TIPO de gente OLIVER?! — Ele tornou a suar frio.
— Tudo bem, eu já estou acostumado com a minha mãe. — Disse o garoto num sorriso sem graça. Minha madrinha se soltou do marido e foi até o Logan puxando ele pela orelha.
— Está muito encrencado mocinho, espero que mensagens sejam as únicas coisas que você tenha enviados para essas biscates!
— Aí, aí, aí! Tá doendo, tá doendo madrinha! — Resmungou enquanto era levado para dentro da sala. Todos os olhares se voltaram no casal que ficou.
— Oliver... Foi atrás de uma prostituta? Você... — Papai puxou ar com força.
— Juro que não encostei nela, ma chérie! Eu não sou maluco de encostar numa poça de DST, você sabe o quanto eu sou paranoico com isso!
— HEY! Sou tô muito bem limpa! — Meu pai rolou os olhos com desdém.
— E com uma gramática dessa, Kailyn? Nem com azulzinho eu conseguiria! — Ele ia segurar a mão dela. — Você é...
— Não toca em mim! — Gritou minha mãe com os olhos cheios de lágrimas. — Vai com ela, não estou nem aí para você! — Antes que alguma gota de lágrima caísse ela saiu correndo para o quarto.
— Ma chérie! Espera! — Tentou segurá-la, mas foi inútil. Ela se trancou no quarto chorando. — Amor, não faz isso! Me desculpa! É culpa da Sophie! — Abri a boca indignada.
— Culpa MINHA? — Ele me olhou nervoso. — Você trás uma garota de programa para seduzir o Michael e a culpa é minha!
— Calada! Eu já vou ter que ouvir sermão da sua mãe, não preciso ouvir seu também! — Revidou. — Ma vie! Abre a porta, eu posso explicar... Eu nunca...
— EU QUERO O MEU DINHEIRO! — Gritou a mulher no andar de baixo e deu para ouvir minha mãe aumentar a tonalidade do chorar.
— Paga essa mulher Oliver e SOME junto com ela! — Ele respirou fundo e soltou o ar. Me fitou enfadonho e cansado.
— Cuida dela, eu vou resolver isso... — Apenas acenei que sim por que se tratava da minha mãe. Só que eu também estava furiosa com ele.
E ele largou a mulher na casa do lago e sumiu. Definitivamente não era para as coisas serem assim. O que eu faço?
.:Michael POV:.
A situação tinha piorado e embora meu pai me garantisse que grande parte não era culpa minha, não o sentimento de que fui o causador do caos não sumia. Minha tia chorando no quarto com a Sophie tentando acalmá-la, minha mãe batendo altos papos com a garota de programa que antes tinha espancado, meu pai não gostando nada do rumo da conversa das duas e os pirralhos nem se tocam o problemão que está acontecendo.
Elaborei um discurso na minha cabeça, bom, vários, só precisava saber qual deveria usar com o tio. O teste deveria ser só entre nós dois, mas no instante que minha tia e o resto da família foi envolvida eu sabia que algo devia ser feito.
O sol estava quase se pondo, percebi quando minha tia desceu até a cozinha deu de cara com a ‘fulana’ e perguntou sobre o tio Oliver, e deu para ouvir a quilômetros o berreiro que fez ao saber que ele tinha saído e não voltado mais.
‘Eu preciso fazer alguma coisa’ pensei comigo mesmo.
E para minha sorte não precisei iniciar uma busca a procura do tio Oliver, ele estacionou assim que ia pegando o carro do papai emprestado para ir atrás dele.
— Preciso falar com o senhor! — Disse mais decido do que nunca. Ele não tinha saído do carro ainda, apenas fechou a cara para mim.
— Agora não, tô meio ocupado... — Revidou impaciente abrindo o porta-malas onde tinha um monte de caixas.
— Eu ajudo. — Peguei uma das caixas que não era pesada. Preparando para dizer o meu discurso soltei enquanto o seguia. — Sei que eu não sou exatamente o que você queria para Sophie, sei disso! Não sou lá muito inteligente, nem tenho muito diplomas ou experiências, mas eu estou tentando ser uma pessoa melhor para ela! — Falei e que merda, minha voz saiu insegura.
— Que bom que você é autoconsciente! Não é mesmo o que eu quero para Sophie. — Respondeu sem humor indo para o píer deixando a caixa lá, acenando para eu fazer o mesmo. Retornou caminhando para o carro. — Fez ela mentir, ela nunca tinha mentido para mim antes. — Soou ressentido.
— Eu sei! E sinto muito, acredite se eu soubesse que isso afetaria sua relação com ela, pior sua relação com a tia Kailyn, eu jamais teria começado isso sem conversa com você antes! — Se virou apontando para mim.
— ESSE é seu problema, Michael, você não pensa! Só faz! E a minha filha é só mais um impulso! — Me lancei na frente dele negando.
— Não! Não é tio! Eu pensei muito antes, eu quis muito não pensar sobre ela, mas eu não dei conta...! Cheguei a conclusão de que finalmente eu podia parar de dar voltas procurando uma coisa que sempre esteve perto de mim! — Expliquei andando para trás enquanto ele seguia reto até o carro sério.
Ele fez um enorme silêncio enquanto pegávamos a última caixa dentro do porta-malas e assim que regressamos ao píer suspirou longamente.
— Entenda algo: Não te considero o pior dos piores. — Pegou uma extensão cumprida dentro da caixa e começou a espicha-la acenando para ajudar. — Mas um ‘menos mal’ ou um ‘mais ou menos bom’ não é suficiente. — Assenti.
— Eu sei! É o que estou tentando te provar tio, que sou melhor do que pareço...! — Ele tornou a suspirar acenando para que eu ligasse a extensão na tomada mais próxima. Assim que fiz tornei correndo. — Me diz! O que realmente te incomoda em mim? É eu nunca ter tido um relacionamento sério! Olha, isso eu só vou poder te provar com o tempo, daqui uns cinco ou dez anos me diz se não estou levando meu relacionamento com ela a sério o suficiente! — Abriu outra tirando uma caixinha de música bluetooph nova e colocou em cima de uma das espreguiçadeiras se preparando para fuçar em outra caixa.
— Dedicação... — Respondeu enfim.
— O quê? — Me encarou sério.
— É isso que te falta, dedicação. — Tentei pensar em algo para argumentar contra isso.
— Eu não entendi... — Murmurei confuso e ele se levantou com um fio cumprido cheio de pisca-pisca.
— Sabe quantos instrumentos eu sei tocar? — Me perguntou quando achei que fosse me explicar a coisa da ‘dedicação’. Neguei em silêncio. — Sete. Aprendi a tocar violino, violoncelo, flauta irlandesa, acordeom, piano, saxofone e gaita. — Franzi o cenho e ele foi formando um círculo com os pisca-piscas no chão. — Seis desses instrumentos eu aprendi só para impressionar a Kailyn. — Arregalei os olhos sem palavras. Então ele me encarou. — Cinco idiomas, três só por que ela acha bonito. — Sorriu balançando a cabeça. — Eu tinha quinze anos quando me apaixonei e jurei que se um dia ela retribuísse meus sentimentos eu devotaria minha vida por ela. Eu li tantos livros chatos para caralho, assisti a tanto filme merda, fiz cada coisa ridícula só para ela gostar de mim. Isso... É dedicação. — Continuou espalhando o fio pelo píer. — A expressão que ela faz... Eu adoro o sorriso que me dá, faz todo esse tempo que gastei aprendendo valer a pena! — E nisso se virou para mim. — É isso que eu quero para minha filha, Michael! Eu quero alguém que se dedique a fazer ela feliz, que se vire do avesso para conseguir um sorriso dela, que faça o que mais odeia contente por saber que ela vai gostar mesmo assim! — Dei um passo para trás refletindo. Ele foi até outra caixa abrindo ela e jogando algo no chão que não dei moral. — Quando eu olho para você, eu sei que é um bom garoto, só que seu fracasso constante em relacionamentos só prova que... Nunca se dedicou a ninguém além de você. — Engoli em seco.
— E nunca irei se o senhor não deixar. — Falei sério. — Por que ela é a única que vale o meu esforço de tentar. — Me fitou nervoso.
— Uma tentativa...? É isso que a Sophie é? Uma tentativa? — Neguei.
— Tio não tivemos a mesma história, o amor que o senhor conheceu aos quinze eu estou conhecendo agora, com a Sophie! Eu estou aprendendo agora! É a primeira vez que alguém realmente gosta de MIM, não Michael badboy, não o Michael gente boa, não o Michael que abre algumas portas, não o Michael cheio de amigo, nenhum Michael que eu possa parecer ser... — Encarei ele quase implorando olhos. — ...É a primeira vez que nada disso importa para alguém, e eu quero retribuir isso! É a única por quem eu certamente me dedicaria dessa forma. — Estalei alguns dedos da mão abaixando o rosto. — Mas a Sophie... Não é a Sophie sem a família dela, decepcionar você e causar essa briga toda no seu casamento está machucando ela mais do que ela gostaria de admitir. Não quero isso, se eu sair de cena for garantir a paz entre vocês... Eu saiu. — Encarei ele. — ‘A família é tudo, o resto se adapta’, é o que meu avô sempre diz. — Disse dando um meio sorriso.
Mais um longo silêncio enquanto ele ajeitava alguma coisa no píer que agora me intrigava... O que ele estava fazendo? Olhei para os lados tentando entender aquela bagunça de pisca-pisca com algo sobre o chão... Peguei uma dessas tais coisas e notei que eram pétalas.
— Tio... O que você... — Assim que levantei o rosto e ele ligou o pisca-pisca na tomada. As luzes se acederam e mostrou o píer mais meloso do Século! Sério?! A coisa estava tão romântica que me senti meio boiola por a frase ‘Aííí que lindo!’ gritar na minha cabeça de maneira afeminada. — ...Uou! Você sabe como conseguir um perdão de uma mulher! — Ele sorriu torto.
— Só dela! Garanto que isso aqui não funcionaria com a Sophie, ela tem tanta gota de romantismo quanto eu. — Fiquei confuso.
— O senhor não gosta disso? — Apontei para todo lado e ele negou fazendo careta.
— Claro que não! Eu odeio romance piegas, mas eu adoro o resultado! Começa com um som agudo abafado na garganta dela, então ela funga segurando o choro, fica vermelha, diz que eu sou um idiota e não mereço ser desculpado e por fim dá um sorriso encantador que me faz perder neurônios! — Sorri de lado. — Vamos terminar logo com isso... — Pegou o próprio celular e colocou uma música para tocar na caixa de som que estava no volume máximo.
E a música soou por todo canto e fez todo aquele enfeite tornar o ambiente meio mágico – é, para eu virar gay não falta muito. Mas não teve como não ficar meio comovido, aquilo era muito... Acima de mim! Eu tinha realmente muita coisa para aprender.
Ele ajeitou a roupa que só agora percebi ser um uniforme de chique de garçom com gravatinha e tudo. Entrou dentro da casa sob olhar de todos e se aproximou da minha tia falando alguma coisa que sinceramente não faço ideia do que foi.
¯Hold me close and hold me fast
The magic spell you cast
This is La vie en rose¯
— Meu francês britânico é suficiente para milady? — Dava para ver que ela ainda tinha um pouco de raiva, mas sorriu balançando a cabeça. Emitiu exatamente o som agudo abafado que ele mencionou ficando vermelha. — Ma chérie, percebo que nosso conflito é por causa dessa desnaturada que chamamos de filha, então proponho que joguemos ela fora e vamos ter outra filha, Sophie 2.0, dessa vez manteremos ela longe dos primos e da civilização e jamais teremos problemas novamente! — É claro que ele estava brincando. Abracei a Sophie que ficou brava.
— Se ele te jogar fora eu pego você para mim... — Sussurrei no ouvido ela o que a acalmou.
— Uma pessoa me disse que dá para saber quem é seu amor verdadeiro com apenas uma dança? — Uhhh essa é boa! Tio Oliver seria um mulherengo de sucesso se não tivesse casado tão cedo. — O que acha de me deixar tentar novamente? Mon amour? — E ela ficou vermelha, porém se levantou.
— Você é um idiota, não merece e eu te odeio agora... — Falou isso, só que ao invés de raiva um enorme sorriso tomou conta do rosto dela com os olhos brilhando.
¯When you kiss me heaven sighs
And though I close my eyes
I see La vie en rose¯
E os dois foram de fato dançar no píer envolta do pisca-pisca e as rosas. Pelo beijo demorado que a minha tia deu logo que eles começaram a dançar eu suspeitei que o infeliz já tivesse sido perdoado.
— Milady, quer dançar? — Sophie negou com espanto batendo na minha mão. — Vamos, vai ser divertido! Se não dançar comigo te jogo no lago! — Ela tornou a rir com deboche.
— Ah! Você não teria coragem! — Arregalei os olhos e sorri torto.
— Ahhh é? Então tá... — Não fiz nem força para pegar ela nos ombros e correr no rumo do píer.
— Não, Michael, nãooooo!! — Tarde demais, eu já tinha pulado com ela lá dentro e a água estava um gelo só. — Seu idiota! Como pode...! — Dizia batendo queixo... Queixo que eu segurei extremamente feliz e puxei para mim num beijo para esquentar as coisas. O humor dela mudou num instante, passou os braços entorno do meu pescoço e a magia de verdade começou ali.
.:Eloise POV:.
Que povinho meloso, mas pelo menos eles tem paixão. Olhei pelo canto do olho para o imbecil do meu marido que sorria com a felicidade alheia e quando me fitou virei a cara.
— O quê? — Perguntou.
— Eu não disse nada. — Murmurei de braços cruzados.
— Você não quer dançar, quer? — Fiz careta negando.
— Me convidando assim que não quero. — Revidei fazendo um bico.
— Quer que eu te jogue no lago?
— Se quiser apanhar é só tentar. — Nisso ele suspirou rindo.
— Quer fazer sexo num lugar completamente inapropriado? — Diabos que isso me pareceu tentador!
— Você não vai me ganhar com isso de novo! — Ele soltou um ‘humm’ sonoro.
— Tá bom. — Mirei minhas unhas e estavam até bem pintadas.
¯When you press me to your heart
I'm in a world apart
A world where roses bloom¯
— Acha que eu sou fácil... — Resmunguei para mim mesma, mas o suficiente para ele ouvir. — ...Toda vez a mesma proposta e acha que vou entrar nessa! O Dr.Seby teria no mínimo quatro diferentes. — Isso para ele ouvir mesmo.
— Não foram boas o suficiente já que você nunca topou. — Rosnei.
— Você tem é sorte de eu ser tão predisposta e não fingir dor de cabeça de noite. — Nisso ele riu de maneira sarcástica. Aquele maldito sorriso, aquele sorriso miserável!
— Isso é um fato! Se tem algo que não dá para reclamar de você e indis... — Me joguei nos braços dele arfando.
— Mudei de ideia! Eu topo até lugar apropriado! — Falei segurando em sua camisa distribuídos beijos pelo seu rosto e pescoço. Ele tornou a sorrir.
— O Logan está de castigo e a Gaby está no comando. — Disse ao dois que nem deram moral assistindo o Oliver e a Kailyn dançando no píer.
Fomos nenhum pouco discretamente para o andar de cima aproveitar uma das vantagens do matrimonio. Tá legal, paixão talvez temos de sobra.
.:Gabrielle POV:.
Adultos são tãoooo melosos! Olha só para eles, dançando em torno de luzes de natal e pétalas de rosa num melodrama só. Engraçado, as revistas pornôs não falam nada disso! É tão mais prático e simples.
¯And when you speak...angels sing from above
Everyday words seems...to turn into love songs¯
Ah! Não! Olha a cara de bobão do Logan para uma bobeira dessa! Mas também, não é? Esperar o que de alguém que gosta de assistir filmes do Nicholas Sparks. Cansei de ficar assistindo meus tios se flertarem que nem livro de romance.
— Estou com fome, o Logan podia fazer alguma coisa, não? — Segurando o rosto pelo queixo com a mão ele me fitou sorrindo.
— Queria que meu pai encontrasse alguém para fazer isso por ele, pode até ser homem, eu não ligo. — Isso me fez rir.
— É sério?! Eu estou com fome, o Logan tem que fazer algo. — Repeti e ele me ignorou voltando a fitar os tios. Cutuquei a bochecha dele e nada. — Eu vou morder o Logan se ele não for arrumar alguma coisa para gente comer! — Ergueu as sobrancelhas e fez ‘Rhunf!’ para mim. — Tááá bom...! — Procurei um lugar erguendo a blusa dele. Ah! Nas costas não, é difícil, humm... Nos ombros, mas já tinha marcas, melhor não... AHA! Lasquei a mordida na nuca dele com força.
— Aííí! — Reclamou passando a mão onde eu mordi.
— O Logan vai fazer ou eu vou ter que morder ele de novo? — Ele me deu aquele sorriso sinistro novo. Dei uma risadinha. — Tááá bommm! — Procurei outro lugar.
É, acho que a diretora do meu colégio tem razão, minha família não é normal.
¯Give your heart and soul to me
And life will always be
La vie en rose¯
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