Especial Inner Beauty
27 Epilogo
Notas iniciais
Epílogo
Retoquei o batom uma última vez ainda em dúvida quanto a cor ser ou não ser forte demais. Nunca tinha usado vinho, antes, mas ouvi o barulho do carro do Michael e resolvi deixar isso de mão. Com o rosto maquiado apenas soltei meus cabelos contente com o tamanho deles, demorou, mas cresceram.
♫Às vezes, eu imagino o mundo sem você,
Mas a maioria das vezes, fico feliz por ter encontrado você♫
Desci as escadas às pressas e apenas pulei sobre ele assim que o na entrada conversando com meu pai.
— Esse vestido não está muito curto? — Reclamou meu pai enquanto eu beijava meu namorado. Me separei dele olhando para minha roupa.
— Está quase no joelho e eu estou de meia calça. Achei que tínhamos chegado em um acordo, pai! — Papai mexeu os ombros fingindo que não se importava.
— O acordo se estendia apenas ao relacionamento, mas se quer andar que nem uma concubina, fique à vontade. — Concubina? Franzi o cenho fitando o Michael.
— Pareço uma concubina? — Perguntei em um sussurro preocupada. Ele negou rindo.
— Não mesmo. E quem usa a palavra ‘concubina’ nos dias de hoje? — Meu pai deu um sorriso torto para ele.
— O professor Ru... — Arregalou os olhos e parou de falar na hora. Minha vez de sorrir. — ...Eu, é melhor do que dizer ‘puta’, é tão forte e pejorativo. — Emendou engolindo em seco notando minha mãe surgir atrás dele com um olhar desconfiado.
— Esse ‘Ru’ não seria de Ruvert, seria? — Questionou ela nenhum pouco feliz. Papai negou olhou para o teto.
— Claro que não! — Se defendeu e ela se aproximou dele o fitando por cima.
— Quem é Ruvert? — Perguntou Michael curioso com a cena.
— Um hippie traficante diplomado polígamo. — Revidou minha mãe zangada. Meu pai pigarreou.
— Que exagero, as plantas são altamente medicinais, e ele não é casado com nenhuma daquelas mulheres ou homens, então tecnicamente não é poligamia. Poxa, Kailyn você costumava gostar dele! — Minha mãe cruzou os braços.
— Isso foi antes de eu descobrir que além de convidar você para uma casa de swing, ele andou te dando ‘presentinhos’. — Michael se virou para mim.
— Deixa eu ver se peguei, Ruvert é gay e está interessado no seu pai? — Cochichou no meu ouvido e neguei rindo.
— Eu acho que ele se enquadra em tudo, na verdade, é um amor de pessoa, mas considera o relacionamento dos meus pais muito exclusivo. — Tentei explicar vendo meus pais brigarem.
— E os presentinhos? — Tornei a rir.
— Ele ensinou meu pai a usar maconha para tirar o estresse, desde então minha mãe não gosta nem que falem o nome dele aqui em casa. Claro, tirando o fato que na casa dele é cheio de mulher e ele não acredita em casamento. — Contei. Michael ficou espantado.
— Usei uma vez, não gostei nem um pouco, passei mal. — Balancei a cabeça.
— Okay! Nós já vamos, não esperem por mim. — Falei segurando na mão do Michael. A conversa sobre o professor Ruvert sempre demorava horrores.
— Como assim ‘não esperem por mim’? Ás onze quero você aqui, mocinha. — Arregalei os olhos olhando no meu relógio. Era nove e meia da noite.
— Não, não! Nem sabemos se voltamos! — Ele apontou o dedo acusador para mim.
— Sabem sim, por que eu estou mandando voltar, vocês não vão... — Mirei minha mãe implorando com os olhos para interceder.
— Vão, podem ir. E não se preocupem com horários. — Disse num suspiro.
— O quê? Não! Não podem! Eu estou dizendo que não, então é não!
— Quem geralmente dá a última palavra? — Puxei ele pelo braço ignorando o meu pai.
— Minha mãe! — Saímos largando meu pai falando sozinho.
♫É uma teia complicada, que você tece na minha cabeça
Tanto prazer com tanta dor
Como é que ficamos sempre nessa? ♫
— Oh! É nessas horas que um homem agradece o feminismo por existir! Imagina? Voltar as onze! Três meses por uma rapidinha seria tortura, eu quero no mínimo duas rodadas de uma hora e meia. — Não consegui evitar de ficar vermelha. — Só hoje. — Dei um tapa no ombro dele.
— Você que quis cumprir essa idiotice de três meses, meu pai aceitou nosso namoro no quarto dia daquela viagem! Podíamos muito bem ter feito antes. — Entrei no carro esperando ele entrar do outro lado.
— Bom, agora ele vê que eu estava falando sério e não vai levar meu baby por um dólar. — Fiz que sim. — E ele não me aceitou totalmente, disse que enquanto eu continuasse me dedicando nos estudos ele seria a favor. — O que era bem típico dele. — Me sugeriu fazer uma pós e até me indicou uma muito boa aqui. — Franzi o cenho com um meio sorriso.
♫Eu estou sentindo o jeito que você cruza a minha mente
E me salva em cima da hora
Eu me divirto nos altos, curto os baixos♫
— Sério? Por que não me contou? — Mexeu os ombros.
— Ainda não é certeza, mas vai dar para conciliar o trabalho no restaurante e aqui. — Ligou o carro e começou a dirigir. Abaixei o rosto confusa.
— Não achei que o papai fosse fazer algo além de aceitar. — Ele sorriu carinhoso no meu rumo.
— Ele te ama Sophie, só quer ter certeza de que um dia vou ter condições para cuidar de você. — O fitei corada.
— Ah! Contei a Claritta sobre nós! Ela não ficou muito feliz por que odeia você agora, mas até que assimilou bem. — Michael balançou a cabeça. — Te xingou e disse que no rank dela você está no 87º lugar. — Falei sorrindo de orelha a orelha.
— Eu tava bêbado e deprimido, fiquei surpreso de ter tido ereção, o que dizer estar no rank de alguém naquele estado. — Resmungou não gostando do que ouviu. Fiquei vermelha de novo.
— De qualquer jeito, é até bom ela te odiar, acho que teria ciúmes de ver vocês perto um do outro se acaso se dessem bem. — Confessei.
♫Porque pelo menos eu me sinto viva
Eu nunca vivi tantos dias emocionantes
Mas minha vida é boa
Eu estou sentindo você♫
— Que falta de confiança... — Zombou.— ...É um bom tópico para uma briga mais tarde, não? — Corada com a mente já nos momentos futuros daquela noite. Aumentei o volume do rádio para tentar não pensar muito, não estávamos indo direto para o hotel, íamos comer algo antes, então eu precisava me acalmar. — Isso, esse é o espirito, quanto mais vermelha você estiver mais divertido vai ser. — Neguei firmemente.
— Nós não temos uma música. — Mudei de assunto para ver se parava de pensar na ideia de pedir para ele parar o carro e resolvermos o problema da ansiedade ali mesmo. Ele apontou para o rádio.
— Troca de estação. — Eu sorri. E ele realmente trocou colocando uma música mais lenta.
— Não Michael, eu quis dizer que eu e você não temos uma música, como casal, entende? — O mais bizarro é que ele fez que não.
— Não, como assim? — Pensei num jeito de explicar.
— Bom, os casais geralmente possuem uma canção, uma música que os faz lembrar um do outro. — Fechou a cara.
— É sério? Eu nunca tive isso. — Arregalei os olhos e de repente um sorriso enorme tomou seu rosto.
— Então... Serei a primeira dessa vez? — Ele gargalhou.
♫Você vai embora, e aí eu finalmente posso respirar
Porque baby eu sei, no fim você nunca está indo embora
Bem, nós somos raramente sensatos♫
— É, sou totalmente virgem nisso, seja gentil. — Respondeu com deboche. Só que eu não me importei, aquilo me deixou muito feliz. — Ah por favor, tá me deixando constrangido com esse sorriso na cara.
— Tem alguma música que você ouve e se lembre de mim? — Perguntei curiosa e ele ficou confuso.
— Quase todas românticas me faz lembrar de você. — Falou um pouco incerto. Sorri mais largo.
— Isso soou bem ‘pouco Michael’. — Brinquei e ele riu.
— Certo, quer saber o que me faz lembrar de você? — Afirmei e ele sorriu malicioso. — Blusas amarelas. — Meu sorriso sumiu e o vermelho do meu rosto retornou com força. Ele gargalhou alto.
— Pervertido... — Murmurei tímida.
— Ahhh não faz essa carinha, me dá vontade de parar o carro aqui mesmo e devorar você. — O fitei pelo cantos dos olhos dando uma risadinha.
♫Eu te enlouqueço e você faz o mesmo
Mas seu fogo alimenta minha alma
E me aquece como ninguém♫
— Que sintonia... — Falei baixinho para mim mesma, só que ele ouviu.
— O quê? Pensou na mesma coisa? — Sentindo as bochechas esquentarem e doerem com o sorriso afirmem sem conseguir dizer em voz alta. — Quer que eu pare? — Sussurrou sedutoramente com um olhar ávido em mim. Sem coragem de responder apenas tirei o cinco de segurança e ele entendeu a indireta, pois parou o carro no primeiro estacionamento que viu.
Foi a primeira vez que não brigamos antes e nem depois. E o mais legal, é que durante os beijos e caricias nossa música surgiu tocando no carro eternizando aquele momento em uma melodia.
♫Oh eu estou sentindo o caminho quando você anda por aí.
Me sinto leve, sinto o amor, sinto as Borboletas! ♫
FIM
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