Especial Inner Beauty

3 Capitulo Três - Treze


Notas iniciais
Oiii pessoinhas! o/ Como vocês estão? Espero que bem, pois vão precisar estar para aguentar o drama. Muitoooo obrigada pelos lindos comentários, vou estar respondendo os que estão faltando logo - estou fechando o capitulo aqui e já respondo. Boa leitura e desculpem os erros!

Quando eu tinha treze anos meu mundo já não girava em torno do Michael ou do que ele pensava ou deixava de pensar – pelo menos era o que eu gostava de acreditar. Aos treze eu tinha problemas muito mais sérios para resolver do que a antipatia de um primo que fingia que eu não existia enquanto eu repudiava a existência dele.

Só vim entender a gravidade da palavra bullying quando estava sofrendo disso.

Numa tarde tinha ido à universidade com meu pai ver os novos animais que lá chegaram para pesquisa e ele me ensinou um bocado sobre gafanhotos e sua peculiaridades – eu tinha um gosto incomum para animais, quanto mais bizarros a vida deles pareciam mais eu me simpatizava com a espécie.

Por acaso ou não, eu me descuidei, baratas não sei da onde entraram na minha mochila que num azar eu acabei levando para a escola sem ver e assim que os alunos viram oito baratas saindo dela fizeram um escândalo tão imenso que parecia que ao invés de simples baratas tivessem saído escorpiões ou qualquer outro animal peçonhento.

E foi assim que eu deixei de ser invisível para ser vista, muito mal vista.

O que as pessoas pensavam sobre mim não me incomodavam, a grande questão eram as agressividades não verbais, como pichar meu armário, jogar veneno de barata na minha carteira e os empurrões constantes nos corredores com apelidos nada carinhosos.

Rainha das esquisitinhas, barata de fogo, barata de óculos, barata de sardas... E por aí ia às infinidades de modos que os prés-adolescentes conseguiam me denegrir sem muito efeito.

Tudo estava tão ruim, mas tão ruim que nem mesmo animo para sair de casa eu tinha, eu também não queria contar aos meus pais que estava tendo problemas no colégio, então inventei uma série de trabalhos intermináveis para justificar minha insistência em ler sem parar ou passar mais tempo com seres não humanos do que humanos.

— Eu sei o que está acontecendo, seus pais fingem não ver, mas eu vejo... — Girei os olhos ignorando a abordagem acusadora do meu tio Dick que ficava muito estranho de terno.

— Tio são três da tarde, o senhor não deveria estar trabalhando? Ou será que alguém está fugindo de uma linda mulher grávida e furiosa? — Ele começou a roer as unhas tipicamente o que me fez rir.

— Ela quer que eu arrume donut... — Pisquei confusa, isso não parecia difícil. — ...Com carne de golfinho, ela está ficando cada vez mais sanguinária, quem teria coragem de comer carne de golfinho? — Mexi os ombros rindo.

— Não sei tio, eu parei de comer carne aos nove anos, qualquer carne para mim parece meio sanguinário. — Ele suspirou.

— Sei que é meio chato conversar sobre isso Sophie, mas guardar o que está acontecendo só para você não vai ajudar... — Abaixei o rosto me apertando ao livro nos braços. — ...Eu ficava muito sozinho no colégio, achava que tudo bem, que era só um momento passageiro... Mas aí, eu fui deixando e deixando... Até que eu não conseguia lidar com as pessoas.

— Eles me acham estranha tio... Não é algo que eu possa mudar, digo, eu não vou deixar de gostar de repteis por que todo mundo tem pavor deles, também não vou comer coisas que todo mundo come...

— Eu sei, eu sei, eu sei...! — Me interrompeu. — Essa coisa de se adaptar é muito mais complexo do que se imagina... Eu só não acho que você deva fazer isso sozinha. Ignorar todo mundo não vai resolver o problema, ao contrário! Vai piorar... — O fitei sem jeito.

— O que eu faço...? — Ele mexeu os ombros sem resposta.

— Eu não sei... Vire um camaleão. — Sorri de lado gostando da resposta.

Francamente... Pensando seriamente naquilo me fez perceber que talvez meu tio realmente tivesse acertado em cheio no conselho. Claro, ele com certeza não sabe que camaleões são animais extremamente solitários ou não teria dito isso, mas a parte da camuflagem para interação social era interessante. Minha mãe tinha feito isso e deu certo, por que não comigo?

[...]

Passei uma semana inteira observando e analisando os grupos sociais que compunham meu colégio. Se eu quisesse fazer parte de qualquer um deles teria que aderir aos seus costumes, mesmo contra gosto. O grupo dos populares tinham certos requerimentos fora de lógica, mas é aquele que todos querem entrar.

A líder do grupo era Minerva, que todo mundo chama de Miss Mine – nunca entendi a razão do ‘miss’ – eu até pensei realmente em tentar me camuflar para tentar entrar no grupo deles, mas um dos requerimentos tinha a ver com idolatrar tudo que Miss Mine falava e isso era demais para mim, eu não vou idolatrar ninguém além do meu padrinho Dillan.

E tinha mais, um bando de garotas de treze anos falando sobre garotos e sexo na minha casa mataria meu pai de desgosto – sem contar que eram dois assuntos que eu não gostava de tocar, falar de garotos me lembrava do Michael, falar sobre sexo me lembrava da madrinha Eloise que em consequência me fazia recordar do Michael de novo.

Então nem pensar em me juntar a elas.

O grupo dos nerds parecia plausível, mas jogos de computador eram complexos e tão tediantes que eu não suportaria fingir que gostava por tanto tempo.

Tinha o grupo dos atletas, mas eu passei um dia inteiro tentando acertar a cesta de basquete, uma bola de beisebol com um taco e chutar uma bola de futebol no gol e percebi que sou um completo desastre no quesito exercício físico.

Pensei então em me aderir ao pessoal de artes, eles pareciam bacanas e levavam a peça de teatro e pintura a sério – nem tanto. Então eu pensei... Por que não?!

Deve estar uma pergunta pairando no ar: Mas e a história das baratas? E o bullying?

Bom, foi complicado no inicio... Quando entrei no clube todos me evitavam de um certo modo, mas aos poucos eu fui percebendo os ganchos soltos que os alunos iam deixando para ser fisgados. Para começar parecia ser de gosto comum ali o uso de cachecóis e boinas – embora eu não tenha entendido a fixação deles por isso – que eu aderi aos poucos mesmo não gostando muito de boina ou cachecol.

E tinha o James Salmon, que não era o líder do clube, porém todos pareciam dar credibilidade a ele e a melhor parte era que ele não era uma pessoa difícil de se aproximar.

Mas o gancho dele só foi realmente fisgado quando um dia por casualidade usamos um cachecol da mesma cor e Deus deve saber por que aquele garoto deu crise de riso por conta disso e passou a falar comigo.

Ás vezes eu achava que ele tinha problemas mentais...

James era um garoto estranho ou talvez isso fosse apenas reflexo do meu pouco conhecimento sobre o sexo oposto, ele não tinha nada do Michael. Era calmo, meio magricela, porém alto, tinha rinite alérgica que o fazia espirrar o tempo todo perto dos figurinos, gostava de poesias melosas e tinha uma fixação meio preocupante com a cor do meu cabelo que o fazia querer tocá-lo a todo momento – o que deixou de me incomodar na quarta vez que pediu.

Ainda sim, era com quem eu mais conversava e o fato dele não ter nada do Michael só me aproximou mais dele. Logo eu já tinha um novo apelido, não era muito carinhoso, mas era melhor do que os anteriores.

— Palito de fósforo você não acha que Shakespeare já deu o suficiente? Porra, eu não aguento mais Romeu e Julieta, podíamos... Sei lá, atuar uma peça mais interessante. — Lenna era a líder do grupo de Artes, e uma tagarela crônica quase insuportável – sorte minha eu saber fingir muito bem – mas depois que você acostuma fica tudo bem, já nem me importo de passar horas a ouvindo discursar sobre as razões pelas seria incrível viver no mundo de crepúsculo.

Meu pai tem razão, gosto é gosto, não se discute.

— Podíamos exigir uma peça de comédia, chega de drama. — Resmungou James assoando o nariz tendo o apoio dos outros.

— Tá, mas tem que ter romance. — Cassie se manifestou, ela é daquele tipo de garota que acredita seriamente que sem romance a vida não vale a pena.

Um sentimento instintivo eu imagino, já que a reprodução é uma das partes mais importantes do humano. Busquei na biblioteca do meu cérebro algo inteligível para fazer parte daquela conversa idiota – já que a pergunta foi para mim e todo mundo resolveu me atravessar.

É, eu sei, em geral eu sou o que os outros consideram de fria, muito fria, apesar da minha aparência sugerir o contrário. Mas ninguém podia saber disso, se não a camuflagem ia para o buraco.

Eu deveria sorrir com frequência, fingir um interesse notório ao que diziam e dar respostas pouco inteligíveis.

— Seria interessante atuar com personagens da nossa idade ao invés de adultos mórbidos. — Comentei na esperança que eles ao menos soubessem o significado de todas as palavras. James me lançou um olhar concordando.

— Um principal que não se fode no final seria legal. — Em uníssono a maioria disse ‘Yeah’. Eu me forcei mentalmente para segurar meus olhos para não girar em desdém. Eu detestava a forma como os adolescentes sentiam a necessidade de falar palavras vulgares a todo momento.

‘Fode’ ou ‘foda’, ‘puta’ ou ‘puto’, ‘caralho’, ‘vadia’, ‘puta que pariu’, ‘pau no...’ Enfim, era um vocabulário imenso que doía meus ouvidos, mas não parecia ser um problema a maioria. Acho que é por que lá em casa ninguém xinga, ninguém mesmo, talvez minha mãe quando está muito nervosa, mas meu pai eu nunca nem ouvi dizer um típico ‘puta merda’.

Entretanto, eu estava parcialmente contente por estar em um grupo aquele ano, não completamente feliz por que aquela Sophie que eles viam não era verdadeira e eu me sentia vazia por mentir a todo momento, porém era melhor do que estar sozinha... Certo?

[...]

Peguei Indila no colo não gostando nem um pouco da cena que assistia acontecer no meu quarto, eu até entendia a posição dos meus pais em terem que ir as festividades todos os anos na casa da madrinha, no entanto, eu imaginei que essa obrigação não deveria ser minha também.

— Mas eu não quero ir! — Minha mãe ergueu o corpo com as mãos na cintura me fitando séria. — O vovô disse que eu posso ficar com ele e a vovó. — Ela me lançou uma careta negando.

— Nem sonhando eu vou deixar você ficar duas semanas com seus avós! — Minha mãe ajeitou o cabelo deixando a mala de lado. — Por que você não quer ir? Todos os anos você espera por esse dia mais do que qualquer outro! É por causa do Michael? — Neguei no mesmo instante.

— Não! Por mim que ele se dane, é só que vocês saem, eu fico com a Gaby e o Logan que não obedecem ninguém e nunca tem nada para fazer, aqui pelo menos eu vou sair com o pessoal do clube. — Ela respirou fundo me olhando séria. Fez um longo silêncio no quarto, fitou o chão por alguns instantes e depois se voltou para mim.

— Você tem certeza? Nós não vamos voltar para te buscar se as coisas estiverem ruins na casa dos seus avós, vai ter que aguentar até o fim. — Engoli em seco pensando melhor. Eu nunca tinha ficado tanto tempo longe dos meus pais, pensar que não veria eles por duas semanas meio que me assustava.

— Tenho sim, eu vou ficar bem. — Nisso ela me lançou um olhar tranquilo.

— Está bem, se é assim que você quer... Então, arrume suas coisas, vou ligar para eles. — Não pulei de alegria por que na certa assustaria a Indila, mas aquilo me deixou muito feliz.

Se eu tivesse ido teria brincado de algum modo com as duas pestinhas, teria sentindo meu ego inflar ao ignorar o Michael e a provável nova namorada dele e me divertido com os mimos da madrinha Eloise ou me encantado com o som da voz do padrinho Dillan.

Quem dera realmente tivesse feito isso.

Infelizmente... Essa foi mais uma das decisões catastróficas da minha vida.

[...]

Ficar na casa dos meus avós paternos era um tanto peculiar. Eles não eram tão carinhosos quanto os maternos e nem de longe cheios de mimos como a grande maioria dos avós, tenho que dizer que tentavam, porém isso era mais esquisito do que se tivessem agido da forma habitual deles.

O conceito de mimo da minha avó é passar horas lendo um livro ilustrativo sobre biologia marinha – uma tentativa de me induzir a seguir os passos dela. Meu avô era pior ainda, para ele diversão é colocar uma roupa de apicultor na neta de treze anos e fazê-la sufocar as abelhas com fumaça em busca de mel. Pois é, isso mesmo, os dois tem um quintal imenso que ao invés de uma piscina refrescante eles resolveram criar abelhas.

Digamos, que o gosto por mascotes incomuns vem de família.

Quase me arrependi de não ter ido com os meus pais, só que no final de semana eles me liberaram para sair com meus novos amigos se eu cumprisse as longas listas de tarefas deles.

Às vezes eu me pegava me perguntando o que o pessoal de artes fariam se soubessem que na verdade eu nem gosto tanto assim de teatro, que prefiro fotografia a pintura, que os gostos musicais deles estavam longe dos meus, que eu achava certas gírias irritantes, que sentia vontade de corrigi-los a todo instante... Mas aí... Eu lembrava do Michael.

Se realmente soubessem disso, então, na certa fariam o mesmo que ele.

— ATCHIM! — Me virei para o James confusa.

— Saúde. Você é alérgico a tudo? — Com o nariz vermelho me olhou num sorriso bobo.

— É essa época do ano, o tempo é muito seco e empoeirado. — Se justificou. Percebi algo curioso... Nunca ouvi falar do Michael ficar doente ou ter alguma alergia.

— Sophie quando vamos conhecer a sua casa? — Perguntou Cassie que me olhava estranho. Mexi os ombros.

— Eu estou passando um tempo com meus avós, não acho que será possível por agora, por quê? — Ela riu de lado.

— Dizem que você tem uma cobra de estimação. — Meu pai tinha três, então não sabia se era certo dizer que eu tinha. Na dúvida achei melhor negar. Até por que alguns dos integrantes me olharam assustados.

— Não tenho nenhuma cobra, quem lhe disse isso? — Deu de ombros.

— Não me lembro, não tem mesmo uma cobra...? — Arqueei uma sobrancelha a encarando seca me questionando aonde ela queria chegar com aquela conversa toda.

— Não, eu tenho uma iguana, mas cobra não. — James me fitou surpreso.

— Uma iguana? Daquelas compridas? — O fitei calculando o tamanho da Indila na cabeça. Com minhas mãos mostrei dando uma ideia do cumprimento dela, com o rabo acho que ela atingia um metro e dez. — Puta merda! — Exclamou.

— Gente eu boiei, o que é uma iguana? — Perguntou Lenna. Rodrick que também parecia meio surpreso explicou estupidamente a seu modo.

— É tipo um lagarto grande, bem grande. — Ela pós a mão no peito abrindo a boca espantada.

— Credo palito de fosforo! Por que você tem um bicho desse? — Tantas razões... Mas acreditei que era perca de tempo dar continuidade a isso.

— Gosto de iguanas, qual é o problema nisso? — Questionei lançando um olhar direto para Cassie que deu uma de desentendida.

— É estranho. — Revidou sem muita emoção.

— É exótico, estranho é criar porco de estimação, digo... E o bacon? — Rebateu James fazendo os demais rirem. Não entendi o porquê, porém como aquilo tirou o foco de cima de mim, então não me importei – na verdade eu acho que ele falou aquilo com aquela intenção.

[...]

Tudo estava indo bem ou pelo menos não tão ruim quanto eu acreditava que acabaria sendo. Não posso negar que a insistência dos meus avós a falar só francês em casa para eu não perder a pratica era meio irritante – eles me ignoravam completamente quando eu não falava em francês – os horários rígidos cheios de possíveis punições caso eu não cumprisse, as aulas de química – que nem eram tão ruins assim – com o meu avô e a mania da minha avó de jogar a culpa no meu gene sempre que eu fazia algo que ela não gostava... Não estava sendo as férias dos meus sonhos, não mesmo, mas tolerável descrevia esses dias.

Bom, isso foi até o último final de semana em que todo mundo achou que seria uma ideia brilhante visitar um tal de Starbucks. Quando eles me contaram eu sinceramente cogitei um parque de diversões já que de acordo com a Lenna ‘lá é super descolado, o point da cidade e todos os descolados frequentam o Starbuck’... Quanta redundância.

Imagina minha cara de paisagem ao descobrir que Starbuck é uma cafeteria. Sem roda gigante, sem piscina, sem animais exóticos enjaulados – o que foi um alívio – sem nem mesmo ter aquelas cadeiras que giram para falar que é divertido. Uma grande cafeteria que estava abarrotada de adolescentes desde os onze aos dezoito anos.

Ao que entendi toda cidade tem um lugar onde a grande maioria dos jovens acham interessante se juntar, não sei direito o que exatamente faz com que eles se unam justamente nesse lugar, obviamente não é devido ao nível de diversão já que cafeterias não é bem um empreendimento voltado para isso.

Eu realmente devia ter dado meia volta e ido para casa com uma desculpa qualquer.

— Não acredito que nunca tenha vindo aqui! — Exclamou James perplexo ao meu lado na fila. O barulho ali dentro era quase ensurdecedor, os adolescentes falavam, riam alto e tinha muita gente, fora a música que um pessoal tinha colocado. Era difícil dar um passo sem se esbarrar em alguém.

— Meus pais gostam de comer em casa, só saímos para comemorações e em locais menos cheios, por isso eu não conheço boa parte das lojas aqui na cidade. — Contei falando no tom mais alto que minha voz atingia. Para quem fala baixo como eu, acabou sendo inaudível, mas ele fingiu que fez leitura labial... Gentileza da parte do James, minha garganta doeu fazendo aquilo para ter repetir.

Dei uma rápida olhada para o nosso grupo que estava distante esperando a gente voltar com o pedido de todos – bando de folgados. Eu a vi se aproximando, não dei moral... Devia ter dado, só que não dei. Miss Mine e seu grupo sorridente, elas são aquele típico grupinho de garotas populares de colégio que todo mundo odeia e adora ao mesmo tempo – vai entender?!

Minha vez junto ao James chegou e não sobrou tempo para ficar me perguntando como, quando, onde e por que Miss Mine estava ou deixou de estar. Eram cinco pedidos diferentes e James se embolou todo na hora de falar.

— Vai para lá e espera o nosso... — Disse em alto som apontando para onde o pessoal entregava os cafés. — ...Vou ver com Rodrick que merda ele pediu, por que eu não lembro... — Explicou saindo as pressas no rumo do nosso grupo.

Eu sabia qual era o pedido do Rodrick, mas como eu disse, o tom da minha voz já era baixo por natureza e ele acabou não ouvindo.

Fico pensando que talvez fizesse sido diferente se eu tivesse tentando falar mais alto, porém o passado não dá para voltar e consertar. E aquilo aconteceu...

— AHHH! — Gritou a voz atrás de mim, ao me virar um pequeno susto.

— Ah, me desculpe...!!! — Falei no mesmo instante vendo aquele ser de minissaia se virar com um olhar assassino no meio rumo. Miss Mine e seu grupinho cruel.

Acho que nasci com a sorte lascada da minha mãe. Tinha umas trinta pessoas naquele pequeno espaço e eu esbarrei deixando um pouco de café cair logo na saia da Miss Mine?

A última coisa que eu lembro foi de ler os lábios da Miss Mine embolsando um sorriso histérico dizendo ‘não desculpo não’. Se eu contar que oito copos de café – alguns muito quentes que deixaram um vermelho na minha pele – foram jogados em mim em seguida estaria fazendo um eufemismo.

Pelo tanto que minha roupa pingou, eu calculo muito mais do que oito copos 400ml, mas oito era o número de pessoas que estavam se gabando de ter jogado em defesa a Miss Mine.

Meu grupo? Quando limpei os olhos para fitá-los eles já não estavam mais lá... Ninguém, nem mesmo o James cujo eu estava começando a acreditar que realmente não era como Michael.

E o pior... Isso era só o começo.

[...]

Notas finais
Tenso né? A imagem é mais ou menos como eu vejo Sophie nessa idade. O Michael não apareceu... Que coisa, mas ele vai aparecer nos proximos, ele é uma parte importante - ah vá - na história e fiquem tranquilas que vai ter mais cenas da adoravel Eloise sendo uma 'ótima' mãe. Até o proximo! o/