Especial Inner Beauty

7 Capitulo Sete - Dezesseis parte I


Notas iniciais
Olá gente, Primeiro... Feliz ano novo!!! Segundo queria agradecer imensamente a todas pelos comentários lindos *__* Terceiro agradecer em especial a Ana Catarina pela linda recomendação *__* E por último... Boa leitura e desculpem os erros!

Part I

Ao completar exatos dezesseis anos percebi o quanto os acontecimentos com a Minerva Patel haviam não só me afetado como também afetado aqueles na minha volta. Na minha festa de aniversário minha mãe disse: 'Chame seus amigos Sophie' e tudo que me veio em mente foi 'quais?'.

Eu me isolei tanto que as pessoas mais próximas de mim eram crianças de quatro anos numa creche, nem mesmo as outras funcionárias tinham o habito de se aproximar de mim, é como se meu cabelo realmente desse um alerta de 'não chegue perto ela é perigosa'.

O que definitivamente não era um grande problema, porém me dava um certo sentimento de que algo estava errado na minha vida. Ficava me questionando se era normal uma garota de dezesseis anos ter mais assuntos com um bando de crianças de entre três e nove anos do que com pessoas da sua própria idade.

No final de toda reflexão eu fazia o de sempre, pegava um livro, ia para a poltrona de casa, colocava os fones nos ouvidos e no ritmo bem suave de uma música me jogava dentre as palavras. Aquilo me acalmava e me fazia ignorar a solidão dos meus dias.

Mas esses dias terminaram durante uma aula de história quando aquela figura bizarra de cabelos louros com cinco mexas vermelhas e mascando um chiclete irritante se aproximou. Todos tinham medo de mim no colégio, mas Claritta ignorou os avisos e sem se preocupar com os boatos de que acabaria numa vala se chegasse muito perto de mim.

É claro, ela não tinha muito que me criticar, os boatos sobre sua pessoa eram quase tão grotescos quanto os meus. Embora sua fama – ou má fama – gire em torno de muita promiscuidade e frivolidade. Se ela fosse um filme, seria um filme pornô.

Toda essa fofoca sobre ela deu inicio depois que aceitou um convite para sair com um ex-namorado de Minerva Pael – antes de eu colocá-la para correr – que não gostou muito e saiu espalhando para todo colégio de que Claritta era uma prostituta barata. Todo mundo comprou a história já que Miss Mine na época mandava na escola e a voz dela era a voz de Deus.

Ao descobrir quem eu era quando ficamos na mesma turma naquele ano, ela não pensou duas vezes antes de grudar em mim na primeira oportunidade. Pelo que pude entender Claritta sempre quis me parabenizar pelo que fiz com Miss Mine, porém ficou com medo de que eu fizesse o mesmo com ela.

— Sabe quem usa lingerie nude? — Rolei os olhos cansada daquele discurso de ‘como enlouquecer um homem’.

— Sim, eu! Você disse que dessa vez não opinaria. — Rebati antes que ela começasse. Ela tinha um habito insistente de sempre pensar besteiras que as vezes me fazia recordar da minha madrinha Eloise, a diferença é que Claritta pensa besteira envolvendo todos os homens e a madrinha só tem olhos para o padrinho Dillan.

— Velhas! Velhas usam nude! Quer brochar seu homem? Continue com essa mania horrível de comprar roupas intimas nude! — Arqueei uma sobrancelha curiosa.

— Meu homem?! Eu não tenho homem nenhum, e com certeza não estou comprando para excitar ninguém. — Mirei o conjunto confusa. — O que a cor tem a ver com isso? Até onde eu sei se faz essas coisas sem elas... — Ela tomou da minha mão a roupa e colocou frente ao seu corpo. Lá vinha mais um discurso nada apropriado.

— Pimentinha... Como eu posso te explicar isso num dialeto complexo que tu fala?! Digamos que a lingerie sejam as penas coloridas de um pavão que você precisa para acasalar! Sacou? — Dei uma risadinha girando os olhos.

— A fêmea do pavão não possui penas coloridas, aquele com a calda longa e vistosa é o macho, se seguirmos essa explicação o... — Nervosa ela jogou meu conjunto em cima de mim.

— Desisto de fazer analogias com você! Entenda que sexo envolve muito mais expectativa do que o ato propriamente dito. — Falou a especialista no assunto.

— Mais um motivo para eu comprar esse, não estou indo fazer nada disso com ninguém. — Refutei. — Os homens que desconheço gostando ou não e nudes vão ter que conviver com isso. — Me lançou um olhar desdenhoso bem típico.

— Rainha do tédio, está procurando um jeito de morrer virgem, não é? — Sorri de lado.

— Rainha da repetição, está procurando um jeito de pegar uma DST, não é? — A imitei o que a fez rir.

— Pimentinha você é ruiva, a maioria das cores dessa loja realça com você, como pode estragar essa bendita vantagem? Sabe o que acontece comigo se usar amarelo? Pareço uma manga! — Ela pensou um pouco retornando a si. — Embora Pietro goste e muito de manga... — Caminhei até o caixa da loja ignorando os devaneios dela sobre seus mil e um namorados.

— Claritta não perca seu tempo, até por que estou indo para a casa da minha madrinha numa festa com a família, nenhum lugar pecaminoso como esses que você frequenta. — Ela me deu uma gargalhada fingida.

— Todo lugar é pecaminoso, basta ter os pecadores certos! — Acenei para a moça do caixa ignorar ela quando me lançou um olhar espantada. — Qual é? Não vai me dizer que você não tem um único primo interessante? — Cheguei a morder os lábios nervosa com minha maldita mente cogitando justamente no Michael. Não era para ele vir na minha cabeça! Ele era a última pessoa em quem eu deveria relacionar sobre esse assunto.

— Disse bem, ‘primo’, você é louca? Quer que eu me envolva romanticamente com um primo? — Entreguei meu cartão de crédito para a moça que o passou indicando o balcão onde pegar as roupas intimas que escolhi.

— Nunca ouviu aquele ditado de que diz: ‘Primo não é parente’? — Segurei as sacolas com um olhar surpreso para a moça do balcão. Eu nunca tinha ouvido aquilo e por isso me virei assustada para Claritta.

— Que conversa é essa? Claro que primo é parente! — Começamos a caminhar para fora da loja.

— Não sob essas circunstancias, não é crime ter uns flertes com primos... Do contrário eu estaria na cadeia. — Comentou a última parte mais para si mesma do que para mim.

— Não vou me relacionar com um primo, que loucura! — Me envolver romanticamente com o Michael? Isso fugia todos os meus parâmetros de normalidade... Me envolver romanticamente com o Michael seria como cogitar me envolver com outra espécie.

— Ahhh pimentinha, quando aquele fogo arde no meio das pernas não existe laço sanguíneo que segure, vai por mim! — Fiz careta a encarando.

— Espero que isso só tenha a ver com primos... — Fiquei com medo que aquele sorriso malicioso dela significasse um ‘não’. — ...Devo te dizer que suas reações fisiológicas são um tanto exageradas, eu vejo homens o tempo todo e não sinto nada disso. — Completei entrando no elevador.

— Está me dizendo que um cara todo fortão tirando a camisa lentamente não lhe causa nada? — Tentei imaginar a cena que ela falou e não, eu não sentia nada.

— Não mesmo. — Ela cruzou os braços pensando. O elevador parou e algumas pessoas entraram.

— Tá, a pergunta é estranha, mas... E mulher? Já sentiu algo ao ver uma mulher semi-nua? — Franzi o cenho cogitando. Balancei a cabeça negativamente.

— Nem homem, nem mulher. — Ela riu.

— Aí pimentinha, não está olhando direito então... Você tem o corpo de uma mulher e a mente pervertida de uma criança. — Aquilo me deixou nervosa.

— Crianças não são pervertidas! — Rebati em alto som fazendo as pessoas ali nos olharem assustadas. Nós disfarçamos e quando pararam de olhar ela continuou...

— É isso! Quando foi a última vez que você beijou um cara? — Me encolhi sem jeito.

— Eu nunca beijei um cara. — Dessa vez ela foi quem ficou assustada.

— NUNCA? Nunquinha? Assim... Nem uma bitoquinha? — Fiz careta negando. Eu não achava grande coisa esse fato, mas sabia que para muito era meio espantoso alguém na minha idade nunca ter beijado. — Minha nossa... Por isso você é um cubo de gelo! Nunca experimentou a maravilha de uma língua alheia úmida no céu da sua boca... — Felizmente saímos do elevador por que o pessoal já estava nos encarando feio de novo.

— Argh... Com você falando assim não quero experimentar nunca... — Resmunguei.

— Continua usando nude e nunca vai experimentar é nada! — Rolei os olhos, lá vem o discurso de novo.

[...]

Não sei ao certo o que deram para aquele garoto, mas aos onze anos Logan estava com um metro e setenta e dois de altura e já tinha passado todo mundo da casa da madrinha – era meio previsto já que o pai dele tem um metro e noventa e sete pelo que me contaram. Quando eu o vi perto da Gaby naquele ano quase não acreditei que se tratava do mesmo garotinho que eu tinha visto ano passado.

Mas como dizia a Gabrielle ele poderia ficar com dois metros de altura que ela ainda ia vencer, então apesar do tamanho nada além disso tinha mudado. As brigas deles ainda eram recorrentes, porém para a felicidade da minha madrinha haviam encontrado outros hobbies que os mantinham mais quietos ou fora de casa.

— Madrinha... A mãe do Logan não se importa dele sempre ficar por aqui? — Perguntei dando uma rápida olhada para os dois na sala brigando pelo controle da televisão. Eu a estava ajudando a arrumar a mesa, ela parou por um momento depois me fitou num sorriso sem jeito.

— A mãe do Logan é complicada, digamos que ela ama o filho, mas ama muito mais o dinheiro. — Como o assunto pareceu delicado eu nem insisti para ela explicar o que aquilo queria dizer.

— E o Michael? Foi acampar de novo? — Eu gostaria de dizer que perguntei aquilo para mudar o tema da conversa, só que é mentira, eu perguntei por que não o tinha visto e gostava de inventar desculpas para justificar meu interesse nele.

— É a universidade, ele está tendo problemas com um dos professores... Quase foi reprovado esse semestre nessa matéria e está buscando horas extras. — Arregalei os olhos surpresa.

— O Michael na faculdade? — Ela piscou os olhos rindo.

— É tão espantoso assim? Confesso que não é tão estudioso quanto deveria ser, mas até que está se dedicando. — Virei o rosto sem jeito.

— Qual curso? Psicologia como o padrinho? — Ela negou.

— Relações públicas. — E encerrou o papo. Fiquei um pouco sem graça de perguntar mais coisas e ela me lançar aquele olhar de quem estava estranhando minha curiosidade súbita.

[...]

Até então tudo estava indo bem por aqueles dias, eu quase não via o Michael e passava a maior parte do tempo ou com as crianças – que já não eram tão crianças assim – ou estava lendo no sofá ouvindo alguma música.

Ás vezes eu conversava por mensagens com a Claritta no celular, mas sempre que um assunto se encerrava ela começava a mandar fotos de homens seminu alegando que era para aflorar o meu libido... A única coisa que ela estava aflorando em mim com aquilo era raiva, imagina a cara do meu pai se pegasse meu celular e visse aquele monte de imagens de homens estranhos só de cueca?!

Mas eu tenho que confessar... Fiquei com um pouco de receio em relação aquilo. Questionando se afinal eu era normal como as outras garotas, supostamente eu deveria sentir ou achar atraentes pelo menos um deles. Só que tudo que passava pela minha mente era: ‘Que desnecessário...’

Então resolvi procurar ajuda de alguém mais velho que não ia contar para o meu pai meus problemas com libido.

— Madrinha quando tinha a minha idade já estava namorando? — Ela virou num sorriso largo.

— Ahhh já, com certeza já, eu tive meu primeiro namorado com treze anos para loucura geral da família. — Contou entre risos. — Não me diga que já tem um rapazinho na área...? — Odeio quando os adultos falam no diminutivo comigo como se eu fosse uma criança, mas ignorei esse fato suspirando.

— Aí é que está, eu não sinto nada por ninguém, minha amiga disse que não é muito normal uma garota de dezesseis anos não sentir atração por ninguém... — Expliquei e dessa vez ela ficou séria com as mãos na cintura.

— Bom, isso vai de pessoa eu acho... Você tem preferencias? Baixos, altos, sorridentes, nerds...? — Pensei um pouco e uma imagem me veio a mente – curiosamente não era a do Michael.

— O padrinho Dillan! — Respondi animada, só que a madrinha não gostou.

— Ahhh o MEU marido?! Que bonitinho, você tem bom gosto querida... MAS esse é meu pirralha! — Sorri concordando. — Sophie, não tem... — Nesse instante minha mãe se aproximou de nós com um olhar curioso.

— Hey! O que as duas estão fazendo sozinhas aqui? — Não deu nem tempo de pedir a minha madrinha para não contar.

— Papo de mulher, Sophie estava me perguntando sobre atração física e essas coisas... — Pronto, não adiantou nada ter procurado alguém que não fosse contar ao meu pai se esse alguém contou a minha mãe que vai contar ao meu pai. Ainda me pergunto se ela fez isso só por que eu disse que o padrinho é meu tipo.

— Por que você não procurou a mim? Eu posso falar sobre isso com você! — Disse perplexa e eu suspirei.

— A senhora conta tudo para o papai e depois ele vem com uma lição traumática de moral! Ele me fez assistir um documentário sobre a vida sexual de hienas só por que eu perguntei se era um ato normal uma garota beijar um rapaz cujo relacionamento é indefinido! — Nisso ela encolheu os ombros.

— Eu não conto tudo para ele... — Tanto eu quanto minha madrinha encaramos ela. — ...Aí está bem!? Mas que culpa eu tenho?! Eu não sei mentir! Ainda sim sou sua mãe e você deveria me procurar! — Respirei fundo buscando calma.

— Ok, mãe. Então me responda por que eu tenho dezesseis anos e não sinto a mesma coisa que as garotas da minha idade em relação aos garotos? — Ela fitou minha madrinha e depois se voltou para mim.

— Na hora certa, vai acontecer... Não tem a ver com idade. — E eu pensei ‘ahhh que ótimo, mais um conselho completamente irracional da mamãe para o meu histórico que eu vou ter que fingir que funcionou’. Sorri forçadamente e concordei com ela... Do contrário, lá vinha lágrimas.

— Tem razão! Eu nem sei por que me preocupei com isso, obrigada mamãe. — Repliquei dando um abraço nela. Minha madrinha não poderia estar mais pasma.

— Nossa, só isso? Quem dera a Gaby pudesse ser enrolada assim, quando ela me pega para saber de um assunto desse só sai depois de ver imagens e explicações detalhadas... — Era mais ou menos isso que eu queria, mas não dá para exigir muito da minha mãe e nem em sonho esperar coerência do meu pai.

Eu pergunto de sexo e ele escolhe os animais que tem os piores destinos durante o acasalamento, enfim, percebi que deveria aprender sobre isso sem as típicas conversas em família.

[...]

E os dias bons se foram com o retorno de Michael em sua estadia na casa – claro que eu não esperava que ele fosse sair da própria casa por minha causa, mas eu realmente desejei que fosse como aqueles anos em que nem aparecia direito.

O pior? Ele estava mais irritante do que no ano passado.

— Como é que consegue ler ouvindo música? — Nunca entendi por que todo mundo me perguntava isso, embora eu tivesse parado de ler no exato momento em que ele entrou na sala e começou a assistir televisão. Respirei fundo deixando o orgulho no comando para não perder o controle.

— Me erra Michael. — Revidei apenas mudando a página do livro sem recordar nem o que aquela página dizia. Ele riu... Ahhh como aquele sorrisinho me tirava do sério e me fazia querer arranhar a cara dele toda.

— Você não está ouvindo nada, só usa esses fones para ninguém falar com você, não é? — Fechei o livro semicerrando os olhos.

— Pois é, mas pelo visto a indireta não está dando muito certo já que você não cala a boca. — Voltei a abrir o livro numa pagina qualquer. Ele riu de novo. Apertei a capa do livro segurando meus dentes para não ranger.

— Você ainda tem cocegas aqui... — Levou as mãos até meus pés e num rápido reflexo dei um tapa nelas impaciente.

— Pare com isso! — Ordenei me sentando buscando uma calma que já não existia desde que ele apareceu. — Você não tem nenhuma namorada para ir infernizar? Cadê aquelas loucas que viviam atrás de você? — Ahhhh como eu quis socar ele até morte quando começou rir como se eu tivesse contado a piada mais engraçada do mundo.

— Olha só quem fala...! Você vivia atrás de mim Sophie! — Abri a boca perplexa e o orgulho ficou mais ofendido do que nunca.

— Que mentira! Eu nunca fiz isso?! — Rebati de uma vez o que o fez rir de novo.

— Ahhh é?! Quem ficava emburrada comigo quando eu ia brincar com os outros primos? Quem não saia do meu pé para assistir Dr. Who ou caçar comida para esses animais esquisitos que você cria? Quem fazia questão de ficar no meu quarto, mas só no meu quarto? Hun? Me diz! — Questionou convencido. Eu, Sophie... Não tinha uma resposta pronta honrosa para isso, entretanto, meu orgulho ferido estava mais do que preparado para o ataque.

— Você? Nãooo! De você não, dele! — Apontei para uma foto em que ele devia ter uns oito anos vestido com um uniforme de algum time. — De você, Michael pós-puberdade eu sempre quis distancia! — É, nem sempre meu orgulho acertava nas respostas, foi uma resposta desnecessária. Voltei a me ajeitar no sofá com um suspiro abrindo um livro. — ...Me erra, ok?! — O miserável tornou a gargalhar.

— Michael pós-puberdade?! Ahhh entendi, você tem ciúmes de mim! Por isso gosta mais do Michael que não tinha na...

— Não tem NADA a ver com isso!!! — Me levantei num salto berrando. — Por mim você...

— Ciumentaaaa! — Me interrompeu com um sorriso enorme nos lábios.

— Nãooo! Não foi...

— Éhh sim! Está tudo bem Sophie, minha irmã também se borra de ciúmes de mim. — Abriu os braços num sorriso tão grande que ferveu tudo dentro de mim. — Vem, dá um abraço... — E dane-se a integridade do meu livro, joguei com força bem no meio da cara dele que por sorte se desviou na hora. — ...Hey esquentadinha! Essa coisa tem capa dura, ia me...

Ás atitudes a seguir vieram de uma mistura confusa entre meu orgulho e a verdadeira Sophie que não gostou nada daquela palavra que não era ‘ciúmes’. Quando dei por mim estava em cima do Michael tentando com todas as técnicas que minha madrinha me ensinou atingi-lo com força.

E por mais socos e puxões que eu desse nele nada tirava aquele sorriso debochado dos seus lábios.

— Aí! Calma... Eu estava brincando... — Disse entre risos.

— Eu te odeio! Você é irritante, devia ter quebrado os 206 ossos do corpo ano passado seu, seu, seu... Tarzan se samambaia, seu, seu, seu... Pouca sombra! Pintor de rodapé! Porteiro de maquete... Seu, seu corretor maldito de banco imobiliário! — Eu dizia cada ofensa dando um soco desajeitado – na minha cabeça parecia uma luta digna de MMA – enquanto aquele filho de lombriga quase tinha uma parada respiratória de tanto rir.

— Dá onde você tirou isso...? — Perguntou entre risos. Segurou minhas mãos apenas com uma e vi o quanto era fraca e que nenhum dos meus socos tinha surtido efeito. Me soltei furiosa erguendo o queixo.

— Vai se ferrar! Você é tão... URGH! — Saí em passos firmes nervosa.

— Sophieee! Não...

— MORRA! — Berrei subindo as escadas.

Parece até mentira que a fria e inabalável Sophie tinha perdido completamente o controle e partido para a agressão física justo com alguém que claramente não ia sentir nada dos golpes. Mas meu sangue ferveu tanto que não havia métodos para me controlar naquele instante.

O sorriso dele, o fato de ter acertado na mosca e aquele maldito olhar de quem sabe de tudo... Era impossível me segurar.

[...]

E como se aquilo já não fosse o suficiente ele determinou que os próximos dias seriam totalmente dedicados para me provocar e devo dizer que todos tiveram muito sucesso. Principalmente ao se meter nos jogos das crianças e eu... E como me enfurecia jogar aquele jogo com ele.

— Uhhh... Que azar... — Comentou Michael assim que joguei os dados e deu oito. Quando movi entendi o ‘azar’. Escondeu um sorriso com a mão respirando fundo. — ...Você entende, não é? É um hotel cinco estrelas, na melhor propriedade do jogo... Dois mil e setenta e cinco, mas como somos primos e você ficou duas rodadas sem me xingar, vou fazer por dois mil... — Rangi os dentes nervosa. Contei meu dinheiro e não tinha mais do que mil e duzentos.

— Eu fali! — Joguei o dinheiro falso em cima dele nervosa.

— Ahhh dá um tempo Sophie, o objetivo do jogo é negociação! Ainda não faliu, olha você tem ótimas propriedades para me vender... — Rangi os dentes negando.

— Eu não vou vender mais nada para você! Logan eu te vendo minha ferrovia... — O mesmo me fitou confuso mostrando o pouco de dinheiro que ainda restava.

— Não tenho dinheiro... A monstrinha pegou tudo... — Resmungou e eu encarei a Gaby que negou.

— Não tenho interesse, obrigada pela oferta e volte sempre. — Rebateu num sorriso.

— Por que não? — Ela fez careta.

— Essa ferrovia é amaldiçoada, toda vez que alguém fica com ela perde tudo, então... Nem pensar. — Que superstição boba. Contra gosto me virei para o Michael que apoiava os cotovelos na mesa num sorriso comprido só esperando que eu dissesse.

— O que... Você quer? — Murmurei num bico enorme.

— Hum... Eu pegaria a ferrovia, mas concordo com a Gaby, ela é meio amaldiçoada, então que tal a companhia de taxi e a companhia de viação? — Arregalei os olhos perplexa... Ele simplesmente queria todas as companhias que eu havia passado o jogo inteiro tentando comprar. Num sorriso falso e com o orgulho ferido as peguei entregando.

— Muito bem. Aqui, engula. — Disse ressentida.

— Own, não fica assim Sophie, é só um jogo. — Replicou debochado, quase cedi ao desejo de mostrar a língua.

— Para de me provocar ou eu saio do jogo. — Ele fez sinal de que ia ficar calado.

No fim, a Gaby ganhou para minha alegria e tristeza do Logan, embora a questão do Michael fosse claramente me vencer, não importava quem ia sair na frente. Ele estava obstinado a me irritar com toda certeza... E estava conseguindo com vigor, não era preciso muito, apenas respirar e pronto eu já me sentia fora de mim.

— Me deixa ler! — Pedi assim que se sentou no sofá ao lado do meu com uma tigela de ceral. Meio perdido – ou fingindo que estava – olhou para os lados.

— Eu não fiz nada... — Retrucou com a boca cheia.

— Mas vai fazer... Você fica entediado com a Tv e aí vem me infernizar! Cadê seus amigos, hein?! São oito da noite, não deveria estar numa festa ou sei lá fazendo o que com eles? — Deu de ombros colocando no canal de esportes.

— Nah! Prefiro curtir a família... — Disse dando uma piscadela para mim.

— Eu mereço... — Resmunguei e só então percebi que o Michael estava com uma tigela de cereal numa mão e uma latinha se cerveja na outra... Eu não sabia o que era mais espantoso ele beber algo alcoólico na sala de estar ou beber isso com cereal e leite. — ...Você está bebendo?! Ahhh deixa o padrinho ver uma cena dessa para você ver uma coisa... — Ele rolou os olhos.

— Sophie a menor de idade aqui é você, eu tenho autorização judicial para ‘isso’. — Levantou a latinha ao mencionar ‘isso’ num sorriso sarcástico.

— Argh como consegue comer cereal e beber essa coisa? — Tornou a dar de ombros.

— Eu gosto, é como tomar algo amargo comendo algo doce... Um aguça o sabor do outro... — Não fiz mais do que fingir um refluxo. Foi então que meu orgulho teve uma ideia brilhante para me vingar do Michael por todos esses dias de provocação, segurei o sorriso no rosto para não dar bandeira.

— Você louco, essa marca costuma usar sebo de carneiro como conservante. — Ele mordeu a isca na hora.

— O quê? Desde quando se usa sebo de carneiro como conservante de alguma coisa? — Fiz minha melhor cara de surpresa.

— Você não sabia? — Repliquei com um ar de ‘nossa todo mundo sabe disse e você não?’.

— Não! Que doideira, onde diz isso aqui...? — Começou a procurar nas inscrições da latinha e dei uma rápida olhada na porta ouvindo os passos se aproximarem. Era a hora!

— Deixa eu te mostrar...! — E se nem imaginar o que se passava na minha cabeça ele me entregou a latinha enquanto eu fingia que lia e minha madrinha entrava na sala. Para piorar tudo eu lancei a bebida nos lábios fingindo que bebi um gole – apesar de acabar sentindo um gosto meio amargo da bebida.

— Sophie!!! — Ela berrou discutindo. Próximo passo?! Se fazer de vitima. — Está bebendo cerveja?! — Tomou da minha mão numa violência só.

— O Michael disse que não tem álcool e que eu deveria provar... — Fiz a minha melhor expressão inocente vendo a do Michael ficar pasma. Pronto! Vingança concluída! Só precisava segurar o riso até a briga terminar.

— Michael!!! — Deu um tapa forte na cabeça dele. — Você deu cerveja para sua prima??? Ela só tem dezesseis anos!

— Mãe, eu juro! Eu não... — Tentou dizer sem tirar os olhos de mim. — ...Sophieee! Conta para ela sobre o sebo de carneiro! — Fiz careta horrorizada.

— Sebo de carneiro? O que sebo de carneiro tem a ver com isso? — Questionei com os lábios trêmulos – fingindo claro. E quando a madrinha ficou de costas para mim para discutir com ele aproveitei para mostrar a língua e rir sem som.

— Mãe eu juro que...

— Não quero saber! Onde você estava com a cabeça moleque? Eu não te criei para você para embebedar menores e ainda mais sua prima... Quem vai ser o próximo? Sua irmã? Talvez o Logan? — Ele deu um sorriso debochado.

— Aqueles dois já beberam sem a minha ajuda, vai por mim! — Ela deu outro tapa nele.

— Calado! Quer beber? Vai para um bar! Não quero você bebendo aqui novamente, entendeu? — Me fuzilando ele assentiu para a mãe dele.

— Sim, senhora... — E ela saiu levando a latinha. Eu ia saindo também quando ele colocou a tigela em cima da mesa de centro e estralou os dedos.

— Você pediu isso Michael, não teve um só dia que me deixasse em paz... Então... — Eu ia dando a volta no sofá quando um braço passou em volta da minha cintura de uma única vez me puxando.

— Vem cááá... — Tentei me soltar daquele braço, só que ele era muito mais forte.

— Eu chamo a madrinha e digo que você tentou me agarrar, aí sua situação fica pior ainda, o que acha? — Perguntei forçando seu braço para baixo da cintura. Ele me virou num giro de frente.

— Teria coragem de me acusar de algo assim? — Ergui o queixo.

— Claro, tenta me segurar de novo para você ver! — Ia mais uma vez dando a volta pelo sofá quando me puxou.

— Ok! Você chama ou eu chamo? — Ok, aquilo tinha me assustado e muito. Ele realmente queria que eu chamasse a madrinha e acusasse ele?

— Você é louco? — Ele soltou um sorriso macabro que até então eu nunca tinha visto antes.

— Se você fizer isso eu prometo nunca mais te provocar... — Semicerrei os olhos confusa.

— O quê?

— Duvido que tenha coragem para isso Sophie, eu pago para ver você contar uma mentira desse nível e ainda me prejudicar desse jeito... — Ele atiçou meu orgulho e meu orgulho respondeu.

— MADRINHA!!! — Por que ele continuava rindo? E quando ela colocou os pés na porta eu lembrei de uma coisa...

O rosto dela e do meu padrinho quando eu disse aquelas coisas horríveis para o Michael e eles me fitaram como se eu fosse um brinquedo quebrado. Se eu mentisse... Com certeza ela faria o mesmo olhar e ainda castigaria o Michael por algo que é parcialmente grave.

É eu não tive coragem.

— Pode pedir ao Michael para me deixar ler meu livro em paz? Ele fica me importunando. — Pedi cabisbaixa sabendo que ele sorriu largo ao ouvir aquilo.

— Michael tenha santa paciência, você não é mais uma criança, deixa a menina ler o livro dela em paz. — Ordenou saindo da sala em seguida.

— Fique sabendo que eu só não fiz isso por causa dos seus pais... — Me defendi antes que ele começasse.

— Uhum está bem. Vou fingir que acredito nisso. — Me soltou se sentando no sofá. O que me restou fazer foi acertar um livro na sua cabeça e sair correndo.

Algo nada maduro, confesso.

[...]

Continua...

Notas finais
Bom gente... O desastroso 2016 fechou com chave de ouro levando meu HD, minha sobrinha deixou meu note cair e ele quebrou de vez... Estou postando em um pc emprestado buaaaaa ç.ç Tipo... Eu realmente perdi tudo, todas as fics que tinha e ainda ia postar e as imagens que eu juntava há anos ç.ç Um completo desastre D: Eu até pensei em deletar a conta do nyah e desistir de vez disso... Mas eu estava lendo os comentários de vocês e as promessas que fiz nas notas e resolvi que pelo menos essa fic eu ia terminar! AHHH deixando o drama caótico da minha vida de lado... É provável que eu poste mais um hoje! Não esqueçam de comentar xD