Especial Inner Beauty

6 Capitulo Seis - Quinze


Notas iniciais
Oiiiiiii genteeeee! Eu ia postar esse capitulo ontem, porém tinha muita gente aqui em casa -ainda tem - e não deu para tirar um tempo para postar aqui. Na verdade, vou ser rápida aqui, por que o pessoal me enche a paciência toda vez que começo a mexer no pc xD Bom eu TENHO que agradecer a mais duas lindas recomendações que recebi *_* Muito obrigada a Tata Stay Strong e a Laurent pelas recomendações e a todos pelos reviews! E dizer as leitoras fantasmas que comentar uma vez ou outra não cai o dedo viu? xD Eu vou estar respondendo a todos os comentários assim que as coisas ficarem menos agitadas aqui, ok?! Aguardem só mais um pouco. Boa leitura e desculpem erros! (deve ter muitos pq eu não tive tempo de corrigir :/

Aos quinze anos inúmeras mudanças aconteceram na minha vida, para começar deixei de usar um sutiã de enfeite para um que realmente fazia jus a sua função, minha mãe passou a me ensinar sobre a arte da maquiagem e eu decidi qual era minha vocação.

A filha dos meus tios, Lina de apenas dois aninhos ficou um tempo lá em casa e nessa onda de cuidar dela e tudo mais percebi que a ideia de trabalhar com crianças não era ruim.

Eu tinha paciência, elas normalmente não tinham medo de mim e se empolgavam quando eu falava sobre os animais. Cogitei que talvez essa fosse a grande ação na minha vida, eu poderia ser uma cientista como meu pai e o resto da família tanto deseja ou incentivar uma legião de crianças a terem amor pelo planeta e os seres vivos dentro dele.

Claro, uma decisão assim precisava ser discutida em família.

— Nossa... Eu espero que esse pudim de chocolate não seja um suborno para ‘pai já posso namorar?’ por que a resposta é não. — Comentou ele assim que coloquei o chocolate em cima da mesa.

— Ah! É bom o senhor lembrar disso papai, tenha em mente que existe inúmeras formas de eu decepcioná-lo e a atual pode não ser tão ruim assim. — Minha mãe riu pegando um pouco do chocolate.

— É normal namorar aos quinze anos, você tinha quinze anos quando namoramos... — Ela lançou um olhar carinhoso para ele o que foi ótimo! Assim ele abaixava a guarda.

— Exato! Por que acha que eu proíbo? — Perguntou retoricamente.

— O que tem a ver nosso namoro? É natural aos quinze anos querer um namorado. — Acenou meu pai negando.

— Viajem a Washington, ponto final. — Eu não entendi bem, porém a mamãe girou os olhos sem mais palavras. — Vamos Sophie, enfie a faca no seu pai de uma vez! Qual é o motivo dessa reunião? — Primeiro o susto.

— Eu não vou para faculdade, sou bonita e acho que posso conseguir alguém rico para me sustentar. — O choque foi tamanho que meu pai ficou uns três minutos me encarando esperando eu dizer “BRINCADEIRA!”. Depois seu olho esquerdo começou a dar tique nervoso e por fim ele se levantou para fazer a típica cena indignada.

— COMO é que É? — Agora os dois vão brigar entre si. — QUEM diabos enfiou isso na sua cabeça??? Kailyn o que você fez???? — Berrou o que fez minha mãe se levantar furiosa.

— EUUU??? Eu não ensinei isso a ela? Por que está me perguntando? Com certeza isso é culpa da SUA mãe que traumatizou a menina com aquela ladainha toda sobre o mar!

— Minha mãe? Agora a culpa é da minha mãe? Quem é que fica me fazendo comprar presentes fora de época para satisfazer o seu ego feminino? Agora ela quer ter uma vida fácil como a sua! — Rebateu e mamãe puxou o ar nervosa.

— AHH! Como ousa? Eu trabalho duro também, eu nunca precisei do seu dinheiro e muito menos fico te pedindo presentes, você compra os presentes para inflar o seu ego masculino! “Ah eu sou o provedor da casa”. — Ok, depois dessa discussão eu acho que já posso dar a verdadeira noticia.

— Papai e Mamãe! — Me levantei batendo a mão na mesa fazendo os dois me fitarem. — Eu vou fazer pedagogia. — Eles se entreolharam confusos.

— O quê? — Meu pai se pronunciou. — Por que você...

— Eu queria que vocês percebessem que poderia ser pior, todo mundo espera que eu seja cientista ou entre em alguma área da ciência, mas eu quero trabalhar com crianças, ensinar crianças. — É, minha mãe não parecia feliz.

— Você me fez brigar com o seu pai só para levantar um ponto em questão? — Quando assenti num sorriso ela fuzilou meu pai com um olhar. — Nossa... Quem você puxou, hein?! — Foi uma pergunta retorica. Ambos se sentaram um de cara virada para o outro, mas tudo bem. — Não precisava fazer isso, vamos respeitar sua escolha.

— Você sim mamãe, mas os meus avós... O papai, todo mundo sabe que não é uma carreira que dá muito prestigio e dinheiro, e como geralmente isso é o que importa para pessoas eu achei que seria melhor mostrar que podia ser pior. — Mantive meus olhos no papai que não estava satisfeito. Previsível.

— Eu não entendo, você gosta tanto de animais e biologia, achei que ia seguir esse caminho. — Disse ele.

— Mas eu gosto, eu adoro ciência, só que ficar no campo ou laboratório ou uma sala de aula cheia de universitários... Eu prefiro mostrar minha paixão para crianças, quem sabe eu acabo influenciando elas e criando mais cientistas?! — Ele suspirou relaxando.

— Bom, está bem. Posso conviver com isso... — Sua reação foi melhor do que eu esperava. Virei-me para minha mãe que estava de braços cruzados emburrada.

— Mãe? — Ela respirou fundo me fitando.

— Estou feliz que não tenha escolhido virar uma golpista como eu! — Evidentemente não era para mim toda aquela raiva.

Ma chérie... — Bufando ela saiu choramingando para o quarto. Às vezes minha mãe nem parecia adulta. — Me dê um bom motivo para não te castigar por isso?! — Se voltou bravo comigo.

— Você me deve uma. — Mordeu os lábios num suspiro.

— É, estamos quites agora mocinha.

Ok. Eu quase fiz meus pais se divorciarem – até parece – mas o lado bom é que eu poderia seguir o rumo que eu quisesse.

E com o passe livre eu fui atrás de mais mudanças e uma delas foi trabalhar meio período numa creche. Eu não era bem uma professora, estava mais para auxiliar da dela, a senhora Willow não tinha muita paciência com as crianças – Nunca entendi por que ela trabalhava ali – então acabei sendo ajuda que ela pediu aos céus.

Outra mudança significativa foram às aulas de yoga, depois do que aconteceu ano passado minha mãe cismou que eu precisava me espairecer de algum jeito e a yoga seria um ótimo método. Minha avó já discordava, para ela o yoga não era tão eficiente quanto aulas de dança, então para agradar as duas eu fazia aulas de yoga e dança – qualquer coisa para esquecerem o incidente com a Miss Mine.

Curiosamente eu aprendi a gostar das duas.

[...]

Infelizmente, mesmo todas essas mudanças acontecendo comigo o mais marcante do meu ano girava em torno dele... Michael. E eu realmente odeio ter que confessar isso, mas a presença dele foi forte demais para eu negar a essa altura.

Quando Michael tinha dezoito anos... Ele quebrou o pé esquerdo e foi obrigado a diminuir suas saídas de casa. O fato espantou todo mundo, meus pais não podiam acreditar que o invencível Michael havia quebrado o pé.

Como?

— Pulando a janela! — Contou minha madrinha encarando o filho nervosa. — Eu vou contar os detalhes para vocês...

— Mãeee! De novo não! — Ela levantou o indicador para ele se calar. Meu pai segurava para não rir e minha mãe o fitava com pena.

— A namorada de alguém titia Kailyn, a senhorita meu-pai-não-sabe-que-perdi-o-cabaço chamou o gostosão aqui para ir na casa dela depois da meia noite furar o bolo... — Nesse instante até eu tive que na segurar para não rir. — ...Aí titio Oliver, adivinha?! O senhor minha-filha-não-sai-com-delinquente chegou em casa e o bonitão aqui mal vestiu a calça direito e pulou a janela batendo o pé numa pedra, acham que acabou a história? — Michael fez careta cruzando os braços contrariado. — Nãoooo titios, isso foi o inicio da noite! Sabe o que aconteceu titia? — Se virou para minha mãe rangendo os dentes e apertando o ombro do Michael que gemia. Era impossível não rir. — Me ligou um empata-foda de um policial titia Kailyn, uma hora da manhã dizendo que o seu sobrinho fofinho... — Nesse momento ela ficou atrás dele dando leves puxões no cabelo dele, ao invés de ficar com raiva Michael ria. — ...Quebrou o pé depois que tentou fugir de uma casa ao qual tinha invadido, aí você me pergunta titio Oliver?! ‘Menino, mas como é que você se enfiou nisso?’ A namorada pseudo-virgem titio! Ela mentiu que não o conhecia, o pai chamou a policia e prendeu ele, se não fosse a mamãe titia Kailyn seu sobrinho estaria na cadeia por invasão domiciliar! — Michael ergueu o rosto a fitando.

— Tá mãe já chega... — Quando ele pediu ela lascou o tapa na nuca dela.

— Chega nada! — Minha mãe e meu pai não conseguiam segurar mais riam que os olhos se enchiam de lágrimas. — Isso tudo titia Kailyn por que o bonitão acha o motel caro, mas na hora que perna quebra aí vem para cima da mamãe que tem que pagar uma fortuna para consertar o pé e ainda cuidar, né?

— Você vivia pulando a janela do papai, está no sangue! — Se justificou fazendo minha madrinha rir e negar.

— Eu casei com seu pai, e se eu me machucasse ele não ia ligar para policia... Talvez sua avó fizesse isso, mas ele me defenderia! Quer saber? Bem feito garoto! Isso te serve como ensinamento de vida: Escolha bem por quem vai pular a janela! — Abafei meu riso com as mãos, ela tinha jeito tão cômico, eu ainda detestava o Michael, porém não deu para segurar.

— Belo conselho! — Elogiou meu pai entre risos.

— Ah você não vai pensar assim quando começarem pular a janela da ruivinha aí! — Brincou a madrinha Eloise matando meu sorriso na hora e dando vez a um rubor nas bochechas. Pensar que alguém poderia pular minha janela era... Constrangedor.

— Eloise! Ninguém vai pular a janela dela, não é meu amor? — Mamãe me abraçou de lado, eu apenas sorri tímida e sem jeito.

— Com a comissão de frente que essa menina herdou eu prevejo rapazes pulando o telhado por ela... — Pronto, eu estava tão vermelha quanto o meu cabelo. Me levantei num salto saindo de perto deles e indo para onde as crianças estavam.

Malicia demais para minha pouca idade, ainda mais perto do Michael.

Apesar da fratura não ter sido grande ou grave, ele teve que colocar uma tala imobilizadora no pé e usar muletas para se locomover. Eu queria dizer que me senti bem ao vê-lo ferido e com aquela história drástica da namorada negando conhecer ele para o pai e a policia, mas não consegui.

Ficou claro que eu não tinha vocação para tirania.

O pior de tudo isso era a presença constante dele em casa, antes ele saia com os amigos e eu ficava com as crianças ignorando a existência dele, esse ano fazer isso era impossível.

Numa tarde, a dupla de catástrofes naturais foram num jogo de basquete com o padrinho e o pai do Logan, eles até me convidaram, mas nunca fui fã de esportes. Aproveitei o silêncio – que com os dois eram impossível ter – da casa para deitar na poltrona da sala e ler um bom livro de suspense.

A história do livro me envolvia tanto que nem mesmo percebi quando se aproximou e sentou no sofá maior ao lado do que eu estava. O som do teclado no celular fez até minha respiração ficar descompassada, abaixei o livro lentamente até pouco abaixo dos meus olhos o vendo ali com a perna apoiada na mesinha de centro com sua atenção toda voltada para o celular.

Quando fez menção de me fitar subi o livro rapidamente até altura dos olhos sem conseguir interpretar mais nenhuma frase dele. De repente até história se apagou e eu já nem lembrava quem era o protagonista ou antagonista.

— Oi. Estou em casa. — O ouvi dizer suavemente, numa ação ligeira fechei o livro e o abri notando que falava ao telefone. — É, eu sei, mas é melhor assim. — Engoli em seco questionando o meu orgulho... Sair deixando claro que ele me incomodava, ou ficar e deixar claro que ele não tem poder para me incomodar? Qual dos dois é melhor? Na dúvida fingir que nem tinha percebido ele ali. — Certo, a gente se fala depois. — E encerrou a ligação. Abaixei o livro com cara de ‘Nossa tem alguém na sala, nem percebi’ e outra expressão de ‘ah é só você Michael?!’ quando nossos olhos se cruzaram. — Por que não trás mais seus bichos? — Eu ia tornando a ler quando me perguntou. Mais uma dúvida: Eu ignoro por orgulho ou respondo com indiferença por orgulho?

— Indila, e as crianças a assustam. — Revidei friamente desejando que ele percebesse meu desprezo. Ah como eu desejei naquele momento abaixar o livro para ver sua face, só que o orgulho estava no comando e não deixou.

— E o colégio? — Ergui uma sobrancelha.

— Não é assunto seu, mas vai bem. — Agora eu fechei o livro me sentando corretamente. — Está se sentindo solitário? Posso chamar minha mãe para te fazer companhia, ela é mais adulta do que eu, sabe? — Eu queria deixa-lo furioso como fiz com a Minerva, mas ao invés disso ele riu.

— Você ainda está zangada comigo por causa daquilo? — Uma armadilha! Se eu dissesse que sim sairia com meu orgulho ferido, já que era o mesmo que dizer que não fui capaz de superar aquilo, se eu negasse então teria que justificar minha antipatia naquele instante.

— Não sei o que ‘daquilo’ significa, apenas estou seguindo a sua regra faixa etária. — Franziu cenho enfadonho. — Agora quem não quer ficar perto de você... Sou eu, Michael. — Não sei se foi à coisa mais correta a se dizer, mas eu disse.

Do fundo do coração eu disse, só não entendi por que ele doeu depois disso.

— Sophieeee! — Me gritou quando coloquei um pé no primeiro degrau da escada. Meu orgulho disse: ‘Ignore e ande’. A outra coisa mais forte me fez ranger os dentes dar meia volta e apontar a cabeça na entrada da sala. Ele sorriu fazendo um coração com as mãos só para irritar.

E como ele era bom nisso.

[...]

Uma coisa inusitada aconteceu nesse ano, uma coisa que surpreendeu a todos, algo que calou o mundo e a todos: Logan e Gaby brigaram. Digo, não as brigas típicas deles, uma briga real em que pararam de se ver e falar um com o outro.

A razão era desconhecida, mas seja lá o que fosse era sério.

Michael simplesmente amou este fato, não ter mais o Logan por perto e tomar seu lugar de número um ao lado da irmã sem ter que aturar o melhor amigo dela era incrível para ele. Mas Gaby não estava feliz, na verdade, ela se parecia comigo pouco depois quando briguei com o Michael.

— O que está fazendo? — Perguntei a surpreendendo no quarto usando um vestido azul de babado e os cabelos trançados.

— Eu sei... Eu estou horrível... Não combina comigo... — Murmurou se sentando na cama cabisbaixa.

— Não está não, é só incomum, você não costuma usar vestidos. — Ela me fitou fazendo um bico.

— É que todo mundo diz que... Eu tenho que ser mais feminina, mas quando eu tento todo mundo diz que eu fico estranha... — Respirei fundo me aproximando dela, era a fase, havia começado.

— Não dê ouvidos a ninguém que não ame você, e o que você veste ou deixa de vestir é um assunto só seu, não devia dar importância para isso. — Fiquei atrás dela desfazendo as tranças.

— Mas todo mundo elogia a Phoebe por ela ser bonita e me dizem que eu tenho que ser como ela! — Busquei na memoria quem era Phoebe, e então me lembrei que era a sobrinha do tio Dillan. Uma menina loirinha de olhos azuis que parecia uma bonequinha de porcelana.

— Quem disse isso? Foi o Logan? — Ela fez careta se virando.

— Não! O Logan nem gosta dela... Os adultos em geral falam isso.

— Gabrielle, você é uma menina incrível e a sua melhor qualidade é fato de nunca se importar com o que dizem a seu respeito. O mundo vai estar sempre procurando um jeito de te criticar você sendo o que ele quer ou não. Faça o que você quer, use o que você quiser, seja quem realmente desejar! Isso é bonito, ficar tentando ser algo que não é só vai te fazer se sentir vazia por dentro. — Fez se um silêncio enquanto ela pensava a respeito.

— Então... Não tem algo errado comigo? Não é feio ser como eu sou? — Sorri negando.

— Como você é? Você é alegre, espontânea, divertida, inteligente, é a garota mais forte que eu conheço e uma fusão adorável dos seus pais! Tem o formato do rosto da sua mãe e os olhos intensos do seu pai... Eu sinceramente não vejo nada de errado nisso. Ser diferente é mais um dom do que um erro Gaby. — Finalmente me lançou um sorrisinho tímido. — Agora... Que tal me contar por que brigou com o Logan? — Seu semblante mudou no mesmo instante para nervoso.

— Eu não quero falar dele, eu nunca mais quero ver aquele idiota na vida! — Quando ela falou aquilo... Lembrou-me a mim mesma.

— Mas ele é seu melhor amigo, foi tão grave assim? — Encarou o chão com o cenho franzido. Ao perceber que ela não responderia continuei. — Gabrielle... Amigos são raros, melhores amigos são mais raros ainda, melhores amigos que nos entendem, falam nossa língua e compartilham nossos gostos como era sua amizade com ele... Só acontece uma vez a cada mil anos. Se o que ele fez não pode ser perdoado, tudo bem, eu entendo, mas se você acha que pode perdoar... Não deixa o tempo passar, o tempo cura, mas ele também separa... — Ela ouviu tudo atentamente com a mão no coração.

— O Michael disse que é normal, que isso aconteceu com você e com ele... — Me assustei com o que ela disse.

— ...E você quer acabar como eu e o Michael? Mal trocamos cumprimentos! Eu perdi um dos melhores amigos que eu já tive, acha que fiquei feliz com isso? Mas eu não tive escolha, aconteceu. Não precisa ser assim com você, você pode escolher...

Me surpreendi por dizer aquilo, não foi um comando do orgulho, pois ele jamais confessaria que Michael tinha um ótimo amigo até passar por aquela metamorfose. Foi algo realmente de dentro de mim, naquela hora eu não sabia o que era, porém... Era a Sophie, aquela antes de ser magoada e machucada.

E no mesmo dia que tivemos aquela conversa ela tomou sua decisão. Da sala de estar pude ouvi-la correr apressada até a porta gritando:

— Mãe to saindo! Eu vou na casa do... — Levantei do sofá tendo a vista da entrada. Vi Logan em pé de ombros encolhidos na porta, ela parada surpresa com a vinda dele.

— Monstrinha... Eu... — Ia desculpando quando ela o interrompeu.

— É, eu também... — E deixaram de falar se abraçando. Um sorriso brotou nos meus lábios, saber que a Gaby teria com quem contar não importava o que acontecesse era reconfortante.

— Awnn... Droga! — Resmungou o Michael rosnando.

— Droga nada Michael! Ele é o melhor amigo dela. — Rebati. Ele se ajeitou no sofá colocando a perna sobre a mesinha gemendo.

— Amigo demais... Foi você que encheu a cabeça dela, não é? — Apertei o livro nos meus braços assentindo.

— Foi, não achei que deveriam se separar por uma coisa tão pequena, eles se adoram. — Lançou um sorriso torto debochado.

— ‘Faça o que eu digo, não faça o que eu faço’ esse é o seu lema? — Eu tinha entendido a indireta e ela me encheu de raiva.

— Não, meu lema é ‘fique longe de idiotas’. — Colocou a mão no peito fingindo estar magoado.

— Então chegue mais, senta aqui... — Bateu a mão ao seu lado. Semicerrei os olhos nervosa, caminhei lentamente até atrás da mesa de centro aonde seu pé machucado estava e num sorriso bem regozijador vendo ele prender a respiração acenando que ‘não’ puxei a mesa de uma vez.

Ele tentou segurar a perna sem êxito, o pé bateu no chão e pela expressão facial que fez havia doído horrores. Só me restou sorrir ouvindo o Michael murmurar inúmeros palavrões – alguns que eu nem conhecia.

— Ah, desculpa... Machucou o pesinho? — Perguntei com um timbre de voz bem infantil dando um passo a frente. — Quer que eu ligue para sua namorada? — Ele rangeu os dentes entortando o rosto de raiva e dor.

— Sophieee... — Coloquei a mão na boca.

— Ah é, acho melhor não né? Vai que garota nega que conhece alguém aqui, chama a policia e denuncia todo mundo por sequestro?! — Ele riu... Eu debochei dele... E ele riu. Aquilo me desarmou na hora, por que eu não entendi a razão da graça. Eu caçoei dele, bati o pé dele no chão, supostamente deveria me odiar ou fazer uma cena me repudiando, só que de rente nem raiva sentia mais.

— Que linguinha ácida... — Retrucou entre risos. Eu fiquei tão chocada naquele momento que apenas consegui erguer o queixo e sair de perto dele.

Antes de chegar às escadas, a confusão na minha cabeça me fez girar e dar uma última espiada me deixando uma duvida... Por que ele não ficou ofendido? O assunto era delicado, a namorada dele praticamente o traiu era para ele estar nervoso ou tristonho, entretanto, nem abalado parecia.

Por fim fiquei com raiva de mim por estar mais uma vez entrando em conflito pelo que se passava na cabeça do Michael.

[...]

Tsunami e furacão voltaram à tona! E os barulhos deles tornaram a alegra a casa da minha madrinha, como era bom ouvir as risadas dos dois ecoando para todo lado.

— Atenção família!!! — Berrou Gabrielle ao descer para o jantar.

Todos nós voltamos nosso olhar para ela que estava na porta da cozinha... Nua. Minha nossa...

— Sophie disse que eu deveria me vestir de modo que eu me sentisse bem, sem me importar com o que os outros digam... EU gosto de ficar pelada! Então vou virar nudista! — De repente dos olhares espantados para ela todos me fitaram. Sorri sem graça sem saber o que dizer.

— Não foi bem isso que eu quis dizer... — Retruquei em timbre de desculpas, enquanto a louca da minha prima se sentava pelada na cadeira. Tudo bem que ela era uma criança, lisa como uma tabua e sem nenhum traço de hormônios fazendo efeito no corpo, ainda sim era... Constrangedor.

— Gaby vá vestir uma roupa! — Ordenou minha madrinha. — Pode vestir o que quiser, mas TEM que vestir! — Pegou no braço da pequena arrastando para o quarto.

— Mas mãeee eu gosto de ficar pelada, eu não suporto calcinhas, elas entram no bumbum e incomodam! — A ouvimos choramingar enquanto subia.

Só nos restou rir durante o jantar todo.

Notas finais
Até o próximo! E Feliz Natal a todos o/