Especial Inner Beauty

2 Capitulo Dois - Doze


Notas iniciais
Olááááá! Nossa gente eu quase chorei lendo os comentários de vocês, tipo, eu achei que ia estar todo mundo de mau de mim e iam se vingar não comentando kkkkkkkk Sério, muito obrigada a todas pelos lindos reviews, eles realmente me motivaram *__* Bom, vamos ao que interessa né? Ninguém veio aqui pelo drama da autora e sim pela ruivinha e o primo idiota dela. ¬¬' Boa leitura e perdoem os erros - eu reli o capitulo 1 e fiquei envergonhada pelos erros, depois eu vou consertar tudinho lá viu?! xD

A escola sempre foi um lugar complicado para mim, principalmente por que eu acho que nunca fui alguém fácil de lidar. Eu era tão tímida que isso refletia na minha forma de falar que para muitos era quase inaudível, eu abaixa a cabeça com muita frequência, não sabia jogar nenhum jogo de gosto comum das outras crianças e o que geralmente me agradava era sempre desconhecido pelos demais.

Entendi desde cedo que tudo que eu falava soava confuso para as crianças da minha idade, tudo que eu gostava dava um certo medo neles e só a menção de Dr. Who fazia com que me olhassem como se eu falasse em outro idioma – embora as vezes eu resmungasse em francês.

Então eu contava os dias para as festas em família na casa da madrinha Eloise. O padrinho me olhava terno para cada palavra que eu mencionava, a madrinha me paparicava e me fazia rir como nunca e tinha o Michael que eu do fundo do coração esperava ansiosa para ele ter saído daquela fase estranha do ano passado.

Também tinha a prima Gaby que me olhava como se eu fosse à pessoa mais inteligente e legal do mundo, e o Logan que não era meu primo, mas era carrapato da Gaby e parecia sempre empolgado com qualquer animal que aparecesse.

Havia vários outros parentes por lá, mas esses eram os que mais me importavam.

— Gabrielle! Eu acabei de arrumar esse quarto e olha o estado dele! — Brigou minha madrinha me ajudando a subir com a minha mochila. Não consegui esconder a decepção no meu olhar ao perceber que Michael continuava o mesmo idiota do ano passado.

— Foi o Logan! — Se defendeu ela embaixo do garoto no chão segurando os braços dele para trás.

— EU??? Foi você que me atacou! — Resmungou ele entre gemidos.

— Tratem os dois de arrumar esse quarto! A prima Sophie vai dormir aonde com essa bagunça? — Os dois se soltaram e vieram no meu rumo.

— SOPHIE!!! — Gritou a pequena com alguns dentes da frente faltando. — Você trouxe a Indila? — Neguei suavemente com a cabeça um tanto... Eu não sei dizer... Acho que ouvir que alguém além de mim se importava com a Indila me fez sentir um pequeno calor no peito de felicidade.

— Achei melhor não, ela não gosta de viajar... — Respondi sem jeito. Era mentira. Eu não havia trazido a Indila por que pensei que minhas chances de tornar a ficar perto do Michael aumentariam, o que foi um tremendo erro.

— Awn... — Ela fez um bico contrariado quando o garoto do mesmo tamanho que ela se colocou ao seu lado.

— Sophie! Advinha?! — Questionou animado. — Eu ganhei uma piscina! — Gaby deu um murro no ombro dele nervosa.

Nós ganhamos! — Ele retornou uma careta.

— É, é, é! O que importa é que no domingo a madrinha vai montar para gente brincar! — Terminou de contar mais animado.

— Uma piscina? — Perguntei forçando um sorriso. Ambos afirmaram alegres e diante a felicidade deles eu tentei me convencer de que mesmo sem o Michael esse ano até poderia ser bom.

E quem sabe? Vai que aquele tal ‘tempo’ finalmente ocorresse?

Bom, já estava claro que era uma esperança arruinada, a única coisa que realmente mudou no Michael naquele ano foi a namorada, da garota com o cabelo roxo – que a Gaby apelidou de uva podre – ele trocou por uma tal de Anastacia que recebeu um apelido carinhoso da nossa parte de ‘dona risadinha’.

Ela não era tão mal humorada como a outra, mas tinha um senso de humor estranho que a fazia rir de coisas tão idiotas que cheguei a me perguntar se ela era mesmo feliz ou aquilo era um sinal de desespero. Mas o Michael não passava muito tempo conosco, às vezes se sentava perto da gente na sala com a namorada, trocava risos e comentários irrelevantes sobre eu e os meninos e por fim subia para o quarto ou saia de casa com a dona risadinha.

Aquele definitivamente... Não era o meu Michael.

Claro, eu não quis acreditar a primeiro momento, era algo muito amargo para se engolir de uma vez só... De repente o seu herói se converteu num garoto bobo de meias palavras que ignorava tudo ao seu redor por necessidade física afetiva.

Porém, o acaso quis me dar uma lição sobre a realidade. Numa noite quando bebi mais suco que deveria e fui mais ao banheiro do que o de costume a professora realidade me chamou para uma aula extra noturna sobre a vida e a verdade imutável irônica... Tudo muda.

— Pai! — A voz dele simplesmente me hipnotizou e me fez seguir até as escadarias e me senta no topo da escada ouvindo uma conversar que não deveria. Nem sei por que realmente fiz aquilo, talvez eu quisesse entender por que ele tinha mudado tanto e achei que as escondidas teria respostas.

— Michael o que você quer eu faça? — Revidou meu padrinho áspero. — Custa realmente tirar uma hora do seu dia para ficar perto da sua prima? — Arregalei os olhos sentindo o peito arder. Estavam falando sobre mim, estávamos mesmo falando sobre mim e isso me fez levantar surpresa. — Ela vem uma vez no ano, criatura! Sua mãe só quer que você de um pouco de atenção a ela...

— Uma vez no ano? Ela vem três vezes no ano, não, quatro ou cinco... Eu não sei, só sei que já é muito! E eu não quero pai!? É difícil entender que eu tenho coisas melhores para fazer do que aguentar criancice dela? E ela está se divertindo com a pirralha e o grude do Logan, essa insistência da minha mãe querendo me obrigar a isso está passando dos limites! — Minha respiração travou, tapei a boca abafando qualquer som que pudesse sair sem acreditar no que eu tinha acabado de ouvir.

Meu padrinho na certa me defendeu e brigou com Michael pela forma como ele disse aquilo, só que eu não sei, não fiquei para escutar o final da conversa, não por que não queria saber até onde eles foram com isso, mas não ia conseguir segurar o choro.

Abafei as lágrimas com o travesseiro, embora não tenha surtido muito efeito, Gabrielle levantou da cama sonolenta enquanto o amigo dela roncava como se não houvesse noite que aplacasse o sono. Sem dizer nada aos bocejos ela deitou em cima de mim num abraço apertado dormindo em seguida... Naquele dia eu achei que ela fosse sonambula, mas alguns anos depois descobri que Gabrielle era exatamente como a madrinha a descrevia... Um presente surpresa do céu.

É como se ela soubesse direitinho quando alguém precisava dela, e foi com ela em cima de mim que decidi seguir as ordens do meu orgulho ferido e esquecer que um dia eu cultivei um carinho tão grande por aquele imbecil de baixa estatura.

O problema de tudo isso é que o orgulho é um conselheiro intenso e rancoroso, se você deixar aos poucos ele te domina e te faz fazer escolhas pelas quais tornam a vida muito mais difícil do que ela já é.

Mas eu tinha doze anos e nenhum conhecimento sobre as consequências das minhas escolhas.

Eu escolhi, por orgulho, transformar em ódio tudo que um dia foi amor quando o assunto era Michael.

[...]

Alguns dias se passaram, a dor nem tanto, porém eu conseguia ignorar em companhia das crianças, elas tinham uma alegria incansável própria que era impossível ignorar e se deprimir.

A sorte nos dados me favoreciam, porém mesmo eu ganhando aqueles dois simplesmente não se importavam, para eles o que valia era sair um na frente do outro, quem derrubava o outro tinha o direito de se gabar durante o dia inteiro.

Gaby e Logan tinham um jeito cômico de se gostarem e bastante incomum. Eles brigavam verbalmente e fisicamente 50% do tempo, 45% eles se dedicavam para rir, quebrar coisas para rir ou fazer o outro rir, 4% estavam discutindo sobre algo que consideravam sério – como o que era mais gostoso, Nutella ou brigadeiro – e os 1% sobrando eles prestavam atenção e obedeciam os adultos.

Eles eram tão próximos e passavam tanto tempo juntos que conseguiam se comunicar com os olhos e gestos sutis que ninguém mais compreendia. Passei a notar que essa era uma das razões pela qual Michael evitava ficar perto deles, de algum modo incomodava ele ver que a irmã mais nova preferia mil vezes passar tempo com Logan do que com ele.

Resultado que acreditei ser culpa das ações dele, na certa Michael ignorou ela como fez comigo e ela encontrou outra pessoa com quem se apegar – eu deveria fazer o mesmo.

— Oh monopoly?! E você sabe contar narigudo? — Perguntou Michael se aproximando com a dona risadinha que para variar riu. Logan mostrou a língua para ele.

— Sabe não, Logan é burro... — Ele fez um bico nervoso quando Gaby caçoou.

— Não sou não!!! Eu sei contar! — Ela tornou a rir.

— Você só sabe contar nos dedos, acabou os dedos, acabou a conta! — Respirei fundo, apesar das piadinhas, a presença dele me incomodava. Gaby jogou os dados e de vingança Logan pegou um deles antes que ela pudesse ver o número e foi aí que a briga deles deixou de ser verbal para ser física.

— Vocês dois... Parem com isso... — Tentei acalmar os nervos deles inutilmente quando Michael se sentou na cadeira ao meu lado me dando um pequeno susto.

— Coloca mais dois, vamos entrar no jogo também! — Anunciou empolgado o que causou um sentimento reverso em mim. Segurei a língua para não acabar dizendo algo como ‘ não era você que não queria ficar perto da gente?’, mas o que saiu teve mais classe e sensatez.

— Não. Já começamos há um tempo. — Revidei fria enquanto Gaby continuava socando Logan para ele devolver o dado, acho que devido ao barulho dos dois Michael nem notou que eu realmente não queria ele no jogo, afinal insistiu.

— Começa de novo! Quanto mais gente melhor, não é? Senta aqui, Ana! — Quase gritei um ‘Senta não Ana!’, mas puxou outra cadeira para a risadinha que riu em resposta. Isso me incomodou mais do que eu queria admitir, tentei com força segurar e puxei o ar e o soprei numa tentativa de me acalmar. O fitei séria.

— Por que você não vai fazer coisas da sua idade? Com gente da sua idade? — Se virou para mim num sorriso torto sem entender.

— Hun?! Ficou doida? — Foi então que a sensatez deu vez ao orgulho junto às lembranças doloridas e frescas na minha cabeça e acabei fazendo das palavras dele as minhas sem me importar com as consequências.

— Você deve ter coisa melhor para fazer Michael do que aguentar criancice nossa, não acha? Estamos nos divertindo, vá fazer alguma coisa adulta para lá... — Como eu disse... O orgulho ainda mais ferido nos domina e acaba falando no nosso lugar.

O sorriso dele morreu dando lugar a um semblante perplexo quase me perguntando quem eu era, o que foi um alivio pensar que os hormônios excessivos da puberdade não haviam afetado completamente o intelecto dele ao ponto de não conectar minhas palavras as que um dia ele se referiu a mim – que não faz tanto tempo para ter se esquecido.

Preciso dizer... Eu não me arrependo de ter dito isso ao Michael, me arrependo de ter falado isso em voz alta, de forma rude e rancorosa na frente de pessoas que não precisavam ouvir, ao me virar e ver que meus padrinhos que eu tanto gostava me olhavam como se eu fosse um cachorrinho que acabou de morder o próprio dono me partiu o coração.

Havia uma mistura de sentimentos em seus olhares, culpa, tristeza, pena e a pior de todas... Decepção. Eu acreditei que aquele olhar fosse para mim, então meu peito se apertou e eu já não me sentia tão bem assim naquela casa.

Mais uma vez deixei o orgulho ferido no comando. O orgulho ergueu meu queixo, me fez puxar o ar com superioridade e me levantar sob o silêncio de todos.

— Eu não vou brincar mais... — Falei para os dois que já não brigavam mais apenas me encaram surpresos.

Ah como a Indila me fez falta naquele momento, ela estaria nos meus braços para me dar força agora.

Só que não demorou muito enquanto caminhava rumo ao quarto da Gaby para o tsunami e o furacão virem atrás de mim em apoio com sorrisos acolhedores.

Eu percebi naquele instante que não tinha nada de vergonhoso como Michael tratava em ser criança... Crianças são puras, crianças amam sem preceito, perdoam sem se importar com culpados, elas sorriem sem precisar de um motivo e isso... É incrível.

Mas me entristeci de certa forma, pois foi quando notei que se crianças são assim, então eu tinha deixado de ser uma.

[...]

Queria dizer que o arrependimento bateu no coração do Michael, ele refletiu sobre suas palavras e num ato de hombridade – estou sendo dramática, sei disso – ele se desculpou comigo e voltamos a ser amigos como um dia fomos no passado.

Mas a realidade nem de longe foi assim.

Acho que ele também começou a dar ouvidos ao orgulho, seguiu o bom senso e na certa levou uma bronca tão grande dos meus padrinhos que passou a ignorar de vez nossa presença. As típicas paradinhas para ver como estávamos já não aconteciam mais, os comentários curtos e irrelevantes já nem eram feitos e dedicou seu tempo – agora sem qualquer obrigação de compartilhar com as ‘crianças’ – inteiramente aos amigos de fora e a dona risadinha – que curiosamente já não ria tanto perto da gente.

Às vezes eu sentia uma vontade enorme de soltar um comentário maldoso do tipo ‘você não faz falta aqui salva vidas de aquário’ ou ‘já vai cedo lenhador de bonsai’, mas o olhar dos meus padrinhos daquele dia ainda estava vivo na minha mente e a última coisa que eu queria era receber de novo.

Então a atitude mais sensata e nobre foi trata-lo com mesma indiferença que ele me tratava.

— Oi meu bem... — Dei um pulo no susto ao ouvir a voz atrás de mim. Eu estava sentada quieta na cadeira branca de madeira assistindo Gaby e Logan tentarem se afogar na piscina de plástico quando minha madrinha apareceu do nada num sorriso largo. — ...Te assustei? — Sorri timidamente afirmando voltando a me sentar.

— Eles vão se machucar... — Comentei baixinho vendo os dois escorregarem da piscina para a grama ao risos. Ela apenas riu.

— É, e com certeza vão adorar se deixar cicatriz. — Se tratando da tsunami e do furacão a brincadeira deles só é válida se deixar estragos. — Eu já contei a você que cresci no meio de quatro irmãos? — Sim, ela costumava falar isso o tempo todo sempre que fazia algo esquisito aos olhos dos outros. Porém neguei levemente. — Pois é... Chegou uma época, entre um período e outro que os quatro estavam na fase punheteira... — Obviamente fiz careta sem entender.

— Punhe... O quê? — Ela fez uma expressão de quem estava encrencada.

— Ooh! Seus pais não te explicaram sobre... — Girou o rosto no rumo da minha mãe que não tinha percebido a gente ali conversando. — ...Érrr... Esquece essa parte! Eu não te ensinei essa palavra, ok?! — Mesmo confusa assenti. — ...O que eu quero dizer é que nesse período os quatro estava na mesma fase que o Michael...

— Punheteira...

— Não...! — Tapou minha boca desesperada olhando para trás vendo se minha mãe ou meu pai tinham me ouvido. — ...Não repete essa palavra, esquece essa palavra pelo amor de Deus! Só fale ela se algum dia seus pais chegarem a falar sobre ela ou jogue a culpa em algum colega de sala, tudo bem? — Pediu rapidamente com um sorriso sem graça e apavorada.

— Uhum... — Concordei mais perdida ainda.

— O caso é que os quatro estavam como o Michael! Pensa que terror?! Os quatro dizendo que eu não poderia ficar perto deles por que eu era criança demais ou eu era menina demais! De repente um bando de garotas peitudas com as pernas abertas era mais importante do que irmã caçula deles... — Eu tenho quase certeza que nesse ponto ela esqueceu que estava falando comigo. — ...Eles não podiam ter feito aquilo comigo! Eu era irmã deles!!! Tinha sangue, DNA, passamos todos pelo mesmo buraco na hora de nascer e de repente eles decidem que EU não era suficientemente crescida para ficar perto dele? Me tiraram... Do time... — Contou emocionada quase chorando e eu mal conseguia manter a boca fechada de espanto. — ...Colocaram uma garota burra de peito grande igual a sua mãe... — Ela bateu o pé no chão rosnando. — ...Me trocaram por sexo barato! Mas quer saber?! Um dia eu encontrei o Dillan e troquei todos por sexo e um dia você também vai fazer isso!!! — Apontou para minha cara que não poderia estar mais assustada e confusa. A raiva dela pelos irmãos passou num segundo e deu lugar ao desespero. Colocou a mão na boca dando uma rápida olhada para os meus pais ao longe que não percebiam nada. — ...Quer saber meu bem? Esquece o que a madrinha disse... E... Não conte... A ninguém. — Pigarreou sem graça.

Para a sorte dela... Eu não entendi nada. Podia ter doze anos, mas aquele tipo de conversa era novo para mim, meus pais não falavam sobre esse assunto comigo e eu não tinha nenhum interesse e ler sobre o assunto até então.

Mas eu entendi algo ali... Todos os garotos passam por aquela metamorfose estupida.

E ao que tudo indicava era a vez do Michael, entretanto não entrava na minha cabeça que por mais que a fase fosse complicada ele não tinha por que me tratar como se eu estivesse errada.

Por isso tudo ficou na mesma, eu detestando o Michael e ele me evitando.

[...]

Notas finais
Eloise... Anos se passam e ela não muda, né?! Vou ser rápida aqui, amanhã provavelmente eu posto dois capitulos! Não é certeza, mas eu vou tentar (um é garantido) Abraços!! o/