Especial Inner Beauty
19 Capitulo Dezoito - Final de Ano V
Notas iniciais
Final de Ano
Parte V
Não faço ideia de quantas horas dormi naquela noite. Porém, o fato de acordar toda desleixada pela cama, meus cabelos estarem lá em cima e me encontrar tentando entender onde eu estava sugeriram que dormi demais. O que era plausível, diante as atividades exercidas altas horas da noite no dia anterior.
Sentei na cama e senti um leve dolorido nas partes de baixo, o que me fez questionar se seria assim todas as vezes. Nós ficamos uma vez e doía por três – ou ao menos eu imaginava que sim.
— Michael? — O chamei sonolenta e ao não ter resposta procurei um relógio entre as minhas coisas. Já passavam das dez. — Não acredito que ele foi tomar café sem mim... — Resmunguei me levantando indo para o banheiro.
Ao invés de apenas escovar os dentes e lavar o rosto, resolvi que um bom banho quente poderia ajudar no meu ‘desconforto’ na área inferior do meu corpo. Amarrei os cabelos, tirei a roupa, coloquei pasta dental na escova e marchei para o box entre bocejos.
De repente me peguei sorrindo para com os olhos fixos na pia com as cenas nada inocentes que aconteceram ali. Admito que apesar da consequência do ato, como um todo tudo aquilo foi extremamente gratificante.
Balancei a cabeça afastando as bobeiras da mente, peguei a escova de dentes e comecei a escovar os dentes enquanto a água caía bem quente nas minhas costas.
— Sophieee! — Cantarolou meu nome e entrei em pânico. Primeiro por que deixei a porta do banheiro aberta, segundo por que não fazia ideia do que dizer quando o encontrasse. — Soph... — Fechei a porta do box com força o que fez um estrondo – era transparente e não adiantava em nada – tirando a escova da boca.
— Estou tomando banho! — Gritei com a pele rosada, tanto pelo calor da água quanto timidez.
— Uhhh! — E não deu em outra, ele já tinha entrado no banheiro e se podia ouvir claramente os risinhos empolgados dele. — Posso...
— Não! De jeito nenhum! Você não vai tomar banho comigo! — Segurei a porta assim que vi o embaçado dele se aproximar.
— Ahhh qual é? Já passamos da fase de ter vergonha Sophie! Deixa eu entrar, vai?! — Pediu num timbre quase implorando.
— Não! Você vai entrar e vai querer fazer coisas comigo, só que eu não estou disposta a isso no momento. Além do mais, está de dia! — Ouvi rir tentando limpar o embaçado do vidro do box para me ver.
— E quem disse que tem hora para isso?
— Ainda assim... Eu só quero tomar um banho quente e relaxante. — Retruquei.
— Ah! Eu também! Estou tão cansado, que você nem imagina! — Semicerrei os olhos desconfiada. Ele usou um tom de voz exagerado de propósito. — Acordei seis horas e fui levar sua roupa na lavanderia, e apesar da sua saia ter se salvado, sua blusa sexy foi para o ralo. Mas eu não podia deixar minha bela namorada com uma blusa a menos na mala, então fiquei batendo perna durante um bom tempo no shopping até encontrar algo que batia com você. Depois corri para o restaurante do hotel para pegar café da manhã para gente e eles não queriam me deixar trazer para o quarto, então passei mais um bom tempo enrolando um dos gerentes para ele deixar. Felizmente engoliu a história de que você bebeu demais ontem e está de ressaca hoje e por isso não consegue descer para o café. — Arregalei os olhos perplexa e furiosa. Abri a porta do box querendo o esganar.
— Disse ao gerente do hotel que fiquei bêbada ontem e não consegui levantar hoje?! — Questionei com incredulidade e ele sorriu.
— Tem café quentinho nos esperando graças a isso! — Antes não tivesse aberto a porta por que assim que ia fechar ele já pulou para dentro com roupa e tudo.
— Nãooo! — Escondi os seios com os braços virando de costas. — Nós não vamos fazer nada! — E quem disse que ele ouviu? Tirou a roupa e jogou por cima do box.
— Puta que pariu! A gente vai ser cozinhado aqui dentro... — Dei um tapa na mão dele assim que tentou mudar a regulagem da temperatura da água.
— Água quente relaxa os músculos. — Pronto. Meu coração voltar a perder o ritmo, ele estava atrás de mim sem absolutamente nada. — Não! — Pulei para frente assim que tocou meus ombros já encostando com a parede sem ter para onde fugir. Ele sorriu largo se aproximando com a ducha o molhando.
— Sophie eu não sou burro, ok?! Eu percebi, e não vou fazer nada para piorar a situação. — Muito corada fingi que não sabia do que estava falando.
— Percebeu o quê? — Se aproximou oferecendo a mão.
— Vem cá, eu sei como aliviar... — Quase perguntei: “Sabe como se você não tem um órgão feminino no meio das pernas?”. Só que não esperou que eu reagisse para continuar com as mãos nos meus ombros.
Me trouxe para mais perto de si até que ficássemos abraçados comigo de costas para ele. A intenção de não molhar o cabelo já era, embora eu nem tenha lembrado – ou me importado – disso na hora. Suas mãos pressionaram meus ombros indo e voltando na região do pescoço numa massagem lenta somada com a água quente que me fez suspirar de satisfação. A fricção não permaneceu num só lugar e senti seus dedos se moverem para a zona das minhas costas apertando não muito forte e deslizando os dedos para área da frente.
Soltei um gemido involuntário um tanto contrariado ao sentir a massagem atingir meus seios.
— Vo-você disse... — Tentei impor sem nenhuma firmeza, mas fui interrompida.
— Shhh... — Sussurrou com um beijo na minha orelha. Engoli em seco desistindo por completo de intervir no que quer que fosse acontecer. Ainda que a dor viesse depois, aquela sensação a superava com vigor.
Então apenas me aconcheguei contra ele sentindo o toque lento e rígido sobre meu busto, até mesmo parei de ficar segurando os sons vergonhosos que emitia simplesmente aproveitando enquanto podia.
Logo suas mãos desceram ainda mais o que não me agradou e virei o rosto nervosa, antes que eu pudesse dizer algo ele já se pronunciou.
— Quietinha... — Disse assim que suas mãos desceram mais e rodearam meu corpo acariciando rapidamente a parte de trás retornando a abaixo do ventre no qual pareceu que era sua intenção desde o início.
Eu compreendi o que uma das mãos fazia na minha cintura me apertando contra ele quando a outra se afundou no meu íntimo. Parei de respirar por uns instantes e minhas pernas bambearam de imediato. Se ele não tivesse me segurando eu teria escorregado estragando todo o encanto daquele instante.
Achei que aquilo não demoraria e logo estaríamos na cama novamente. No entanto, massageou com delicadeza a zona sensível que apesar de continuar um pouco dolorida sentir a água quente junto com sua caricia me fez esquecer até mesmo disso.
— Quer se apoiar em mim...? — Ele perguntou quando quase desequilibrei entre uma onda de prazer e outra. Eu não consegui responder com palavras, apenas assenti com a cabeça soltando o ar preso nos pulmões.
Michael retirou a mão para o meu desagrado e com calma me virou de frente para si. Eu não pensei duas vezes antes de enlaçar seu pescoço e beijá-lo com desespero faminto. Com a água escorrendo sobre nós fiquei me perguntando por que não tínhamos feito isso antes.
E mesmo durante o beijo isso não impediu a mão ousada do Michael de continuar sua missão de ‘aliviar’ não sei o que para mim – Eu sentia muitas coisas, mas alivio certamente não era uma delas. Não protestei, aquilo era indescritivelmente magnifico, ainda que quando dois de seus dedos invadiram meu intimo eu sentisse uma pequena dor que era esquecida com o calor do momento.
E sua caricia não parou até que eu aproveitasse o máximo de sua exploração. Depois, ele tomou um banho gelado sozinho – com risco de sofrer um choque térmico –, eu disse que não tinha problema se nós continuássemos, no entanto, alegou que aquele era um bônus que me daria pela noite anterior.
Quando o chuveiro foi desligado eu estava com um sorriso bobo e um tanto molenga penteando os cabelos em cima da cama.
— Está melhor? — Perguntou ao sair do banheiro de bermuda e descalço. Com o rosto vermelho acenei que sim. Ele pegou um copo de café e fez a maior careta depois de beber um gole. — Argh! Está gelado...! — Resmungou.
— Podíamos ter tomado café antes de... — Fiquei roxa e pensei no eufemismo que ele geralmente usava. — ...Brincar... — Ele deu uma gargalhada negando.
— E perder o melhor banho matinal que já tomei na vida? Embora a água quase me torrou. Vamos combinar de na próxima vez fazer numa temperatura ao menos morna, tá bem? — Se aproximou tirando uma mexa do meu cabelo da frente do rosto e levando para de trás da orelha. — Ainda doí...? — Mordi os lábios negando.
— Não muito, talvez mais tarde... Umas sessões a mais possa ajudar. — Falei baixinho ouvindo ele rir malicioso.
— E você acha que... — Ele foi interrompido por uma batida ruidosa na porta do quarto.
— Está esperando alguém? — Me fitou confuso negando.
— Não, não pedi nada... — Caminhou até a porta com cautela e abrindo a.
Em seguida um som de soco e Michael indo direto para o chão. Pulei da cama assustada para ver a figura que o tinha machucado e não sabia onde enfiar a cara ao perceber que eram duas figuras que eu conhecia muito bem.
— Madrinha! — Ela entrou cuspindo de raiva avançando em cima do Michael que já se recompôs e correu para o outro canto do quarto.
— Eu TE MATO moleque!!! — Gritou tentando pegá-lo sem muito hesito.
— Olha o barraco Eloise... — Murmurou o padrinho fechando a porta atrás de si.
— Calma MÃE! Para que isso? — Eu não sabia como agir diante a cena da madrinha enchendo o Michael de tapas bem estalados nas costas.
— Para quê? Para quê???!!! E você ainda pergunta?! — Nesse instante ela se virou para mim e seus lábios começaram a tremer como quem ia chorar. E no mesmo momento já mudou de humor com ódio nos olhos tentando acertar socos no Michael que escapava de uns, mas era acertado uma vez ou outra. — VOCÊ DORMIU COM ELA!? — Era evidentemente que se tratava de uma pergunta retorica. Só então me liguei que estava usando apenas a parte de cima do pijama e uma calcinha.
Tentei puxar o blusa do pijama para baixo e esconder um pouco, porém foi um tanto inútil.
— COMO PÔDE FAZER ISSO? — Berrou histérica.
— TÁ LEGAL! CHEGA! — Revidou Michael nervoso. — Também não é para tanto mãe?!
— É claro que é! Estamos falando da SOPHIE! Ela é sua prima criatura, minha afilhada! — Nessa hora eu tive que intervir.
— Mas a culpa não é só dele madrinha, eu quis vir. — A madrinha me encarou e depois para o Michael e por fim no padrinho que assistia tudo com um certo divertimento.
— Veste uma roupa menina, vocês dois vão me escutar. — Fervendo o rosto de vergonha peguei uma roupa descente na mala e corri para o banheiro.
Meu coração estava acelerado, agora eu entendia por que ele não tinha contado nada a madrinha. Quando terminei, retornei e Michael já tinha levado uma prensa ficando sentado na cama. Ela me colocou ao lado dele e batendo o pé nervoso no chão começou.
— Vocês dois perderam o juízo? O que aconteceu nesses seis meses morando juntos para terem a brilhante ideia de que seria uma boa se envolverem? Esqueceram que estão na mesma família? Esqueceram que ambos são Taylor? — Perguntou muito alterada.
— Você me disse que não ia contar para ela! — Disse o Michael se virando para o padrinho que cruzou os braços nervoso.
— Você me disse que ia esperar até ter certeza. — Retrucou nem um pouco contente.
— Eu te fiz uma pergunta! — A madrinha bateu na perna do Michael chamando sua atenção. Inquieto ele voltou se para ela.
— Você fez um monte de pergunta, eu nem lembro da primeira! — Isso deixou ela vermelha de raiva. Caramba, como eles são diferentes dos meus pais.
— Pelo amor de Deus, Michael, ela é uma menina ainda... — Franzi o nariz não gostando de ouvir a madrinha dizer aquilo.
— Não foi isso que a senhora disse quando minha mãe contou sobre o que eu ia fazer com o James depois do baile. — Minha madrinha me encarou horrorizada, e confesso que entendo já que nunca antes tinha contestado ela.
— A situação é diferente, meu amor. Vocês são primos! — Rebateu ela como se fosse obvio.
— De segundo grau! E está sendo hipócrita, por que quando eu te contei que a Drica queria sair comigo a senhora disse que não se importava, e ela é prima de PRIMEIRO grau! — Revidou ao meu lado.
— Não foi bem assim, eu disse que não me importava por que sabia que você não ia sair com ela e que provavelmente se eu dissesse para não sair, você sairia só de pirraça. — Se defendeu. — E a Drica é da sua idade!
— Meu pai é três anos mais novo que a minha mãe, assim como eu e o Michael. — Debati e ela respirou fundo.
— Dillan me ajuda aqui! — O padrinho se aproximou.
— Vocês pararam para pensar nas consequências? Pensem no clima tenso que vai ficar entre as famílias acaso isso não dê certo. Por isso eu te pedi para esperar Michael, para você ter certeza. Por que esse não é um relacionamento como os demais que já teve, não pode nem sonhar em simplesmente terminar com a Sophie quando der vontade...
— Se fizer isso te mato de vez garoto! — Minha tia interrompeu. Michael se mantinha cabisbaixo refletindo. Percebi que o problema maior ali se tratava de mim.
— Padrinho e madrinha... — Chamei a atenção dos dois. — ...Eu cresci perto do Michael, conheço a maioria dos defeitos dele, principalmente sua instabilidade emocional e sabia perfeitamente onde estava pisando quando dei liberdade para algo mais acontecer. Acham que eu não sei dos riscos? De no ano que vem ele ter se arrependido, de que com o tempo ele pode mudar de ideia e eu acabar sozinha nessa história? Eu sei disso. — Me virei para madrinha. — Você perguntou o que aconteceu nesses seis meses que moramos juntos que mudou entre nós... Bom, eu parei de tentar fingir que não sinto nada por ele. Eu não sei quanto tempo vai durar, mas no meu caso o pouco que seja já significa muito. Eu amo o Michael, acho que sempre amei. — Eles me fitaram sem saber o que dizer.
— Nossa... Valeu pela confiança. — Resmungou do meu lado.
— Cala boca, Michael! — Brigou a madrinha. — Você teve mil e uma enrabichadas e não está em posição de exigir que pensemos o melhor da sua pessoa! — Ele abriu a boca perplexo.
— E a senhora Dona Eloise?! Pelo que meus tios contam tem uma listinha tão grande como a minha e ninguém dúvida que sente algo pelo meu pai! — Atacou a madrinha.
— Eu dei minha virgindade para ao seu pai, me declarei num estádio imenso e fiquei careca por amor! Eu me redimi e provei! — Ele abriu a boca para refutar, mas não tinha argumentos. O padrinho parecia envergonhado.
— Menos Eloise... — Murmurou rindo. A madrinha continuou.
— E quanto ao seu pai Sophie, você sabe que vai surtar quanto sonhar que o Michael trouxe você para cá só para isso...
— Não foi só para isso! — O Michael interveio bem nervoso. — Que merda! Se eu quisesse só transar com a Sophie eu não teria me dado ao trabalho de vir para cá! Engraçado, né? Quando você fica obcecada em ter um jantar romântico com o meu pai para transar com ele é prova de amor, agora eu resolvo fazer algo legal para ficar com Sophie é só o Michael com más intenções! — Ele estava evidentemente com raiva de tudo aquilo.
— Engraçado mesmo, né Michael? Será que é por que eu sou casada com seu pai, criatura? Será que é por que você nunca levou ninguém a sério? Será que não é por que é mais velho que a Sophie e sabendo que ela sempre gostou de você acabou usando isso para seduzir a menina? — Michael semicerrou os olhos diante a mãe.
— Sophie! Eu alguma vez instiguei você a me beijar? — Olhei para ele e depois para madrinha.
— Bêbado conta? — Me encarou perplexo negando. — Então duas. — Arregalou os olhos.
— AHA! — A madrinha apontou para mim. — Tá vendo como eu tenho razão?
— Perai! Quando eu fiz isso Sophie??! — Mordi os lábios percebendo que era melhor ter mentido.
— No baile e na rodoviária, isso por que não estou levando em conta ás vezes que me instigou de forma indireta. — Me fitou seco.
— Não instiguei, você imaginou! — Era provável. Ainda assim não dei o braço a torcer.
— Toda vez que me pegava beijando o James fazia um comentário maldoso e se gabava de ser melhor do ele, eu imaginei isso ou era só você querendo que eu imaginasse isso? — Encolheu os ombros sem graça.
— Ok, e quem iniciou o primeiro beijo? Vai, conta para minha mãe! — A madrinha se surpreendeu ao ficar claro que fui eu. Fiquei vermelha na hora.
— Eu, mas...
— Quando eu disse para gente conversar sobre nosso envolvimento, o que você disse? — Me atropelou. Fiquei mais vermelha ainda.
— Isso não faz diferença Michael... — A mãe dele tentou intervir impaciente.
— Claro que faz! Você está falando como se eu tivesse usado a inocência da Sophie contra ela, e não foi bem assim! Sou seu filho dona Eloise, não vou negar que pensei besteira desde que comecei a me atrair por ela, só que eu não deixei isso influenciar na decisão da Sophie. — A madrinha fitou o padrinho que assentiu.
— Eloise vem cá... — Chamou o padrinho Dillan. Eles foram até a sacada da varanda e fecharam a porta para conversarem.
— Não acredito que estava tentando jogar a culpa em cima de mim! — Me virei para o Michael que parecia ainda com irado.
— Instabilidade emocional? É isso que você pensa do que eu sinto? Acha que acordei um dia e pensei: “Ah! A Sophie cresceu, acho que vou ter uma paixonite por ela! Vou investir!”. — Seu semblante estava franzido de raiva e falou num timbre tão grave que me assustei. Quando foi a última vez que ele falou comigo assim? Nunca, eu acho, ele sempre usou o sarcasmo para esconder a raiva. — Deixa eu te contar uma coisa sabidona. — Fez uma pausa para respirar. Até a respiração dele estava densa. — Para terminar com a Safira eu menti que estava interessado em outra garota, fiz isso para que ela e o Phil não se sentissem mal por mim ao ficarem juntos. Então, me envolvi com aquela garota que me denunciou para polícia, eu fiquei arrasado! Estava com a perna quebrada, um dos meus melhores amigos com garota que eu gostava, e ainda tendo que sorrir e fingir que aquilo não passou de mais uma das loucuras do Michael. — Engoli em seco, ele estava muito sério. — Jurei a mim mesmo que não iria me envolver de novo tão cedo. E não sei se você percebeu, mas não tive nenhuma namorada depois disso, não fiquei celibatário, mas não permiti sentimentos envolvidos. Se estamos aqui hoje, se eu aceitei ouvir essas broncas sabendo que elas viriam, não é por conta de um sentimento instável. Não foi algo que decidi do nada.— Abaixei o rosto encarando meus pés.
— Não sabia disso... — Murmurei baixinho.
— Não, não sabia. Não me conhece tão bem quanto pensa, aliás sei mais sobre você do que você sabe de mim. Você é mimada, arrogante, insensível, infantil, ingênua, capri...
— Chega...! — Pedi com os olhos ardendo, mordi o lábio inferior segurando o choro. Ele nunca tinha sido rude assim comigo.
— Eu te amo, droga. — Rebateu furioso. — Ao menos você tem que acreditar nisso, do contrário qual o sentido de estarmos aqui? — Ah lá se foi meu autocontrole e deixei o choro rolar solto.
— De verdade? — Perguntei fungando. E ele voltou a ser o Michael sorridente cretino de sempre. Me abraçou me dando um beijo na testa.
— Mas é...
— EU TO VENDO! — Gritou minha madrinha cortando o Michael e abrindo a porta da varanda.
Eles não conversaram por muito tempo, enquanto isso eu tentava encerrar o choro que não cessava. Limpei os olhos e me controlei quando finalmente apareceram na nossa frente decididos.
— Precisam entender que não é tão simples, os pais da Sophie não serão tão compreensivos e nem quero imaginar a discussão que isso vai dar. Somos uma única família, precisam ter certeza dessa decisão. — Alertou a madrinha séria. — Michael você é maior de idade, e nesse ano que entra Sophie também se tornará e não poderemos interferir em nada.
— Só que queremos que pensem melhor. Se até o final do ano que vem ainda nós disserem que sentem o mesmo, eu e a Eloise estamos dispostos a apoiar vocês, antes disso estão por conta própria. — Completou o padrinho bem sério.
— O que significa Michael que vai enfrentar o Gasnier sozinho. — Percebi ele engolir seco.
— O que exatamente estão propondo? — Eu também tinha me perdido.
— Que esperem até o final do ano que vem para namorarem. Até lá quero uma distância visível de ambos.— Respondeu a madrinha. Eu não gostei disso.
— Pode ser. — Mirei o Michael horrorizada.
— O quê? Não! — Ele me lançou um olhar que não entendi.
— A gente ainda vai manter contato Sophie, só não vamos ser óbvios, né? — Fiz um bico enorme. Eu ia dizer algo para contestar quando meu estomago roncou vergonhosamente alto. Os três olharam para mim.
— Eu não tomei café ainda... — Disse sem graça.
— Nós não tomamos, também estou com fome.
— Nem a gente! Por que não almoçamos? A essa hora duvido que encontremos café. — Replicou o padrinho sorrindo.
— Ótimo! Por que a última coisa que preciso e de vocês dois desmaiando. — Pensei em contar a ela que o Michael desmaiou, mas fez sinal de segredo.
Esperei com fervor que o Michael não estivesse falando sério. Eu não ia voltar ao posto de prima a essa altura do campeonato.
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