Especial Inner Beauty

18 Capitulo Dezessete - Final de Ano Parte IV


Notas iniciais
Amores!!! Pronto! Me desocupei e consertando os erros aqui. Primeiramente eu peço perdão aos meus atrasos, eu sei que tenho prometido e descumprido, mas essa jornada logo terá um fim e irei voltar a regularidade! Eu quero realmente agradecer a paciencia de todos - não duvido nada que uns já desistiram - e por ainda me motivarem a continuar escrevendo. Quero agradecer principalmente as leitoras que faça chuva faça sol, demora um dia, dois anos e elas continuam firme me perguntando quando vou postar! Vocês são uns amores! Se um dia eu publicar um livro ainda vou colocar em agradecimento a vocês kkkkk Um agradecimento especial a Greice Minarai pela linda recomendação e a todas pelos comentários. Olha, hj é pq não tive tempo - fiquei escrevendo o dia inteiro - mas vou responder aos comentários, eu me divirto muito com eles. Inclusive os antigos! Agradeço paciência viu?! ALERTA DE HENTAI: Quem não gosta ou não deveria ler, já fica de aviso xD Aliás os proximos vai ser recheados de hentai u.u Boa leitura e desculpem os erros!

Final de Ano

Parte IV

Acordei assustada com alguma coisa pulando em cima de mim.

— Acorda dorminhoca! — Disse a voz risonha em alto tom me apertando contra si pressionando um beijo gelado e úmido no meu pescoço.

— Aí Michael! Para! Você está molhado! — Revidei tentando me desvencilhar dele ao finalmente entender o que acontecia. Ele balançou a cabeça fazendo os cabelos úmidos respingarem sobre mim. — Nãooo!

— Levanta! Temos que compensar o dia de ontem. — Virei o rosto do rumo dele e depois notei que as cortinas estavam abertas. O sol se quer tinha nascida.

— Quantas horas? — Ele não respondeu, ao invés disso subiu em cima de mim se sentando.

— Hora de acordar! Eu já separei sua roupa, seu sapato, fui na recepção peguei um guia para turistas e fiquei sabendo que tem uma ótima cafeteria aberta por agora. — Mesmo com dificuldade por ele estar em cima de mim, peguei meu celular no criado mundo olhando o horário.

— Ahhh não! São cinco e meia da manhã! Você ficou louco? — Soltou minhas mãe e deitou o corpo sobre o meu com uma expressão desdenhosa.

— A mesma loucura sua de dormir às seis da tarde. Ontem eu fiz do seu jeito, hoje nós vamos fazer do meu! — Semicerrei os olhos o encarando.

— Um: Você é pesado, sai de cima de mim. Dois: Me acorde as sete, sua vingancinha barata não vai me tirar da cama as cinco e meia da manhã. Três: Boa noite, por que para mim ainda está de noite. — Por incrível que parecesse, depois de eu dizer aquilo ele saiu de cima de mim. Eu virei de lado e me cobri até o pescoço com o edredom ignorando aquela criatura maléfica no quarto.

Senti um movimento na cama ao meu lado e um risinho abafado de quem ia fazer alguma ‘arte’. Percebi o vento frio que passou nas minhas costas quando entrou dentro da minha coberta e um corpo se aninhar ao meu. Virei o rosto no mesmo tempo.

— O que está fazendo? — Perguntei meio assustada.

— Já que não vamos sair da cama, melhor aproveitar o momento... — Disse baixinho de forma bem sugestiva, antes que eu pudesse dizer algo uma mão deslizou num abraço pela minha barriga. Fechei os olhos acreditando que ele sossegaria e dormiria tranquilo, porém me enganei.

Aquela mão gelada se enfiou dentro do meu pijama com destino certo as regiões de cima. Tirei a mão dele no mesmo tempo me virando.

— Michael...?!

— O quê? Embaixo então? — E a mão ia descendo quando saltei da cama de uma vez.

— Ok! Ok! Você venceu! — Falei completamente vermelha. Michael suspirou se sentando.

— Own... Queria não ter vencido essa. — Fiquei mais corada ainda correndo para o banheiro.

Idiota pervertido.

Andamos pela cidade que naquela hora estava praticamente deserta, tendo só uns gatos pingados indo trabalhar, porém nenhuma loja ou estabelecimento aberto. Michael parecia atento ao guia e eis que finalmente chegamos na tal ‘ótima cafeteria’ que para minha surpresa era aquela dos meus pesadelos.

— Starbucks... — Murmurei sentindo um arrepio na espinha entrando junto a ele que nem percebeu meu horror a primeiro momento.

Não tinha quase ninguém – bem diferente daquele da minha cidade – por isso tinha cadeira e mesa de sobra. Fomos para as mesinhas de fora que tinha uma vista agradável da cidade, mas aquele símbolo verde maldito não me deixava apreciar nada disso.

— Nossa... Que cara é essa? Parece até que te trouxe para um zoológico... — Brincou trazendo o meu pedido. Eu é que não entraria naquela fila por menor que seja por nada no mundo, por isso pedi a ele que pedisse por mim e pegasse o mesmo.

— Tenho péssimas lembranças envolvendo essa franquia. — Revidei tendo outro calafrio. Não queria estragar o café da manhã servido de madrugada, em decorrer disso balancei a cabeça e espantei as recordações.

— Não podia ter me dito isso na entrada? — Perguntou.

— Não tem problema. — Assoprei minha bebida e ele voltou no balcão pegou agora o seu café com um torta. Apontei para o seu prato. — Eu não levanto daqui enquanto não te ver comendo pelo menos uns três desse! — O alertei bem séria e ele riu batendo continência.

— Sim, senhora! — Retrucou. — Veja, a gente toma o café, dá um giro rápido, retorna para o hotel, toma o café da manhã boca livre deles, e saí de barriga cheia para conhecer a cidade mais ao fundo sem preocupação. — Eu comecei a rir.

— Você é um muquirana, Michael. — Abriu a boca para contestar, mas depois pensou melhor e afirmou.

— Claro, meu dinheiro é suado, eu não tenho mesada do papai como a ‘doninha’ aqui. — Fiz um bico.

— Eu pago e você poupa seu dinheirinho suado então. — Revidei empinando o nariz, ele sorriu malicioso.

— Nós iremos acertar essa conta mais tarde. — E nisso deu uma piscadela para mim. Sorri sem jeito virando o rosto.

— Você só pensa besteira Michael. — Comentei vermelha.

Ok eu tenho que confessar, apesar de ter me acordado de madrugada e ainda que estivesse naquele lugar terrível que era o Starbucks, ficar ali... Sentada perto dele, conversando sobre qualquer coisa e o assistindo comer com saúde fez meu peito inflar. Acho que não lembro de estar tão tranquila e feliz sem qualquer preocupação já faz algum tempo.

— Vai, me conta, o que aconteceu de tão terrível, para você detestar a franquia inteira dessa cafeteria? — Perguntou já mudando o cardápio para um sanduiche – e olha que ele ainda quer ir tomar café no hotel.

— Esbarrei numa valentona, ela e o grupo dela me deram um banho de café quente por conta disso. — Contei num suspiro, não queria que o clima de ‘coitadinha da Sophie’ se manifestasse.

— A mesma valentona que te bateu? — Bater é eufemismo, eu diria espancamento, mas apenas afirmei.

— Uhum, Minerva Patel, depois do banho de café quente digamos que ela me escolheu como presa para infernizar a minha vida. — Disse relembrando daqueles dias fatídicos. — Foi bem naquela época que não fui com meus pais na sua casa. — Completei.

— É, eu lembro, sua mãe até me falou que tinha feito uns amigos e preferiu ficar por lá. — Fez uma pausa abaixando o rosto. — ...Daí no ano seguinte você me apareceu toda machucada... — Sorri sem jeito.

— Faz parte, quando a Minerva me escolheu... Perdi todos os supostos ‘amigos’ que havia feito. — Expliquei. Ao notar que ele me olhava com pena ergui o queixo rindo. — Não me olhe desse jeito, eu garanto que dei um jeito de colocar ela no seu devido lugar. — Ao ouvir isso deu uma risada levando as mãos até meus bíceps que não eram nenhum pouco musculosos.

— Com esses bracinhos finos? — Dei um tapa na mão dele rosnando.

— Com o meu cérebro! Mais efetivo e sem deixar rastro. — Ele tornou a rir jogando a cabeça para trás.

— Eu até imagino..! Aposto que levou uma das cobras do seu pai para colocar medo na menina, não é? — Me surpreendi por acertar.

— Foi uma das minhas táticas, porém houve uma sequência bem elaborada envolvendo a meia-noite. — Passou os braços em torno do meus ombros ainda sorrindo. Me deu um beijo na testa que particularmente não me agradou muito, não era irmã dele para vir com esses beijinhos fraternais.

Segurei seu rosto puxando contra o meu até uma boca estar colada na outra. E o beijo ia ganhando ritmo quando o meu lado azarenta falou mais alto e soou um toque de celular.

— ...Achei que ia desligar... — Me deu um selinho num sorriso.

— Eu ia, por conta da minha mãe, só que hoje quando acordei eu liguei o telefone e fora as quinhentas ligações dela, tinham mais umas quinhentas do Montanha. — Me lembrei que esse tal de Montanha era o melhor amigo dele. Então apenas voltei a tomar meu café. — É rapidinho... — Acenei que compreendia o vendo colocar o celular no ouvido sem deixar de comer. — ...Hey?! Cadê meu cintura de ovo favorito? — O fitei surpresa. Aquilo não me pareceu um elogio para ele dizer num sorriso debochado. — O quê?! Não me diga que te acordei rolha de poço? Ahhh que delícia! — Nisso deu uma risada. — Como assim por quê estou te ligando tão cedo? Tu me ligou mais do que uma namorada neurótica ontem Montanha, eu que te pergunto qual o motivo da ligação!? — Fiquei apenas escutando a conversa, era possível ouvir vagamente a voz do outro lado, mas de forma incompreensível. — Sério?! — Disse o Michael espantado e depois começou a rir. — Caralhooo...! Minha mãe é foda Montanha, deve ter feito todo mundo aí se borra de medo! Por isso eu não contei para ninguém dessa vez. — Cessou os risos e do nada ficou meio nervoso. — ...Sério Montanha?! Na cara dura? Na frente do quatro-olhos? — Fez uma pausa o que me deixou mais curiosa. — Que climão que deve ter ficado, hein?! E onde a Safira chutou que eu estava? — Ao emitir o som daquele nome minha curiosidade foi de modesta para nível CSI. Se minha memória não falhasse, essa tal de ‘Safira’ era nada mais nada menos do que a ‘ex’ que Michael gostava. — No chalé?! Ah tá... Por isso tu me ligou, não relaxa que estou a quilômetros de distância de lá. — Outra pausa. — Mas a Safira não tinha nada que abrir o bico quanto a isso, na certa a coitada da minha mãe foi até lá. — A pedra Safira deixou de ser algo bonito no meu vocabulário a partir dali. — É... Vou bater um papinho com ela quando voltar. Ei! Passa para Joy aí, deixa eu falar um ‘oi’ para ela! — Disse a última frase rindo e por fim olhou para o celular assustado. — Ele desligou! Que bolota filho da mãe...

— Que jeito estranho de falar do seu melhor amigo. — Comentei e ele riu.

— Isso por que você não ouve o que ele fala de mim. — Eu entendi, parecia ser de consenso comum ambos se xingarem sem se importar. Suspirei afirmando.

— Então a madrinha foi atrás do seu amigo? — Michael abocanhou o sanduiche acenando que sim.

— Pois é, minha mãe foi atrás dele e do pessoal todo que anda comigo, só que eu não contei para ninguém que vinha para cá, e como isso aqui não é bem do meu gênero é óbvio que nem se tentassem me dedurar iam acertar. — Olhei em volta analisando a cidade confusa e depois para ele.

— Não é do seu gênero? Você não gosta de lugares assim? — Notando que fiquei preocupada negou no mesmo tempo.

— Está brincando? Claro que gosto, passei uma semana pesquisando para encontrar esse lugar! O que eu quis dizer é que não frequento lugares assim, ainda mais para impressionar uma garota... — E lançou aquele sorrisinho malicioso no meu rumo.

— Sei... — Revidei desconfiada. — ...E suponho que esse ‘chalé’ também seja um lugar como esse para você ter levado sua ‘ex’ favorita?! — Direta ao ponto e ele riu. Odiava quando ele ria quando queria que levasse a sério.

— ‘Ex’ favorita? O que é isso? Ciúmes? — Ergui uma sobrancelha sem responder cruzando os braços. Suspirou afirmando. — Ok, foi assim, quando eu ainda estava com a Safira ela brigou feio com a família e só queria ir para um lugar bem longe, então no final do ano eu aluguei um chalé num conjunto de chalés que fica distante da cidade, nada demais. — Seria mentira dizer que aquilo não me incomodou. — Então, como eu disse minha mãe foi atrás dos meus amigos e a Safira linguaruda contou isso para ela. — Franzi o cenho.

— Eu perguntaria por que ela fez isso, mas estou mais curiosa sobre por que ela está no seu grupo de amigos. — Ele coçou a bochecha pensativo.

— Eu sou amigo da maioria das minhas ‘ex’s, até daquela que pulei a janela e quebrei o pé. — Arregalei os olhos. Tomei um gole do café umedecendo os lábios buscando calma.

— Hum. Achei que seria estranho continuar minha amizade com James, só que ouvindo você falando parece bastante razoável. — Ele negou.

— Não parece não, seu pai ameaçou ele com uma cobra, sua amiga comprou camisinhas tamanho minúsculo para ele e eu bati nele na frente da escola inteira, o relacionamento de vocês dois foi uma droga para ele, deixa o peixinho se recuperar. — Rangi os dentes com raiva por que ele tinha razão.

— Então eu devo me conformar que você me trouxe para cá baseado numa ideia envolvendo sua ‘ex’, que mantem um contato íntimo com ela e as outras enquanto desde que você foi embora nem se quer ligou para mim? — Michael estava de boca cheia e ficou pensativo.

— Hum... — Acenou com o dedo para esperar terminando de mastigar. — ...Eu não tive essa ideia baseada...

— Eu imagino que deve ter sido um final de ano mágico, e então você pensou: ‘Poxa seria legal fazer isso com a Sophie’. Para mim, está claro que é uma ideia reformulada. — Fechou os olhos balançando as mãos para eu me acalmar. O que é óbvio que não deu certo. — Sabe?! Talvez eu procure um baile aqui e induza você a ir para o motel comigo, talvez num momento de alusão eu acabe chamando pelo James e você se sinta livre para me chamar pelo nome de uma das suas ‘ex’ também! — Dessa vez me levantei nervosa. Mas ele continuou em silêncio suspirando.

— Acabou? — Minha vontade era chutar a mesa e jogá-la no chão, mas engoli toda a ira me forçando a sentar notando que algumas pessoas me observavam. — Quando eu acho que estamos nos acertando... Boom! — Disse tomando a bebida.

— Desculpa se não nos damos tão bem quanto você e a sua ‘ex’. — Revidei com sarcasmos. Ao invés de nervoso ele riu o que me deixou mais zangada ainda.

— A velha Sophie ciumenta que nunca muda, não é? — Fiz um bico quase roxa de raiva.

— O velho Michael mulherengo idiota que nunca muda, não é? — Retruquei o deboche o fazendo rir. Ahhh como aquele sorriso me tirava do sério. Empurrei o prato com minha refeição terminada. — Por que não me levou nesse ‘chalé’ de uma vez então... — Resmunguei e o cretino riu mais ainda.

— Minha nossa... Se eu soubesse que essa ligação de três minutos ia dar nisso tudo eu jamais teria ligado o celular. — O fitei.

— É, assim seria mais fácil me iludir, não é? — Puxou a cadeira e ficou quase colado em mim, eu por outro lado fiquei de rosto virado e com os braços cruzados zangada.

— Sophie, isso é besteira, você não tem que ter ciúmes dos meus antigos relacionamentos, escuta... Acha que se eu sentisse algo pelas minhas ‘ex’ eu conseguiria ser amigos delas? — O mirei confusa. — O fato da Safira ser minha amiga e estar com outro cara e isso se quer me afetar é mais do que prova de que eu não sinto nada por ela, não concorda? — Não soube responder a isso. — E a razão de eu ter levado a Safira no chalé não tem nada relacionado a ter ti trazido aqui, foi só uma puta coincidência ter ocorrido no final do ano. — Mordi o lábio inferior cogitando as possibilidades matemáticas de realmente ser uma ‘coincidência’. Passou os braços pelos meus ombros me puxando contra ele. — ...Olha, eu vou te confessar a razão ter trazido você aqui... —Virei até avistar seu rosto perto do meu. — ...Eu... Tava tentando ser romântico, mas ficou claro como água que sou péssimo nisso. — Contou meio envergonhado rindo de si mesmo.

— Romântico? Por quê? — Questionei confusa. Ele tornou a rir.

— Ora... Eu passei seis meses na sua casa, vi o bocado de coisas que seu pai faz para agradar sua mãe... Flores, lugares exóticos, presentes, e coisas do gênero. Daí pensei que talvez fosse te agradar se eu ao menos tentasse algo parecido. Mas tudo que eu faço dão as pessoas a ideia de que tenho segundas intenções. — Me ajeitei na cadeira ficando de frente para ele.

— Passou seis meses na minha casa e não percebeu que eu não ligo para isso? — Me lançou um sorriso de lado.

— Você ficava bem alegrinha quando o peixinho-namorador te levava nos restaurantes românticos da cidade, até jogava isso na minha cara de vez em quando. — Semicerrei os olhos.

— Eu fazia isso por que você me irritava, ficava debochando do meu namoro com o James. — Ele sorriu se aproximando do ouvido.

— Tava com ciúmes, queria que fosse para mim toda aquela atenção. — Fiquei corada ouvindo aquele sussurro sorrindo de volta.

— Sei que está me enrolando para esquecer o assunto anterior, para sua sorte vou deixar passar por enquanto. — Disse depositando um beijo nele o fazendo rir.

— Não tem nada que enrolar Sophie... — Replicou. — ...Vamos fazer uma contagem! Quem eu trouxe para uma viagem muito cara ignorando meu saldo bancário baixo? — Dei uma risada quando apontou para mim. — Por quem eu estou enfrentando a dona Eloise só para ficar junto? — Apontou de novo. Mais ruborizada ainda abaixei e rosto. Realmente, eu pensava que não é para qualquer um desafiar a madrinha Eloise.

— Ok, venceu de novo. — Isso o fez gargalhar batendo palmas para si.

— Yes! Estou vencendo todas hoje!

[...]

Santa Mônica definitivamente é um lugar encantador, fomos numa época um tanto quanto fria, no entanto a sensação de andar pela praia tendo cada paisagem mais perfeita do que a outro durante o percurso era impagável. E não importava a hora, o quanto tínhamos andado ou mesmo o quanto exagerada eu estava sendo, se passássemos por uma loja alimentícia ou um ambulante vendendo algo de comer, praticamente obrigava o Michael a comer.

Sem sombra de dúvida se eu o visse desmaiar novamente na minha frente certamente eu também desmaiaria junto, isso por que me considerava uma pessoa de sangue frio envolvendo esses assunto. Mas o drama me tomava só de pensar nas possibilidades.

O sol já estava quase sumindo quando resolvemos retornar ao hotel para tomar um banho e vestir uma roupa mais apropriada para a ocasião, que de acordo com o Michael se tratava de um: Restaurante ‘boa pinta’.

Gírias e mais gírias – embora vindo dele nem me irritavam tanto.

— Está se sentindo mal? — Perguntei assim que entramos e ele se jogou na cama.

— Ah Cristo... — Choramingou se sentando. — ...Sophie você me perguntou isso o dia inteiro! Sem contar a quantidade absurda que me fez comer... — Disse a última frase rindo.

— Isso se chama cautela! — Ele tornou a rir negando.

— Isso se chama melodrama! Você está dramatizando a nível máximo o que aconteceu ontem, então pela milésima vez... Eu-estou-BEM! — O analisei suspirando.

— Certo, mas SE não estiver se sentindo bem, não tem problema algum ficarmos no quarto... — Entortou o rosto me lançando um olhar ameaçador.

— Olha, para eu ficar nesse quarto de novo a noite inteira só se você topar brincar comigo dessa vez. — Arregalei os olhos o processando aquela informação de forma tão lenta que foi até constrangedor.

Eu entendi perfeitamente o que quis dizer, só não tinha uma resposta pronta e sincera para isso. Só quando um sorriso enorme e malicioso se desenhou no rosto dele é que encontrei palavras para juntar uma frase em réplica.

— Vou me arrumar e saímos. — Andei até minha mala com o rosto mais vermelho que tomate.

— Isso me pareceu um sim, hein?! — Falou brincando com meus nervos, virei no rumo dele erguendo o queixo.

— Não pareceu não! — Peguei minhas coisas e dirigi para o banheiro ouvindo ele rir.

O banho foi longo.

Por muitas razões, porém a principal se tratava de como cheguei a aquele nível com ‘o’ Michael e por que de repente a noite em que nos beijamos não saia da minha cabeça. Eu me vi até mesmo dispensando o tal jantar romântico para entrar nisso que ele insistia em chamar de ‘brincadeira’.

Desde que chegamos houveram beijos carinhosos, divertidos, de fazer as pazes, agradecimentos, de desculpas, entretanto nem mesmo chegaram perto ‘daqueles’ beijos. Se pedisse uma lógica cientifica para diferenciá-los eu não saberia, mas eram diferentes e tinha absoluta certeza que os beijos daquela noite não foram repetidos durante nossa estadia.

A questão era que apesar de eu querer muito sair do banheiro e iniciar o primeiro dos muitos ‘desses’ que viriam, eu simplesmente não tinha coragem. Não sabia como dizer algo como ‘Vamos esquecer o jantar romântico que você planejou e ‘brincar’ por aqui’. Quanto mais eu tentava reformular essa frase na minha mente pior ela ficava e menos coragem ia surgindo para pronunciá-la que seja para o espelho do banheiro, ao ponto de eu ficar super vermelha pensando em besteira sem qualquer intenção de agir.

— Terminei, pode ir. — Disse ao sair do banheiro. Fingi que limpava a água do cabelo e do rosto para não notar minha deplorável situação de constrangimento.

Felizmente ou não, ele já seguiu seu rumo com uma troncha de roupas e toalha na mão. Ao ouvir o som da tranca finalmente pude respirar aliviada sem medo de mostrar o rosto, porém sem conseguir evitar os malditos pensamentos indecentes de virem.

Parecia que a Claritta tinha se manifestado na minha cabeça me dizendo besteira sem parar e me induzindo a escolher a roupa mais sensual que eu tinha. Respirei fundo e acabei seguindo o conselho ‘dela’ – pelo menos dessa vez não tinha o psicótico do meu pai para me regular com o que vestir.

Busquei na memória algumas dicas da minha amiga, no entanto a manifestação dela só envolvia críticas e cenas improprias, nada construtivas. Me recordava apenas da parte da saia, mas daí lembrei da última vez que fui ao restaurante a noite com o Michael e a ‘amiga’ dele ficou debochando de mim por parecer uma princesinha.

Então naquela noite eu certamente tinha decidido algo... Eu não iria parecer uma ‘princesinha’!

Por isso busquei na minha mala tudo que fosse o menos infantil ou ‘doce’ possível. A saia preta longa com uma fenda na lateral direita, que começava uns seis dedos abaixo da cintura e que mostrava uma boa extensão da minha perna – presente da vovó, meu pai teria levado numa costureira para consertar se não fosse minha mãe o impedir.

As blusas eram um problema, quando não tinham um desenho de ursinho ou coração, era alguma imagem fofa com frases positivas como: ‘You are a SuPer Girl!’. Prendi os cabelos atenta ao som do chuveiro e o que encontrei de menos infantil foi uma blusa branca simples – o que me fez refletir bastante sobre meu vestuário. Talvez eu realmente me vestisse de uma maneira que dava as pessoas essa impressão de infantil.

Meus sapatos não tinha o que pensar muito, eu sabia exatamente o que usar... Uma sandália gladiadora preta salto alto e ninguém poderia dizer algo como lembrar uma princesa.

Vesti as roupas que escolhi deixando a sandália por último. Era a hora da maquiagem e a única coisa que me veio em mente de diferente para parecer menos infantil foi um batom vermelho sangue que eu tinha. De resto só fiz o que sabia, um corretivo para esconder um pouco do vermelho do meu rosto, nada de blush já pelo que parecia ia ficar corada várias vezes durante a noite.

Eu estava terminando de contornar os olhos com o lápis preto quando a porta do banheiro se abriu.

— Quer dar uma volta no píer antes de irmos para o restaurante ou prefere jantar e vamos até lá depois? — Perguntou ao sair. Tinha me sentado no carpete escorada na poltrona e com o espelho apoiado na mesinha de centro.

— Prefiro ir no píer antes, a não ser que esteja com muita fome. — Respondi deixando as besteiras de lado e empolgada com a ideia de visitar o local a noite. Pelos menos na noite anterior a roda gigante estava incrível.

— Você que man... — Interrompeu a fala do nada. Guardei o lápis na bolsinha o mirando logo a frente.

— Eu o quê? — Mantinha os olhos fixos em si e apenas ergueu as sobrancelhas confuso.

— Hun?! — Questionou aéreo. Franzi cenho já preocupada.

— Você está se sentindo bem? — A expressão dele mudou em seguida.

— Sophie eu vou começar a cobrar por cada vez que me pergunta isso! — Revirei os olhos voltando minha atenção para a maquiagem que só faltava o batom.

Por fim me sentei na poltrona e comecei a calçar as sandálias que iam até altura dos joelhos – na verdade uns dois dedos abaixo. Enquanto isso, nesse curto período que eu finalizava, o mundo dos gêneros se mostrou injusto quando Michael já me apareceu pronto sem qualquer trabalho para se arrumar.

Só me restou suspirar e sorrir da caveira mexicana estampada na camisa verde escuro dele.

— Meu pai tem razão, você tem alguma fixação com caveiras... — Brinquei apesar de até gostar das roupas que ele vestia.

— Caveiras simbolizam igualdade... — Justificou sorrindo. — ...Como estou? — Óbvio que ele perguntou com deboche fazendo gracinhas enquanto girava em torno de si.

— Hum... A genética do padrinho te ajudam bastante. — Parou de girar me encarando como se eu fosse louca.

— É, verdade, me deu míseros um metro e sessenta e três de altura e esse cabelo que nem com gel muda de lado. — Revidou puxando o cabelo para a esquerda, mas ficava do mesmo jeito ao tirar a mão.

Me levantei indo até ele evitando que continuasse puxando e alisando seu cabelo em seguida – que aliás estavam úmido, porém não pendiam para lado nenhum. Ainda assim não eram ruins como ele descrevia, apenas não obedeciam como o dono.

— Veja só... — Toquei seu rosto o analisando minunciosamente. — ...Você tem o formato do rosto do padrinho, que é muito bonito, não chega a ser fino, só que também não é oval como da maioria. — Contei observando agora seus olhos que me encaravam atentos. — ...Também tem o olhar firme dele, só que o nariz e a boca são... — E antes que eu terminasse minha conclusão analítica uma mão já tinha entornado minha nuca e me puxado num ‘daqueles’ beijos que ainda não tínhamos dado aqui.

Claro, eu demorei um pouco até compreender diante a surpresa da ação dele, mas quando aquela língua começou a provocar a minha não teve como ficar estática quanto a isso.

Soltei um gemido baixo levando minhas mãos até seus ombros e me encaixando a ele lentamente. O beijo intenso terminou sem querer terminar com Michael mordiscando meu lábio inferior soltando um suspiro de quem fazia um sacrifício muito grande ao parar por ali.

Ao abri os olhos tudo que eu vi foi a boca do Michael vermelha com o meu batom e comecei a rir o empurrando.

— Está tirando o meu batom... — Comentei tocando os lábios dele os limpando. Ia me virando para retocar o meu quando senti me abraçar e girar suavemente junto dele.

— Não é a única coisa que eu quero tirar... — Murmurou se aproximando para outro beijo e eu me encontrava prestes a concordar com isso, quando pensei que certamente não era o melhor momento.

— Não! Não! — O afastei. — Eu te conheço, você vai estragar minha maquiagem e depois vai fazer o mesmo escândalo de ontem para sair. — A princípio ficou contrariado, mas logo sorriu para variar.

— Escândalo... Que exagero! — Lançou um sorriso balançando a cabeça. — Então bora! Antes que minha situação fique crítica! — Arregalei os olhos e comecei a rir constrangida.

Tinha entendido a indireta.

[...]

Existia algo mágico naquela noite, um sopro de bons presságios me dizendo que dessa vez não ia ter nada que se comparasse com a noite que jantamos no restaurante dos avós dele. Não havia possibilidade de uma ‘amiga’ inconveniente aparecer – havia sim – ou de uma ligação estragar tudo – obriguei ele a deixar o celular no quarto.

Naquele momento era apenas Michael e eu, sem mal entendidos, sem passados mal resolvidos – pelo menos nenhuma lembrança que viesse em mente – sem discussões, sem nada além de um clima agradável entre um sorriso retribuído ao outro. Bom, era assim que eu pensava até o garçom trazer o cardápio e perguntar se eu queria uma sugestão...

— Que fofo, como é que fala: “quebro seus dentes se der em cima dela de novo” em francês? — Falou num sorriso perverso para o garçom. O coitado do funcionário me olhou apavorado e neguei tentando acalmar ele.

— Ainda vamos decidir...! Merci. — Disse num sorriso sem graça o vendo se afastar. Michael? Fuzilou o rapaz com um expressão furiosa. — Qual é o seu problema? — Sussurrei em repreensão. — Você me traz num restaurante francês e não quer que o garçom fale francês? — Virou o rosto no meu rumo lentamente.

— Ah! O cara já chegou olhando para onde não devia, entregou o cardápio cheio de ‘sugestões’ e ainda vem com francês barato para cima de você na MINHA frente? Olha, a minha mãe sai na porrada com as garçonetes dos restaurante por muito menos. — Apesar de acabar rindo imaginando a madrinha brigando com as garçonetes, ainda assim dei um toque na mão dele em reprovação.

— Enlouqueceu como a madrinha então? Ele olhou para mim e isso não pode? — Perguntei esperando que ele visse o quão exagerado estava sendo. Porém ao contrário fez uma careta.

— Ele pode olhar, dos ombros para cima, não dos ombros para baixo como ficou fazendo. — Revidou. Franzi a face confusa.

— Dos ombros para baixo? Por que ele olharia do... — Abaixei o rosto para ver e captei logo a mensagem sem precisar concluir a frase. Eu devia ter usado o sutiã nude ao invés de um preto que não ultrapassasse o branco. Não era muito, mas mostrava algumas curvas desnecessárias. — ...Você podia ter me dito... — Falei baixinho com o rosto roxo de vergonha cruzando os braços.

— Achei que fosse intencional, não dá para negar que gostei bastante do visual. — Retrucou sorrindo malicioso. Acenei para a jaqueta dele.

— Me empresta sua jaqueta... — Pedi olhando para os lados e preocupada se alguém mais além do Michael e o garçom tinham visto – o que era óbvio que sim.

— Nop! Essa visão me agrada mais do que imagina. — Arqueei a sobrancelha diante o sorriso maldoso dele. Descruzei os braços respirando fundo.

— Aprecie a vista então junto com aqueles idiotas ali. — Apontei para uns imbecis que não paravam de olhar na nossa mesa – e finalmente entendi a razão. – e sorri dando um leve aceno para eles que me fitaram incrédulos.

— Quer ser expulsa do restaurante? — Me questionou tirando a jaqueta nervoso.

— Não! Por quê? — Ele fuzilou os três patetas fazendo careta.

— Por que se esses otários acenarem de volta vou bater neles, o gerente do restaurante não vai gostar e eu vou brigar com ele também e daí vamos os dois para rua na melhor das hipóteses. — Por alguns instantes eu pensei ‘DNA puro da madrinha’.

— Ah entendi, você é a cópia do padrinho, mas o conteúdo é todinho da madrinha. — Ele se virou rindo enquanto eu vestia a jaqueta.

— É, costumam dizer que tenho o temperamento dela. — Sorri fechando o zíper da jaqueta até a metade.

— Obrigada. — Ele deu uma piscadela em resposta.

Começamos a ver o menu no cardápio e felizmente a culinária francesa combinava bastante com a minha dieta vegetariana e para a sorte do Michael tinha uma parte só com receitas cheias de carnes.

— Vou pedir uma polenta ratatouille e você? — Analisou cautelosamente.

— Uhhh! Esse aqui é interessante, tem frango e molho com vinho. — Fechei os olhos soltando um riso.

— Quando retornamos vou sugerir a madrinha te levar nos alcoólicos anônimos urgentemente. — Brinquei o fazendo rir.

— Vinho é saudável, até onde eu sei pelo menos. — De certo modo era verdade. — Que tal eu e você dividirmos uma taça, hein?! — O encarei perdida.

— Vinho? Nunca tomei nada alcoólico, Claritta as vezes tentava me empurrar algum suco batizado, mas só o cheiro me dava embrulho no estomago.

— Experimenta, se não gostar eu tomo sua parte. — Concordei só por que gostei da ideia de dividir algo com ele.

— Tá bem, mas é só uma que vamos beber. — Afirmou acenando para o garçom ao longe.

— Deixa ele vir com l’ámor aqui para ver o que acontece... — Murmurou. Dei um beliscão no braço dele em repreensão.

E o clima do início voltou à tona. Aproximou sua cadeira da minha ficando ao meu lado com o braço nos meus ombros. Falamos sobre inúmeras coisas, faculdades, os ‘bicos’ que fazia, o restaurante do avô dele, do quanto ele detestava o Logan e várias vezes mencionou o quanto queria pedir a comida para viagem.

Não vou mentir, em certos momentos tive muita vontade de concordar, mas como o Michael sempre falava brincando e rindo era difícil dizer ‘Então pede e vamos!’.

— Não é tão ruim, é? — Fiz careta afirmando depois de tomar um gole do vinho.

— É um doce amargo, prefiro o suco de uva em si. — Comentei.

— Você acha? Não sinto muita diferença. — O fitei rindo.

— Por que você é um alcoólatra. — Retruquei brincando – nem tanto.

— Isso é por que você não viu meu tio apreciar uma tequila nas festas de família. — Sorri em resposta. — Se bem que vinte dólares numa taça de vinho é um absurdo! Com vinte dólares eu faço a festa em alguns bares. — Balancei a cabeça não acreditando no que tinha ouvido.

— Michael, você pediu o vinho, podia ter pedido um refrigerante barato... Mas não! O álcool falou mais alto. — Bebeu o resto da bebida numa golada.

— Refrigerante? Num lugar fino desse? Que falta de classe Sophie. — Fingiu uma expressão esnobe que me fez rir.

— Você tem classe aonde? — Fez um bico cogitando.

— Eu sei fingir que sou educado, minha mãe me ensinou muito bem, obrigado. — Gargalhei apoiando a testa no seu ombro.

— É percebi. — Debochei.

— Falando nisso, acho que não é muito “fino” agarrar alguém na mesa do restaurante. — Franzi o cenho confusa.

— Não! E nem higiênico, por quê? — Assim que nos entreolhamos eu entendi a indireta.

— Nada, apenas pensando alto. — Corei no mesmo instante virando o rosto.

— Pervertido. — Dessa vez foi ele que debruçou a face no meu ombro levando os lábios até a curva do meu pescoço suavemente.

— Sophie... — Sussurrou com um hálito quente contra minha pele que me fez sentir um arrepio involuntário. E logo em seguida mordiscou me fazendo fechar os olhos soltando um som gemido abafado.

— Humn... — Chamei sua atenção sentindo aquela onda quente me tomar querendo que a mordida virasse um beijo. Só que ele levantou o rosto respirando fundo meio contrariado.

— Podíamos mesmo pedir a comida para viagem. — Brincou novamente entre um riso e outro. Cruzei os braços suspirando frustrada.

—Podíamos ter pedido uma pizza por telefone no hotel, mas você quis vir nesse lugar! — Mexeu os ombros como se fosse óbvio.

— Por sua causa, me disse uma vez que gostava de comida francesa. — Quase cometi a besteira de passar as mãos nos olhos e estragar a maquiagem ouvindo tamanha besteira.

— Michael você é cego?! O que eu gosto é de ficar com VOCÊ! — Falei em alto tom. — Não estou nem aí se vai me levar numa pizzaria de esquina, num estádio de futebol, numa boate, num restaurante cinco estrelas, eu não me importo nem se você me levar numa tourada, embora eu vá torcer pelo touro... A questão é estar perto de você, não me interessa o lugar onde vamos estar. — Um sorriso enorme se formou no rosto dele que apoiou o cotovelo na mesa e começou a rir.

— Você numa tourada seria hilário. “Vai touro! Mata esse infeliz”. — Me imitou rindo. Em outra ocasião eu ficaria nervosa, porém meu humor estava lá em cima. Dei um tapa na perna dele e suspirei.

— É sério, não precisa me levar em lugar chique nenhum. Quando eu era pequena recusava viajar com meus avós para qualquer lugar que fosse só para ir para sua casa ficar perto de você. — Confessei com as bochechas ruborizadas. Ele fechou os olhos e tamborilou os dedos em cima da mesa.

— Tem certeza que não é ‘fino’ agarrar alguém em cima da mesa do restaurante? Porque você não está ajudando a fazer a vontade passar... — Falou baixinho.

— Para alguém que trabalhou de garçom por um bom tempo, você conhece pouco as regras. — Disse brincando notando que ele sorriu malicioso.

— Sou neto dos donos, muitas regras não se aplicavam a mim por lá. — E de risonho ficou sério num suspiro me fitando. — Escuta, sei que o que eu vou dizer vai acabar com todo o ‘romantismo’ que esse restaurante não trouxe, mas estou tentando arrumar um jeito de me redimir com você. Pensei que talvez se te levasse em lugares melhores ou ao menos em locais que gosta, fosse compensar meus erros. — Explicou aparentemente sincero. — Esses seis meses que passei na sua casa, não consigo lembrar de uma coisa se quer que fiz certo com você... E aí eu começo a cogitar os meses e anos anteriores e a lista de burradas só aumenta. — Respirou fundo soltando o ar com calma. — Não faço ideia de como reparar tudo isso. — Toquei seu rosto com carinho o alisando do maxilar até chegar nos cabelos num suave afago.

— Acredite ou não, só que passar um tempo comigo já compensa muita coisa. — Michael deu um sorriso singelo negando.

— Não pode ser tão simples assim, deve ter mais que eu possa fazer, algo que você realmente queira e que não seja muito caro. — Ri tentando pensar em algo.

— Hum... Eu gostaria que... Você me telefonasse com alguma frequência. — Sugeri um tanto tímida.

— Sophie, não te telefonei por que assim que cheguei em casa foi aniversário do meu avô, daí minha mãe quis ‘momentos em família’ para matar a saudade dos seis meses e os inúteis dos meus amigos vieram para cima de mim com um bocado de problema ao invés de presentes de ‘boas vindas’. Na semana seguinte fomos para o acampamento e celular não pega muito bem lá. — Naquele instante fiquei mais envergonhada ainda pelo que pedi. — Eu vou te ligar, melhor, vou te telefonar toda manhã assim que eu acordar! — Semicerrei os olhos mostrando a mão aberta na frente dele.

— Se você me ligar as cinco da manhã vai ver só uma coisa. — Ameacei o fazendo rir.

— Certo, e o que mais além disso? — Mordi o canto do lábio inferior sem precisar raciocinar muito.

— Já que vai me ligar, pode me visitar também ao invés de sempre esperar as festividades da nossa família. — Estalou o dedo concordando.

— Sem problemas, eu não aguento ficar muito tempo sem sexo mesmo. — Corei no mesmo instante.

— Vai me visitar só para isso? — Fitou o teto procurando uma resposta.

— Como resultado final... Sim, se eu ti visitar vou te ver, se eu te ver vou querer te beijar, se eu te beijar... Enfim, entendeu onde isso nos leva. — Cruzei os braços o encarando com descrença. — Sophie... Eu sou filho da Eloise, esqueceu? — Maneei a cabeça, diante isso o início já justifica o fim. — Vamos, diga outra coisa! Uma que eu possa fazer enquanto estamos aqui? — Sei que o ‘aqui’ dele se referia a cidade, só que depois da explicação dele ficou difícil segurar o que saiu em seguida:

— Pode pedir a comida pra viagem. — Isso o deixou atônito por uns instantes enquanto processava a informação junto ao meu rubor evidente. Um sorriso gigantesco brotou no rosto dele e gargalhou brevemente balançando a cabeça. Eu não entendi a graça.

— Como é que a garota perfeita para mim cresce do meu lado e eu não percebo? — Ah essa resposta eu sabia.

— Por que é um idiota. — Ele gargalhou afirmando acenando para o garçom.

— A conta e coloca nosso pedido para viagem. — Disse entusiasmado. — Ele bem que queria estar no meu lugar agora. — Murmurou quando o rapaz se afastou.

— Aí Michael, você é o único pensando besteira aqui. — Me deu um sorriso perverso negando.

— Sou? E você quer voltar para o hotel para que então? — Fiquei vermelha dos pés à cabeça. — Venci de novo, não é? — Dei um tapa no ombro dele em replica o fazendo rir.

O sentimento único dos bons presságios alegando que a noite não poderia estar melhor persistia no meu peito e fazia meus batimentos cardíacos se acelerarem. Realmente acreditei que naquela noite nada poderia dar errado. Nós iriamos para o hotel e finalmente eu teria o Michael, o meu Michael! Sem interrupções, sem preocupações, sem nada além do desejo de ficarmos juntos.

A expectativa era tamanha que fiquei esperando perto da porta do restaurante com as mãos inquietas, o rosto ruborizado e uma sensação esquisita no estomago de ansiedade. Ele estava do outro canto do restaurante a espera do nosso pedido ser entregue.

Pensei no futuro várias vezes naqueles poucos minutos que fiquei ali, imaginei que em meia hora talvez até menos estaríamos aos beijos, ‘aqueles’ beijos avançados, que ele já estaria sem algumas peças de roupa e certamente me provocando com frases e risos que só aumentavam minha paixão.

Minha mente estava tão longe com esses pensamentos que se quer notei o início de uma catástrofe trazida por aquela figura desagradável na minha frente.

— Não vai me responder? — Só então percebi que tinha um cara grande do meu lado com um sorriso malicioso provavelmente me dando uma cantada barata.

— Desculpa, disse algo? — Não devia ter dado moral, mas naquele momento achei que se fosse direta ia encerrar o assunto de uma vez. Aliás, achei que minha expressão de ‘se manda!’ ao revidar deixasse claro meu desinteresse.

— Eu disse ‘boa noite’ para você linda. — Torci o nariz em uma careta.

— Boa noite, meu namorado está bem ali. — Apontei para o fundo do restaurante e para a sorte dele o Michael estava de costas conversando com um dos garçons enquanto esperava. E confesso... Meu coração acelerou ao pronunciar a palavra ‘namorado’. E com isso deveria ser o fim, afinal eu tinha deixado bem claro no meu timbre de voz que não queria papo.

— Então me passa o seu número para gente se conhecer, hein? — Disse isso mantendo o sorriso malicioso.

— Não. Sem ofensas, mas não estou interessada... Será que você pode... — Fiz sinal para ele ir circulando e sumir da minha frente, só que não entendi por que meu ‘não’ não bastou.

— Calma, só queria te conhecer delícia! — Arregalei os olhos e no segundo momento fiquei enojada.

— Dá licença... — E fui saindo no rumo do Michael quando aquele IDIOTA me puxou pela braço.

— Não vai nem me dizer seu nome? Não precisa fazer charme! — Certo, nesse momento eu me assustei. Como é que o meu ‘não’ virou um ‘fazer charme’?

— Tira a mão dela palhaço. — Falou a voz grave atrás de mim. Ao me virar notei Michael segurando nosso pedido numa sacola.

— Ele é seu namorado? — Perguntou em deboche e detalhe: Apertou mais meu braço como se fosse uma ofensa rejeitá-lo em troca do Michael. Michael avançou alguns passos e um garçom se aproximou.

— Senhor, por favor, solta a moça. — Pediu. Imediatamente o infeliz me liberou com desagrado. Fui direto para de trás do Michael.

— Eu só estava querendo bater papo. — Retrucou em meio a risos desdenhosos.

— Vai bater papo com o chão se tocar nela de novo otário. — Revidou o Michael trincando os dentes. O grandão riu com escárnio.

— E quem vai fazer isso? Você? Vai... — Antes que a frase se completasse Michael acertou o meio da barriga do cara com um chute que o fez cair para trás entorpecido.

— Vai palhaço!?!! Dá em cima dela de novo para ver o que acontece!!! — Berrou e os garçons já vieram aos montes, dois seguraram os braços do Michael e mais dois tentaram segurar o infeliz que se levantou abruptamente pronto para a brigar.

Ele tentou revidar mais foi segurado pelos garçons. O problema era que o cara era grande e simplesmente resolveu que toda aquela bagunça não era suficiente para estragar minha noite, ele tentou chutar o Michael e a única coisa que o babaca acertou foi a sacola com os recipientes contendo nossa refeição que com o impacto se abriu indo para trás.

Onde foi parar?

Bom, seria dramático demais eu dizer que fui a única atingida com a comida, mas verdade seja dita, o garçom que segurava o braço direito do Michael também se sujou com alguns respingos do molho que caiu na minha cabeça.

Eu me senti a Carrie a estranha assim que derramam o sangue de porco na cabeça dela e garanto que a ira do momento não era diferente da que ela teve após o ocorrido. A diferença era que a Carrie tinha poderes para matar todos e para a sorte dos presentes... Eu não.

O silêncio se instaurou no ambiente, todo mundo olhando a ruiva banhada no molho de frango com alguns restos de comida entrando no sutiã evidentemente preto.

A Sophie boazinha, paciente, inocente, tímida se desligou e a Sophie que a Miss Mine teve o prazer de conhecer pessoalmente ressurgiu.

— Oh merda! Sophie... Você está bem? — Michael veio no meu rumo sem me tocar ou saber o que fazer. Empurrei ele para o lado e meu olhar assassino se prendeu naquele imbecil.

Toda minha noite maravilhosa destruída por que um acéfalo demente não sabia respeitar o ‘não’ de uma mulher.

As cenas a seguir são fortes, humilhantes e de baixo escalão cujo eu queria apagar da minha memória.

— EU VOU TE MATAR! — Fui para cima do cretino chutando o meio das pernas dele com força. — ESSA ERA MINHA NOITE E VOCÊ ESTRAGOU TUDO SEU MONTE DE ESTERNO HUMANO!!! — Eu consegui dar pelo menos quatro chutes nos testículos e cia dele até o Michael me segurar e puxar para trás pedindo para ter calma. — TEM NOÇÃO DO QUANTO EU TO ESPERANDO POR ESSE DIA SEU ANIMAL ENERGÚMENO! — Gritei completamente vermelha de raiva e ódio tentando ao máximo acertar ele com as pernas sem hesito. — MAS ISSO NÃO VAI FICAR ASSIM! EU VOU ATRÁS DE VOCÊ SEU MONTE DE MERDA, VOU CORTAR A SUA JUGULAR, VOU TE PENDURAR DE CABEÇA PARA BAIXO ATÉ SAIR TODO SEU SANGUE, ARRANCAR SEUS ÓRGÃOS INTERNOS E VENDER NA DEEP WEB!!! — Ele gemia com mão nas partes intimas me olhando como se eu fosse uma assassina de verdade. — E NÃO VOU PARAR SÓ NISSO, VOU CORTAR SEUS TESTÍCULOS E COLOCAR EM PRAÇA PÚBLICA COM UMA PLACA DIZENDO ‘AQUI JAZ UM ESCROTO QUE NÃO SOUBE ACEITAR UM NÃO!’.

Eu disse mais... Muito mais... Cheguei a acertar dois chutes na cara do infeliz e um na canela do garçom. Só que prefiro pular essa parte.

Resumo da noite ‘romântica’: Fomos para delegacia – que novidade – o delegado ouviu ambas as partes separadamente por que ao que tudo indica o ‘machão’ ficou com medo de ficar na mesma sala que eu. No fim, como as gírias costumam dizer: Tudo deu em pizza. Infelizmente não literalmente.

Ou seja, fiquei duas horas fedendo a molho de frango para o cretino medroso se quer ser punido.

Na volta de carro para o hotel nada poderia ser mais consolador do que uma crise de riso do Michael enquanto dirigia.

— Vender órgãos internos na deep web...! — Comentou gargalhando enquanto meu semblante permanecia seco. — ...Aí, aí... Sophie, você é incrível. Eu nunca teria pensado numa ameaça tão assustadora quanto essa. — Virei o rosto mexendo no meu cabelo sentindo aquele cheiro desagradável.

— Mais uma noite nossa indo para o buraco e você rindo. — Murmurei chorosa. — Eu devo ser amaldiçoada, não é possível que tanta coisa ruim aconteça a uma única pessoa sem uma explicação plausível.

— Sophie! Se você quiser a gente fica mais alguns dias, eu faço algumas doações para o banco de esperma e descolo uma grana. — O fitei assustada e ele riu. — Estou brincando... Ria! — Rolei os olhos.

— Rir como Michael? Sabe onde eu vou passar a noite? No banheiro tentando tirar esse cheiro de galinha morta do meu cabelo e brincando de caça a comida pelo meu corpo! — Fez um biquinho empolgado.

— Uhhh! Eu quero brincar disso também! — Cruzei os braços mal humorada. — Estou tentando te descontrair!

Não está funcionando! Está tudo dando errado e você não liga! — Revidei com os olhos cheios de lágrimas. Ele parou o carro no acostamento dando um longo suspiro.

— Sophie...! Os encontros ter dado errado não significa que eu e você não daremos certo. Nada disso diminui o que eu sinto por você. Então não precisa ficar tão nervosa. — Tentei engolir o choro ao ouvir aquilo. Abaixei o rosto apertando o tecido da saia.

— Eu não queria que você me visse assim... — Admiti envergonhada pela situação em que encontrava. Pude ouvir ele sorrir.

— Por quê? Você é linda até coberta de molho. — Tentou me confortar, mas não deu muito certo. — Sophie, você me viu bêbado, me viu desmaiar, me viu nu...

— Eu não te vi... — O interrompi, porém fui cortada em seguida.

— Não?! — Questionou sorrindo malicioso. — Tem certeza que não viu nada naquele dia que me mandou tomar banho bêbado? — Mordi o lábio inferior corada. — E me ver naquela cena deplorável mudou alguma coisa entre nós? — Mexi os ombros em resposta. — Se os momentos que dão errado só nos aproxima, imagina os que darão certo. — Respirei fundo concordando. Ligou a ignição rindo. — Eu devo ter algum problema por que eu só consigo pensar em sexo.

Rolei os olhos rindo, mas ainda não estava nada conformada no que a noite que supostamente seria mágica se tornou.

[...]

Quando chegamos ao hotel estávamos cansados e com fome. Enquanto Michael foi comprar algo nas proximidades eu tomei um longo banho usando todos os produtos que encontrei pela frente. Chorei pela noite desastrosa e pela pobre galinha que foi desperdiçada.

— Pela quinta vez, eu não sinto cheiro de molho desde o segundo banho que você tomou, então provavelmente não está cheirando agora. — Falou com a boca cheia de pizza assim que sai do banheiro. Apontei para um canto do quarto.

— Sua jaqueta está naquela sacola e sim, meu cabelo continua fedendo a molho de galinha morta, então eu vou voltar para o banheiro! — Ele suspirou pesado.

— Sophie! A noite ainda não acabou, esquece isso e fica aqui comigo! — Me chamou. Michael tinha empurrado a poltrona para perto da varanda e colocado a mesinha de centro ao lado com a pizza em cima.

— Acabou sim! Minha roupa foi manchada e não consigo tirar esse cheiro de comida do cabelo! — Resmunguei levando meu cabelo ao nariz notando que sim, não tinha saído o cheiro completamente. — Vou tomar outro banho! — Avisei sem dar moral ao ‘está exagerando’ dele.

Outro banho, outra crise nervosa de choro, outro punhado de creme no meu cabelo e dessa vez uma remessa de óleo pós-banho e ainda assim... O molho persistia. Observando meu reflexo no espelho notei meus olhos vermelhos assim como minha pele levemente ruborizada de tanto esfregar com a bucha.

Soltei o ar dos pulmões rosnando de desagrado e puxando meu cabelo úmido para trás dando uma enrolada nele. Não conseguia aceitar que minha noite perfeita se resumiu a uma jornada de banhos ineficientes. Porém não havia outro modo de me livrar daquele cheiro se não outra longa ducha com mais produtos que poderiam aplacar o odor.

♫ “Baby, tranque a porta e apague as luzes

Coloque uma música suave e lenta..." ♫

Vire o rosto surpresa no rumo da porta ouvindo a voz abafada cantar atrás dela. Dava para ver sua sombra no pé da porta, bem no canto.

♫ " ...Baby, não temos lugar nenhum para ir

Espero que você entenda..." ♫

Sorri pasma escutando a letra com um rubor diferente nas bochechas. Peguei uma toalha me enrolando nela e me aproximando para ouvir a canção melhor já que cantava baixinho.

♫ "...Eu estive pensando nisso o dia todo

Nunca senti algo tão forte assim...

Não posso acreditar no quanto isso me excita

Só por ser o seu homem..." ♫

Mordi o lábio inferior com um comichão no nervoso no meu estomago. Toquei a maçaneta da porta abrir ansiosa, no entanto, fiz isso bem lentamente notando que estava escorado com o cotovelo apoiado na parede. Ao me ver me deu um sorriso carinhoso continuando a música.

♫ "Não tenha pressa...

Não se preocupe...

Podemos usar o tempo que for necessário...

Chegue mais pertinho..." ♫

Deu um passo à frente o que me fez rir com sua mão envolvendo minha cintura.

♫ "Vamos além...

Do que eu tinha pensado... "♫

Enrijeci os lábios esperando um beijo quando abaixou o rosto até o meu e ao invés disso colou sua bochecha a minha e continuou cantarolando baixinho no meu ouvido.

♫ "Ninguém nunca amou alguém...

Como eu te amo

Estamos sozinhos agora...

Você não sabe há

Quanto tempo eu queria isso...” ♫

Depois disso apenas ronronou a melodia movendo o corpo sutilmente junto com meu. Até então eu nem tinha me tocado que estava abraçada com ele ali só de toalha, por isso apenas dei uma risadinha com a cena.

— Que música é...? — Ia perguntar silenciosamente quando senti sua boca deslizar do meu pescoço até meus ombros. Aí sim, lembrei como estava vestida, ou melhor, como não estava vestida ficando automaticamente nervosa. —...Mi-... —Coloquei as mãos no seu peito e pensei em afastá-lo, só que não deu tempo.

Grudou sua boca contra minha num beijo intenso que me fez até esquecer sobre o que ia dizer. Sua mão envolveu minha cintura com rigidez e praticamente me carregou até chegar encostar minhas costas na pia. Soltei um gemido na garganta com uma mistura de indecisão, prazer e medo. Era ‘aquele’ beijo só que numa intensidade maior e mais faminta.

A mão dele começou a passear pelos contornos do meu corpo sob a toalha pressionando com firmeza como se o tecido o incomodasse. Nossas bocas ainda não tinham se separado e sua língua envolvia a minha de uma forma tão predominante que quase não conseguia movê-la em retorno.

Mas não impediu que eu sentisse a mão dele encontrar a ponta que mantinha a toalha presa com a intenção de desvencilha-la. Voltei a realidade tão vermelha quanto um hibisco, empurrei o Michael alguns para trás e ele me fitou meio aéreo e nervoso.

— Eu-eu... — Comecei a falar ofegante. — ...Não to vestida... — Falei baixinho sentindo minha face esquentar completamente. Michael balançou a cabeça confuso.

— Eu espero que não... — Respondeu num sorriso malicioso. Engoli em seco tentando me recompor apertando a volta da toalha muito envergonhada – da onde isso veio eu não sei. — Está com vergonha de mim? — Perguntou sem tirar o sorriso dos lábios. Que pergunta idiota!

— Não! — Retruquei de imediato. Depois a timidez me acertou e acabei confessando... — Sim... Podemos ficar só nos beijos? — Pedi quase roxa e recebi um olhar divertido em resposta.

— E aquele papo de ‘o Michael dorme com todas menos comigo’ hein? — Encolhi os ombros abaixando o rosto.

— Retiro o que disse... — Ele fechou os olhos, respirou fundo e soltou.

— Muito bem! Deixamos para outro dia. — Suspirei extremamente aliviada. — Saí do banheiro por que agora quem precisa de um banho gelado sou eu. — Falou entre risos, embora houvesse uma ponta de frustração na sua voz que tentou disfarçar para não me pressionar.

Sem jeito e corada dos pés à cabeça caminhei até a porta quando senti uma pontada no peito alegando que depois que ele fechasse a porta não teria volta – teria sim, acontece que eu estava muito nervosa para raciocinar corretamente.

— Mudou de ideia? — Brincou rindo. Só então percebi que estava estática a um passo de sair do banheiro.

No calor do momento esqueci tudo, girei os calcanhares ficando de frente para ele sem noção alguma do que fazia simplesmente arranquei a toalha do corpo deixando ela cair sobre meus pés. Os segundos seguintes pareciam uma eternidade, seus olhos fixos em mim e a boca levemente aberta demonstravam sua incredulidade. Dentro de mim a coragem ia sumindo conforme o embaraço aumentava.

Ia levando a mão até a toalha tornando ame cobrir quando o Michael se aproximou abruptamente segurando minha mão impedindo o ato. Ele tinha um sorriso divertido e soprou um ‘shhh’ baixinho levando a mão que agarrou até os lábios – galanteador barato. Beijou tanto a palma como a testa e encaminhou minha mão em torno da sua bochecha num afago.

— Vem cá... — Me puxou junto a ele e deve ter percebido que meu corpo encostou ao seu fiquei completamente rígida de nervosismo. — ...Relaxa...

— Mi-Michael... Nós-nós não podemos fa... — Eu ia dizer fazer no banheiro, porém não consegui terminar a frase principalmente por que me olhou de um jeito perverso.

— Fazer o quê? — Fiquei mais dura ainda ao sentir a mão dele deslizar sobre as minhas costas prendendo a respiração e quase tremula. Isso não é nada divertido como a Claritta pinta. Não tinha jeito, eu estava muito envergonhada para conseguir continuar. Então cobri os seios me encolhendo assim que os olhos deles não saiam dali. — ...Hey... Você já me viu sem roupa e não fiquei tão...

— Você está acostumado com isso, eu não! — Me virei de costas para ele assim que começou a rir.

— E o que eu posso fazer para te deixar mais tranquila? — Girei o rosto com ele atrás de mim o fitando.

— Fecha os olhos. — Pedi quase implorando e depois de um longo suspiro ele de fato fechou. Finalmente pude respirar normalmente sem nenhuma pressão.

— Posso te tocar? — As mãos dele iam me alcançar quando corri para o lado oposto.

— Nãooo!

— AH! E como é que isso vai funcionar, esperta? Olha, se você não quer, é só dizer! — Ele falou abrindo os olhos e eu virei de costas no mesmo tempo.

— Também não! — Neguei já fazendo bico. Eu não sabia como me portar diante aquilo. — Me-me diz coisas legais! Acho que ajudaria a esquecer que sou a única nua nesse banheiro. — Michael sorriu coçando a nuca.

Cogitou seriamente por uns segundos e depois se virou sério para mim.

— Eu nunca fui o primeiro de ninguém, sinceramente nunca me incomodou ou fez diferença. Só que costumava imaginar que deveria ser uma decisão difícil para as garotas e me questionava por que nunca fui a decisão difícil de ninguém. — Quase virei por completo para olhá-lo. Não esperava ouvir aquilo dele e fiquei surpresa. Ele engoliu em seco me encarando sério. —Vou fazer qualquer coisa para sua decisão não ser um erro. Isso é especial para mim, quero que de alguma forma seja para você também.

Se ele estava me enrolando ou não, não sei. Aquilo ainda assim me acalmou mais do que deveria. Me virei em sua direção e o mesmo fechou os olhos quando caminhei até ele. Segurei seu rosto com as mãos e comecei a rir quando fez um bico propositalmente grande para me beijar.

— Posso tirar sua roupa? — Perguntei baixinho sentindo meu coração perder o ritmo.

— Nunca me perguntaram isso... — Debochou. — ...Sophie se eu estou de roupa até agora é só por você. — Ele ia abrindo os olhos quando tapei.

— Ainda não! Só mais um pouquinho... — Pedi com jeitinho. Eu estava tranquila tentando me acostumar e quase podia dizer que estava conseguindo. — ...Por minha causa? — Ergui sua camisa e ele levantou os braços permitindo que eu a tirasse. — Eu já ti vi sem nada... — Deu um sorriso engasgado ficando meio sem graça.

— E gritou ambas as vezes. — Mordi o lábio inferior curiosa.

Momento cientifico: Da última vez que toquei o abdômen do Michael estava escuro. Naquele momento a luz ainda que fraca do banheiro me permitiu vem cada dobrinha do seus músculos e ousei tocar aquela área consistente traçando a linha que separava os músculos do centro até o umbigo. Sua pele não era pálida como a minha, ao contrário tinha um bronzeado natural. A fisionomia masculina é realmente fascinante – pelo menos esta era.

Conforme minha mão alisava seu tórax eu prendia a respiração junto com o Michael sentindo minha visão perder o foco uma vez ou outra. Algo no meu estomago doía, embora fosse uma dor estranhamente boa.

Quando minha mão chegou a sua calça jeans ele respirou fundo inquieto e meu coração parou. Notei que apertou o mármore da pia se contendo – e contorcendo – e interiormente o agradeci por isso. Desabotoei e desci o zíper até o final dele, que aliás dava logo em cima um certo volume que na curiosidade acaricie e ouvi o Michael soltar um gemido abafado virando o rosto – o que me agradou muito.

Pelo meu conhecimento em biologia eu sabia perfeitamente do que se tratava, aliás conhecia parcialmente o dito cujo volumoso.

Meu rosto queimou de vergonha, entretanto, continuei minha pesquisa de campo com muito nervosismo e fervor. Retornei aos meus interesses despindo a calça jeans até o chão, onde Michael me fez favor de erguer os pés para eu tirá-la completamente. Minhas bochechas doíam de tanto sorrir quando analisei cautelosamente as pernas do Michael.

Momento cientifico: Os músculos da perna do Michael são duros! Apalpei as duas e não eram como os do braço que apesar de rígidos dava para sentir a textura. E ele tinha várias cicatrizes de cortes e machucados em sua extensão. Recordei que poderia ser resultado do skate.

Apalpei até voltar a ficar em pé novamente. Faltava uma peça apenas. Uma cueca box listrada cinza com azul marinho. E sim, eu fiquei um pouco surpresa com o conteúdo dentro dela que parecia agitado. Decorrente a isso me perguntei se seria correto dar continuidade a retirada de roupas do Michael.

Eu não deveria tocar na sua intimidade ou sim? Engoli em seco sem querer colocar limitações.

Busquei reações na sua face conforme ia enfiando meus dedos pelo tecido para descê-lo como os demais. Confesso que quase perdi a coragem quando a roupa intima desceu o suficiente para mostrar o que ela guardava. Fechei os olhos nos primeiros segundos e nos outros estava chocada com a visão. Eu sim, já o tinha visto, só que nunca atentamente e só então percebi que Michael se depila!

Curioso.

Eu ia para o meu momento cientifico ao analisar o membro em questão quando notei o dono dele de olhos bem abertos me encarando.

— Você sabe que essa bolinação toda vai ter troco, né? — Fiquei tão envergonhada que nem respondi.

— Michael... — Implorei com um bico e com muita força fechou os olhos levando a cabeça para trás. Meu coração acelerou de emoção. Ele havia me dado permissão e aquilo foi muito bom.

Voltei ao meu tópico com empolgação – para não dizer excitação.

Momento cientifico: A sensibilidade do órgão masculino é impressionante! Eu mal tinha encostado e o Michael se contorceu todo soltando um gemido.

Apesar da timidez de estar fazendo aquilo, continuei apalpando observando com interesse a consistência e a textura incomum. Tudo com muita delicadeza, pois já ouvi em algumas aulas de biologia que se trata de um membro bem frágil.

Tudo corria bem até ali. Minha curiosidade me acalmou e fazia o meu peito inflar de felicidade.

— Ok, ok, ok! Eu acho que já fui paciente o suficiente... — Interrompeu minhas analises me empurrando para trás com os ombros. Ia pedir como da última vez, porém o Michael não queria mais papo.

Me deu um beijo quente com a sua língua vindo sobre a minha com impaciência fazendo meu corpo esquentar, e não pareceu satisfeita, pois em seguida nossos lábios se separaram e ela envolveu meu queixo migrando até o meu pescoço onde beijar não foi suficiente e me mordeu. Uma mordida leve, dolorida e que me fez gemer soltando o ar, com certeza mais por ter gostado do que por dor.

— Sophie... — Sussurrou no meu ouvido beijando minha orelha. Suas mãos deslizaram pelas minhas costas me puxando contra ele. — ...Não disse que tinha que parar... — Disse quase ronronando descendo a boca para os meus ombros como se fosse devorá-los. Demorei a entender que ele se referia a tocar nele, pois desde que avançou sobre mim, me mantinha imobilizada.

Não pude evitar, seus beijos e as mãos me apertando por onde percorriam me fazia perder um pouco a noção. Meu batimento cardíaco estava a mil, minhas respiração entre inconstantes inalações e exalações e nem precisava dizer o quanto aquele tal fogo ardia por todo lado... Mas tudo isso foi ao extremo quando a mão que se encontrava alisando minhas costas apertou minha nádega direita com rigidez.

Dei um gemido assustado misturado com prazer jogando o corpo para trás involuntariamente. Se não fosse o Michael me segurando eu teria batido as costas no mármore no impulso. Só então ele parou de beijar minha clavícula – que estava me deixando cada vez mais mole – e ficou ereto se contendo.

— Vamos para o quarto... — Falou com a voz embargada. Nem recordo se responde. Apenas o segui com um olhar perdido e percebendo que o fato dele ter parado foi horrível. Eu estava tímida, mas aquilo vencia qualquer timidez.

E antes que eu me sentasse na cama ou deitasse ele já tinha me puxado pela cintura apertando meu corpo contra o seu e me beijado novamente. Passei as mãos envolta do seu pescoço e o beijei de volta. Havia um ardor de ambas as partes, eu queria que ele continuasse a todo custo e ele queria continuar sem se segurar mais.

— Ah... Você é perfeita... — Sussurrou ao interromper o beijo e se distanciar me observando. Ruborizada sentindo o coração bater mais rápido apenas sorri querendo encerrar aquele curto espaço entre nós. O que não possível, pois Michael queria o troco por tê-lo tocado anteriormente.

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E ele foi direto onde seus olhos não conseguiam mais desviar o olhar. Primeiro tocou com uma mãos e no mesmo segundo não se conteve mais e afundou rosto no meu seio o beijando/sugando/sei lá mais o que fazia que me deixou tremula no mesmo tempo. Soltei um gemido alto suficiente para tia Eloise ouvir lá na casa dela.

É meio inexplicável, é como um choque muito agradável que invade o seu corpo e te faz perder alguns sentidos e toma uma quantidade da sua força. Eu ia me apoiar no Michael, porém ele foi mais rápido me girou 180º graus me colocando deitada na cama.

Seu olhar sobre mim era ardente, eu devia estar tão vermelha que meu cabelo se confundia com minha pele. Achei que fosse tornar sua atenção para o meus seios – eu sinceramente aguardava ansiosa – no entanto, pegou uma das minhas mãos e a outra colocando sobre seus ombros.

— É um jogo de dois Sophie... — Disse ofegante. Daí sim, depois de dizer desceu seu rosto até meu busto e me contorci com as sensações me tomando.

Tentei seriamente senti-lo com as mãos o tocando, mas não conseguia. Com aquele beijo que sua boca dava sobre os meus seios eu perdia a linha de raciocínio do que estava fazendo. O máximo que consegui foi levar minhas mãos aos seus cabelos e bagunça-los.

Entre um gemido e outro que escapada dos meus lábios podia se ouvir uma risadinha vindo do cretino que os proporcionava. Como se não bastasse suas mãos começaram a alisar minha barriga e o ventre, o que me fazia ter incontáveis arrepios por segundo.

Não pensei que nada pudesse superar aquilo, o calor que finalmente conheci, a sensação desenfreada de prazer e meu organismo simplesmente perdendo controle com um batimento fora do normal e uma respiração descompassada.

Isso até aquela mão descer do ventre para entre minhas pernas.

No choque impulsionei o corpo para frente e gemi. O desgraçado do Michael deu uma risada, após uma pausa nos beijos ardentes no meu peito.

— Eu disse que ia ter troco... — Sussurrou com a voz enrouquecida e minha resposta foi um rosnar misturado com gemido.

Michael definitivamente sabia o que fazia, seus dedos pareciam conhecer bem o caminho e aos senti-los me acariciar internamente entendi toda a fixação da Claritta por sexo. Foi um breve afago provavelmente só para me torturar, pois em seguida se retirou.

— Michael...? — O chamei quando saiu da cama me deixando ali sozinha.

— Calma, calma... — Pediu indo até a mesinha de centro onde estava a carteira. — ...Pronto... — Abriu um preservativo e retornou. — ...Tudo bem?! — Na verdade não estava. Lembrei só naquele momento da Claritta me dizendo que para minha sorte o Michael não ia ser o meu primeiro, pois em seus palavras ele era meio agressivo – o que me deu um pouco de medo.

— Agora? — Foi o que saiu. Ele me sorriu divertido.

— Quer brincar mais? — Mordi o lábio inferior afirmando. Se brincar queria dizer ficarmos aos beijos com ele me tocando, sim.

Deixou o objeto de lado e avançou em mim. Respirei sorrindo aguardando um ‘daqueles’ beijos que me fazia sempre querer mais.

E houve beijos que não se limitaram a boca, que percorriam por todo canto do meu corpo e me fazia por pouco ficar sem folego. Aos poucos fui entendendo que era possível sentir dois prazeres ao mesmo tempo, aquele do Michael me devorando e outro comigo tentando devorá-lo.

Logo eu já não sabia o que queria, só não conseguia para de pensar que não era suficiente, só que o Michael parecia ter essa resposta pronta.

E então veio a parte que supostamente deveria me deixar com medo. E quando o vai e vem continuou terminou tudo que me veio à cabeça foi: Vai doer todas as vezes?

Tirando isso consegui, dormir agarradinha ao Michael e sentir que finalmente ele era meu já compensava qualquer dor.

[...]

Continua...

Notas finais
Imagem - Santa Mônica - Califórnia Grandão para vocês hein?! Olha, essa é a ultima vez que demoro tanto, é que esse capitulo estava complicado de escrever. A música que o Michael canta é Your man - Josh turner. Eu vi a letra e achei tão a cara dele que tive que enfiar ela na história. Daqui para frente será mais rápido. E o fim se aproxima! Até o proximo!