Espadas & Corações
6 Capítulo 6
Notas iniciais
A lua havia acabado de nascer quando Regina saiu de trás de uns arbustos, terminando de arrumar a capa que alguns minutos antes a loira estava usando, então escutou um uivo perto e olhou na direção vendo um lobo branco sentado a olhando. Ela sorriu e caminhou em sua direção, ao se aproximar, agachou-se e sentou-se sobre seus calcanhares. – Boa noite meu amor! – moveu suas mãos e começou a fazer carinho por toda a cabeça, atrás das orelhas e pescoço do lobo que apenas fechou os olhos e abaixou a cabeça para encostá-la no peito da morena – Também estou com muitas saudades de você... – disse sorrindo com o ato do lobo e por fim encostou sua cabeça a do lobo sem cessar seus carinhos.
Henry estava voltando, pois havia ido pegar um pouco de água a mando de Emma, e parou ao ver a cena a sua frente, sorriu tristemente lembrando-se da história, mas não durou muito e logo se animou pensando que logo elas voltariam a viver juntas novamente sem o peso da maldição, e seguiu para perto da fogueira dando privacidade as duas. Tempos depois, ele viu o lobo sair correndo para uma direção qualquer e escutou Regina se aproximar.
— Cadê Gepeto? – perguntou assim que se sentou ao lado do rapaz, que lhe ofereceu água e ela aceitou prontamente.
— Voltou com sua égua para o seu reino, Lady Regina... – respondeu Henry agora oferecendo um prato com ensopado e um pedaço de pão – O senhor contou a Emma sobre o pergaminho... – fez uma pausa olhando a morena comer sem pressa e esperando que ele continuasse – Então ela fechou os olhos e ficou em silêncio por uns cinco minutos ou mais, e quando abriu os olhos pediu para Gepeto ir para o reino e chamar a armada dela e mais vinte homens e encontrá-la ao sul das terras de Robin daqui a dois dias e depois dormiu. – terminou indignado – Não me deixou se quer fazer uma pergunta sobre o plano ou minha ajuda a ela. – exasperou-se.
Regina abriu um sorriso ao terminar de escutar a explicação – Ela sempre foi assim... – por fim disse ao terminar de comer – Se ela não te contou nada até agora, provavelmente está estudando cada possibilidade do plano que arquitetou, e só o fará quando finalizar tudo e se encontrar com a armada, então não se preocupe... – e continuou sem deixar Henry falar – Se ela disse que precisa de sua ajuda, logo ela falará e você saberá de tudo. – sorriu ao final.
Ele apenas suspirou profundamente se conformando – Bom, se você o diz... – tomou um pouco de água – Sabe, aposto que você também muitas histórias para contar. – disse mudando completamente o foco da conversa. Regina apenas ergueu uma sobrancelha confusa ao olhá-lo – Gepeto me contou algumas histórias dele... Emma passou o dia me contando a história de quando vocês se conheceram... – a morena o olhou incrédula, pois sabia que Emma não confiava facilmente nas pessoas que não conhecia, mas se ela contou como se conheceram, então com certeza esse garoto tinha algo especial – E qual história quer saber? – perguntou sorrindo e ao fundo ouviu-se um uivo de lobo, e ela involuntariamente virou seu rosto na direção do uivo.
Henry então se ajeitou melhor em seus panos, jogou mais uns pedaços de madeira na fogueira e virou-se de frente para a mulher – Me conte como vocês se apaixonaram... – esfregou as mãos, ansioso, pior que criança quando está prestes a ganhar um brinquedo novo – Quando vocês se declaram?
Regina também se ajeitou nos panos em que estava sentada, após ter sua atenção voltada novamente para o rapaz e arrumou melhor a capa para cobri-la – Nos apaixonamos desde que nos conhecemos, e isso foi crescendo junto com a gente... Acho que Emma devia ter uns 15, 16 anos no máximo, e eu uns 18, 19 anos quando nos declaramos... – começou a morena e sorriu para a expressão de curiosidade do rapaz a sua frente.
Desde o dia que se conheceram, tanto Regina ou Emma sempre achavam um jeito de se encontrarem, nem que fosse por breves minutos. Com o tempo a morena também conheceu os outros amigos da loira, e assim uma grande amizade estava nascendo entre eles para desgosto e desespero de Cora.
— Isso é inadmissível Henry! – bradou a mulher – Regina é da realeza e não pode ficar se juntando as meras crianças em treinamento... Ela tem suas próprias ocupações e ficar em companhia dessas... Criaturas não convém.
— Cora, não comece com isso. – respirou fundo o homem – Regina já não é mais uma criança e não precisa agir mais como uma... E não vejo nada demais eles se reunirem, são amigos. Também concordo que ela tenha suas ocupações... – ergueu a mão silenciando a mulher ante de falar – Mas eu não a obrigarei a ficar enfiada em uma sala dia todo e noite toda. E faço muito gosto dela ter amigos, pessoa não pode crescer sozinha.
— Tudo bem! – cedeu um pouco – Mas acho que ela anda muito tempo com aquela tal Swan! – exclamou, algo a incomodava nessa amizade – Não acho isso de bom tom.
Henry riu da preocupação de sua esposa – Não vejo nada demais. – comentou – Emma é uma boa garota, e não vejo problema nenhum delas andarem juntas, afinal são melhores amigas... – riu, pois ele também tinha pressentimento sobre elas, mas deixaria para se preocupar na hora certa.
— Enfim... – suspirou – Acho que está na hora de começarmos a procurar um pretendente para nossa filha, ela já está na idade para ter belos jovens a cortejando. — disse mudando parcialmente de assunto.
— Cortejando-a? De onde tirou tamanha sandice? – perguntou Henry incrédulo – Regina é apenas uma criança.
— Como você mesmo disse, meu rei, ela não é mais uma criança. – rebateu Cora – Regina já está com 18 anos, e está começando a chamar atenção por sua beleza e acho que está na hora de pensarmos nisso.
Alheia a toda essa discussão, Regina estava no seu lugar preferido do castelo ultimamente, o campo de treinamento. Ali ela observava seus amigos treinando arduamente, mas não sabia explicar o porquê, mas a que a chamava mais a atenção era a loira, aliás, ela sabia já há algum tempo o porquê, mas ainda não estava pronta para encarar aqueles sentimentos, mas ver Emma ali manejando a espada com muita habilidade e destreza sempre a deixava a mercê desses sentimentos. Desde o momento que se conheceram, Regina sempre sentiu uma forte ligação com a loira, que sempre a puxava para estar perto mesmo que fossem apenas uns minutos por dia. Se não a via seu coração se apertava de angustia, e quando estava na companhia da loira era como estar em paz. Assim elas foram crescendo, quando crianças sempre brincando juntas, no começo da adolescência as brincadeiras de crianças deram espaço a muitas conversas, as quais aos poucos iam se conhecendo mais profundamente.
Então foi tirada de seus pensamentos quando escutou um alvoroço e olhou a sua frente e viu Emma sendo rodeada por seus amigos, prontos para atacá-la – Quero que vocês ajam em cooperação e não cada um por si... – disse o instrutor de combate – Numa batalha, tem que saber quando agir em grupo e quando agir sozinhos.
— Mas porque temos que atacarmos Emma todos juntos? – perguntou Killian, ele sempre fora o último a entender as coisas.
— Porque meu caro aprendiz, sozinhos vocês não tem nenhuma chance contra ela, quem sabe juntos consigam finalmente derrotá-la. – respondeu o instrutor.
E sem mais, tudo aconteceu num piscar de olhos. David foi o primeiro a atacá-la, mas sem sucesso, Ruby logo em seguida, e também não conseguiu nem chegar. Mulan conseguiu um pequeno corte na roupa, mas não conseguiu acertar outro ataque, e por fim foi Killian que tentou e terminou sentado no chão.
— Parem! – ordenou o home – Vocês estão agindo cada um por si... Pensem e se unam, ataquem com um só.
Então eles se posicionaram novamente ao redor da loira, David lançou um olhar para Mulan que entendeu e no momento seguinte os dois atacaram juntos, um de cada lado, fazendo a loira se desviar de uma, mas não conseguiu desviar do outro entrando em combate com David, que balançava sua espada de um lado a outro, não dando chance de Emma atacar só defender, então ao seu lado surgiu Mulan também a atacando e a empurrando para pressioná-la contra a parede. A loira percebendo a intenção dos dois conseguiu uma brecha nos ataques e contragolpeou David com um chute atrás do joelho, que caiu desarmado, e seguiu para atacar apenas Mulan que não demorou muito também estava rendida.
— Esse ataque foi melhor... Mas nunca deixem seu oponente encurralado, ele fará de tudo para sair da situação em que se encontra. – explicou o homem – Mais uma vez!
E assim foi por quase duas horas, e quando finalmente todos conseguiram sincronizar um ataque Emma até tentou, mas não teve a menor chance. Levou vários socos, e acabou com um leve corte no antebraço e quando viu estava sentada no chão sem espada e um amigo de cada lado apontava a espada para ela. Ao fim o instrutor parabenizou a todos pelo dia e os dispensou.
— Venha! – disse David estendendo a mão para ajudá-la a se levantar, e a loira aceitou a ajuda segurando firme. – Sinceramente gostaria de saber como você consegue fazer isso! Demoramos quase duas horas para te derrotarmos. De onde tira inspiração para lutar com tanto afinco? – e sorriu.
— Ali está a inspiração da loira. – apontou Ruby sorrindo maliciosamente, quando chegou vendo Regina se aproximar deles. – Ai se eu tivesse uma inspiração assim. – e suspirou a garota, e no instante seguinte o rosto de Emma ficou vermelho como um tomate.
— Não fale besteiras Ruby! – exclamou Emma tentando escondeu a vermelhidão do rosto, David olhou para a loira, então para morena com mexas vermelhas no cabelo, e depois para a morena que vinha na direção deles, e por fim novamente para a loira, então abriu um sorriso zombeteiro ao ligar os pontos e entender o que Ruby havia dito.
— Sério? – perguntou curioso. – Desde quando?
— Olha o que você fez Ruby! – se defendeu a loira – Não escute o que ela fala, David... Ruby ultimamente não está em seu perfeito juízo.
— Desde muito tempo David. – respondeu a mulher não fingindo não ter ouvido a loira, então a olhou – Quando vocês começarem a namorar me avisa. – e piscou saindo de perto quando Regina finalmente se junto ao grupo.
— Quem vai namorar? – perguntou a morena, escutando o final da conversa, fazendo Emma corar violentamente outra vez e David gargalhar.
— Não se preocupe Regina, logo você descobrirá. – respondeu Ruby por fim e se distanciou.
— O que foi que eu perdi? – perguntou agora confusa.
— Não liga Regina, aquela garota ultimamente está com uns parafusos soltos, e não está falando coisa com coisa. – respondeu a loira – Deve ter tomando muita pancada na cabeça durante as lições de luta corporal.
— Com certeza. – concordou David observando apenas – Bom, com licença que vou para meu banho e descansar, mais tarde irei vê Mary. Até mais.
— Até! – falou as duas ao mesmo tempo. Então Regina a olhou e examinando-a – Você também precisa de um banho e cuidar desses machucados. – e sem esperar por uma resposta, segurou a mão de Emma e se encaminharam para o quarto da loira – Vamos cuidar isso.
Ao chegarem ao quarto, Emma foi direto para o banho enquanto Regina começava a arrumar as coisas para tratar dos ferimentos da loira. Minutos depois uma revigorada Emma saiu do banheiro, vestia apenas uma calça e uma camiseta, e se juntou a Regina em sua cama, pois viu que a morena já estava com tudo pronto para fazer seus curativos.
— Você sabe que não precisa fazer isso, né? – falou ao se sentar ao lado da morena.
— Sei. – respondeu ao examinar melhor os ferimentos da mulher a sua frente – Mas eu quero fazer. – disse sorrindo, ato que fez a loira sorrir também. E sem mais nenhuma palavra, Regina cuidou dos ferimentos dos braços, para logo cuidar dos ferimentos do rosto. Desinfetou o leve arranhado no queixo, e deu atenção ao leve corte no supercílio direito, depois de desinfetado, colocou um pequeno curativo, e no momento seguinte foi cuidar do ferimento que tinha no lábio inferior do lado esquerdo, era pequeno, mas provavelmente ficaria alguns dias dolorido.
Emma a olhava sem falar uma palavra, olhava com cuidado e nos mínimos detalhes cada pedaço do rosto de Regina, suas sobrancelhas bem delineadas, seu nariz perfeito, uma boca delicada, aquela cicatriz, Regina havia dito que ganhara aquela cicatriz quando muito nova, pois em uma de suas peraltices, acabou caindo de cara no chão e machucado, restando apenas aquela cicatriz, e fixou no olhar castanho a sua frente e se perdeu novamente e não queria mais se encontrar e ficar ali para sempre. Regina via que Emma a observava enquanto tratava de seus ferimentos, quando estava cuidando dos ferimentos do rosto, ela aproveitou para observar melhor. Enquanto limpava o queixo, percebeu que tinha uma covinha no meio, e achou aquilo maravilho, então subiu olhando para o nariz pequeno, então deu atenção ao corte do supercílio e foi para o corte na boca, olhou atentamente os finos lábios, então concentrou seu olhar naquele olhar verde e se perdeu. Não disseram nenhuma palavra durante esses minutos, apenas ouvia-se suas respirações, e como se fossem atraídas uma pela outra, começaram a se inclinarem a frente até seus rostos pararem centímetros de distância. Em um movimento automático, Emma levantou sua mão direita e pousou as pontas dos dedos no rosto de Regina, na altura do queixo, como que silenciosamente pedindo permissão para o que queria fazer, e obteve um breve aceno positivo da morena e a loira terminou com a distância e seus lábios se encontraram uma breve carícia. Tinham medo que aquilo fosse um sonho, que no momento seguinte acordariam e cada uma estaria deitada em suas respectivas camas. Esperaram alguns segundos, e percebendo que não era um sonho o beijo se tornou real, elas queriam mais, no instante seguinte Emma colocou sua mão inteira no rosto de Regina a beijando com mais afinco. Mas Regina ainda queria mais, e passou levemente a ponta de sua língua sobre os lábios da loira pedindo permissão que foi prontamente atendida, quando suas línguas se encontraram a sensação que tomou conta dela era indescritível, apenas sabiam que não queriam mais parar. O beijo tinha vontade, tinha amor, e como um passe de mágica terminou, elas se afastaram brevemente e seus olhos se encontraram novamente e um imenso sorriso nasceu em seus lábios.
— Faz tanto tempo que eu queria fazer isso. – comentou a loira, fazendo carinho com seu polegar na bochecha da morena – Você me desestrutura só de estar por perto, mas se você não esta, meu dia não tem sentido... Céus, o que você faz comigo? Eu nunca me senti assim. Eu nem sei o que sinto, é uma confusão enorme, mas apenas sei que sinto algo forte por você... Sei que sua mãe provavelmente tenha planos para você, mas eu não consigo deixar de ter raiva desses pensamentos... Em apenas pensar você com outra pessoa a seu lado que não seja eu, me enraivece, me deixa mortas de ciúmes... Sei também que não deveria pensar assim, pois sou apenas uma aspirante a amazona e não tenho nada a lhe oferecer... – fez uma pausa então pegou uma mão de Regina a colocou sobre seu coração – A não ser o que tenho aqui dentro...
— Você também mexe comigo, abala minhas estruturas... – começou a morena – Se você não está ao meu lado, é como se eu não respirasse e perdesse minhas forças, você é o meu chão, a pessoa que quero sempre ao meu lado... — fez uma pausa ao respirar profundamente – Céus, eu sou uma confusão só de sentimentos, não sei o que se passa, mas a única coisa que tenho certeza é que o que sinto por você é tão forte e é só por você... E não me importa o que minha mãe queira, acho que já está na hora de eu tomar minhas decisões por mim mesma. – sorriu lindamente – Eu não quero nada além do que você tem aqui dentro. — apertou levemente a mão sobre o coração de mim – Para mim é o suficiente. – então se beijaram novamente selando o mútuo acordo de ficarem juntas e se amarem.
Henry não piscava, escutava tudo atento, e cada vez mais se maravilhava com aquilo tudo, e não via a hora de que aquela maldição se quebrasse, pois um amor lindo como aquele não poderia viver assim.
— Acho que por hoje está bom... – disse Regina após um longo suspiro – Devemos descansar, pois amanha será um longo dia.
— Ah, mas quero tanto escutar mais. – disse Henry inconformado – Saber mais o que aconteceu.
— Você saberá... – então ouviu um uivo de lobo – Teremos mais noites para conversar meu querido. Vamos dormir. – por fim se deitou para descansar, e Henry não tendo alternativa, colocou mais uns pedaços de lenha na fogueira para ela queimar até o fim da noite, e se deitou e no momento seguinte estava dormindo.
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