Esnobando o Amor
13 Capítulo Bônus – Tarde Com os Amigos
Notas iniciais
Acordei com algumas batidas na porta, e logo em seguida uma voz me chamando.
– Cristina? – chamou dando algumas batidinhas na porta, e eu rolei na cama, tentando ignorar os barulhos – Cristina? – chamou novamente, me obrigando a responder.
– Sim? – falei com a voz embargada pelo sono, mas ainda de olhos fechados.
– O almoço já está na mesa. – afirmou parando de bater na porta.
“Almoço?! Quanto tempo eu dormi?!” – me perguntei finalmente abrindo os olhos, e olhando no relógio no criado mudo ao lado da cama – “Puta que pariu, já são meio-dia!” – esfreguei os olhos e suspirei – Okay Vera, já vou descer, obrigada por avisar. – respondi tentando tomar coragem de me levantar.
– Se apresse senão sua filha vai pôr um ovo! – alertou e pude ouvir seus passos se afastando dali.
Bufei e esfreguei os olhos, me levantando da cama preguiçosamente. Me enfiei no banho gelado, numa tentativa de me despertar, afinal não tinha dormido quase nada hoje. Depois da discussão com o Rodrigo ontem, eu perdi o sono, e só consegui dormir depois de tomar um calmante que carrego comigo para tomar antes de embarcar no avião. E isso foi acontecer, já eram 7:00 da manhã.
Saí do banheiro enrolada na toalha, e fui procurar uma roupa qualquer para descer para o almoço. Estava faminta, e me lembrei que Elisa poderia surtar a qualquer momento, porque ela odeia esperar. Então vesti um short jeans e uma blusinha solta, calcei minhas sapatilhas pretas e desci, me direcionando para a cozinha e recebendo um olhar não muito agradável de minha filha.
– Bom dia gente. – cumprimentei me sentando à frente de Elisa.
– Bom dia? Você já viu a hora?! É boa tarde querida. – rebateu, pejo jeito já sem mais um pingo de paciência – Agora posso me servir? – perguntou olhando para Vera e Gerson.
– Agora pode, vai com tudo. – respondeu Gerson rindo fraco – E boa tarde senhorita Cristina.
Elisa se levantou rapidamente e se serviu, sendo seguida por mim, depois Caio, Gerson, e por último Vera. Ela sempre fazia questão que todos se servissem primeiro.
O almoço seguiu normalmente, com pouca conversa, às vezes alguém falava algo não muito relevante e os outros comentavam e riam, mas logo o silêncio retornava. Até que finalmente todos acabamos de comer, Elisa partiu com Caio e Gerson para a casa da minha irmã, o que já me fez suspeitar de tudo na hora. Ah, eles vão aprontar alguma, e a pior parte é que minha irmã está sendo cúmplice!
Me levantei e ajudei Vera a tirar a mesa, e a segui para a cozinha, onde ela começou a lavar a louça.
– E então, como foi ontem com o dono do restaurante? – perguntou curiosa, enquanto lavava os copos.
– Foi ótimo, ele é um cara super legal, conversamos sobre muita coisa, sem contar que ele tem um bom gosto indiscutível para comida. – respondi calmamente, me lembrando das partes boas da noite.
– E teve mais alguma coisa...? – questionou em um tom maldoso, sem se virar para mim.
– Não! – exclamei embaraçada – Quer dizer, só um beijo rápido, e o Gerson chegou... – continuei voltando ao meu tom normal, me lembrando do beijo e da desculpa que dei para pará-lo.
– Mas Cristina, deixe de ser lerda! Agarre logo esse homem e seja feliz! Afinal pelo jeito, aposto que as coisas aí andam devagar, e temos que fazer a manutenção do encanamento né... – falou indignada, terminando a frase com malícia.
– Ai que horror Vera, eu hein! – retruquei rindo envergonhada – Você não presta mesmo... Mas sei lá, ele parecia estar interessado, mas não sei se estou preparada...
– Não está preparada?! Cristina, já faz 4 anos que você se separou do Rodrigo, sabe Deus quanto tempo que ele te traiu, e sem contar que ele vai se casar em dois dias, acho que já está mais do que na hora de estar preparada! – rebateu seriamente e se virando para mim – Quanto tempo faz? – perguntou me encarando nos olhos.
– Quanto tempo faz o que? – questionei inocentemente, devolvendo o olhar.
– Que você não... – fez um gesto com a mão, movendo os dedos para baixo e para cima, e eu a olhei confusa – Que você não afoga o ganso, faz o lepo lepo, transa? – finalizou impaciente, cuspindo as palavras.
– Vera! – gritei horrorizada, não sou tão direta assim como ela.
– Ah qual é Cristina, não me vem com esse papo de virgem envergonhada não, quanto tempo faz?
– O Rodrigo foi meu último. – respondi relutante, olhando para o chão envergonhada.
– Ai meu Deus, mas quando foi essa última vez...?
– Antes de nos divorciarmos, há uns 4 anos atrás. – afirmei ainda sem olhar para ela.
– Meu Deus do céu, isso é muito preocupante! – exclamou desligando a torneira – Cristina, você não se relacionou com ninguém?! É por isso que não desapega! – continuou com seus olhos fixos em mim, mas não tive coragem de erguer a cabeça para encará-la.
– Eu sei, eu sei... Mas é difícil sabe... Sem contar que tenho focado muito no trabalho, e não tenho tido muito tempo para essas coisas...
– Não lhe falta sexo porque você trabalha demais, e sim você trabalha demais porque lhe falta sexo. – afirmou sorrindo fraco, talvez estivesse certa, sei lá.
Bufei e dei de ombros, ainda olhando para o chão.
– Quem sabe depois que eu ver o Rodrigo casado, eu não consiga seguir em frente... Mas por enquanto prefiro deixar as coisas assim, tenho alguns planos de me mudar para Nova York, quem sabe lá não encontro o homem dos meus sonhos? – indaguei sorrindo fraco, mas logo voltando a ficar séria.
– Olha, você que sabe o que é melhor para você, mas ouça meu conselho: siga em frente. Não precisa se casar com o primeiro cara que dormir a partir de agora, pode tentar superar tudo isso aos poucos. O tempo não cura, quem cura na verdade é você mesma, quando decidir tomar uma posição e sair da “sofrência”. – me aconselhou calmamente – Agora se quiser curtir essa “sofrência” pelo resto da vida, aproveite que está no Brasil e compre alguns CDs do Pablo, e ouça todo dia. – brincou aparentemente tentando quebrar o clima, com um sorriso se formando em seu rosto.
Retribuí o sorriso e a abracei.
– Obrigada Vera, vou pensar nisso... E sobre os CDs do Pablo, acho que não vou precisar, mas caso eu fique nessa o resto da vida, ouço Adele e fica tudo certo. – agradeci e brinquei também, rindo fraco.
Ela riu também, e se afastou de mim.
– Tudo bem então, internacional... Pode contar comigo para o que precisar, até se for para enviar um CD do Pablo para lá. – respondeu e riu mais uma vez.
Ri também e neguei com a cabeça.
– Ai Vera, só você mesmo... Agora deixa eu tirar o pé do seu serviço, acho que vou ver uns filmes tristes, chorar um pouco e ouvir umas músicas românticas tristes. – afirmei indo até a porta da cozinha.
– Ta bom, e eu vou terminar aqui, aproveite a tristeza!
Ri e acenei, subindo para o quarto de hóspedes. Havia uma TV ali também, não muito grande, de umas 32 polegadas aproximadamente. Liguei a TV e fui checar o catálogo da Netflix. O primeiro que decidi assistir foi “Diários de uma Paixão”, que é baseado no livro do Nicholas Sparks. Chorei um pouco nesse, e logo que acabou pulei para outro. Dessa vez escolhi um que sou apaixonada: “Amargeddon”. Eu sempre tive uma queda pelo Ben Affleck, e esse filme tinha ele e mais uma história incrível. O assisti inteirinho, e quando o filme acabou quem estava se acabando era eu, só que em lágrimas. Aquela música no final sempre me faz chorar, porque eu acabo lembrando do filme e tal. Procurei a música no meu celular e a coloquei, me deitei na cama e fiquei curtindo o som, enquanto um milhão de pensamentos invadiram minha mente. A música se chama “I Don’t Want to Miss a Thing”, do Aerosmith, e ela acabou me lembrando do início do meu relacionamento com Rodrigo. De como éramos apaixonados, e não queríamos perder sequer um segundo juntos, sempre um procurando pelo outro, e a distância nos matava...
Comecei a cantar o refrão, ignorando minha voz chorosa.
“Don't wanna close my eyes
I don't wanna fall asleep
'Cause I'd miss you, babe
And I don't wanna miss a thing
'Cause even when I dream of you
The sweetest dream will never do
I'd still miss you, babe
And I don't wanna miss a thing”
“Não quero fechar meus olhos
Não quero pegar no sono
Porque eu sentiria a sua falta, baby
E eu não quero perder nada
Porque mesmo quando eu sonho com você
O sonho mais doce nunca vai ser suficiente
Eu ainda sentiria a sua falta, baby
E eu não quero perder nada”
“Será que tem alguém que se sente assim para sempre?” – pensei parando de cantar e encarando a TV à minha frente, ainda com a capa do filme na tela.
Respirei fundo no fim da música e sequei as lágrimas.
– Chega de bad! – falei para mim mesma, me levantando da cama e parando de chorar.
Fui para o banheiro e lavei o rosto, voltei para o quarto e decidi que queria sair, mas com quem? Foi quando me lembrei que precisava contar algumas coisas para minha irmã, então peguei meu celular e liguei para ela, me sentando na beirada da cama enquanto a esperava atender. Demorou um pouco mas ela atendeu.
– Oi Cristina! – falou aparentemente pega de surpresa pela minha ligação.
– Oi Luísa, você está livre hoje? – perguntei indo direto ao ponto, não tenho paciência para ficar falando no celular.
– Ah, claro, por quê? – respondeu de uma maneira estranha, aí tem, e eu acho que ela está aprontando com aqueles pestinhas!
– Eu precisava te contar umas coisas, que tal saímos para conversar?
– Okay, pode ser no Cafezeiros? Ah, e sabe quem eu encontrei hoje? O Otávio! Posso chama-lo também?
Foi quando me lembrei do Otávio. Ele é meu melhor amigo de infância, e desde pequeno ele já mostrava sinais de que jogava no mesmo time que eu e Luísa, mas foi só na adolescência que ele se assumiu, e apesar de não chocar quase ninguém porque sempre fora óbvio, ele sofreu muito bullying com isso, mas minha irmã e eu sempre estivemos lá para ampará-lo, assim como ele sempre esteve ao nosso lado para o que precisássemos. Mas, com o tempo, a faculdade, o trabalho, relacionamentos, tudo isso foi nos afastando mais e mais, até que só nos víamos quando eu ia fazer meu cabelo nele.
– O Otávio?! Que ótimo, estou morrendo de saudades! Mande ele vir também, faz uma cara que não o vejo! – exclamei sorrindo, ele ia surtar quando soubesse de tudo o que aconteceu.
– Pois é, fazia tempo que eu não o via também, ta bom então, tchau! – se despediu e antes que eu pudesse responde-la, ela desligou na minha cara.
“Essa daí definitivamente está aprontando alguma!” – pensei e neguei com a cabeça, tentando não me preocupar.
Me levantei da cama e fui até a mala, optei por um vestido longo preto, com uma fenda na perna que ia até o meio das cochas, e um sapato baixo de abotoar na canela. Coloquei um cinto fino bege meio puxado para o marrom da mesma cor dos sapatos, e fiz uma maquiagem básica marrom com um batom nude. Sorri para meu reflexo no espelho, eu estava deslumbrante. Por um segundo pensei como eu havia deixado Rodrigo escapar? Eu sou bonita, então o que falta em mim?
Fechei os olhos e respirei fundo, tentando espantar meus pensamentos sobre isso. Peguei minha bolsa e desci, me sentando no sofá para esperar minha irmã, que enviara uma mensagem dizendo que ia me buscar. Vi Gerson passando por mim na sala, e o mesmo parou e me olhou.
– A senhorita vai sair? – perguntou educadamente.
– Sim, vou sair com minha irmã, mas não se preocupe, ela está vindo me buscar. – respondi sorrindo simpaticamente.
– Ah sim, é que o Caio foi fazer um trabalho de escola na casa de um amiguinho, e me ligou agora para busca-lo. – explicou parecendo aliviado.
“Amiguinho, sei...” – pensei erguendo de leve uma sobrancelha – Tudo bem Gerson, pode ir sossegado. – afirmei olhando-o segura.
– Então ta bom, tchau senhorita Cristina! – se despediu e saiu pela porta.
Alguns minutos se passaram e logo pude ouvir a campainha, escutei Vera atendendo e um minuto depois minha irmã entrou pela porta da sala, seguida por Elisa, Mariana e por último Otávio, que parecia meio desconfortável por estar entrando na casa de um cara que não gostava muito.
– Tavinhooooo! – gritei correndo até ele e o abraçando fortemente, logo depois que ele entrou na sala completamente e fechou a porta atrás de si.
– Cristina minha deusa, você não mudou nada, me ensina a fórmula de ficar com esse rostinho de 20 para sempre por favor! – falou me abraçando de volta e me fazendo rir. Estava com saudades do meu velho amigo.
– Ai Otávio, olha quem fala, você parou de envelhecer aos 16. – afirmei fingindo estar entediada e rindo no final – Quanto tempo! – o apertei mais contra meu corpo.
– Ai gata, você parece ser toda delicada assim, mas é bem forte sabia? Desse jeito você me mata apertado. – reclamou se afastando um pouco de mim – Agora deixa eu ver como minha rainha está! – exclamou pegando em minha mãe e eu dei uma voltinha, lhe mostrando meu corpo – Ai arrasando como sempre né minha linda, sempre no luxo! – elogiou e piscou para mim sorrindo.
Sorri um pouco envergonhada, afinal mesmo depois de todos esses anos eu ainda não me acostumei com seus elogios.
– Vai ignorar a irmã agora, é isso mesmo? – indagou Luísa com uma falsa indignação, e eu me aproximei dela e a abracei apertado.
– Ai meu Deus, ela é carente gente, que peninha. – caçoei movimentando nossos corpos de um lado para o outro no abraço.
– Agora não precisa tanto né. – rebateu e riu se afastando de mim e ajeitando o cabelo – Vamos logo? Estou curiosa para saber dos babados. – continuou intercalando seu olhar entre eu e Otávio.
– Opa, partiu! – concordou o homem entusiasmado.
Me despedi das crianças e peguei minha bolsa, seguindo Otávio e Luísa para o carro da minha irmã.
–-
Chegamos no Cafezeiros, meu café favorito desde minha época de faculdade, que foi quando ele inaugurou. Descemos do carro, entramos e escolhemos uma mesa lá fora, porque o dia estava um pouco nublado e com um ventinho agradável. Logo em seguida veio um garçom loiro dos olhos verdes tomar nossos pedidos, e eu pedi o meu sem nem consultar o cardápio, pois era o mesmo de sempre: um milk-shake de Nutella e um cupcake de leite ninho. Fiquei esperando-os fazerem seus pedidos, e observando Otávio dar em cima do garçom na cara dura. Não aguentei e ri fraco desviando o olhar deles, e fiquei encarando o movimento na rua até que eles finalmente terminaram de pedir.
– Ai vocês viram que gato delícia?! E tem uma carinha de gay... Esse se não dá empresta viu! – disse Otávio fitando a bunda do garçom, e me fez corar.
– Otávio, menos por favor! – o repreendi rindo desconfortável.
– Qual é diva, desde quando você é tão conservadora, eu hein. – reclamou fazendo um biquinho.
– Desde que tenho uma filha adolescente, e não quero que ela aprenda esse tipo de coisa. – rebati seriamente, só reparando o quão “mãe coruja” eu fui, depois de finalizar a frase. Mas é verdade, não quero minha filha falando esse tipo de coisa por aí!
– Olha minha deusa, eu sinto em te dizer, mas aquela sua filha pimentinha do jeito que é, já sabe mais do que você. – afirmou e riu fraco, fazendo uma cara de bobão.
– Okay okay, vamos mudar de assunto... Como vão as coisa Tavinho? – perguntei cruzando meus braços.
– Ai a cada dia sendo mais trouxa, quando será que teremos mais homens gays do que héteros? – respondeu em tom frustrado, fazendo minha irmã e eu rirmos.
– Calma Otávio, você vai achar o seu macho alfa. – indagou Luísa ainda rindo um pouco.
– Deus de ouça Lú, porque não aguento mais essa vida de encalhado. – disse erguendo as mãos em sinal de agradecimento – Agora eu estou é curioso pra saber como você está se virando na casa daquele brutamontes do Rodrigo. – continuou me cutucando de leve.
Respirei fundo e me ajeitei na cadeira, me preparando para falar tudo. Eu precisava urgentemente desabafar, e quem melhor que minha irmã e meu melhor amigo? Não vejo outras opções melhores.
– Bom, eu já percebi que as coisas iam desandar quando eu o vi pela primeira vez, ele veio todo fofo me abraçando e aquilo acabou comigo. Depois ele me viu chorando enquanto eu desabafava para a Vera, e me procurou no meu quarto e... nós quase...
– Vocês quase...? – questionou confuso, mas logo entendeu meu olhar sugestivo – MENTIRA! – berrou fazendo metade das pessoas que estavam no café nos olharem – Não creio que você quase caiu na lábia daquele idiota de novo dona Cristina! – me repreendeu, me olhando indignado.
– Ai Otávio, é difícil resistir sabia? – retruquei ficando sem graça – Sem contar que não foi a única vez... – os entreolhei envergonhada.
– Como assim?! Vocês quase transaram de novo?! – perguntou me encarando incrédulo.
– Sim... E dessa vez foi na loja de vestidos. – respondi me preparando para a histeria dos dois, mas Luísa não teve reação, como se já soubesse de tudo.
– COMO ASSIM?! – gritou Otávio fazendo quase todos nos olharem de novo.
– Shiu homem, se controle! – reclamei revirando os olhos e dando um sorrisinho falso para as pessoas que nos encaravam – Nós fomos com a Elisa experimentar vestidos de daminha, e nós dois sozinhos naquele canto da loja não deu muito certo... Se não tivéssemos sido pegos por uma funcionária, acho que teria acontecido...
– Ai minha santa da pegação escondida, menina vocês têm que se controlar! Senão daqui a pouco vocês vão em cana por atentado ao pudor. – exclamou Otávio, parecendo se preocupar um pouco.
– E você não tem nada a dizer Luísa? – perguntei me voltando para ela. Estava estranhando que ela ainda não tinha surtado com tanta informação.
– Bom, eu... Ah Cristina, você é bem grandinha né, e sabe que o que está fazendo não está certo... Afinal de contas se você quer mesmo o Rodrigo, tem que agarrar logo para você horas! – respondeu meio hesitante, o que me deixou para lá de desconfiada.
– Hm, e bom, não acabou por aí... Ontem nós fomos no shopping atrás desse tal vestido, e a Elisa nos convenceu a ir no cinema e depois nos largou lá sozinhos... E ele quase me beijou, mas quando ia acontecer, as luzes do cinema se acenderam e ele se afastou. – falei com o máximo de calma que conseguia – Eu fiquei bem brava, porque ele não podia fazer isso! Ele vai casar e não se decide, ai eu cansei. – desabei e bufei me jogando no encosto da cadeira.
– Eu sempre te disse que esse Rodrigo não presta, agora aguenta! – retrucou e eu o olhei incrédula. Esse Otávio pensa que eu não sei, mas logo que Rodrigo e eu nos conhecemos, ainda antes de começarmos a namorar, o Otávio tinha uma queda pelo meu ex-marido. Até que um dia ele meio que se declarou, mas o Rodrigo o rejeitou é lógico, afinal ele prefere a minha fruta do que a do meu melhor amigo. E logo depois desse ocorrido nós começamos a namorar, e meu namorado da época me contou sobre essa história. Fiquei meio brava com Otávio no começo, mas logo superei. E desde então, meu melhor amigo gay considera o Rodrigo um cafajeste, cretino, brutamontes, entre outros adjetivos não muito bons.
– Otávio, por favor... – Luísa o repreendeu dando um cutucão – Continua irmãzinha, depois aconteceu mais alguma coisa?
– Sim, ontem mesmo eu recebi um convite surpresa para jantar... – afirmei sorrindo boba.
– De quem diva?! – perguntou Otávio, curioso.
– Do Max, o dono do Cultura Gourmet, melhor amigo do Rodrigo. – expliquei e abri mais o sorriso, esperando as reações exageradas.
– Ai. Meu. Deus. Me amarrota que eu to passado! Diva você saiu com aquele bofe escândalo, rico e tudo de bom?! – exclamou me olhando surpreso.
– Pois é, eu fui jantar com ele... – respondi com naturalidade.
– Detalhes minha deusa, detalhes...! – rebateu impaciente e ansioso.
– Ah, foi bom, conversamos sobre várias coisas legais, ele escolheu a comida e estava uma delícia, e depois nos beijamos e eu fui embora. – afirmei dando de ombros.
– Não acredito nisso, você não foi pra casa dele?! Não transaram?! Ai gata desculpa falar, mas você está muito devagar. – reclamou incrédulo. Não sei porque esses meus amigos só pensam em sexo, eu hein.
– Não né Otávio, minha filha está em casa, não ia deixar ela para dormir na casa de outro cara. – inventei essa desculpa na hora, eu não fui para casa com ele porque se no beijo eu pensei no Rodrigo, imagina em outras horas...
– Me poupe vai, não foi por causa do Rodrigo, já está na hora de superar né fofa... – retrucou me desmascarando, como eu odeio esse cara às vezes!
– Otávio dá um tempo, ela ainda não está preparada para dormir com outro ué, deixa a mulher. – Luísa o repreendeu novamente, e eu não estava a entendendo. Quando Rodrigo e eu nos separamos, ela falou um milhão de vezes para um nem pensar em voltar com ele, e mais um monte de coisas. Agora ela me vem me defendendo por estar sendo trouxa por causa dele? Essa minha irmã está pirada, ou aquela pestinha da minha filha fez uma lavagem cerebral nela.
– Ué Lú, vai defender aquele cafajeste agora? – questionou o homem ainda mais confuso que eu, franzindo o cenho para ela.
– Não estou defendendo ele, estou defendendo minha irmã. Agora continua maninha, aconteceu mais alguma coisa? – rebateu e me perguntou, voltando o foco do assunto.
– Quando cheguei na casa do Rodrigo de fininho para ninguém ver, ele me pegou entrando, acho até que estava me esperando. – indaguei intercalando meu olhar entre eles – E nós discutimos.
– Discutiram? Tipo, simples assim? – disse Otávio franzindo a testa.
– Sim, simples assim... Ele reclamou que eu saí justo com ele e que cheguei tarde em casa, e foi isso. – afirmei dando de ombros – Não entendo porque ele se importa tanto, já que ele está prestes a se casar mesmo.
– É porque esse tal de Max é o melhor amigo do Rodrigo né irmã, ele se sentiu traído... – falou Luísa novamente o defendendo, aquilo estava começando a me estressar.
– Bom, o Max e o Rodrigo não são nada meus, então se o Rodrigo se sentiu traído foi pelo amigo dele, então ele que vá tirar satisfações com o Max, não comigo. – retruquei demonstrando que estava perdendo a paciência.
– Agora eu senti firmeza Cris, é assim que se fala! – concordou Otávio.
– Seus pedidos. – indagou uma mocinha loira de olhos azuis deixando nossos pedidos sobre a mesa, sempre com seu sorriso simpático no rosto, e deixando-nos logo em seguida.
– Ai cadê meu loiro gatíssimo? – reclamou meu amigo fazendo biquinho e procurando o homem com os olhos.
– Deve ter se recusado a vir nos atender de novo, depois de você tê-lo comido com os olhos daquele jeito. – respondi rindo e dei o primeiro gole do meu milk-shake e gemi saboreando-o.
– Eu hein maninha, cuidado para não ter um orgasmo aí tomando milk-shake. – brincou Luísa rindo, e deu um gole de seu suco de laranja.
Mostrei a língua para ela e mordi meu cupcake, segurando para não gemer de novo. O que eu posso fazer se comida consegue ser extremamente prazerosa?
Continuamos conversando sobre algumas bobeiras da vida, principalmente sobre minhas “aventuras” em LA e os homens super gatos que cruzavam nossas vidas. Logo que acabamos de consumir nossos pedidos, pedimos a conta e deixamos Otávio no salão, e minha irmã e eu seguimos para minha casa em silêncio. Apesar de eu estar intrigada do porquê que minha irmã estava defendendo tanto Rodrigo, não quis entrar nesse assunto. Deixe eles aprontarem o que querem, nem estou ligando mais, na verdade acho que nunca liguei.
– Avisa a Mariana que estou a esperando? – pediu minha irmã ao parar em frente à casa de Rodrigo.
– Okay, tchau irmã. – me despedi abrindo a porta.
– Tchau. – respondeu e eu saí do carro, toquei a campainha e logo Vera abriu o portão, entrei e me deparei com Fátima e Rodrigo na sala. Era tudo que eu menos queria!
– Cristina... – disse Rodrigo se virando para mim e me olhando de cima embaixo com uma expressão indecifrável.
– Você! Você jogou uma praga em mim, só pode! – berrou Fátima, me fazendo olhá-la surpresa.
– O que eu fiz que eu nem estou sabendo? – questionei rindo e desviando o olhar para Rodrigo.
– Você fez isso! – apontou para seus cabelos loiros, que estavam com... mechas verdes!?
Caí na gargalhada na cara dura, não aguentei ver aquilo. Ela estava simplesmente ridícula, com aquelas mechas malfeitas e verdes! Me lembrou a bandeira do Brasil, mas guardei a piadinha para mim porque não queria discutir com aquela doida.
– Está rindo né, eu sei que foi você! – gritou acusadoramente, me dando vontade de rir mais, mas prendi o riso, afinal tinha que me defender.
– Olha, eu não sei o que aconteceu com seu cabelo não, mas eu não tive a mínima participação nisso. – afirmei com a voz ainda dando sinais do riso, deixei escapar mais uma gargalhada – “Eu não fiz nada, mas quem fez merece um prêmio...” – pensei e a ficha caiu – Quem é seu cabelereiro? – perguntei para confirmar minha teoria.
– Aquela bicha inútil do Otávio, seu antigo cabelereiro... Agora entendo porque seu cabelo é tão acabado... – respondeu com um sorriso irônico no final.
Ignorei seu comentário maldoso sobre meu cabelo e me concentrei em meus pensamentos.
“Então é por isso que Luísa estava com Mariana e Elisa quando encontrou o Otávio... Eles foram sabotar o cabelo da Fátima!” – soltei uma risada depois de minha brilhante dedução mas logo me recompus.
– Sinto muito pelo seu cabelo Fátima, agora onde está Elisa e Mariana? – falei e perguntei mudando de assunto, senão ia acabar rolando no chão de tanto rir, e minha irmã estava esperando lá fora.
– Elas saíram para o jardim junto com Caio, e aliás eu não estou gostando nada disso, e o castigo dela? – respondeu e questionou Rodrigo, ficando sério no fim da frase.
– Ai Rodrigo, relaxa. – respondi e dei uma piscadinha irônica para ele – Vou chamar a Mariana, tchauzinho. – finalizei e saí dali, parando na porta que liga a sala ao jardim para assistir a cena dos três. Eles conversavam animadamente, o que me fez sorrir. Acho que Elisa precisa de mais amizades assim, vai que ela fica mais humilde...
– Mariana, sua mãe está te esperando no carro. – avisei finalmente me despertando de meus pensamentos, ao me lembrar que minha irmã já esperara bastante lá fora.
– Okay tia, obrigada! – agradeceu Mariana sorrindo, e se despediu dos dois com um beijo no rosto de cada um e me deu um abraço apertado antes de sair.
–-
Depois de contar um pouco da minha tarde para minha filha e fazer inúmeros comentários maldosos sobre o cabelo de Fátima, eu subi para meu quarto para tomar um banho, tomei coragem e desci para a janta. Elisa deu uma desculpa boba para não jantar e eu sabia que é porque ela não queria aturar a Fátima, que ficou a noite toda pendurada no Rodrigo, acho que queria mostrar que era dele. E ela pode ficar com tudo para ela à vontade!
Jantei em silêncio, respirando fundo várias vezes para não xingar aquela loira aguada, e subi de volta para meu quarto. Li um pouco de um livro que levara para a viagem e até agora não lera sequer uma palavra, e quando o sono veio, me deitei e dormi como não dormia há dias. Acho que desabafar com meus amigos havia feito bem para mim, afinal.
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