Esnobando o Amor
17 Capítulo 13 – O Grande Dia (Parte 2).
Notas iniciais
Acordei completamente perdida. Não me lembrava de quase nada do que acontecera ontem à noite, apenas alguns flashes, que mais pareciam sonhos. Ainda de olhos fechados, tentava me lembrar exatamente do que aconteceu. De repente uma alegria me invadiu ao lembrar da parte com Rodrigo, e estendi meu braço para seu lado da cama, numa tentativa de tocá-lo. Tudo o que eu senti foi meu braço se chocar contra o lençol, o que fez meu sorriso se fechar. Me virei e encontrei a cama vazia ao meu lado. Foi quando uma onda de tristeza me atingiu com toda a força, e senti meu coração se apertar. Como eu pude ser tão trouxa, mais uma vez? Como eu pude acreditar que aquele cretino estava sério ao me dizer que me amava?!
“Não é possível Cristina, como você foi burra!” – me auto repreendi mentalmente, afundando meu rosto nas mãos. Senti a primeira lágrima correr por meu rosto, seguida de várias outras. Chorei durante alguns minutos ainda sobre meu travesseiro, até que tomei coragem e decidi me levantar. Olhei no relógio, que marcava 7:30. O dia hoje ia ser longo!
Aproveitei que estava nua e me enfiei no chuveiro, e lá chorei mais alguns litros de lágrimas. Depois de vários minutos ali enrolando, saí do box e me olhei no espelho do banheiro. Eu estava horrível, pois além da típica cara de ressaca, ainda estava com o rosto completamente vermelho, assim como os olhos que também estavam inchados devido a tanto choro. Me sequei, fiz meu ritual de hidratantes de sempre e fui procurar uma roupa na mala. Peguei as primeiras peças que apareceram e as vesti, lavei o rosto mais uma vez e prendi as lágrimas.
Desci as escadas e não encontrei ninguém, e agradeci mentalmente por isso. Fui para a copa e a mesa do café estava posta, me sentei e me servi de uma xícara gigantesca de café preto e comi um mamão. Não estava com muito apetite, apesar de estar com um pouco de fome. Depois que terminei, levei o que havia usado até a pia da cozinha, e lá encontrei Vera, que aparentemente acabara de chegar.
— Bom dia flor do dia! – disse animadamente e se aproximou – Como foi a noite? – perguntou curiosa e maliciosamente.
— Normal, e você sabe do paradeiro do Rodrigo? – questionei mudando de assunto, não sei se estou preparada psicologicamente para falar sobre isso.
— Eu perguntei para os outros empregados, e eles disseram que ele saiu com o Gerson. – respondeu apontando para o lado que a rua fica – Agora me conta tudo, como foi a noite? – voltou a trazer esse assunto, e senti meus olhos se encherem de lágrimas. É Cristina, você foi abandonada novamente, meus parabéns.
Não respondi nada, apenas desabei em lágrimas ali mesmo, e Vera me olhou confusa.
— O que aconteceu minha flor? – falou preocupada e me abraçando, me fazendo chorar mais ainda. Demorei um pouco, mas finalmente consegui falar.
— A noite foi perfeita, apesar do meu showzinho de strip-tease ter sido algo totalmente ridículo, a parte com o Rodrigo foi perfeita... Foi como se nunca tivéssemos nos separado sabe? – engoli o choro e continuei – Mas...
— Mas o que Cris?
— Ele esperou eu pegar no sono e saiu de fininho. – respondi e não pude mais segurar o choro.
— Ai mas que saco hein... – disse acariciando minhas costas – Mas esse Rodrigo me paga. – completou com raiva na voz.
— Não Vera, não comenta nada com ele! – rebati me afastando um pouco e a olhando nos olhos – Se possível, quero que isso tudo passe batido!
— Está bem Cristina... Mas fique bem ta? Quero ver minha patroa linda nesse casamento, mostrando que não se abala fácil. – afirmou sorrindo fracamente.
— Depois do que aconteceu, não sei nem se vou ao casamento... – murmurei desanimada.
— Ah você vai, você vai e vai sambar na cara das inimigas! – retrucou indignada.
— Não sei Vera... – suspirei cansada e ouvi o barulho do portão se abrindo – Droga, eles chegaram! Eu vou subir! – exclamei e me afastei rapidamente.
— Você vai ficar bem? – perguntou me olhando do final das escadas, enquanto eu já estava lá em cima.
— Vou, e se o Rodrigo quiser falar comigo, mande-o subir. – afirmei e me enfiei no quarto às pressas.
Poucos minutos depois ouvi alguém bater na porta. Senti um frio na barriga, sabendo exatamente quem era. Respirei fundo e tomei coragem de abrir. Coloquei minha melhor cara e abri a porta.
— Rodrigo... – falei tentando parecer indiferente.
— Será que podemos conversar? – perguntou parecendo nervoso.
— Okay, entra... – dei as costas para ele e me afastei da porta.
Ouvi o som da porta se fechando atrás de mim e engoli em seco. Essa seria uma conversa difícil.
Depois de alguns segundos em silêncio, me virei e o encarei. Sua expressão era indecifrável, o que me deixou ainda mais insegura.
— Então... – falamos ao mesmo tempo, tentando quebrar o clima tenso que se formara – Eu quero falar primeiro. – afirmei antes que ele dissesse qualquer outra coisa. Eu não podia dar a chance de ele me convencer a fazer uma burrice – Por que Rodrigo? Por que você tem que fazer isso? Brincar com meus sentimentos assim... Por que você não pode simplesmente me ignorar e se casar, que nem uma pessoa normal? – despejei tentando manter a calma, mas com firmeza.
— Cristina... – se aproximou, mas eu recuei.
— Responda minhas perguntas Rodrigo. – rebati duramente, o olhando com raiva.
— Você sabe a resposta para todas essas perguntas Cristina, só não quer admitir.
— Eu sei? – ri ironicamente – Então eu estou ficando louca, por que eu não me lembro de nenhuma, você pode me refrescar a memória?
— Claro. – sorriu e se aproximou novamente de mim – É por que eu te amo, e você sabe disso. – continuou colocando uma mecha de cabelo atrás da minha orelha – E pelo o que eu sei, você também me ama. – terminou olhando profundamente nos meus olhos.
— Então por que não teve a capacidade de ficar na cama até eu acordar, e encarar os fatos? – perguntei sentindo meus olhos se enxerem de lágrimas, mas tentando ao máximo parecer firme.
— Eu precisava pensar melhor...
— Pensar?! – exclamei me afastando dele – Que eu saiba quando a gente ama não precisa pensar.
— Cristina, você está parecendo uma adolescente... É claro que se precisa pensar! Ainda mais quando supostamente eu vou casar hoje, então eu tive que refletir, e sabe? Eu vim aqui tentar te ganhar de volta... Mas se eu não conseguir, essa vai ser a última tentativa... – falou seriamente, gesticulando de maneira nervosa.
— Você vai cancelar o casamento? – questionei o olhando de longe.
— Se você me aceitar de volta...
Sorri fraco, dando-lhe liberdade para se aproximar lentamente. Segurou meu queixo com uma mão e me encarou no fundo dos olhos, fazendo meu coração palpitar.
— Eu te amo Cristina, e não vejo uma vida se não for ao seu lado... – falou sorrindo e me fazendo deixar uma lágrima de emoção escapar.
Com sua mão livre, juntou mais nossos corpos me puxando pela cintura e uniu nossos lábios, começando um beijo calmo e apaixonado. Mas foi depois de um tempo naquele beijo perfeito que eu senti o gosto do álcool em seu hálito, fazendo eu me afastar.
— Você bebeu... – sussurrei o olhando acusadoramente.
— Só uma dose de Amarula hoje de manhã... – indagou se aproximando para me beijar novamente.
— Você bebeu! – gritei me livrando de seus braços – Eu não acredito que fui tão burra... – ri fraco colocando a mão na testa – Você não consegue nem encarar seus problemas sóbrio, parabéns Rodrigo! – ironizei.
— Cristina, foi só uma dose, eu juro... – disse vindo em minha direção com um semblante culpado.
— Sai daqui Rodrigo! – exclamei tentando manter o tom o mais baixo possível – E não precisa cancelar seu casamento idiota, agora pensando bem você e aquela loira se merecem! – completei me esquivando dele.
— Cristina... – o interrompi lhe lançando um olhar mortal – Okay, então essa é sua decisão final, né? Porque depois que eu sair por aquela porta, saiba que todas as suas chances acabaram. – afirmou apontando para a porta.
— Vá sem remorsos. – respondi engolindo o choro, com toda certeza que conseguia.
Ele apenas assentiu com a cabeça e caminhou silenciosamente até a porta.
— Espero que seja feliz em Nova York. – falou ainda de costas, antes de sair do quarto.
Ao ouvir o som da porta se fechando, senti um aperto no coração que nunca havia sentido antes. E me permiti desabar, ali mesmo, no meio do quarto. Senti meus joelhos se chocarem com o tapete felpudo que cobria o chão onde estava, e as lágrimas desceram por meu rosto como uma cascata. Eu estava acabada. Sempre soube que ficar essa semana aqui seria uma péssima ideia, mas nunca imaginei que eu fosse terminar tão destruída. Mas não poderia ser diferente, não é mesmo? Burrice a minha de pensar que seria.
Após vários minutos ali, juntei forças o suficiente para me levantar. Olhei meu reflexo no espelho, e me senti pior, se é que isso é possível. Passei a mão no rosto para tentar secar algumas lágrimas, mas foi em vão. Me deitei na cama e abracei o travesseiro, deixando mais lágrimas escorrerem. Eu me permitiria agir assim pelo menos hoje. Amanhã eu farei minhas malas e partiremos para Los Angeles novamente, e tudo isso ficará no Brasil. Enquanto isso, vou extravasar todas essas emoções.
Mas de uma coisa eu tenho certeza: nesse casamento eu não apareço.
Fale com o autor