Notas iniciais
E lá vamos nós de novo! Boa leitura!

1999, 17 anos antes.

Acordei ao som do despertador do relógio, que se encontrava no meu criado mudo, ao lado da cama. Me espreguicei e bocejei, desejando não precisar levantar tão cedo.

— Desliga isso logo, Cristina. – reclamou Luísa, minha irmã caçula, que dormia numa cama ao lado da minha, enquanto cobria a cabeça com o cobertor.

— Trata de levantar logo mocinha, você tem aula! – rebati desligando o despertador, e me levantando da cama.

Hoje seria um grande dia. Eu finalmente consegui uma entrevista de emprego com um dono de um supermercado, ele está apenas começando, mas não tem a menor ideia de como fazer uma boa propaganda de seu mercado, então ele procurava alguém que não cobrasse muito e que fosse publicitária. Pelo menos foi isso que ele me disse ao telefone.

Peguei minha toalha e segui para o banheiro, que ficava em frente ao quarto. Tomei um banho rápido e coloquei meu pijama de novo, só para enquanto eu tomava café da manhã. Fui para a cozinha e coloquei a água para ferver, ligando o rádio em seguida.

— Bom dia moradores da nossa belíssima metrópole! São 5:30 da manhã, então creio que se você está acordado, deve ser ou para ir para o trabalho, ou para a escola, ou é aposentado. Em qualquer um dos casos, vamos começar o dia com o mais novo sucesso do Ricky Martin, Livin’ la Vida Loca, para animar a manhã.

Sorri largo e aumentei o rádio quase no volume máximo, curtindo a música super animada e fazendo umas dancinhas ridículas, enquanto preparava o resto do café.

— Abaixa isso Cristina! – berrou Luísa, aparentemente não muito feliz.

— Lá, lá, lá, lá, lá, Livin’ la vida loca! – comecei a cantar alto, só para pirraçar minha irmã.

— Você está ficando louca? Abaixa esse rádio que eu e o resto do prédio queremos dormir! – gritou de novo.

— Mas é Ricky Martin maninha, não tem como ouvir baixo. – respondi rindo, e voltei a me concentrar no café.

Preparei três sanduíches de pão de forma no tostex e depois de prontos, me sentei à mesa e me servi com uma xícara de café, dando a primeira mordida em meu pão, enquanto meus pensamentos iam longe. Minha mãe doente, meu pai quase sem condições de banca-la, e agora eu tenho que sustentar a mim e minha irmã... É, não está sendo uma época fácil.

Acabei meu lanche e comi metade do outro, checando o relógio ao terminar.

“6:00, já estou ficando atrasada.” – pensei ao me levantar. Coloquei minha xícara na pia e joguei o papel de guardanapo no lixo, seguindo para o quarto logo em seguida – Vai, já ta na sua hora, levanta. – falei cutucando minha irmã.

— Ahh não, não quero ir para a escola hoje... – respondeu cobrindo a cabeça com o cobertor.

— Ninguém mandou ficar na rua até tarde, e hoje você tem prova, lembra?

— Mais um motivo para eu faltar.

— Ah vai, levanta logo. – retruquei, puxando seu cobertor.

— Devolve meu cobertor! – berrou se virando na cama.

Gargalhei e corri para o banheiro, me trancando lá dentro com o cobertor e tudo. Depois de me recompor, coloquei o cobertor num canto e escovei os dentes rapidamente, saindo do cômodo em poucos minutos.

Quando voltei para o quarto, minha irmã se encontrava dormindo novamente, mas agora enrolada no lençol. Ri novamente e acendi a luz, indo até nosso guarda-roupas.

— Apaga a luz! – resmungou colocando o travesseiro sobre a cabeça.

— Você pode não querer cuidar da sua vida, mas eu tenho que cuidar da minha. – respondi abrindo a porta do móvel, já dando de cara com a roupa que separara há dias para essa data. Arrumei a cama e coloquei o cabide sobre a mesma, começando a me despir.

— Uhh, gostosa. – brincou Luísa ainda deitada, me encarando.

— Para garota, eu hein. – rebati sem graça, colocando o sutiã.

— Faz um strip-tease! – gritou rindo, enquanto eu tirava os shorts.

— Besta, eu nunca faria isso. – disse jogando a peça de roupa nela, que gargalhava.

— Nunca diga nunca, maninha...

Revirei os olhos e comecei a vestir a roupa. Depois de devidamente vestida, fui até o espelho e fiquei encarando meu cabelo, sem saber o que fazer. Tentei um milhão de penteados, mas nenhum ficou do meu agrado. Acabei o deixando solto mesmo, apenas prendendo a franja para trás.

“Agora a maquiagem... Nada muito pesado...” – pensei olhando meus kits de maquiagem.

Passei um pouco de corretivo e uniformizei com o pó compacto, passando uma sombra praticamente cor de pele, bem fraquinha. Apliquei um pouco de rímel, blush rosado, lápis de olho e, por último, um batom rosa claro. Calcei os sapatos scarpin preto básico e dei uma olhada em meu reflexo de corpo inteiro, alisando minha roupa. Usava uma típica roupa de escritório: camisa branca por dentro da saia tubinho cinza, com um terninho combinando com a saia.

“Acho que está bom.” – disse para mim mesma, enquanto me avaliava.

— Está bonita hein, parece até que vai numa festa. – comentou minha irmã, num tom divertido – Acho que alguém ta interessada em alguma coisa além do emprego... – completou maliciosamente.

— Eu hein, no que mais eu estaria interessada? – questionei enquanto colocava um par de brincos discretos.

— Não sei, talvez em um tal de Rodrigo, que ligou aqui esses dias.

— Não viaja, Luísa. – revirei os olhos – Nós nem nos conhecemos pessoalmente.

— Mas pela voz, tem cara de ser bonito.

— Chega desse assunto, já está na minha hora. – afirmei me virando para ela – Eu não quero saber de faltas na escola, então trata de levantar dessa cama e ir se arrumar.

— Okay... – falou revirando os olhos – Boa sorte lá, tanto com o trabalho, como com o tal de Rodrigo.

— Obrigada. – respondi ironicamente, enquanto pegava minha bolsa.

Dei mais uma olhada no espelho e respirei fundo, deixando o quarto. Saí do apartamento e tranquei a porta, descendo as incontáveis escadas até o térreo.

— Bom dia, Cristina. – cumprimentou o porteiro ao me ver.

— Bom dia Sr. Souza. – falei acenando, com um sorriso no rosto – Fica de olho para ver se a Luísa vai para a escola, por favor. Hoje é um grande dia... – completei abrindo mais meu sorriso.

— Ah, é mesmo! A entrevista de emprego! – exclamou batendo de leve na testa, como se tivesse se esquecido – Boa sorte lá, e eu fico de olho nela sim.

— Muito obrigada Sr. Souza, até mais tarde! – me despedi, saindo do prédio às pressas.

Caminhei até o ponto de ônibus, que ficava a uns dois quarteirões do prédio. Me sentei no banco e, depois de poucos minutos, o ônibus chegou. Entrei e me sentei num banco à janela, observando todo o caminho, enquanto os pensamentos iam longe.

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“É aqui.” – pensei, parando em frente a uma construção não muito grande. “‘Facchini Supermercados’” – li mentalmente e respirei fundo mais uma vez, tomando coragem antes de entrar no local.

Já lá dentro, olhei tudo em volta, reconhecendo o local. Era bem organizado e parecia muito bem limpo também. Caminhei até um balcão afastado dos caixas, onde avistei uma moça.

— Olá, eu vim falar com o Rodrigo Facchini, é sobre uma entrevista de emprego. – indaguei já próxima ao balcão, encarando a garota.

— É para uma nova faxineira? Por favor me diga que sim, porque não aguento mais essa daí. – respondeu, de certa forma mal educada.

— Não, é para publicitária... – afirmei tentando manter a calma, sorrindo falsamente.

— Ah. – disse parecendo decepcionada – É na segunda porta à direita. – continuou voltando a olhar para a papelada sobre sua mesa.

— Obrigada... – agradeci e entrei num corredor atrás do balcão, procurando a porta indicada. Parei na segunda porta do lado direito e bati, sem obter resposta.

Depois de um tempo ali fora, decidi abrir uma fresta da porta. Ao fazer isso, me deparei com uma sala cheia de produtos de limpeza, rodos, vassouras, panos, etc., então abri o resto da porta, tendo uma visão mais ampla do cômodo. Foi quando, para minha surpresa, me deparei com uma moça e um rapaz se beijando ferozmente, encostados em algumas prateleiras. Antes que eu pudesse sair dali como se nada tivesse acontecido, ambos notaram minha presença, se desgrudando na hora.

— Posso ajudar? – perguntou a mulher, arrumando o avental que usava.

— An, é, eu... – gaguejei, completamente envergonhada – Eu estou procurando o Sr. Rodrigo, nós temos uma entrevista de emprego marcada. – finalmente consegui falar, engolindo em seco.

— É na porta da frente, flor. – indicou a moça, apontando para o outro lado do corredor.

— Ah sim, é que a secretária falou que era a segunda porta à direita... – expliquei, rindo sem graça – Desculpa.

— Magina, essa jararaca que é mais burra que uma porta mesmo. – disse revirando os olhos – Boa sorte lá com o Sr. Rodrigo... – continuou dando uma piscadinha para mim.

— Obrigada... – respondi corando mais um pouco, sem entender exatamente o motivo da piscadinha.

Saí dali e fechei a porta atrás de mim, suspirando. Alisei a roupa e quando ergui a mão para bater na porta, a mesma se abriu, revelando uma figura masculina alta, com porte atlético. Dei um leve pulo de susto, ao sentir seu corpo se chocar contra o meu.

— Sr. R-Rodrigo...? – perguntei me afastando, totalmente envergonhada.

— Não, eu sou o...

— Max, amor, vem aqui! – chamou a secretária, parada no começo do corredor.

— Max. – continuou rindo fraco, e me encarando de forma estranha.

— Max! – gritou a moça de braços cruzados, enquanto nos olhávamos em silêncio.

— Já vou, Clarisse. – rebateu revirando os olhos.

— É Cláudia, Max! – o repreendeu.

— Tanto faz... – murmurou o homem, e depois voltou a me olhar – Foi bom te conhecer... – me olhou, sugerindo que eu dissesse meu nome.

— Cristina. – ri fraco.

— Foi um prazer, Cristina. – estendeu sua mão em minha direção.

Apertei-a em silêncio, e logo depois ele se afastou, andando até ela. Senti seu olhar em minhas costas mais uma vez, mas ignorei, engolindo seco novamente antes de entrar na sala.

— Com licença. – pedi dando duas batidinhas na porta, que se encontrava aberta.

No instante seguinte, o homem, que se encontrava sentado em sua cadeira de costas para mim, girou o corpo para me olhar. Senti seus olhos encontrarem os meus, e um estranho arrepio me subiu pela espinha. Ao se levantar, pude ver melhor sua estatura. Alto, aparentemente com o corpo definido, cabelos negros... Basicamente, é de tirar o fôlego.

Fiquei sem reação por alguns segundos, enquanto nos encarávamos em silêncio. Ele se aproximou de mim, talvez um pouco mais do que o normal, e minha respiração falhou por um momento.

— Rodrigo Facchini. – se apresentou, estendendo a mão para mim.

Engoli em seco e encarei sua mão por um tempo, tentando fazer meus músculos responderem e se movimentarem.

— Cristina Pacheco. – falei enfim, sorrindo educadamente enquanto apertava sua mão. Só por esse gesto, já foi possível perceber que ele é forte... Foco Cristina, foco!

— Então, pode se sentar, Cristina. – indagou soltando minha mão e indicando a cadeira, ainda me encarando com uma certa intensidade.

Sorri e me sentei, cruzando as pernas e o esperando sentar-se à minha frente. Diferente do que eu pensava, na verdade ele empurrou alguns papeis que se encontravam na beirada da mesa ao meu lado e se sentou, cruzando os braços.

— Então... Soube que você não tem nenhuma experiência no ramo, certo? – perguntou olhando para seus pés, e depois para mim.

— S-sim... Mas eu sou uma das melhores da turma. – respondi, me amaldiçoando por dentro por ter gaguejado. Eu havia repassado um roteiro mil vezes em minha cabeça, mas não saiu absolutamente nada como eu esperava.

— Entendo... Está no último ano, não é? – sorriu fraco, se ajeitando sobre a mesa.

— Sim... – retribuí o sorriso, envergonhada.

— Ótimo, está contratada. – concluiu se levantando – Podemos marcar uma reunião para amanhã? – disse já do outro lado da mesa, erguendo seu olhar para mim.

“Simples assim?!” – me perguntei, franzindo levemente o cenho – É... Claro, pode ser, estou à disposição. – afirmei, balançando a cabeça positivamente.

— Maravilha! Não quero atrapalhar seu dia, já está liberada. – falou sorrindo, se aproximando de mim.

— Imagina, não atrapalha em nada... – ri fraco e me levantei, ficando muito próxima dele novamente, ao ponto de sentir sua respiração em meu rosto.

Ficamos próximos assim não sei por quanto tempo, ambos nos encarando nos olhos. E, por mais estranho que pareça, não foi embaraçoso. É como se nos conhecêssemos há muito tempo, e aquela proximidade fosse normal.

— Rodrigo, esqueci minha... – o homem com o qual eu trombara há minutos entrou na sala, quebrando totalmente o clima – ... pasta. – finalizou, percebendo que atrapalhara.

Abaixei os olhos e dei um passo para trás, ficando completamente vermelha.

— Okay Max... – disse Rodrigo, aparentemente aborrecido – Foi bom te conhecer, espero que possamos fazer um ótimo trabalho juntos. – me encarou novamente, com um sorriso educado.

— Claro, o prazer foi o meu... – sorri o olhando e estendi a mão – Até amanhã...

— Até. – respondeu abrindo mais o sorriso, e apertando minha mão.

Mantivemos contato visual por alguns segundos antes de eu soltar sua mão, e me virar para a porta. Andei até ela, acenando para Max com um sorriso sem graça, finalmente saindo dali. Segui para fora do corredor e olhei para a secretária, que me olhou torto. Sem entender, continuei meu caminho até a calçada, respirando fundo ao sentir o sol bater em meu rosto. Escorei no muro e coloquei a mão no peito, tentando me acalmar.

— E aí, conseguiu o emprego? – perguntou uma voz masculina, me fazendo pular se suto. Olhei para o mesmo e notei que era o homem que vira na sala de produtos de limpeza junto com a moça, e sorri fraco.

— Sim. – respondi me virando completamente para ele.

— Parabéns. – disse sorrindo – Me desculpe nós termos nos conhecido daquele jeito, meu nome é Gerson, eu sou o entregador daqui. – continuou vindo em minha direção, e me oferecendo a mão.

— Não tem problema... – ri sem graça – Cristina. – apertei sua mão – Aquela é sua namorada? – perguntei ao soltar sua mão.

— Mais ou menos... Ela é quem limpa tudo aqui, então nós temos meio que uma coisa... – sorriu bobo, com o olhar distante – Mas eu duvido que ela vá ficar aqui por muito tempo, ela é muito inteligente, sabe... Nós dois não temos a mínima chance, então acho que é só um caso mesmo. – completou, fechando o sorriso.

— Entendi... Como ela se chama?

— Vera. – voltou a sorrir, me olhando.

— Bom, então eu espero que vocês deem certo, você parece gostar bastante dela. Até amanhã. – me despedi, acenando.

— Obrigado... E até amanhã, Cristina.

Me virei e caminhei até o ponto de ônibus, tentando digerir o que acontecera.

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Cheguei em casa e olhei no relógio, que marcava 9:00. Joguei a bolsa no sofá e fui até a cozinha, separada da sala por apenas um balcão. Tomei um copo d’água e arranquei os saltos, indo até meu quarto me trocar. Vesti uma roupa velha e prendi o cabelo num coque. Liguei o rádio quase no último volume novamente e comecei a limpar a casa, fazendo dancinhas ridículas enquanto realizava minhas tarefas.

Às 11:30, terminei a parte dos quartos e o banheiro, então decidi começar a fazer o almoço.

— Boa tarde meus queridos ouvintes! Já dá até para sentir o cheiro de almoço, não é? Que tal começarmos a tarde com um pouco de Britney Spears? Fiquem aí com (You Drive Me) Crazy, novo sucesso do álbum “... Baby One More Time”.— disse a radialista, me fazendo abrir um sorriso de orelha a orelha.

Aumentei o volume no último e comecei a cantar e dançar pela cozinha, enquanto mexia a comida nas panelas. Quando chegou no refrão, parei tudo o que estava fazendo e fui para a sala, usando a colher de pau como “microfone”.

— Oh, oh, oh, crazy, but it feels alright! Baby thinkin’ of you keeps me up all night!

Ao cantar essa letra, me lembrei de como esse tal de Rodrigo fizera eu me sentir mais cedo. Confesso que já senti isso por algumas pessoas, mas não assim, tão de repente... Com apenas um olhar, ele já me desmontou inteira, e como diz a música da Britney, “Toda vez que você olha para mim, meu coração está pulando, é fácil de perceber”. Mas não posso me deixar envolver, afinal ele é meu patrão, é antiético...

— Ihh, parece que alguém está apaixonada. – disse uma voz, me tirando de meus pensamentos.

Me virei assustada para a direção da voz, e avistei Luísa. Corei fortemente por ter sido pega em minha performance, e voltei para a cozinha.

— Como foi a prova? – perguntei tentando mudar de assunto, enquanto me recompunha.

— Colei inteirinha do nerd que senta ao meu lado, então acho que fui bem. – respondeu com naturalidade – Agora não muda de assunto não, parece que o tal do Rodrigo fez efeito... – continuou encostando na pia ao meu lado, sorrindo maliciosamente.

— Nada a ver, eu hein... Eu só gosto dessa música, nada demais... – dei de ombros, tentando parecer indiferente.

— Ah, agora fala sério vai... Como foi? Não só o Rodrigo, mas a entrevista em si? – disse agora mais séria, parecendo estar realmente interessada.

— Foi, de certa forma, estranha... Primeiramente, ele ficava me encarando, depois ele fez umas três perguntas e já me contratou direto... – afirmei, repassando as cenas em minha cabeça.

— Quer dizer que você foi contratada?! Que bom, maninha!! – exclamou, me abraçando – Eu sabia que você ia conseguir... Agora me conta, o tal do Rodrigo é bonito?

A soltei e revirei os olhos, me voltando para o fogão.

— Ele é bonitinho... – indaguei tentando mostrar indiferença, mas é claro que achei-o lindo – Moreno alto...

— Bonito e sensual... Talvez eu seja a solução do seu problema! – me interrompeu cantando, continuando minha frase com uma música.

— Idiota! – gargalhei batendo nela com o guardanapo de pano – É, mas é essa basicamente a descrição... tirando a parte que ele é a solução para meu problema.

— Acho que essa parte é verdade também... – cantarolou se afastando – Mas se você não quiser, pode falar que eu quero. – falou já na entrada para o corredor, virando-se para mim com um sorriso malicioso.

— Eu hein, se controla Luísa! – a repreendi rindo inconformada.

“Okay, talvez ele seja mesmo a solução para meus problemas... Ou quem sabe ele mesmo é o problema?” – refleti, terminando o almoço.

Notas finais
Espero que tenham gostado desse capítulo mostrando como os dois se conheceram! Comentem o que acham que vai acontecer com esses dois malucos, e o que estão achando! Beijão ;*