Os personagens de Saint Seiya pertencem ao tio Kurumada e é ele quem enche os bolsinhos. Todos os outros personagens são meus, eu não ganho nenhum centavo com eles, mas morro de ciúmes.

ESCUTE SEU CORAÇÃO

Chiisana Hana

Beta-reader: Nina Neviani

Capítulo XXXIII

(Rumiko) Então, para onde vamos?

(Hyoga) Eu vou para casa.

(Rumiko) Então eu vou com você.

(Hyoga) Desculpa, mas eu quero ficar sozinho.

(Rumiko) Está bem. (beijando-o) Você deve estar chateado com a nota da apresentação, não é?

(Hyoga) Só quero ficar um pouco sozinho.

(Rumiko) Certo. Até amanhã, então.

(Hyoga) Até.

Hyoga chega em casa chateado e vai direto para o quarto. Ao invés de dormir, ele começa uma carta para a filha, a terceira escrita e não enviada somente àquela semana.

"Olá, filha.

Seu pai teve um dia ruim hoje. Foi minha primeira apresentação no teatro. Nem tinha um público de verdade, apenas estudantes como eu e avaliadores, mas fiquei nervoso. E, pior, a avaliação que eu recebi não foi nada boa. Apresentei um trecho do livro "O Banquete", de Platão. Um clássico. Eu adoro os clássicos, filha. Falava que é através dos filhos que os pais se tornam eternos. Falava também do amor incondicional que os pais sentem pelos filhos e de como fariam tudo por eles. Minha mãe foi capaz de um sacrifício por mim. E agora eu sinto que eu também seria capaz de qualquer coisa por você. Vou ficando por aqui.

Te amo.

Papai."

(Hyoga, consigo) Papai... vai ser bom ouvi-la falar isso... Isso está virando um diário. Tantas cartas escritas para ela... E ela nem nasceu. Ah, meu Deus, eu realmente não sei o que vim fazer aqui. Devia estar lá no oriente, vendo minha filha crescer no ventre da Eiri. Eu preciso tanto de um conselho! Preciso tanto conversar com alguém!

Ele pega a agenda e disca um número no telefone. Uma voz desconhecida, mas com forte sotaque francês atende.

(Horace) Residência do Senhor Dervieux.

(Hyoga) Quem fala?

(Horace) O criado. Quem deseja?

(Hyoga) É o Hyoga. Quero falar com meu mestre. Pode ser?

(Horace) Só um minuto.

(Hyoga, pensando) Ainda não acostumei com essa história de Camus ter vida normal, com telefone, empregado e coisas de casas comuns...

(Camus, tom mais alegre do que pretendia) Olá, Hyoga!

(Hyoga) Olá, Mestre.

(Camus) Para você ter se dado ao trabalho de ligar creio que deva estar passando por algo grave.

(Hyoga) Não exatamente grave. Só estou confuso, sem saber o que vim fazer na América...

(Camus) Hum... e sabe o porquê desse questionamento? Houve algo, não houve?

(Hyoga) Bom, fiz uma apresentação hoje e fui massacrado pelo professor.

(Camus) Explicado. Quer dizer que está pensando em voltar só porque não foi bem avaliado? Não é essa a essência do meu discípulo.

(Hyoga) É que eu não sei mais se fiz a coisa certa.

(Camus) Acho que você só vai saber se ficar aí. Mostre para o professor que ele não errou quando o escolheu, mostre que você pode ser mais do que ele espera, do mesmo jeito que mostrou para mim.

(Hyoga) Tem razão, mestre. É isso que eu tenho de fazer.

(Camus) É. É isso. Bom, mas e como você está agora que Eiri se casou com Mu?

(Hyoga) Bem. Só lamento estar longe da minha filha. E o senhor como está? Acostumou-se com a vida normal?

(Camus) Estou muito bem. A gente se acostuma fácil com o que é bom. E viver normalmente é muito bom.

(Hyoga) É sim.

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Tóquio.

Casa de Shiryu e Shunrei.

(Shunrei) Pronto. Está uma graça!

(Kiki) Até que não foi tão ruim! E nem vai doer, Shiryu!

(Shiryu, com cara de desagrado) Eu sei que não vai doer.

(Shunrei, com a tesoura na mão) Amor, você está precisando urgentemente de um corte nesse cabelo!

(Shiryu) Está bem, mas não corte demais.

(Shunrei, animada) Certo!

Minutos depois, Shiryu se olha no espelho...

(Shiryu) Shu, acho que você cortou mais do que devia.

(Shunrei, rindo) Não cortei nem a metade do seu cabelo e ele ainda está no meio das costas!

(Shiryu) E a minha franja...

(Shunrei) Estava imensa! Dei uma boa aparada. Está vendo como seu rosto ficou mais leve?

(Shiryu) Não... Foi muito... Eu gostava do meu cabelo como era.

(Shunrei) Foi nada! Ai, ai, ai. Está me saindo um marido rabugento! Ficou tão lindo assim!

(Kiki) É, Shiryu, ficou legal!

(Shiryu) Você diz isso porque ela não cortou a metade do seu cabelo.

(Kiki) Ah, Shiryu, se a Shu cortasse metade do meu, eu ficaria careca, mas cortando metade do seu ainda sobra uma metade enorme!

(Shunrei) Isso mesmo! E além do mais, você está lindo com o cabelo novo!

(Shiryu, fazendo bico) Estou me sentindo pelado...

(Shunrei) Que biquinho mais lindo! (abraçando-o) Garanto que logo você vai gostar mais do cabelo novo que do antigo.

(Shiryu) Tomara que você esteja certa, amor.

(Shunrei) Agora eu vou cortar o meu, rapazes!

(Shiryu) Vai cortar muito?

(Shunrei) Que tal metade também?

(Shiryu) É... metade está bom!

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Casa de Seiya.

Ele e Shina estão abraçados no sofá. Seika tinha ido à escola.

(Seiya) Hoje eu vou arranjar a empregada que você tanto quer.

(Shina) Eu não! Nem moro aqui! É a sua irmã que quer.

(Seiya) Certo. A empregada que a Seika quer, sua teimosa.

(Shina) Espero que não tenha nenhuma malandragem por detrás disso.

(Seiya) Não tem, não! Juro!

(Shina) Que bom.

(Seiya) Pois é. Agora vou lá cuidar desse negócio de empregada.

(Shina) Vai. Até mais tarde. Vou tentar fazer algo para comermos, mas não garanto a qualidade!

(Seiya) Eu como qualquer coisa!

(Shina) Eu sei.

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Mansão Kido.

(Saori, agachada no quintal, o jardineiro a seu lado) Certo. Agora eu tiro a mudinha do vasinho e coloco no buraco, não é?

(Jardineiro) Isso, senhorita.

(Saori, fazendo a "operação" na mudinha) Será que vai dar certo? Quero cuidar dela pessoalmente, mas não sei se vou conseguir.

(Jardineiro) Vai sim. Quando ela começar a crescer a senhorita vai se dedicar ainda mais para que ela continue crescendo.

(Saori) Assim espero. Quando era criança eu enjoava fácil dos brinquedos novos... Espero ter mudado também nesse aspecto. Vai ver que é porque eu tinha muitos.

O jardineiro dá uma risadinha discreta.

(Saori) Em quanto tempo ela dará pêssegos?

(Jardineiro) Ainda demoram uns bons anos, senhorita.

(Saori, pensativa) Hum... Anos... É o tempo de que preciso...

(Jardineiro) Nãi entendi.

(Saori) Não é para entender mesmo. Bom, agora que ela já está plantadinha, vou sentar aqui embaixo da árvore para descansar um pouco. Obrigada, Tsuyoshi.

(Jardineiro) Não há de quê, senhorita.

(Seiya, aproximando-se sem que ela perceba) Não sabia que você gostava de jardinagem.

(Saori, surpresa) Seiya! É, não é que eu goste, mas quero cuidar dessa plantinha.

(Seiya, sentando-se ao lado dela) Não estou reconhecendo mais você.

(Saori) É porque eu mudei. Acho que não tem mais quase nada em mim que você possa reconhecer.

(Seiya) Tem sim. Seu olhar. Ele continua com aquela tristeza lá no fundo.

(Saori) Impressão sua.

(Seiya) Não é não. Eu posso sentir que você não está bem. O que é que há? Achei que estivesse feliz com seu noivo.

(Saori) Eu estou. Acontece que ele não está aqui, então, estou sentindo falta dele.

(Seiya) Eu sei que não é isso, mas se não quer me contar, tudo bem.

(Saori) Não há nada pra contar. O que veio fazer aqui em casa?

(Seiya) Ah, já ia esquecendo! Vim pedir um favor.

(Saori) Pode pedir.

(Seiya) Estou precisando de uma empregada, sabe? Seika e Shina não querem mais fazer o serviço doméstico, além do mais a comida delas é péssima. Será que você não tem uma empregada pra me emprestar, não?

(Saori) Bom, posso colocar alguma funcionária da Fundação para trabalhar na sua casa.

(Seiya) Melhor ainda! Assim o salário dela fica por conta da Fundação!

(Saori) É. Estou indo à Fundação com Shiryu todas as tardes, não quer ir conosco hoje e ver isso comigo?

(Seiya) Seria uma boa.

(Saori) Então está bem. Pego você em casa a uma e meia. (enfática) Uma e meia. Não se atrase.

(Seiya) Não vou me atrasar. A não ser que a comida que a Shina fizer me dê dor de barriga.

(Saori, rindo) Você é muito engraçado!

(Seiya) Que bom que fiz você rir! Não estou achando essa sua tristeza legal.

(Saori) Está tudo bem. Juro!

(Seiya) Certo... então, já vou. Até de tarde.

(Saori, cumprimentando-o formalmente) Até.

Seiya se levanta e, devagar, começa a se afastar de Saori. Já um pouco distante dela, ele se volta para trás e vê que ela chora. Pensa em voltar, tentar confortá-la, mas acha melhor ir embora.

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Casa de Shun e Ikki.

O irmão mais novo está na escola, o mais velho na academia de luta. Apenas Pandora e Pani estão em casa. A alemã lê um livro enquanto a empregada, com o almoço já pronto, vêtevê. June entra no apartamento.

(Pandora, sem fechar o livro) É uma baderna essa casa. Todo mundo entra sem bater.

(June) Eu não sou todo mundo. Sou namorada do Shun!

(Pandora) O cunhadinho verde não está e você sabe disso.

(June) Sei. Vim fazer uma surpresa para ele. Vou ficar aqui e esperá-lo voltar da escola.

(Pandora) Você não treina tae kwon do?

(June) Estou de folga hoje. A treinadora foi resolver uma coisa importante.

(Pandora, resmungando) Aff. Daqui a pouco se muda pra cá...

(June) Me mudo mesmo!

(Pandora) No dia que você entrar aqui, eu saio.

(June) Eu não estou nem aí. Pode ir embora. Ninguém vai sentir sua falta. Nem mesmo o Ikki.

(Pandora, largando o livro no chão) Como é?

(June) Eu realmente acho que você é só um passatempo para ele.

(Pandora) Repete isso que eu te mato.

(June) Você não tem chance. Eu sou uma amazona.

(Pandora) Uma amazoninha de bronze que nunca se envolveu na batalha, só tirou a maldita máscara para agarrar o fresco do Shun.

(June) Fresca é você. E burra. Porque só você não vê que o Ikki só está com você porque não tem a Esmeralda.

(Pandora, gritando) Cala essa boca, vagabunda loira!

(June) Vem cá, vem me fazer calar, vem.

(Pani, vindo da cozinha ao ouvir os gritos) Senhoritas, por favor, não briguem. Que tal um chazinho?

(Pandora e June) Já para a cozinha!!

(Pandora) Você não manda na minha empregada, sua idiota!! Além do mais, burra é você que não percebe que seu namoradinho parece uma bailarina alegre!!

(June, partindo para cima de Pandora) Morra, peruaaa!

(Pani, desesperada) Ai, meu Deus, o que é que eu faço?? Ai, vou ligar para o senhor Ikki!

Ikki entra em casa.

(Ikki) Que porra é essa?

(Pani) Seu Ikki! Ainda bem que chegou! Elas começaram a brigar!

(Ikki, separando-as) Isso eu estou vendo! Parou! Pandora, larga o cabelo da June! June, larga o cabelo da Pandora!

(Pandora) Aaaaaaaaaaah! Eu vou deixar ela careca!!

(June) Morraaaaaaaaa!!

(Ikki) Peraí, porra! Não puxa meu cabelo! Olha, eu vou bater nas duas!

Com essa frase, Ikki finalmente consegue separá-las. Então, põe Pandora nos ombros e a leva para o quarto. June fica na sala. Pani a olha assustada.

(June) O que é? Está olhando o quê? Nunca viu?

(Pani, correndo para seu quarto) Desculpa!

No quarto, Ikki joga Pandora na cama.

(Ikki) Agora explica que palhaçada foi aquela.

(Pandora) Eu quero matar aquela vagabunda loira bombada maníaca.

(Ikki) Eu sei, mas uma coisa é querer, outra coisa é tentar fazer o que quer. Por que vocês se atracaram?

(Pandora) Ela me provocou!

(Ikki) O que foi que ela disse?

(Pandora) Falou que eu era um passatempo pra você.

(Ikki) E você acreditou? É tonta mesmo. Acha que eu traria um "passatempo" para morar comigo? Ah, pelo amor de Deus, Pandora. Você já foi mais inteligente!

(Pandora, socando a cama) Ai, que ódio daquela loira! Acho bom você providenciar um lugar para morarmos em 24 horas, senão vai ter morte nesse apartamento!

(Ikki) Se acalma aí, tá. Vou dar um jeito nisso depois.

(Pandora) Depois não! Agora!

(Ikki) Será que eu posso almoçar, pelo menos?

(Pandora) Vamos almoçar fora então. Não sento à mesa com aquela idiota nem sob tortura.

(Ikki) Certo. Vai se ajeitar que a gente sai.

(Pandora, levantando-se da cama) Tá. (abraçando Ikki) Jura que eu não sou um passatempo?

(Ikki) Claro que não é. Quantas vezes vou ter que repetir que você é minha mulher?

(Pandora) Que bom, meu amor. Vou me arrumar!

(Ikki) Bota um decotão poderoso e passa pela loira mostrando que a mulher mais gostosa dessa casa é você.

Na sala, June está com cara de poucos amigos, ajeitando o cabelo desgrenhado pela briga. Shun entra em casa.

(Shun) Olá, meu amorzinho! (ao ver o cabelo de June ainda meio desgrenhado e expressão irritada dela) June? O que houve?

Ela vira a cara.

(Shun, perplexo) O que foi?

(June) Aquela coisa que namora o seu irmão.

(Shun) O que tem ela?

(June) É uma idiota! Uma perua recalcada e burra! Você tem mesmo que morar com seu irmão? Você não herdou uns milhões também? Compra outro apartamento e mora comigo!

(Shun) Ainda é cedo para pensarmos nisso, Ju.

(June) Não é, não! Eu odeio essa Pandora dos infernos!

(Shun) June, fica calma. Vamos lá para o quarto, ok?

(June) Vamos, mas se eu me encontrar com ela no corredor, não respondo por mim!

(Shun) Violência não resolve as coisas.

(June) Se eu matá-la, resolve sim!

(Shun, repreendendo-a) June!

(June) É isso mesmo! Nem me olhe com essa cara de "só o amor salva", "o mundo precisa de amor".

(Shun) Tá, fica calma...

(June) Só quando eu nunca mais tiver de ver aquela vampira.

Pandora abre a porta do quarto. Ela e June se encaram, os olhos faiscando de raiva.

(Shun, sussurrando) Controle-se. Tenha calma.

(June) Vai sair, perua?

(Pandora) Vou, vagabunda. O ambiente está empesteado com cheiro de loira burra.

(June) Está empesteado, sim, mas é com cheiro de vampira nojenta.

(Pandora) Vou te mostrar quem é a vampira!

(June) Vem, perua.

Ikki segura Pandora, enquanto Shun segura June. Cada um arrasta sua respectiva namorada para longe. Ikki e Pandora entram no elevador.

(Ikki, rindo) O negócio está animado lá em casa.

(Pandora) Animado? Eu quero matar ela.

(Ikki) Deixa disso, Pand. Não tem que dar ouvidos ao que a June diz.

(Pandora) Ikki, vamos embora, por favor! Por favor, por favor, por favor!

(Ikki) Está bem.

(Pandora, abraçando-o e beijando-o) Ah!! Que maravilha! Ikki!!

(Ikki) Ao invés de almoçar, vamos falar com o dono do apartamento lá de cima. Vou comprá-lo.

(Pandora) Tudo bem! É no mesmo prédio, mas na minha casa aquela loira não vai entrar!

Mais tarde.

Ikki e Pandora voltam ao apartamento. Ela agora está calma e sorridente.

(Ikki) Pani, arruma suas coisas.

(Pani, em choque) Senhor Ikki... o que foi que eu fiz? Eu juro que não fiz nada!

(Ikki) Estou falando que você fez alguma coisa? Eu e Pand vamos nos mudar e ela faz questão de levar você junto.

(Pani, aliviada, abrindo um sorriso) Ah! Que bom! Vou arrumar agora!

(Pandora) Quando terminar, vá lá no meu quarto me ajudar com as minhas coisas.

(Pani) Sim, senhora!

Pandora vai para seu quarto eufórica, ansiosa por mudar-se logo com Ikki. Ele, por sua vez, vai até o quarto de Shun e abre a porta sem bater, encontrando o rapaz e a namorada trocando um beijo ardente.

(Shun, constrangido) Ikki!

(June) Custa bater à porta?

(Ikki, sério) Vamos lá para a sala, Shun. Precisamos conversar.

(Shun) Está bem.

June tenta acompanhar o namorado, mas Ikki a detém.

(Ikki) Só o Shun.

June faz uma careta para Ikki e volta para o quarto. Os dois irmãos vão juntos para a sala.

(Shun) É sobre a briga das meninas, né? Eu vou falar com a Ju e...

(Ikki, interrompendo) Pand e eu vamos embora.

(Shun) Quê?

(Ikki) É. Ela já não estava querendo mais morar aqui. Depois da confusão de hoje é que não vai dar mesmo. Eu adoro uma boa briga, mas esse clima dentro de casa não dá. Não é do meu feitio fazer o que a mulher quer, mas acho que está na hora de reconstruir a vida de verdade. E ter um lugar só meu e dela deve ajudar.

(Shun) Achei que nunca mais nos separaríamos.

(Ikki) E por que não? Somos gêmeos siameses? Um dia cada um ia ter que tomar seu rumo mesmo. Só foi mais cedo do que eu pensava.

(Shun) É... e para onde vocês vão?

(Ikki) Comprei o apartamento de cima, o que Shiryu ia comprar.

(Shun) Ah! Pelo menos ficará perto.

(Ikki) É. Qualquer coisa, bate lá.

(Shun) Está bem. Não sei se vou conseguir me virar sozinho.

(Ikki) Vai sim. E além disso, a June não vai deixar você sozinho.

(Shun) Imagino que não, mas sei lá, não acha que sou muito novo?

(Ikki) Achar eu acho, mas agora já era. Só toma cuidado para não arrumar um filho.

(Shun, corando) Pode deixar.

(Ikki) Então é isso.

(Shun, com os olhos marejados, abraçando o irmão) Vou sentir de falta de morar com você.

(Ikki) Não faz drama. Vou estar logo ali em cima.

(Shun, enxugando as lágrimas) Ainda bem.

(Ikki) Agora me ajuda a levar o colchão lá pra cima. Pandora disse que não fica mais nem um segundo aqui.

(Shun) Ajudo, sim. Ikki, e a Pani?

(Ikki) Mas é claro que ela vai conosco! Pandora faz questão. Você vai ter que arrumar outra empregada.

(Shun) Ah, sei lá, de repente ela pode até topar vir aqui fazer minha comida, limpar a casa de vez em quando. Ela já conhece meu jeito...

(Ikki) Vai ter que pagar outro salário a ela, moleque!

(Shun) Eu pago!

(Ikki) Experimente não pagar!

Juntos, os irmãos levam o colchão para cima. Decidiram depois que Pani continuaria dormindo no apartamento de Shun enquanto o quarto dela no de Ikki não estivesse pronto. As malas dele e de Pandora já estão no apartamento que compraram.

(Ikki) Então estamos indo, Shun. Amanhã eu passo para pegar o resto das coisas.

(Shun) Está bem. Boa sorte, irmão.

(Ikki) Pra você também.

(Pandora) Tchau, cunhadinho.

(Shun) Tchau, Pand.

(Pandora) Pani, é para estar amanhã cedinho lá em casa.

(Pani) Sim, senhora. Até amanhã.

(Pandora) Até.

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Jiangxi.

Mu e Eiri acabam de chegar ao aeroporto.

(Mu) De volta!

(Eiri) É! Ai, mas estava tão bom no Tahiti! Nunca me senti tão bem!

(Mu) Nem eu. Nem eu, meu amor.

(Eiri) Bom, agora vamos voltar à realidade!

(Mu) Sim.

Os dois tomam um táxi para irem até o sopé dos Cinco Picos Antigos e lá começam a subida das escadarias. No segundo degrau, Mu abraça Eiri e...

(Mu) Não precisamos subir.

(Eiri) Ah, sim, meu marido pode se teletransportar! Acho que gosto disso!

Em milésimos de segundos, estão em casa.

(Mu, rindo) Legal, não é?

(Eiri, jogando-se no sofá) Demais! Como estou cansada!

(Mu, sentando-se ao lado de Eiri e abraçando-a) Eu também, mas agora tudo vai se acalmar. Vamos ficar quietinhos, esperando a chegada da pequena.

(Eiri) É. Só que você passa os dias em Atenas...

(Mu) A solução é mudar para lá. Como conversamos no Tahiti, a casa de lá é melhor, você terá mais companhia no condomínio, e eu estarei sempre por perto.

(Eiri) Eu gostei muito de Rozan, mas acho que Atenas vai ser mesmo o lugar onde a pequena vai nascer.

(Mu) Fico feliz que concorde em ir. Você vai adorar o condomínio. O Kiki é que não vai gostar muito. Aliás, eu vou buscá-lo agora.

(Eiri, dengosa) Não! Amanhã você vai. Ele deve estar bem lá com Shiryu e Shunrei.

(Mu) Está bem! Amanhã.

Continua...