Escute Seu Coração
32 Capítulo XXXII
Os personagens de Saint Seiya pertencem ao tio Kurumada e é ele quem enche os bolsinhos. Todos os outros personagens são criações minhas, eu não ganho nenhum centavo com eles, mas morro de ciúmes.
ESCUTE SEU CORAÇÃO
Chiisana Hana
Beta-reader: Nina Neviani
Capítulo XXXII
Hotel no Tahiti.
Quarto de Mu e Eiri.
Os dois estão despidos, num momento muito íntimo. Afoito para falar com Mu, Kiki se teletransporta para dentro do quarto nessa hora um tanto imprópria...
(Kiki, tapando os olhos com as mãos, mas não completamente) Desculpa, Mestre Mu...
(Mu, muito constrangido, enrolando a si e a Eiri com o lençol) Ehr... o que foi, Kiki? Algum problema?
(Kiki, ainda com as mãos sobre os olhos) Bom... eu vim pedir para ficar na casa de Shiryu no Japão enquanto vocês estão aqui... fazendo... fazendo...
(Mu, extremamente vermelho) Pode ir... pode ir... diga a Shiryu que eu autorizei.
(Kiki, destapando os olhos, antes de voltar para Tóquio) Oba! Valeu, Mestre!
(Mu, depois que Kiki desaparece, rindo) Ufa! Que situação!
(Eiri, fazendo uma careta) Ele viu...
(Mu) É...
(Eiri) Bom, pelo menos ele agora vai ficar lá com Shiryu e Shunrei. Assim não precisaremos nos preocupar com ele.
(Mu) Pois é. Não devíamos mesmo ter trazido o Kiki. Eu devia ter imaginado que ele ficaria entediado.
(Eiri) Ele vai ficar bem com Shiryu. No fundo era o que ele queria.
(Mu) É, eu sei. (retirando o lençol) Bom, mas agora que ele já foi, recomecemos os trabalhos.
(Eiri, rindo) Claro, mestre.
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Tóquio
Casa de Shiryu e Shunrei.
Ela acaba de arrumar o sofazinho para Kiki e agora os dois esperam o garoto voltar.
(Shunrei, deitada no colo de Shiryu) Amanhã acho que devíamos arrumar o quarto de hóspedes para o Kiki. Teríamos que fazer isso mais cedo ou mais tarde, então fazemos logo.
(Shiryu) Sim, é uma boa idéia. Com certeza, o Mestre virá para cá algumas vezes para ver você. Então o quarto já estará pronto para ele.
(Shunrei, rindo) Me ver? Você é o queridinho dele!
(Shiryu, também rindo) Não sou!
(Shunrei) É, sim!!
(Shiryu) Não!!
(Shunrei) Sim! Eu sei que ele também me ama, mas você é o filho que ele sempre sonhou ter.
(Shiryu) Bom... talvez...
(Shunrei) É, sim. E eu não tiro a razão dele. Você também é meu queridinho.
(Shiryu) Ah! Sou, é?
(Shunrei) É. Eu te amo tanto, tanto, tanto.
(Shiryu) Também te amo, Shu.
Os dois trocam um beijo apaixonado.
(Kiki, que acabara se teleportar, pigarreando) Hã! Hã!
(Shiryu) Ah, Kiki! E então, falou com Mu?
(Kiki) Sim! Mestre Mu me deixou ficar com vocês.
(Shunrei, levantando-se da cama) Ótimo. Arrumei essa cama improvisada para você. Amanhã veremos algo melhor.
(Kiki, pulando no sofá) Essa está ótima! Sabe, quando cheguei lá o mestre Mu e a Eiri estavam ... (sussurra) fazendo aquilo...
(Shiryu, corando) Você devia ter se teleportado para fora do quarto e batido à porta!
(Kiki) É que direto lá pra dentro era mais rápido!
(Shiryu) Certo, mas não faça mais isso, ok?
(Kiki) Certo. Mas foi bem estranho, hein? É daquele jeito que se faz bebê, não é? Aquilo é bom mesmo? Nunca tinha visto gente fazendo...
(Shiryu, muito corado) Amanhã conversamos sobre isso. Agora vamos dormir, não é?
(Kiki) Claro, claro.
(Shunrei, dando um beijinho na testa dele) Boa noite.
(Kiki) Boa noite, Shu. Boa noite, Shi.
(Shiryu, sorrindo) Boa noite.
Shiryu e Shunrei tornam a deitar na cama. Abraçada ao marido, ela sussurra:
(Shunrei) Já vai começar a treinar para conversar "assuntos delicados" com nossos filhos!
(Shiryu) Parece que sim!
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Dia seguinte.
Mansão Kido, meio-dia. Saori está almoçando com Tatsumi.
(Tatsumi) Senhorita, muito obrigado de verdade.
(Saori) Tatsumi! Você já me agradeceu umas cinquenta vezes desde que chegamos da sua casa! Já disse que não é preciso. A casa que lhe dei é muito menos do que você merece por todos esses anos de fidelidade. Sou eu quem tem que agradecer por tudo que você já fez por mim.
(Tatsumi) Era minha obrigação, senhorita.
(Saori) Você foi muito além de suas obrigações. Mas agora chega de agadecer, Tatsumi! De hoje em diante, depois de dar as ordens para o jantar, você pode ir para sua casa. Ou passar antes na casa de Shiryu para ver sua namorada. Ah, eu estou achando uma coisa muito fofa o meu mordomo ter uma namorada.
(Tatsumi, corando) Senhorita... por favor.
(Saori, rindo) Não se envergonhe. É muito bonito estar apaixonado. Agora vou descansar um pouco. Me chame às duas da tarde. Irei à Fundação com Shiryu.
(Tatsumi) Sim, senhorita.
(Saori, pensando) Até o Tatsumi está feliz. Finalmente, todos estão felizes...
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Los Angeles.
Apartamento de Hyoga.
(Rumiko) Então está mesmo decidido, vai apresentar esse texto chato no trabalho mensal?
(Hyoga) Vou. E não é chato.
(Rumiko) É muito chato, gatinho. Muito mesmo.
(Hyoga) Pode ser, mas é esse que vou fazer porque é o que me diz alguma coisa.
(Rumiko) Está bem, como quiser, desde que você continue sendo o Romeu da minha apresentação.
(Hyoga) Eu disse que ia ser, então serei.
(Rumiko) Certo. Não se irrite com isso, ok? Que tal um passeio? Você quase não vai para lugares diferentes. Só vai ao curso de artes cênicas e ao de inglês.
(Hyoga) Eu tenho feito alguns trabalhos como modelo. Preciso sair de casa para isso.
(Rumiko) Eu sei, mas isso não conta como passeio. Vamos sair, vamos? Por favor! Duas horinhas num bar! Vamos, vamos!
(Hyoga) Rumiko, não devíamos ensaiar? A apresentação já é semana que vem.
(Rumiko) Ensaiamos outro dia, meu gatinho.
(Hyoga) Está bem... estou mesmo precisando mesmo espairecer.
(Rumiko, pulando) Isso!!
(Hyoga) Vamos.
(Rumiko) Não vai nem vestir um casaco? Está bem frio lá fora.
(Hyoga) Nunca está frio o bastante para mim.
(Rumiko) Eu sei que você morou na Sibéria, mas mesmo assim nunca vi tanta resistência ao frio.
(Hyoga, pensando em Camus) É. Digamos que eu aprendi a ter uma resistência fora do comum.
(Rumiko) Fora do comum mesmo. Nunca vi ninguém assim.
Hyoga e Rumiko saem de casa, ela bem agasalhada, Hyoga de jeans e camiseta. A pé, os dois seguem para um bar perto da casa de Hyoga. Acomodam-se numa mesa na parte mais reservada do lugar e pedem petiscos e cerveja.
(Rumiko) Então, depois do curso o que você vai fazer?
(Hyoga) Eu não sei. Estou apenas no primeiro mês. (pensando) A única coisa que sei é que farei muitas viagens até a China.
(Rumiko) Eu já decidi. Não volto mais para o Japão.
(Hyoga) Também não devo voltar. Não para ficar. Mas pretendo ir ver meus irmãos.
(Rumiko) Hum... Eu adoraria conhecer seus irmãos.
(Hyoga, desconversando) Um dia...
Quinze dias depois.
(Rumiko, ajeitando o vestido branco) Estou bem de Julieta?
(Hyoga, esfregando as mãos) Está ótima.
(Rumiko) Você está lindo com essa roupinha de Romeu. Está nervoso, gatinho?
(Hyoga) Um pouco.
Rumiko, sem dizer mais nada, beija Hyoga.
(Rumiko) Acalmou?
(Hyoga) É... Bom, vamos logo para o ginásio. Estou me sentindo ridículo nessa roupa de Romeu.
(Rumiko) Um ator não pode se sentir ridículo quando assume um personagem.
(Hyoga) Acho que vou ter que acostumar com isso. (pensando) Me sinto muito melhor na minha armadura de Cisne.
No teatro, os alunos do curso sentam-se na primeira fila, cada um devidamente vestido como o personagem que interpretará em instantes. O professor Aaron sobe ao pequeno palco e explica como será a avaliação. Em seguida, começam as apresentações. Depois de algumas apresentações, os dois sobem ao palco e encenam o trecho de "Romeu e Julieta". Nervosos, os dois erram algumas falas do trecho da peça, mas concluem a apresentação. Em seguida, na coxia...
(Rumiko) Droga. Foi uma porcaria! Erramos tudo! Além do nervosismo com a avaliação, ainda teve a dificuldade com a língua.
(Hyoga, esfregando as mãos) Calma. Não exagera. Não erramos tanto assim. Além disso, foi só o primeiro trabalho.
(Rumiko) É. E já vamos começar mal.
(Hyoga) Não esquenta, ok? Vou me trocar para o meu trabalho.
(Rumiko) Você vai ser um dos últimos, não precisa se trocar agora.
(Hyoga) Eu sei, mas vou me trocar e ficar quieto aqui na coxia. Não quero ver as outras apresentações.
(Rumiko) Ah, vai me deixar sozinha lá?
(Hyoga) É. (ao ver a expressão de desapontamento dela, ele completa a frase) Desculpa.
(Rumiko) Tá. Vai. Boa sorte. (beijando-o) Vou torcer por você.
(Hyoga) Obrigado.
Depois de vestir a túnica branca que usará para a apresentação, Hyoga se senta num cantinho da coxia e se concentra na apresentação, repetindo o texto mentalmente. Muito tempo depois, chega a hora de subir ao palco sozinho. Ele respira fundo, entra no palco com ar de filósofo e começa o monólogo. Na primeira fila da platéia, Rumiko resmunga mentalmente.
(Rumiko, pensando) Ai, por que ele escolheu esse troço chato? Podíamos estar fazendo outra cena de amor, com mais um beijo, e ele vem com essa ladainha de Sócrates...
(Hyoga, no palco) ...Todas essas coisas, amigos, ouvi de sua boca, todas as vezes em que me falava sobre o amor. Um belo dia, porém, perguntou-me: "Qual é, caro Sócrates, no teu modo de pensar, a causa do amor e do desejo?"
(Rumiko, pensando) Amor e desejo... amor e desejo... tudo bem, amor e desejo são ótimos, mas esse Sócrates era um chato.
(Hyoga) Não te aconteceu nunca observar como o amor empolga fortemente todos os animais, tanto os que voam como os que andam na terra, quando os possui o desejo de procriar?
(Rumiko, pensando) Hummmm! Desejo de procriar! Essa parte é boa. Bem que nós podíamos começar a fazer o que os casais fazem para procriar!
(Hyoga) Nunca observaste como se tornam mórbidos e incendiados de amor, primeiro no momento de se unirem uns com os outros e, depois, quando se trata de alimentar o que foi gerado? Nunca reparaste como estão prontos a defender sua prole, mesmo os mais fracos contra os mais fortes, e a deixar-se morrer por ela e como se sujeitam a passar fome para sustentá-la, e como por ela arrostam todos os sacrifícios?
(Rumiko, pensando) Reparei, reparei... e daí?
(Hyoga) Se se tratasse de homens, bem se poderia concluir que é a razão que os impele a agir dessa maneira. Mas não; trata-se de animais. A que causa atribuiremos o amor e efeitos que neles encontramos? Saberias dizer-me?
(Rumiko, pensando) Não, eu não sei dizer, meu gatinho. Só sei que eu devia estar aí neste palco com você apresentando um texto melhor.
(Hyoga) Como lhe respondesse que não sabia, continuou ela a inquirir: "E crês que algum dia virás a ser um perito em matéria de amor, se não sabes isso?"
(Rumiko, pensando) Perito em matéria de amor? Seria legal...
(Hyoga) É a natureza mortal que procura, na medida de suas forças, eternizar-se e imortalizar-se. Mas isso ela alcança pela procriação, porque deixa sempre um indivíduo novo no lugar de um velho.
(Rumiko, bocejando) Ele está lindo no palco, mas quando é que isso acaba?
(Hyoga) De fato, mesmo durante o tempo em que cada animal passa como vivo e idêntico, como indivíduo, isto é, no tempo que vai da infância à velhice, embora se diga que é sempre o mesmo, ele não possui em em si as mesmas características. Está continuamente a renovar-se; e a perder também, quer sejam os cabelos, quer seja a carne, os ossos, o sangue. E não só no corpo se dão as mudanças: o mesmo acontece com o espírito. Costumes, convicções, desejos, prazeres, aversões, temores — todas estas coisas jamais permanecem as mesmas. Umas vão nascendo, ao passo que outras desaparecem.
(Rumiko, pensando) Ainda bem que as coisas se renovam, não é? Detesto coisa velha.Gosto de tudo moderno, muito moderno!
(Hyoga) Vê, porém, o que é ainda mais admirável: nossos próprios conhecimentos. Ora nascem, ora perecem; de modo que não somos indênticos nem em nossos conhecimentos. Para que usamos a reflexão? Apenas para reter um conhecimento que nos escapa? O esquecimento nada mais é do que a fuga de um conhecimento — e a reflexão, pondo uma nova recordação no lugar da que se foi, salva o conhecimento, dando a impressãode que ele permanece sempre o mesmo. Desse modo, pois, é que se conserva tudo quanto é mortal. Não, como o que é divino, permanecendo sempre exatamente o mesmo — mas, ao contrário, substituindo continuamente o que desaparece e envelhece por outra coisa nova, possuidora das mesmas qualidades.
(Rumiko, pensando) Já está acabando, já está acabando, já está acabando.
(Hyoga) É assim, caro Sócrates, ajuntou ela, que o mortal, o corpo e as outras coisas, participam da imortalidade; de outra maneira, isso seria impossível. Não deves, pois, te espantar de que todos os seres amem a quem procriaram, pois é devido ao desejo de imortalidade que amam e se desvelam.
(Rumiko, aplaudindo de pé) Lindooo! Maravilhosoooo! (pensando) Mas com um péssimo gosto para o teatro. Credo! Que monólogo mais chato!
Hyoga se curva em agradecimento e sai do palco. Algum tempo depois ele vai até a platéia e senta ao lado de Rumiko.
(Hyoga, sorridente) Que tal?
(Rumiko, hesitante) É, foi legal. Meio chato, mas legal.
(Hyoga) Chato? É teatro clássico grego!
(Rumiko) Eu sei, mas é chato que dói, né?
(Hyoga, rindo) Conheço alguém que diz a mesma coisa que você...
(Rumiko) Ah é? Quem?
(Hyoga) Um dos meus meio-irmãos.
(Rumiko) Ah, sim. Legal. Você precisa me apresentar a ele. Mas será que o professor vai dar as notas hoje?
(Hyoga) Não sei.
(Rumiko) Tomara que não, né? Vai ser um mico.
(Hyoga) Eu prefiro saber logo. Mas agora vamos assistir às últimas apresentações em silêncio.
No final das apresentações, o professor Aaron chama toda a turma para o palco. Todos sentam-se no chão e, munido de suas anotações, ele começa a dar as notas. Depois de algumas, chega a vez de Rumiko.
(Aaron) Rumiko Akiyama. Bom, bom, bom. Sua apresentação foi interessante, mas não saiu do lugar-comum. É a cena clássica de Romeu e Julieta, o balcão, sem nenhuma releitura, sem nada de novo. As escapadas na língua não influenciaram na sua nota, certo? Dei-lhe um seis.
(Rumiko, insatisfeita) Obrigada.
Pouco depois, Aaron dá a nota de Hyoga.
(Aaron) Alexei Hyoga Yukida. Você estava muito bem de Romeu, apesar do lugar-comum que já comentei. Mas o que conta para sua nota é a apresentação solo. Você de Sócrates? Pelo amor de Deus! Foi um monólogo chato, cansativo e que não me convenceu. Vou dar cinco por questão de incentivo, mas não merece nem isso.
Hyoga balança a cabeça afirmativamente.
(Rumiko, murmurando) Não falei que era chato?
Hyoga mantém-se em silêncio. Aaron dá as notas restantes e depois encerra a apresentação.
(Aaron) Repararam que a maior nota foi sete? É isso mesmo. Vocês estão aqui para aprender. E no próximo mês espero ver apresentações superiores, caso contrário, alguns receberão a recomendação de deixar o curso. É isso. Palmas para vocês, porque isso foi só o começo. Estão dispensados.
Hyoga e Rumiko vestem roupas normais e saem do ginásio juntos, em silêncio. Ela tenta quebrar o clima chato entre os dois.
(Rumiko) Então, para onde vamos?
(Hyoga) Eu vou para casa.
(Rumiko) Eu vou com você.
(Hyoga) Desculpa, mas eu queria ficar sozinho.
(Rumiko) Está bem. (beijando-o) Você deve estar chateado com a nota, não é?
(Hyoga) Só quero ficar um pouco sozinho.
(Rumiko) Certo. Até amanhã, então.
(Hyoga) Até.
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Tóquio.
Casa de Shiryu e Shunrei.
Todas as manhãs ele sai cedo e vai até a Fundação com Saori. Tem acompanhado tudo de perto, prestando atenção e procurando aprender o máximo possível sobre a administração dos negócios. Shunrei e Kiki ficam em casa, o menino já devidamente instalado no quarto de hóspedes que o casal arrumara. Os dois se divertem cuidando da pequena horta que ela começou a fazer no quintal da casa.
(Kiki, ajudando Shunrei) Shunrei, o Mestre Mu já deve estar voltando da lua-de-mel... mas se ele permitisse que eu morasse aqui, você me deixaria ficar?
(Shunrei) Claro. Você sabe que eu e Shiryu gostamos muito de você e que você é sempre muito bem-vindo na nossa casa.
(Kiki) É, eu sei. Eu ia gostar de morar aqui.
(Shunrei) Mas e o seu treinamento?
(Kiki) Ah, sei lá. Acho que eu poderia ir treinar todo dia.
(Shunrei) Bom, sim. Mas temos que conversar isso com o Mu, não é mesmo? Ouviu o carro parar lá na porta? Shiryu está chegando!
Shunrei e Kiki correm até o portão de entrada.
(Shiryu, aproximando-se dos dois, acompanhado de Saori) Olá, meu amor.
(Shunrei, beijando-o e abraçando-o) Olá! Oi, Saori!
(Saori) Oi. Vim ver como estão na nova casa. Olá, Kiki!
(Kiki) Olá, Srta. Saori!
(Saori) Como vai, Shunrei?
(Shunrei) Está tudo muito bem. E você?
(Saori) Também estou bem.
(Shunrei, para Shiryu) Como foi lá na Fundação?
(Shiryu) Tudo bem. E vocês, como passaram a tarde?
(Shunrei) Aqui, cuidando da horta.
(Kiki) É! Muito legal cuidar da horta!
(Shiryu, sorrindo) É, sim. Também gosto muito.
(Shunrei) Bom, vamos entrar?
(Shiryu) Vamos.
Dentro de casa, Shunrei e Kiki lavam aos mãos e todos se sentam à mesa da cozinha para lanchar chá e biscoitos. Quando anoitece, Saori deixa a casa, levando sua mudinha de pessegueiro.
S — — — — A- — — — I — — — — N — — — — T -- S — — — — E — — — — I — — — — Y — — — — A
Casa de Seiya.
(Shina, servindo uma macarronada para Seiya) É a única coisa que eu sei fazer. Você já devia ter arrumado uma boa empregada, seu inútil.
(Seika) Concordo.
(Seiya) Eu não encontrei uma do jeito que eu quero.
(Shina) E que jeito é esse??
(Seiya) Ah, um jeito aí...
(Shina) Você só sabe falar, não é? Prometeu arrumar empregada, prometeu começar a trabalhar na tal da escolinha de futebol e até agora só vejo você dormindo e jogando video game.
(Seiya) Eu estou cuidando da escolinha! Bom, o povo lá da Fundação é que está arrumando as coisas pra mim. Já vou pegar tudo pronto.
(Shina) Você gosta de uma moleza, não é?
(Seiya) Ah, se eu posso ter tudo pronto, para quê vou me cansar?
(Shina, ao pé do ouvido dele) É por isso que nem tão cedo você vai ter o que quer de mim.
(Seiya) Ah, Shinazinha! Não fala assim!
(Shina) Melhor você tomar jeito logo! O Natal está chegando. E quando eu estiver de volta a Atenas, pode ser que eu não queira voltar.
(Seiya) Nem fale uma coisa dessas! Amanhã mesmo vou ver como estão as coisas para a escolinha e também vou procurar a empregada.
(Shina) Melhor assim.
(Seiya, comendo o macarrão) Até que essa macarronada não está ruim.
(Seika) É. Só parece que você jogou todo o pacotinho de orégano no molho. Fora isso, está legal.
(Shina) Não reclama, não! Quem mandou você não fazer o jantar?
(Seika) Eu estava estudando.
(Shina) Estudando, estudando. Pensa que eu não sei que você finge estudar e fica escrevendo sobre o Shaka?
(Seika) Não fico nada!
(Shina) Fica sim!
(Seika) Seiya, a sua namorada está implicando comigo! Não vai fazer nada?
(Seiya) Eu não! Briga de mulher é muito legal!
As duas levantam-se da mesa irritadas, deixando Seiya jantando sozinho.
(Seiya) Ué? O que foi que eu disse de errado?
Continua...
Notas finais
O trecho de Romeu e Julieta não foi reproduzido porque eu já o fiz em capítulos anteriores (muuuuito anteriores!).
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