Escute Seu Coração
19 Capítulo XIX
Os personagens de Saint Seiya pertencem ao tio Kurumada e é ele quem enche os bolsinhos. Todos os outros personagens são criações minhas, eu não ganho nenhum centavo com eles, mas morro de ciúmes.
ESCUTE SEU CORAÇÃO
Chiisana Hana
Beta-reader: Nina Neviani
Capítulo XIX
Mansão Kido.
Shun e June chegam à mansão Kido de táxi. Saori os recebe.
(Saori, para Shun e June) Bom dia! E o Ikki?
(Shun) Quando estávamos saindo ele ainda estava acordando. Achei melhor não esperar.
(Saori) Ah... Será que ele vem?
(June) Quem sabe? Ninguém pode contar com ele.
(Saori) Entrem. Shiryu e Shunrei ainda não desceram. Mandei montar uma tenda maravilhosa no jardim dos fundos.
(June) Uau! Tenda! Muito chique.
(Shun) Hum... gostei. Trouxemos pãezinhos recheados.
(Saori) Ah, obrigada.
(Shun) De nada. A Pani que fez.
Pouco depois, Seiya chega acompanhado de Seika e Shina. Tatsumi, já a postos para o trabalho, leva os três até a tenda.
(Seiya) Bom dia, galera!
(Shun) Bom dia, Seiya! Tudo bom?
(Saori, olhando para ele e desviando o olhar logo em seguida) Bom dia, Seiya.
(Seiya) Tudo ótimo! Bom, podia estar melhor... (pensando) Se eu já tivesse perdido a virgindade.
(Shun) Shina, Seika! Tudo bom com vocês também?
(Seika) Tudo. Mas até que chegue o Natal eu vou ficar com essa ansiedade me consumindo.
(Seiya) Ela só pensa no loiro.
(Seika) E você só pensa naquilo!
(Shina) Não comecem, por favor.
(Seiya) Tá. Cadê o casal vinte do zodíaco?
(Saori) Eles ainda não desceram.
(Seiya, esfregando as mãos, com expressão maliciosa, erguendo as sobrancelhas) Que será que estão fazendo?
(Seika) Não tem jeito, ele só pensa mesmo nisso.
(Shina) Isso é uma doença, sabia? Você precisa de um psiquiatra.
(Seiya, pensando) Eu preciso é perder a virgindade!
Ikki e Pandora também chegam.
(Ikki) Resolvi vir. Bom dia para todos.
(Pandora) Bom dia. Onde coloco o bienenstich(1)?
(Seiya) Isso é palavrão?
(Ikki) É um bolo, seu ignorante!
(Seiya) Aposto que você também não sabia o que era antes de ver.
(Ikki) Bom, é, não sabia.
(Seiya) Ha! E ainda me chama de ignorante!
(Ikki) Porque você é.
(Seiya) Sou nada!
(Ikki) Fica na tua, seu virgem.
(Seiya) Não me chame de virgem!
(Ikki) Mas você é!
(Pandora) Ikki, deixa o pobre do virgem quieto.
(Seiya, muito irritado) Não me chame de virgeeeeeeeeemmmmm!
Shiryu e Shunrei finalmente aparecem para o bruch.
(Shiryu e Shunrei, sorrindo) Bom dia!
(Todos) Bom dia!
(Shiryu) Surpresa, hein!
(Shunrei) Quando fomos tomar café lá na cozinha, as meninas disseram que estavam todos aqui!
(Saori) Sim! Adorei aquele jantar na casa do Ikki, então organizei este brunch para aproveitar que estamos juntos de novo!
(Shiryu) Ótima idéia!
(Shunrei) Deviam ter me avisado! Eu adoraria ter ajudado a preparar os quitutes.
(Saori) Aqui você é hóspede, não deve se preocupar com isso.
(Shunrei) Ah, mas eu gosto tanto de cozinhar.
(Saori) Eu sei, mas não se preocupe. Mandei preparar biscoitos de mel, iogurtes, sucos, tortas doces e salgadas, saladas... espero que gostem do cardápio.
(Shunrei) Tudo parece ótimo.
(Saori) Que bom!
(Shun, para Shunrei, entregando um pacote) Trouxemos os álbuns de volta.
(June) Ah, eu vi todas as fotos com o Shunzinho. Ficamos babando com todos aqueles lugares maravilhosos, o iate, o hotel. Acho que também vamos passar a nossa lua-de-mel lá.
(Ikki, olhando para June) Já está pensando nisso?
(June) Por que não? Eu e Shun vamos nos casar um dia.
(Ikki, para Shun) Um dia bem distante, né pirralho?
(Shun) Não tão distante. Mas também não vai ser amanhã.
(Ikki) Acho bom.
(June) E se fosse amanhã? O que você tem a ver com isso?
(Ikki) Tem que ele é muito novo pra casar.
(June) Quem decide isso é ele, não você!
(Shun) Ju, deixa ele...
(June, sussurrando para Shun) Esse seu irmão é um porre.
(Shun) Deixa, ele não faz por mal. (para Shunrei, cortando o assunto) E o bebê, como vai?
(Shunrei) Muito bem. Já estou começando a sentir as roupas mais apertadas.
(June) Deve ser boa a sensação de estar grávida.
(Shunrei) É maravilhosa.
(June) Imagino que sim.
(Ikki) Ih... já era.
(June) O que foi agora?
(Ikki, para Shun) Toma cuidado.
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Los Angeles.
Apartamento de Hyoga.
(Rumiko) Poderei saber o que tanto inquieta o meu rei?
(Hyoga) Não terei segredos para ti, pois só me resta uma última esperança. A quem poderia eu, com mais confiança, abrir meu coração, em um impasse desta monta? (pausa longa; recomeça em tom de confidência) Ouça. Meu pai é Políbio, rei de Corinto; minha mãe, Mérope, uma dória. Eu desfrutava de elevada estima, como um dos mais notáveis cidadãos de Corinto, quando se deu um caso estranho, surpreendente talvez, mas que não deveria tomar tão a sério, como fiz. Um homem, durante um banquete, embriagado, insultou-me dizendo que eu não era filho de meus pais. Naquele dia, contive a custo minha indignação, mas...(interrompendo o texto e em tom normal) Rumiko, acho essa fala muito grande
(Rumiko) Mas é a melhor! É quando Édipo(2) se dá conta do que fez.
(Hyoga) Eu não estou à vontade com essa fala. Acho melhor mudar de peça.
(Rumiko) Agora que já decorou a fala e encontrou o tom certo para o seu Édipo?
(Hyoga) É, vou mudar. Quero algo mais leve. Édipo casa com a mãe!
(Rumiko) Essas peças clássicas são todas trágicas.
(Hyoga) Nem todas. Podemos arranjar uma comédia.
(Rumiko) Está bem. Se você quer. Mas eu acho que seu Édipo está perfeito.
(Hyoga) Vou pensar nisso. Agora vamos dar uma pausa para o lanche. Estou morrendo de fome.
(Rumiko) O que vamos comer? Pizza ou hambúrguer?
(Hyoga) Nem um nem outro. Vou preparar uma saladinha com queijo e embutidos.
(Rumiko) Salada? Não acredito!
(Hyoga) Minha salada é maravilhosa.
(Rumiko) Quero só ver!
Rumiko acompanha Hyoga até a cozinha e o observa preparando a refeição.
(Rumiko) Com quem aprendeu a cozinhar?
(Hyoga) Sozinho.
(Rumiko) Você nunca fala da sua vida.
(Hyoga) É porque não tenho muita coisa pra falar.
(Rumiko) Duvido! Vejamos o que eu sei. Você é russo, filho de uma russa com um japonês. Foi para o Japão quando a sua mãe morreu, depois foi mandado para a Sibéria, ficou seis anos lá e retornou ao Japão para um tal de torneio galáctico que eu ainda não entendi o que é. Além disso, não sei mais nada sobre você.
(Hyoga) Não é o bastante?
(Rumiko) Ah, não. E sobre amores? O que me diz?
(Hyoga) Eu tive apenas uma namorada. O relacionamento durou alguns meses.
(Rumiko) Por que acabou?
(Hyoga) Coisa nossa. Mas ela está esperando um filho meu.
(Rumiko, perplexa) Filho? Uau!
(Hyoga) Na verdade, uma filha. É uma menina.
(Rumiko) Nossa, estou realmente surpresa.
(Hyoga, mudando de assunto) A salada está pronta.
(Rumiko) Ah, vamos ver se está boa!
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Tóquio.
O brunch na casa de Saori segue animado. Agora todos beliscam os quitutes, antes de provarem os pratos do almoço. Minu e Jabu chegam à mansão.
(Jabu) Bom dia.
(Todos, mais ou menos surpresos) Bom dia!
(Saori) Que bom que vocês vieram!
(Jabu, sorri timidamente) É.
(Saori) Como vai a vida na casa nova?
(Jabu) Muito bem. Meu apartamento é muito confortável.
(Shun) Que bom!
(Seiya) Deve ser uma bagunça!
(Minu) Não é, não! Ele até que está bastante organizado agora. Você precisa ver, Seiya.
(Jabu) Podíamos marcar alguma coisa lá em casa também, não acha, Mi?
(Minu) Claro! Vamos marcar, sim.
(Saori)Vai ser um prazer.
(Jabu) Então vamos ver um dia depois da cirurgia de Shiryu. Aliás, já estamos sabendo do bebê. Parabéns.
(Shiryu) Obrigado. Vai ser seu primeiro sobrinho, afinal você também é meu meio-irmão.
(Jabu) É verdade. Eu não tinha pensado nisso. Acho que vou gostar de ter um sobrinho.
(Shunrei) Ele também vai gostar de você e da Minu.
(Seiya) Eita, é mesmo. Eu também ainda não tinha pensando nisso! Um sobrinho!Tomara que seja menino, pra gente começar o time de futebol da família. Daqui a alguns anos vai ter muita criança por aqui. Filhos meus, do Shun, do Ikki, do Hyoga, do Jabu.
(Ikki) Ei, me deixe fora dessa. Eu não vou ter filhos!
(Pandora) E por que não?
(Ikki) Porque criança é uma coisa fofa... longe da gente. Em casa é um inferno. Não quero um moleque me perturbando o tempo todo. Fora que mulher depois que tem filho fica chata pra caramba.
(Shun) Nossa, quanta sensibilidade.
(Pandora) Você não sabe que ele é esse poço de delicadeza?
(Ikki) É a realidade.
(Shiryu) Não é bem assim, Ikki.
(Ikki) Deixa o molequinho nascer pra você ver só o que é bom pra tosse. Você nunca mais vai dormir uma noite inteira. E sexo, então? Quando o moleque der uma folga, vocês vão estar mortos de cansados.
(Shiryu) O amor que os pais sentem pelos filhos supera qualquer incômodo por não dormir bem ou qualquer outra coisa.
(Seiya, agarrando Shina) Pois é, e por isso mesmo eu quero ser pai.
(Shina) Você não tem juízo para cuidar nem de si mesmo, Seiya.
(Seiya) Como não? Tenho sim.
(Shina) Então está bem escondido porque ninguém viu.
(Seiya) Está nada, eu sou ajuizado.
(Seika, irônica) Ah, muito.
(Saori) Bom, vou mandar servir os pratos do almoço.
(Seiya) Demorou!
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Los Angeles.
Hyoga e Rumiko retomam os ensaios, dessa vez da peça dela, Romeu e Julieta(3).
(Hyoga) Se minha mão profana o relicário em remissão aceito a penitência: meu lábio, peregrino solitário, demonstrará, com sobra, reverência.
(Rumiko) Ofendeis vossa mão, bom peregrino, que se mostrou devota e reverente. Nas mãos dos santos pega o paladino. Esse é o beijo mais santo e conveniente.
(Hyoga) Os santos e os devotos não têm boca?
(Rumiko) Sim, peregrino, só para orações.
(Hyoga) Deixai, então, ó santa! que esta boca mostre o caminho certo aos corações.
(Rumiko) Sem se mexer, o santo exalça o voto.
(Hyoga) Então fica quietinha: eis o devoto. Em tua boca me limpo dos pecados. (ele a beija)
O beijo, que devia limitar-se a um beijo técnico, acaba por se tornar verdadeiro e intenso.
(Hyoga) Não devíamos ter nos beijado de verdade...
(Rumiko) E por que não?
(Hyoga, embaraçado) Melhor mudarmos de cena. Por que não fazemos a cena do balcão?
(Rumiko) Essa é a que todo mundo faz.
(Hyoga) Nós faremos melhor que todo mundo.
(Rumiko) Está bem. Podemos ensaiar para ver como fica. Mas antes, me beija de novo?
Hyoga responde com o beijo que ela pedira. Está um tanto confuso, mas gosta da japonesinha. "Dessa vez vai ser diferente.", ele pensa. Depois de mais alguns beijos, eles retomam os ensaios, agora com a cena do balcão.
Continua...
Notas finais
(2) Excerto da peça Édipo Rei, de Sófocles, edição da Martin Claret, traduzida da versão inglesa de Sir Richard Jebbs.
(3) Excerto da peça Romeu e Julieta, de William Shakespeare, edição digital da Coleção Ridendo Castigat Mores, Virtual Books.
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