Os personagens de Saint Seiya pertencem ao tio Kurumada e é ele quem enche os bolsinhos. Todos os outros personagens são criações minhas, eu não ganho nenhum centavo com eles, mas morro de ciúmes.

As histórias das mães dos cavaleiros de bronze não pertencem ao contexto original de Saint Seiya.

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Chiisana Hana

Beta-reader: Nina Neviani

Capítulo XX

Mansão Kido.

Depois de comerem os pratos do almoço, todos entram na mansão. Os meninos formam uma rodinha no sofá, enquanto as meninas concentram-se na mesa.

(Seiya) Vocês estão sabendo do que a Saori está fazendo?

(Shun) Depende. Do que se trata?

(Seiya) Ela está procurando informações sobre nossas mães.

(Shun) Está?

(Shiryu) Por que isso agora?

(Seiya) Sei lá o que deu nela, mas eu gostei. Vocês não querem saber de onde vieram?

(Shiryu, sério) Eu não.

(Jabu) Eu também não.

(Seiya) Ué? Por quê?

(Shiryu) Minha mãe nunca quis saber de mim, me deixou no orfanato com dias de nascido, não sei nem o nome dela. Por que eu ia querer saber quem ela é?

(Jabu) Exatamente. Pouco me importa quem é minha mãe. Não preciso mais dela.

(Seiya) Mãe é mãe, né, gente?

(Jabu) Aquela que abandona não é mãe.

(Seiya) Ninguém sabe que tipo de problema elas tiveram.

(Shiryu) O único problema que justifica abandonar um filho é a morte, o que não parece ter sido o caso da minha mãe.

(Shun) Como você pode saber?

(Shiryu) Eu não sei, mas é o que eu sinto.

(Jabu) Eu também não faço idéia do que aconteceu com a minha e não me interessa saber.

(Seiya) Vocês dois estão fazendo uma duplinha? Deixa eu continuar. O que eu ia dizer é que a Saori achou uma caixa com coisas da minha mãe, inclusive um diário. Mamãe era um amor. Meio bobinha, coitada, acreditava que o Kido se casaria com ela, mas um amor.

(Ikki) Provavelmente como todas as outras idiotas que se entregaram pra ele.

(Seiya) Pois é, mas eu fiquei tão feliz, sabe? O nome dela era Chikako e ela morreu quando eu era bem pequeno.

(Ikki) Nome feio do caramba!

(Seiya) Não fala assim da minha falecida mãezinha!

(Ikki) Ah, vai dar uma de Hyoga e começar a chorar? Estou sem paciência hoje.

(Seiya) Tomara que a Saori não encontre nada da sua mãe!

(Ikki) Pouco me importa!

(Shun) Seiya! É minha mãe também, e eu gostaria de saber mais sobre ela. O Ikki ainda lembra alguma coisa, mas eu era só um bebê.

(Seiya) Lembra?

(Ikki, muito sério) Lembro um pouco. Ela era loira e se chamava Natássia.

(Shun) Quê?

(Ikki, rindo) Brincadeira. Bom, ela era loira mesmo, mas o nome era Leonore. Lembro apenas dela ralhando comigo, eu já era muito levado naquela época. Lembro também dela cuidando do Shun. Até o dia em que ela sumiu e eu fiquei sozinho com você.

(Shun, com os olhos marejados) É tão triste isso.

(Ikki) Bom, é, mas passou.

(Shun) Eu vou rezar para a Saori encontrar alguma coisa sobre ela.

(Ikki) Pra mim, tanto faz.

(Shiryu) Tomara que não encontre nada sobre a minha. Não faço questão nenhuma de saber quem ela é.

(Seiya) Ai, você está muito revoltado mesmo.

(Shiryu, irônico) Desculpa se eu não morro de vontade de conhecer a mamãe.

(Shun) Então vamos falar de outras coisas.

(Shiryu) É, boa idéia.

(Ikki, malicioso) Como é que está seu namoro com a Shina?

(Seiya) Muito bem, tirando a parte do "ela não dá pra mim".

(Shiryu, rindo) Quando você parar de insistir, ela vai ceder. Você fala nisso a cada dez minutos!

(Seiya) Ah, mas é que eu só penso nisso! Um dia eu fiquei espiando ela trocar de roupa, sabe?

(Shun) Depois diz que não é criança!

(Seiya) Ah, que seja. O fato é que eu espiei. Ai, meu Deus! o que era aquilo? Uma maravilha da natureza. Vocês nem imaginam!

(Shiryu, corando) Nem quero imaginar. E não entre em detalhes.

(Ikki) Entra sim!

(Seiya) Pô, muito gostosa. Cada peitão. Ai, meu Deus!

(Shun, muito vermelho) Juízo, Seiya! Você precisa de juízo!

(Shiryu) Primeiro ele precisa de um banho frio para apagar esse fogo todo.

(Ikki) O que esse retardado precisa de verdade é pegar logo uma mulher! Se você quiser, eu arrumo uma para resolver seu problema.

(Shun) Ikki!

(Seiya) Ai, se a Shinazinha demorar muito pra se decidir, eu vou querer.

(Jabu, incrédulo, rindo muito) Quer dizer que o pocotó ainda é virgem?

(Seiya, pensando) Ai, meu Deus, esqueci que esse idiota não sabia do meu problema.

(Ikki) Isso mesmo. Ele é virgem!

(Seiya) Eu estou virgem! Estou! Daquei a algum tempo não estarei mais!

(Jabu, controlando-se para não rolar de rir) Virgem, cara! Virgem! Eu pensava que o problema era que a Shina não queria transar com você. Não pensei que você ainda fosse virgem. Isso é que é falta de talento com mulher, hein?

(Seiya) Ah, qual é, aposto que você ainda continua virgem também.

(Jabu) Eu não sou você, graças a Deus. Já perdi a virgindade há tempos, imbecil.

(Seiya, perplexo) Juraaaaaaaaaaa?

(Jabu) Claro.

(Seiya, pensando) Puxaaaaaaaaa, por que eu não tentei namorar a Minu primeiro?

(Shiryu, irritado) Mas será possível que toda vez que a gente conversa, o papo tem que cair nesse assunto?

(Seiya) Você está muito estressadinho hoje! Agora que está casado, devia estar ainda mais zen, podendo fazer aquelas coisas todos os dias. Ai, ai...

(Shun) Será que vocês não têm nenhuma sensibilidade? Shiryu vai fazer uma cirurgia amanhã!

(Seiya) Tá, desculpa.

(Jabu, ainda rindo) Foi mal. Mas o Seiya é virgem... Huauauauhahuuaha!

Noutro canto da sala, as meninas conversam...

(Saori) Então, estão animadas para o Natal em Atenas?

(June) Ah, sim! Agatha e as meninas vão amar.

(Seika) E eu também! Vou ver meu loirinhooooo!

(Tatsumi, aproximando-se da mesa) Senhorita, o senhor Julian ao telefone.

(Saori) Ah, obrigada, Tatsumi. Com licença, meninas.

Assim que Saori sai...

(Pandora) Esse namoro é meio estranho. Ela não parece empolgada.

(June) Nem um pouco.

Shina olha desconfiada para Seiya.

(Pandora) Eu já vi namoro sem graça, mas igual a esse não existe.

(Shunrei) Ah, gente, cada um é de um jeito, né? Os namoros não são todos iguais.

(Pandora) Mas esse é muito suspeito.

(Shunrei) Por que não mudamos de assunto?

(Minu) Acho bom mesmo. Ninguém tem nada a ver com o namoro da senhorita Kido.

(Seika) Exatamente. Não temos nada com isso.

(Pandora) Foi só um comentário. Mas não tenho razão, Shina? Ela não parece gostar muito desse namorado.

(Shina) Eu não tenho que achar nada. Não me meto na vida dos outros. E você não devia se meter também. Devia cuidar melhor do seu namorado, já que ele é que não parece muito empolgado com você.

(Pandora, indignada) Como é?

(Shina) O que você ouviu.

Enquanto isso, no escritório, Saori conversa com Julian...

(Saori) Oi, querido.

(Julian) Oi, amada. Como foi o brunch?

(Saori) Muito animado. O pessoal ainda está aqui.

(Julian) Ah, sim? E o que estão fazendo?

(Saori) Estamos conversando. Como sempre, uma rodinha de meninos e outra de meninas.

(Julian) Melhor assim.

(Saori) É... vou voltar pra lá agora. Mais tarde ligo pra você.

(Julian) Ok. Até mais tarde, amada.

(Saori) Até. Um beijo.

(Julian) Outro.

Saori desliga o telefone e retorna à sala de estar. Os rapazes riem animadamente, exceto Seiya, que está um pouco emburrado e vermelho. As meninas parecem tensas, e Saori propõe um joguinho para quebrar a tensão.

(Saori) Que tal se fôssemos para o salão de jogos jogar um baralhinho?

(Pandora, levantando-se e se aproximando de Ikki) Seria ótimo, mas eu tenho que ir. Ikki, vamos?

(Ikki) Vamos, né? Já estou cansado.

(Jabu) Minu e eu também já vamos. Compromisso inadiável.

(Minu, abraçando-o) É...

(Saori) Ah, que pena! Shun, você fica?

(Shun) Ah, desculpa, mas eu tenho que estudar.

(Saori) Então fica para a próxima. Obrigada por terem vindo!

(Shun) De nada, Saori.

(Jabu) Depois da cirurgia a gente marca um dia pra vocês conhecerem minha casa.

(Shiryu) Certo. Nós vamos adorar.

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Quando todos vão embora...

(Saori) Acho que não vai rolar baralhinho entre nós três.

(Shiryu) Baralho não, mas se quiser conversar.

(Saori) Ah, não... tudo bem.

(Shiryu) Você que sabe. Se quiser conversar, estamos à disposição.

(Saori) Eu sei, vocês são uns amores. Bom, já que não vamos jogar, eu vou dar uma olhada nuns documentos da Fundação.

(Shiryu) Ok. Até mais tarde.

(Saori) Até.

Saori vai até o escritório e faz menção de ligar para Julian. Entretanto, antes, ela liga para Saga.

(Saga) Athena?

(Saori) Olá, Saga. Tenho notícias da menina perdida.

(Saga, tenso) Encontraram o túmulo dela?

(Saori) Não. Porque não existe um túmulo.

(Saga) Como assim?

(Saori) Isso mesmo, não existe. Houve um acidente mesmo. Mas a menina sobreviveu.

(Saga, incrédulo) Meu Deus... E onde ela está?

(Saori) Não sabemos. Ainda. Mas vamos descobrir, não se preocupe.

(Saga) Srta. Kido, não sabe como isso me faz feliz.

(Saori) Eu imagino. Em breve darei mais notícias.

(Saga) Aguardarei ansioso. Muito obrigado. Em meu nome e em nome da Agatha.

(Saori) Por nada, Saga. Fico feliz por ajudar.

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Já no quarto, Shiryu e Shunrei conversam.

(Shunrei) Foi legal esse brunch, não?

(Shiryu) Foi. Descontraí um pouco. Deita aqui no meu colo, deixa eu te olhar... para o caso de dar errado...

(Shunrei) Vai dar certo!

(Shiryu) Deita...

Shunrei deita no colo de Shiryu.. Ele acaricia a barriga dela.

(Shiryu) Nessas horas eu queria ser o Mu, para conseguir ver nosso filhotinho.

(Shunrei) Ai, eu também adoraria vê-lo.

(Shiryu) Filhotinho, filhotinho. Está me ouvindo?

(Shunrei, com voz infantil) Olá, papai! Tô aqui guardadinho na barriguinha da mamãe. Daqui a oito meses você vai me ver, papai.

(Shiryu) Eu vou sim, amor.

Os dois cochilam assim, ela deitada no colo dele.

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Dia seguinte, bem cedo.

(Shunrei) Coloquei só umas coisinhas na mala de mão. O médico disse que você só fica no hospital até amanhã. Vamos?

(Shiryu, tenso) Sim.

(Shunrei, beijando-o) Vai dar tudo certo.

(Shiryu) Claro, Shu.

Seiya já os esperava na sala da mansão.

(Seiya) Eu vou também! Pelo menos faço companhia para a Shunrei enquanto estão lá cutucando em seus olhos.

(Shiryu, rindo) Obrigado, Seiya. Seu otimismo vai me fazer bem.

(Seiya) De nada!

Shiryu, Shunrei e Seiya são levados ao hospital pelo motorista de Saori. Lá, pouco antes de Shiryu entrar no centro cirúrgico...

(Shunrei) Eu te amo muito.

(Shiryu) Eu também te amo muito, minha florzinha. Você é tudo pra mim. Você e o nosso filho. Vocês dois são a minha vida agora.

(Shunrei) Eu sei, querido. Que Deus te proteja.

(Seiya) Boa sorte, cara!

Shiryu é levado para o centro cirúrgico. Seiya e Shunrei se sentam num sofá no corredor do hospital.

(Shunrei) Ele fica meio ressabiado, mas no fundo acredita que vai ficar tudo bem.

(Seiya) É. Ele já melhorou um pouco essa coisa de ser pessimista, né?

(Shunrei) Melhorou.

(Seiya) Shunrei, me diz uma coisa. Você me acha muito sem juízo?

(Shunrei) Você é uma figura, Seiya! Divertido, otimista, mas um pouco criança ainda.

(Seiya) Poxa... você fez aquele negócio que chamam de "tapa com luva de lilica".

(Shunrei) Não seria "luva de pelica"?

(Seiya) Sei lá, deve ser. Como você sabe?

(Shunrei) Acho que li em algum lugar. Mas o que eu queria lhe dizer é que não é mau ter esse seu jeito crianção. Você mantém esse frescor da infância. É algo que eu e Shiryu não temos, por exemplo.

(Seiya) Shiryu nunca teve, né? Sempre foi tão sério.

(Shunrei) É, ele sempre foi um tantinho adulto demais. Então, você tem sorte de manter esse viço infantil, mas como diria o Mestre Ancião: "Deve-se sempre buscar o equilíbrio."

(Seiya) Falou bonito. Você é bem inteligente, hein? Nem parece que nunca foi pra escola.

(Shunrei) Eu leio muito. Shiryu e o Mestre também me ensinam muitas coisas. Os dois são excelentes professores.

(Seiya) Que bom. E quanto a mim?

(Shunrei) Acho que é só levar as coisas um pouquinho mais a sério.

(Seiya) Deixar de vagabundear para fazer alguma coisa que preste?

(Shunrei) Mais ou menos isso.

(Seiya) Não quer me dar uma idéia? Você é "cabeça" que nem seu marido.

(Shunrei, rindo) Cabeça! Ai, deixe-me ver. Do que você gosta?

(Seiya) Comer, jogar bola, jogar video game, tocar violão, beijar... (pensando) Acho que eu vou gostar de sexo, mas não posso incluir na lista já que ainda não experimentei.

(Shunrei) Certo. Jogar bola. Ao invés de só ir jogar com os meninos do orfanato, por que você não abre uma escolinha de futebol? Você podia cobrar das crianças que puderem pagar e deixar os meninos do orfanato jogarem de graça. Acho que seria interessante e ao mesmo tempo divertido.

(Seiya) Poxa! Como eu não pensei nisso?

(Shunrei, rindo) A Shina ia gostar de ver você empolgado com um projeto importante. E ela poderia ajudar também. Ia ser um motivo pra ela ficar aqui no Japão com você.

(Seiya, abraçando-a) Você é um gênio!

(Shunrei) Sou nada. Mas fico feliz por ter ajudado.

(Seiya) Ajudou demais! Vou começar a ver isso ainda hoje. Será que ainda demora a cirurgia?

(Shunrei) Eu não sei. Talvez. Se tiver algum compromisso, pode ir. Eu vou ficar bem.

(Seiya) Não! Vou ficar aqui. O que você acha que eu tenho que ver para montar a escolinha?

(Shunrei) Bom, primeiro você tem que ver um lugar.

Continua...