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20 Lentamente
Deixou de ir à clareira, já havia se despedido e não queria ter que fazer isso mais de uma vez, sendo a primeira dolorida o bastante.
Sentia, a cada momento que passava, que sua ligação com o silêncio era cada vez mais sugada pelo besante, que logo deixaria Ariel apenas com rebotalhos. Era como se uma parte de seu ser estivesse sendo puxado para fora de forma lenta e dolorosa, deixando Ariel com medo de que acabasse se acostumando com aquele tipo de dor no fim.
Já não podia mais decidir em que momento ouvir os pensamentos das pessoas, podendo apenas assistir quando via alguém sorrir sem poder saber o motivo. Observar o sofrimento de seus tão adorados humanos era ainda pior.
Podia não ser exatamente isso que fazia, mas, ao ouvir aquilo que eles achavam estar apenas guardado em suas cabeças, a fazia pensar que dava algum tipo de apoio.
Nunca tinha pensado assim sobre isso, mas o fato de estar perdendo aquilo que a tornava quem era estava mostrando coisas que ainda não havia cogitado.
“Você só nota o que tem quando perde.” Veio um pensamento flutuante de alguém de repente.
Quem quer que fosse, tinha razão.
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