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21 O meio do fim


Não balançava seus pés ao se sentar no parapeito de uma das enormes janelas do laboratório de esculturas, observando o ir e vir de alunos. Alguns começavam suas esculturas, a tentativa de mexer com alabastro sendo mais difícil do que inicialmente achavam. Coisa que Ariel via por seus olhares e não por seus pensamentos mais.

Talvez, se acabasse ficando tempo suficiente na terra, acabasse se acostumando a ler as expressões faciais de cada ser humano bem o bastante como se tivesse lendo seus pensamentos, mas isso era pedir demais. Tempo era um coisa que já não mais tinha a sua disposição e sua antiga companhia havia deixado isso mais do que claro.

“Droga, droga, droga. Onde está a p-” O pensamento acabou tão abruptamente quanto tinha começado e Ariel sabia que não tinha sido porque o dono dele havia desistido no meio do caminho.

Era impossível desistir de um pensamento dessa forma tão abrupta.

Soltou um suspiro, saltando para o chão, que agora tinha que tocar com seus pequenos pés se quisesse se locomover. Devia se acostumar com essa falta de controle, mas ser obrigada a perder uma parte de si mesma nunca foi uma coisa fácil de se fazer.

Notas finais
Alabastro: Rocha branca, translúcida, semelhante ao mármore, porém menos resistente do que ele, e muito usada em trabalhos de escultura.