Escuro Oceano

2 Capítulo 2 - O Hospital


- Vanessa, Vanessa, Pelo amor de Deus. Abra os olhos. Vanessa?

Não conseguia distinguir de quem era ou de onde via a voz, percebi que meus olhos estavam fechados, então tentei os abrir.

Pouco a pouco eu fui abrindo, até que meus olhos se acostumassem com tanta luz.

- Graças a Deus, Oh meu Deus, como você está? Se sente bem? O que está sentindo?

Agora a reconheço, é minha mãe falando.

Sentia muita sede naquele momento. Tentei falar a ela que precisava de água, mas palavra alguma saia de minha boca.

Comecei a ficar agitada na cama.

- Filha, me diga como está? O que está sentindo? – disse a mãe.

- Pree...ci..so, de água. – Disse tropeçando nas palavras.

- Mas é claro. – disse a mãe.

Ela foi até o bufê do outro lado do quarto e de repente um homem de branco entra no quarto.

Levo um susto, que me faz ter uma crise de tosse.

Minha garganta estava muito seca, as palavras não saiam.

— Aqui está a água querida. – disse a mãe.

Virei o copo de uma vez só garganta a baixo e ergui o copo para minha mãe.

- MAIS ÁGUA. – disse como se fosse uma ordem a ela.

De imediato ela pega o copo e vai pegar mais.

O médico, observando tudo, dá uma leve risada com minha atitude.

Eu encaro seus olhos com desgosto. Ele abaixa a cabeça e começa a ler minha ficha.

- Aqui a água. – disse minha mãe.

- Obrigado. – digo.

Agora minha voz estava melhor, as palavras saiam facilmente.

- É um milagre a senhorita estar viva sabia? – disse o médico ainda olhando somente para a minha ficha.

- Não acredito em milagres e muito menos sei o que estou fazendo aqui neste hospital. – eu disse em um tom grosseiro.

Ele ainda não olhou para mim, mas sua expressão não era agradável. Forcei meus olhos para enxergar seu crachá. Que dizia Dr. Paulo.

Paulo, um nome muito bonito, e combinava com seu rosto, ele tinha em media uns 40 anos, muito charmoso. Mas muito serio e um tom de ironia.

- Senhora Claudia, poderia ter uma conversa a sós com sua filha, por favor? – disse o doutor para minha mãe.

Minha mãe fez uma cara de interrogação, provavelmente pensando no que ia ser dito.

- Sim, claro, por que não? – disse ela com um sorriso de desgosto no rosto.

Ela então se move em direção a minha cama, me dá um beijo na testa, dá meia volta e sai do quarto silenciosamente.

- O que a senhorita teve foi muito grave. – disse o doutor.

- Não me chame de senhorita, me chamo Vanessa, ou me chame de você. – eu disse num tom agressivo com a voz um pouco mais alta.

Ele se aproxima mais da minha cama.

- O que você teve foi grave, vai ter que ficar no hospital por mais alguns dias em observação.

- Mais o que eu tive afinal?

- Você parou de respirar enquanto dormia, e depois, seu coração parou de bater. Você foi socorrida a tempo de conseguirmos te salvar.

- Mas por que isso aconteceu? Não sou muito nova para coisas assim acontecerem?

- É exatamente por isso que você vai permanecer no hospital por mais alguns dias, vamos fazer todos os exames necessários para saber o que ocorreu.

Ele parecia ser bom no que fazia. Ele transmitia confiança quanto a sua profissão.

- Por quanto tempo mais ou menos vou ficar aqui?

- Assim que todos os exames forem feitos. Pode durar uma ou duas semanas.

- Duas semanas? Ficou maluco? É muito tempo. — disse incrédula.

- Ainda não é certa a sua permanência aqui Vanessa, tem que ter paciência. – disse em um tom autoritário.

- Obrigado por me informar nada. – Disse emburrada.

Ele se virou e abriu a porta para sair.

- Espere – gritei – Tenho mais uma pergunta.

- Diga. – disse ele se voltando para mim.

- Por quanto tempo meu coração ficou parado?

Um leve sorriso irônico apareceu em seu rosto.

- Esse é o milagre do qual falei. Você ficou 35 minutos sem respirar e com o coração sem bater. – disse ele em um tom suave. Já havíamos perdido a esperança de te reanimar, mas no ultimo segundo você resistiu. Você é muito forte e batalhadora.

- Obrigado e boa noite. – disse.

- Boa Noite. – disse ele com um leve sorriso.

Ele então se virou e saiu.

Milagre? Pensei que os médicos não gostavam de usar essa palavra, eles sempre se acham deuses, se acham melhores em tudo. Geralmente não acreditam nem em Deus. Mas ele acredita que o que ocorreu comigo foi um “Milagre”.

Talvez ele não fosse do tipo de médico que se acha um Deus. Confiança, isso eu vi de sobra em seus olhos.

A porta se abre.

- Tudo bem? – disse minha mãe.

- Tudo ótimo, e com você?

- Agora que você está bem, estou mais calma – ela disse soltando uma leve lagrima de seus olhos.

- Não se preocupe mãe, não vou morrer antes de você – eu disse com um sorriso no rosto brincando com a situação.

- Acho bom mesmo, a pior coisa para uma mãe é enterrar um filho. – ela disse abaixando a cabeça e soltando mais algumas lagrimas.

Notas finais
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Obrigado por lerem o segundo capítulo de minha história!

Espero que tenham gostado. Caso gostou deixe um review, se não gostou tambem deixe. xD