Escuro Oceano
3 Capítulo 3 - A volta
Eu já não agüentava comer a comida daquele hospital, parecia comida de bebe. Já devo ter emagrecido uns 10 quilos desde que chegue aqui.
Se não fosse minha mãe me trazer umas guloseimas de vez em quando, eu já estaria morta.Minha mãe é uma pessoa maravilhosa, a coisa que amava mais no mundo era eu. Eu sabia disse, mas por algum motivo, sempre desprezei seu amor. Mas sempre a respeitei, e sempre a tratei da mesma maneira que ela me trata. Muito bem.Essas duas semanas no hospital me fez pensar em muitas coisas, especialmente meu pai. Morto em uma briga de bar quando eu tinha apenas 3 anos.Comecei a pensar como seria minha vida com ele ao meu lado. Que tipo de homem ele seria? Ou melhor... Que tipo de pai ele seria?Minha mãe sempre me deu as melhores impressões sobre ele. Mas ninguém é perfeito, algum defeito ele devia ter.Meu maior desejo é ver seu rosto, conversar com ele, de pai para filha. Admito que invejo algumas amigas quando falam de seus pais. Sinto-me mal no dia dos pais, não poder lhe dar um abraço e dizer coisas boas a ele. Dizer o quanto o amava. E dizer que um pai é muito importante na vida de uma adolescente.Olho no relógio. São 14h26min, o dia parece não passar.Ainda restam exames a serem feitos e resultados a saírem. Por que tudo não pode ser feito em um único dia?Sozinha no quarto, com uma televisão da idade média, só me resta dormir.Alguns tubos em meu braço ainda me incomodam muito. Gosto de me virar muito na cama, e aquilo impossibilitavam meus movimentos.Fechei os olhos e tentei não pensar em mais nada. Somente me concentrar em dormir.E com os olhos fechados fiquei. Imóvel na cama.- Obrigado por tentar!Abro os olhos assustada. Quem disse isso? -Pensei. -Tem alguém ai? – disse assustada.Esquece Vanessa, é coisa da sua cabeça. Pensei alto. E voltei a fechar os olhos e me concentrar.- Não se lembra de mim não é? – disse a voz novamente.- Quem quer que queira me assustar, pare com isso, não tem graça. – Disse em um tom autoritário ainda com os olhos fechados.- Não quero te assustar, e se assustei me desculpe. Não foi minha intensão. – disse a voz se desculpando, uma voz masculina, doce.- Quem é você e o que quer de mim?- Abra seus olhos minha querida.No momento, fiquei com medo de abrir meus olhos, fiquei com medo do que iria ver.Fui abrindo lentamente, mas parecia que quanto mais eu abria, mais escuro o ambiente ficava. Então os abri por completo.Não estava mais no hospital, estava naquele lugar terrível.Voltei à praia novamente, com as mesmas vestimentas. O fogo no céu não mudara. O solo continuava úmido e o ar quente.Estava de frente para o oceano, a água batendo em meus pés.- Olá!Virei-me. Ele estava lá. O homem pálido e gélido do meu “pesadelo”. Mas ele agora estava mais bonito. Os olhos negros pareciam brilhar no escuro. Ele vestia um longo casaco branco que ia até seus pés nus.Eu não conseguia emitir som algum, estava parada olhando para ele como uma estátua.Como se ele fosse um Deus. Não conseguia tirar meus olhos dele. Ele estava perfeito, tudo em seu devido lugar, braços e pernas bem grudados ao corpo. Uma lagrima saiu dos meus olhos e logo se secou com o ar quente.Ele estendeu sua mão para mim, me chamando para perto dele.Completamente hipnotizada, fui à direção dele. A cada passo que dava mais lindo ele parecia. Era como um anjo, mas não um anjo normal, ele parecia como o “Anjo do Inferno”.Sua aparência era totalmente diferente de antes, ele era um homem jovem, bonito, com mais ou menos 26 anos de idade. A palidez havia se amenizado. O toque de seus dedos em minha mão foi mágico. Por mais gelado que ele estivesse sua pele transmitia certa mágica, uma luz, que só nós dois poderíamos ver.- Olá! – eu disse com o rosto corado.Ele me observou dos pés a cabeça e ficou emocionado, tentou disfarçar uma lagrima que corria em seu rosto.Não me segurei e dei um forte abraço nele. Meu abraço o deixou assustado, mas em seguida ele o retribuiu. Seu abraço era confortável. Ficamos por um longo tempo nos abraçando. Até que então olhei onde estávamos e comecei a questioná-lo.- Onde estamos? Que lugar exatamente é este? Por que estamos aqui? – eu disse as palavras tão rápido que eu mal as entendi.- Fique calma. – disse ele colocando suas mãos em meus ombros e tentando me acalmar.- Calma? Como calma? Estou sonhando não é? Só pode ser. Mas é claro, esta é a resposta mais óbvia. – disse desesperadamente.- Não esta sonhando. – ele disse, agora com uma expressão séria em seu rosto.- Então o que esta havendo?- Há muito que explicar, e não temos muito tempo. Esse lugar não é bom para você.- Mas você não me explicou que lugar é este! — disse quase gritando.- Tudo há seu tempo minha querida! – disse com sua voz suave que fez minhas pernas tremerem.Ainda na praia, com as criaturas em toda parte, começamos a caminhar.
Eu não conseguia entender quem eram todas aquelas pessoas. Pessoas que pediam ajuda. Pessoas perdidas. Era um verdadeiro pesadelo tudo aquilo. Durante alguns minutos caminhando ficamos em silencio. Ele deixou que eu observasse o local. Que não era nada agradável.Então parei e quebrei o silencio.- Estamos no inferno não estamos? – disse olhando diretamente em seus olhos.- Não é fácil de explicar. – disse ele, ainda olhando para frente.- Eu acho que posso compreender.- Tudo bem, faça a pergunta que quiser e tentarei responder com máximo de honestidade possível.Continuamos a andar em direção a lugar algum. Nada se via a nossa frente, somente escuridão.Andando em um passo lento, comecei as perguntas.- Qual seu nome?- Rafael.- Lindo nome! — disse com um largo sorriso.- Obrigado — disse ele corando.- Por que estamos aqui? Que lugar é este? — disse séria, buscando por uma resposta séria.- Vou tentar ser o mais claro possivel. — disse ele se sentando em uma grande rocha na areia. — Sente-se!Obedeci.- Isso pode parecer o inferno! Mas não é exatamente! Este lugar é um portal! - Um portal para o inferno?- Sim!- As pessoas as vezes tem uma segunda chance! É muito raro, mas existe. Pessoas que nao tiveram um vida digna, mas que mesmo assim, têm um coração bom. Pessoas assim as vezes merecem outra chance de ter seu lugar no inferno.- Por que?- Por que as vezes, nós sentimos algo em nossos corações, mas nem sempre, por uma razão que nem pode ser explicada, agimos da maneira que manda nosso coração, as vezes agimos com a mente, com o lógico.Algumas pessoas se arrependem de agir deste modo, e com isso, as chances de serem perdoados aumentam muito. As pessoas tem que procurar o perdão primeiramente nelas mesmas. Para depois isso se espalhar em seu coração.- Se arrepende da vida que teve?- Sim, um pouco. Parte dela sim.- E por que está aqui?- Estou em uma missão! — disse ele com um largo sorriso.- Uma missão? Sei! — disse gozando da cara dele.- Não acredita que todos temos um propósito na vida? — disse ele agora sério- Um propósito na vida sim, mas você está morto! Não está?Ele não respondeu, sua face ficou sem expressão, então se virou e caminhou lentamente.- Nunca disse que estáva. — disse ele qubrando o silêncio.- Mas então, o que faz aqui? — disse sem entender.- O que você está fazendo aqui se tambem não está morta?- Não sei.- Exato. Não tem como saber. Tem que descobrir sozinha.- Mas você sabe o que faz aqui?- Sim. Eu sei.- Se eu perguntar o que é você me responde?- Não.- Foi o que pensei!Ele olhou pra mim e deu um sorriso que me fez derreter. - Hora de ir. A sessão de perguntas e respostas acabou! — disse ele.- Vou voltar a te ver?- Quem sabe!Senti um gelado e um estalo em meu rosto, ele havia me dado um beijo.E depois...Um CHOQUE no peito.- Um dois três...Choque.- Doutor, temos sinais cardíacos.- Graças a Deus, levem-na para exames.- Sim senhor.
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.
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