Escrito nas estrelas Parte ll
2 Confinados
No último mês a minha vida virou uma montanha russa com altos e baixos, descobri que tenho pouco tempo de vida, me apaixonei pelo cara errado e quase fui morta mais de uma vez. E agora encontro um pai que nunca vi.
Arthur Prior, ele é um sujeito alto, com alguns fios de cabelos grisalhos, percebo que ele deve fazer exercícios com frequência, pois não consigo localizar nenhuma gordurinha saltando. Mas não estou aqui para analisar isso. Dizer que é um prazer me conhecer é hipocrisia, já que ele não se preocupou em fazer isso por 18 anos.
– Claire, se não fosse por ele você estaria morta agora. — o Mathew diz ignorando o fato de que eu sei que ele é meu pai, talvez ele nem saiba. Mas quando olho para a Clara descarto essa ideia. Os dois parece ter um bom relacionamento.
– Não fez mais do que a obrigação, uma vez que ele é o responsável por eu estar presa lá. — digo encarando o Arthur.
– Mas...
– Tudo bem! — o Arthur interrompe o Mathew. — ela está certa. Te devo um pedido de desculpas. Pensei que você estaria segura lá!
– Eu ou sua maldita fórmula? — pergunto o desafiando a me contradizer. Uma onda de raiva passando pelo meu corpo.
– Percebo que você está muito alterada, talvez devemos conversar sobre isso depois. Vamos ao motivo pelo qual eu chamei vocês aqui hoje. — ele diz e se encaminha para a esquerda onde tem uma mesa redonda com algumas cadeiras.
Me volto para o Tobias e ele está me olhando, com uma expressão atormentada no rosto. A Tris ainda continua ao seu lado, e pensar que ela é minha prima. Os dois que se consumam de remorso. A partir de agora tudo vai mudar, não sou masoquista e nem pretendo passar os meus últimos dias aqui na terra sofrendo por ele. Eu fiquei me enganando todo esse tempo, pensando que ele ao menos gostasse de mim, mas não foi nada disso, foi só a Tris aparecer para ele correr para seus braços, duas vezes.
Sei que não vou conseguir ficar na mesma sala que eles, ou vou acabar explodindo, além do mais não me interessa o que o Arthur Prior tem para dizer. O que eu quero é sair desse lugar o mais depressa possível. Me viro e abro a porta, a Sarah tenta me seguir mas eu a paro.
– Fique com o Uriah, preciso ficar um pouco sozinha pra pensar. Te encontro no dormitório em 3 horas.
– Você vai ficar bem? — ela me pergunta preocupada.
– Claro! — digo e saio pela porta. Antes mesmo de dar três passos sinto alguém me segurar pelo braço, não preciso me virar para saber quem é.
– Não quero conversar! por favor me solte.
– Claire! por favor, preciso falar com você, olha pra mim.
– Me deixe em paz Tobias!
– Eu preciso te explicar.
– Explicar o que? que você está comigo por que se sente obrigado? — digo e olho nos seus olhos, seu rosto fica pálido por um momento. — sim, eu ouvi e a Tris tem razão. Não preciso da sua pena. Não quero e nem vou ficar entre vocês dois. Deveria saber disso a muito tempo Tobias. A única coisa que quero é que me deixe em paz.
– As coisas não são bem assim Claire. Eu gosto de você!
– Mas também gosta dela! por deus Tobias o que quer de mim. — minha voz é apenas um fio, minha garganta se fecha. Estou com muita vontade de chorar, mas não posso me dar ao luxo de fazer isso aqui, na sua frente. Seria mais humilhante do que flagrar os dois se beijando na sala. O beijo deles parecia uma mistura de desespero, angustia, saudade, como se mesmo que se beijassem por horas nunca tivessem saciados. — É por ela que o seu coração bate mais forte, então me deixa ir. Não quero mais sofrer. Sinto que não posso mais suportar.
– Por favor Claire, as coisas não precisam terminar assim. Eu me sinto como um patife. — Agora estou de frente pra ele. Uma lágrima escorre pelo meu rosto.
– Tem razão você é um patife. Sei que você está confuso. Mas você não tem o direito de brincar com os sentimentos dos outros. Você só pode ficar com uma, assuma as consequências da suas escolhas Tobias. — digo e saio andando rapidamente pelo corredor sem olhar para trás.
A dor de um coração partido, tem muitas fases, aquela em que você chora como um bebê por horas, aquela em que você perde a noção do tempo e não sente fome, aquela em que ele é a última pessoa que você pensa quando vai dormir, e a primeira quando acorda, seguida pelos " e se " eu tivesse feito de outra forma. Quando ouvi isso pela primeira vez achei que era um exagero. Mas aqui e agora praticamente correndo pelo corredor sem conseguir enxergar direito pelas lágrimas, estou com medo do que me espera.
Nunca senti tanta falta de alguém pra me abraçar e dizer que vai ficar tudo bem. Estou cansada, me sinto quase como uma anciã, quero que isso pare, a dor pare! mas ela parece ficar cada vez mais intensa. Apoio minha cabeça na parede e tento sufocar os meus soluços. Arrancaria o meu coração se pudesse, tenho vontade de ficar em um lugar escuro onde ninguém possa me encontrar, para que eu posso chorar em paz. Mas nem isso posso, estou em um lugar estranho. A sensação que tenho é que nunca vou encontrar um lugar que eu possa chamar de lar, com o Tobias foi o mais próximo disso que encontrei, mas agora também perdi isso. As pessoas que amo são sempre arrancadas de mim, sem que eu possa fazer nada para impedir. Me lembro do que minha mãe me disse uma vez , " o que não te mata, te fortalece", me agarro desesperadamente a esse pensamento.
Ergo minha cabeça, limpo as lágrimas e recomeço a andar, dobro a esquina rapidamente e dou com uma parede de músculos me barrando, o impacto me lança para trás, caio no chão e bato co a cabeça. Minha visão fica um pouco embasada. Vejo alguém se aproximar e erguer minha cabeça.
– Você está bem? — o homem a minha frente pergunta, sua voz soa cansada e irritada. — no que estava pensando? não olha por onde anda? — após mais alguns palavrões ele parece ter percebido que eu não respondi suas perguntas.
A verdade é que minha cabeça está girando, eu pareço estar em um ângulo estranho. Tento me sentar e ele me ajuda. Balanço a cabeça de um lado para o outro para tentar ver direito, mas não adianta.
– Acho que você deixou sua educação em casa! — digo a primeira coisa que vem a minha cabeça.
– Alguém precisa lavar sua língua com sabão menina.
– Primeiro eu não sou mais uma menina! segundo se a minha língua precisa ser lavada com sabão, na sua vão ter que usar soda caustica.
– Droga! não tenho tempo para ficar aqui retrucando com você! — ele diz irritado
– Então não sei o que você está fazendo aqui ainda. — digo e me apoio na parede para me colocar de pé. Estou meio grogue, tropeço e ele me segura antes que eu vá ao chão novamente.
– Você precisa de um médico! Você esteve chorando?
– Isso não é da sua conta! — tento me equilibrar novamente, fecho os meu olhos. — E eu não quero ver um medico. — digo mas ele já está distribuindo ordens a torto e a direito.
– Você vai sim ver um medico mocinha. — sua voz está mais suave agora.
– Você é sempre tão arrogante assim? não vou fazer nada que eu não queira! e agora me solte. — seu braço em volta da minha cintura se torna mais forte, impedindo meus movimentos.
– Faça o que eu digo, você não está em posição de argumentar. — ele fala no meu ouvido.
O pior é que ele tem razão, os sintomas já estão vindo, primeiro a visão que fica ruim, depois o equilíbrio, seguido pela audição e por último a consciência. Meu corpo começa a ficar mole.
– Hey, olha pra mim, aguenta ai. Não desmaie! — sua voz vai ficando cada vez mais longe, mas consigo detectar um pouco de pânico nela. Lentamente escorrego pelo chão e ele me mantém sentada com as costas na parede.
– Calma! — digo tentando tranquiliza-lo, procuro pela sua mão e a encontro, ela é quente e macia. — vai ficar tudo bem, só vou me desligar um pouco, dormir... — minha voz fica cada vez mais arrastada.
– Continue falando! você levou uma pancada na cabeça, não pode dormir.
Dou uma risada fraca, e aperto um pouco mais sua mão. Me sinto bem, a dor parece estar diminuindo, não é isso o que eu queria?
– Acredite, isso não tem nada a ver com a pancada na cabeça. Só vou descansar, eu voltei todas as outras vezes. Não acho que dessa vez vai ser diferente.
– Do que você está falando? — ele pergunta.
– Nada, só me deixe dormir, por favor.
– Fica aqui comigo! Você não pode dormir. Droga!
Mas eu não consigo, a escuridão me puxa, como das outras vezes. Os períodos de inconsciência nos últimos meses começaram a ficar mais frequentes e mais longos. Essa é a primeira vez que acontece depois que eu soube que tenho pouco tempo. Depois disso, tudo fez sentido. Tenho muito medo de não conseguir voltar. Mas isso é algo que eu não consigo controlar. Não consigo ouvir ou sentir mais nada, só um estado de leveza, minha mente se desligando do meu corpo.
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