Escrito nas estrelas Parte ll
3 Encrencados
Claire
A primeira coisa que vejo quando abro os olhos é um teto branco, e o meu primeiro pensamento é que que estou viva ainda. Sempre tenho medo de não conseguir voltar. Na cadeira ao lado a Sarah está dormindo, não sei quanto tempo fiquei fora, mas pela sua cara de exausta deve ter sido muitas. Estou com um monte de eletrodos grudados em mim, além de soro injetado na minha veia. Removo um por um tudo e isso e me levanto.
O bom disso tudo é que quando eu volto, não me sinto cansada. O motivo pela qual as minhas células estão morrendo é por que quando estou ferida elas se regeneram muito rapidamente diminuindo sua vida útil. Levei menos de uma semana para me recuperar dos tiros. Não tive chance de agradecer a Clara por ter me doado sangue. Ela salvou minha vida ao fazer isso. Mas com a morte do Gabriel foi difícil encontra-la em algum lugar. Sei por experiência própria que ela precisa de um tempo para superar. Dentro de um criado mudo ao meu lado encontro algumas roupas, que visto rapidamente. Pego o prontuário aos pés da minha cama, nele tem um monte de informações que não entendo, mas não ligo, viro a folha ao contrario e escrevo um bilhete, deixando-o em cima da cama. Ela parece exausta, não quero acorda-la.
Assim que saio no corredor, vejo algumas pessoas olhando para mim. Ignoro elas e sigo as orientações até a área de treinamento. O lugar é enorme e estruturado. O governo não tem dinheiro para matar a fome das pessoas lá fora, mas tem para gastar com armas e munição. Tem várias pessoas treinando, homens e mulheres, e ambos usam o mesmo tipo de corte de cabelo curto. Aparentemente a aula de hoje e kung fu, estão em duplas, aprendendo técnicas de defesas, a mão esquerda fica está voltada para cima na altura do peito, o outro braço fica dobrado ao lado do corpo, com o punho fechado, enquanto o adversário bloqueia o golpe. Eles fazem isso várias vezes seguidas. Na linha de frente vejo a Clara e o Uriah, orientando os lutadores. Sigo na direção deles e todos param quando me veem.
– O que você está fazendo? já te deram alta? — o Uriah pergunta.
– Eu mesma me dei alta, estou muito bem. — digo e diminuo a distancia entre nós. — Olá Clara.
Ela apenas acena com a cabeça e faz todos voltarem ao treinamento.
– Claire, você não podia fazer isso. Vamos vou te acompanhar até lá. — ele segura meu braço. me liberto de um puxão, ele me olha confuso. Não esperava que eu estivesse tão forte.
– Preciso descarregar a bateria em alguma coisa. Pode ser com você ou vou procurar outra pessoa.
– Você acabou de sair de um coma. Não pode estar falando sério.
– Quanto tempo fiquei dessa vez? — pergunto o ignorando e começando a me alongar.
– Espere! — ele diz. — isso já aconteceu outras vezes? — olho pra ele, não respondo por que não é preciso. Ele entendeu.
– Droga! Claire, por que você não falou nada?
– Naquela época eu não sabia o que provocava isso. Se bem me lembro você não me contou. E então quanto tempo?
– 15 horas! a Sarah está fazendo muitas perguntas, não sei o que responder.
– Nossa! bem mais que da última vez. Quanto a Sarah temos que contar a verdade.
– Ela pode não aguentar. — sua expressão é tão desolada. Entendo, e sei o que é fazer as pessoas que você ama infeliz. Mas tem coisas que é melhor não adiar.
– Ela é forte, só precisamos dar uma chance pra ela mostrar esse lado. Além do mais como dizia a mamãe, o que não nos mata nos fortalece. Então vamos lutar.
Ele me olha contrariado, por que sabe que se não for com ele encontro outra pessoa. O Tobias vem a minha cabeça e me lembro do desafio que fiz a ele no dia do teste de aptidão. Era para lutarmos, mas as prioridades mudarão. Olho pro Uriah e imagino que seja o Tobias.
– É melhor você se preparar! Nesse exato momento não estou vendo o Uriah. — digo rindo.
– E quem eu sou então? espero que esse cara seja tão gostoso como eu. — ele me provoca.
– o que posso te dizer é quero muito quebrar sua cara, então não vou pegar leve. Quanto a gostoso, você ganha de qualquer um. — ambos estamos rindo muito agora. O Uriah, não é alguém que as pessoas achariam gostoso. Mas isso não importa, onde quer que ele vá ele arranca um sorriso de alguém com suas piadas bobas.
– Sorte da Sarah e azar o seu então.
Ele avança em minha direção, inclino para a esquerda e seu punho passa assoviando pela minha orelha direita. A sequencia de socos que se seguem são intensas. Podemos dizer que ambos estamos no mesmo nível, percebemos os golpes antes mesmos deles serem executados, dando um equilíbrio na luta. Eu disse na brincadeira que iria imaginar estar lutando com o Tobias, mas a medida que a luta se intensifica, percebo que é mais fácil do que pensei.
A minha frente agora não está mais o Uriah e sim o Tobias. Observo aqueles olhos azuis intenso e coloco toda a minha dor em meus golpes. Desfiro um golpe em sua costela direita, em seguida giro meu corpo e lhe dou uma rasteira, levando — o ao chão. Ele se levanta rapidamente, um pouco confuso, aproveito para dar um tapa em cada lado da sua cabeça, deixando-o desorientado. Finalizo com um golpe com o pé no seu estômago que o faz voar alguns metros. Mas quem cai no chão não é o Tobias, mas o Uriah. Corro em sua direção.
– Você está bem? — pergunto com minha voz entrecortada. — Me desculpe Uriah, eu não queria fazer isso, eu juro.
– Ok. — ele diz e começa a rir. — Poxa, não pensei que você estivesse com tanta raiva, fico feliz por ter servido pelo menos de saco de pancada.
– Pare com isso! fui uma irresponsável. Poderia ter te matado. — só esse pensamento me deixava doente.
– Somos meio difícil de matar, e fácil de morrer. Não se esqueça disso. — ele continua com o sorriso bobo tão característico dele no rosto, acabo rindo também do ridículo que é isso. Ajudo- o a se levantar.
– É melhor sair daqui antes que....
– Claire! — ouço meu nome se propagar pelo espaço vazio. Nem preciso olhar para saber que a Sarah está do outro lado da sala, e com certeza já deve estar saindo fumaça pelos ouvido, nariz e boca, parecendo um trem com o meu nome como apito.
– Vamos torcer para que ela não tenha visto a luta. — digo baixo para o Uriah.
– Estou falando com você! — sinto sua mão me virando para encara-la. — você ficou fora dor ar por horas, o que pensa que está fazendo fora da cama.
Eu e o Uriah suspiramos de alivio. Ela não viu. Ambos fazemos cara de inocentes. É melhor enfrentar um vulcão em erupção do que a Sarah brava.
– Eu deixei um bilhete para você! — digo na defensiva.
– Acha que um bilhete iria me deixar menos preocupada.
– Eu pensei que sim. — digo fazendo novamente aquela cara.
– Ok. — ela diz e suspira, e vejo que sua raiva é consequência do seu medo. Eu a abraço.
– Desculpe!, estou bem. E vai ficar tudo bem prometo. — ela começa a chorar, sempre é assim, ela dá uma durona, mas quando alguém a conforta ela desaba.
– Fiquei com tanto medo. Ninguém me explica nada, o Mathew não sabia se você iria voltar.
– Estou aqui não estou? então vai ficar tudo bem. Prometo te explicar tudo.
Ela se solta de mim e olha pra mim e pro Uriah.
– O que vocês estavam fazendo? estão os dois suados como se estivessem lutando.
Olho para todos os lados menos para ela, não tinha percebido, mas em algum momento essas pessoas pararam de lutar. Eles estão conversando. Atrás de mim ouço uma garota murmurar. " Nossa, vocês virão como eles lutaram? podemos ficar melhor ainda" ouço outra retrucar, " só recebemos o soro semana passada, eles tem anos de pratica." " mas não tiveram treinamento adequado, diferente de nós." Estamos em uma base militar em Chicago, sei disso por que ouvi pelos corredores, mas não me deixarão ir embora ainda, acredito menos ainda que essas pessoas já tenham algum dia saído daqui. Mas de uma coisa tenho certeza, as pessoas lá fora não sabem o que está acontecendo aqui dentro.
– Claire? Claire! — a Sarah está estalando os dedos a minha frente, não me lembro o que ela perguntou.
– Eu estava ajudando a Clara no treinamento e a Claire estava com calor então jogou água no rosto.
Pelo seu olhar percebi que ela sabia que o Uriah estava mentindo. Essas pessoas tinham tomado o soro de regeneração, para ficar mais fortes, mas para que? era a pergunta que não saia da minha cabeça. O governo tinha controlado todos até hoje muito bem. Olhei para eles mais detalhadamente , mas eles pareciam normais. A clara também parecia normal, mas era um clone.
Ela estava um pouco distante, eu tinha decidido não lhe dar uma lição, por ter passado informações nossas pra eles. Primeiro por que isso salvou nossas vidas e segundo por que ela já tinha perdido alguém e é na dor que mais aprendemos. Mas isso não significava que ela não poderia responder a algumas perguntas. Em poucos passos eu estava de frente pra ela.
– Preciso de algumas respostas e você vai me dar elas. — ninguém tinha se atrevido a me seguir, ou seja ninguém nos ouviria daqui.
– Alguém já te disse que você é muito arrogante? por que você acha que eu vou responder suas perguntas?
– Lembra de quando eu disse que você pagaria caro se você viesse a me trair Clara? estou disposta a cumprir essa promessa se você não colaborar.
– Eu salvei a sua vida duas vezes! é assim que você me agradece? — ela estava certa, mas eu não iria ceder.
– Você não fez isso por mim. Você fez por você mesma. Você é egoísta e manipuladora Clara igual a seu pai. Não foi pelo Gabriel que você foi me procurar naquela noite, com o papo de que a erudição tinha alguém que você não podia deixar para trás. Você queria estar comigo quando saíssemos da cidade, por que era seu trabalho me entregar para o seu pai.
Seus olhos se abriram em espanto, será que todo pensavam que eu era estúpida.
– Você não sabe o que está dizendo. Eu não queria que o Gabriel morresse.
– Pode até ser, mas ele era muito chato. E não veia me dizer que você era louca por ele, quem você queria mesmo era o clone dele, mas foi fraca para admitir isso. Teve medo do que o papaizinho diria, você é patética. Vive fazendo tudo que te mandam, sem questionar.
– Você não sabe o que está dizendo! — seu rosto se transformou de fúria. Foi interessante de ver.
– Posso jurar que você concorda comigo. — ela começou a andar de um lado para o outro. — E também posso jurar que tem algo te incomodando.
Ela parou de andar e segurou o meu braço.
– Eles são clones. — ela disse algo que eu já sabia. — Sala 235, subsolo. Ajude-o
Ela soltou bruscamente o meu braço e se foi. Fiquei tentando imaginar o que ou quem precisaria da minha ajuda na sala 235, mas nada veio na minha cabeça. Pelo jeito eu teria que ie até lá para saber.
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