Parte ll

Tris

Estou no laboratório conversando com o caleb, ele está me dizendo que morrer é a única forma de escapar da culpa por todas as coisas que ele fez de errado. Entre nos está a mochila com os explosivos que vamos usar para arrombar o cofre. Sei que não posso permitir que o Caleb morra por um motivo tão egoísta. Só se deve deixar alguém se sacrificar por você se for a melhor forma para que eles mostrem que te amam. Ouço o alarme soar e o Mathew entrar pela porta.

- Merda! — ele diz, e então mais alto — Merda!

Ele avança em nossa direção e segura meu braço, sinto uma pequena picada, e começo a cair. Alguns segundos depois me encontro parada na mesma sala. Olho pro caleb, pego a mochila e atravesso a sala. Mas sinto como se algo não estivesse certo, no entanto não consigo identificar o que é.

Hoje eu sei a resposta, aquilo não era real, era apenas mais uma simulação. Uma na qual eu não consegui distinguir o que era realidade, por que foi desenvolvida para divergentes como eu. Enquanto olho para a tela, vejo realmente o que aconteceu. O mathew injetou o soro em mim e no caleb. Não esperávamos por isso, então não houve resistência da nossa parte. A porta se abre e entra dois homens de branco e nos leva para uma enorme sala onde tem varias cadeiras de simulação dispostas em volta de uma enorme maquina. Há varias pessoas lá, Cara, Cristina, David, e algumas outras pessoas que eu não conheço. Todos já conectados.

Vejo quando eles colocam meu corpo inconsciente ao lado do da Cristina e o do meu irmão na outra extremidade. Por último o Matheus se deita também. Na simulação eu morro, mas enquanto estamos na simulação, na vida real vemos um corre corre de pessoas de um lado para o outro reproduzindo o que está acontecendo na simulação, vidros quebrados, o cofre aberto pela explosão, fizeram uma reprodução de um ferimento a bala em mim para que tudo parecesse real.

Após a simulação, injetam o soro que simula a morte igual ao que o Piter aplicou em mim na erudição e me colocam na mesa. O Tobias chega e se ajoelha do meu lado, isso cortou o meu coração quando vi pela primeira vez, e até hoje sinto como se a dor fosse minha. Do meu lado sentado na cadeira vendo as imagens ele parece sombrio. Desligo o computador e a tela fica escura. Não falamos nada por alguns minutos então ele pergunta.

- De quem eram as cinzas que joguei na tirolesa? — sei que isso foi uma prova de amor, pois sei o quanto ele tem medo de altura.

- Não sei! — digo e olho para as minhas mãos que estão apoiadas no meu colo, não consigo encara-lo. — A única coisa que me lembro foi de acordar aqui na base com o meu tio me observando.

- o que aconteceu lá foi... — ele deixa as palavras morrer na boca.

- Não foi real, mas poderia ter sido. Quer dizer, todos que estavam ali fizeram suas próprias escolhas.

- Você quer dizer que se aquilo foi uma simulação ou não, o resultado seria o mesmo?

- Exato! aquela maquina permitiu que estivéssemos na mesma simulação, ali agimos da mesma forme que agiríamos aqui fora.

Ele se levantou e começou a andar de um lado para o outro.

- Por que você não me procurou para dizer que estava viva? acho que eu merecia pelo menos isso não?

Ele está me encarando agora.

- Eu queria poder ter feito isso, mas não pude. Se eu fizesse isso estaria te colocando em perigo. Por favor me entenda.

- Para o diabo com o perigo! — ele se aproximou e colocou uma mão de cada lado em minha cadeira. Ficando no nível do meu rosto. Eu queria tanto toca-lo. Mas tinha medo de ser rejeitada. — Deus Tris! você consegue imaginar o que eu passei pensando que você estava morta?

- Não passou um dia em que eu não pensasse nisso Tobias. — ergo minha mão e coloco em seu rosto. — eu ainda amo você com todas as minhas forças. Eu ainda quero você.

- As coisas mudaram Tris! — ele se endireitou e começou a andar novamente pela sala. — Não podemos apenas ignorar os quatro anos que se passaram!

- Podemos recomeçar!

- Estou com a Claire agora! não vou deixa-la.

- Você a ama? — ele não responde, apenas me olha com um olhar de desculpa. — Você não pode ficar com ela só por dever Tobias.

- Eu seria um canalha se a deixasse agora! ela é uma garota especial e sim eu a amo.

- Mas está confuso! — me levanto da cadeira em que estou e paro na sua frente. — não tem tanta certeza se a ama como antes não é mesmo?

- Isso importa? ela fez mais por mim do que qualquer pessoa já fez ou poderá fazer um dia. Ela me tirou da fossa voltou por mim, quando eu não merecia!

- E voltaria novamente se fosse preciso. Sei que ela faria qualquer coisa por você e sua irmã. — me aproximo e passo meus braços pelo seu pescoço. — Acho que ela não merece que você fique com ela por pena ou obrigação.

Aproximo meus lábios e o beijo na boca. No início ele fica só lá parado. Mas eu não desisto, continuo insistindo até que ele para de resistir e me abraça aprofundando o beijo. Sinto toda aquela saudade que eu senti transbordar para fora de mim, o beijo se torna mais urgente,como se nenhum de nos tivesse o suficiente um do outro. Nossas mãos se tornam frenéticas, explorando, sentindo. O Tobias para o beijo abruptamente e o Tobias me afasta então ouço vozes. Eu e o Tobias olhamos ao mesmo tempo para a porta, e vemos a Sarah e a Claire parada lá nos olhando. Mas não são delas as vozes que ouvimos, alguns segundos depois vemos o Tio Arthur entrar acompanhado da Clara, do Matheus e do Uriah.

A Sarah e Claire saem do caminho para que os quatro possam entrar na sala. O Tio Arthur para em frente a Claire, seu rosto é uma mascará. Não consigo saber o que ela está pensando, diferente da Sarah que parece querer cozinhar eu e o Tobias em óleo quente na primeira oportunidade.

- Claire esse é Arthur Prior! Arthur esse é a Claire!

- É um prazer finalmente conhecê-la finalmente Claire!

- Pena que eu não possa dizer o mesmo. — ela diz com os dentes cerrados. Todos ficamos calados na sala. E por alguma razão eu acho que ela sabe a verdade. Que o Tio Arthur é na verdade, eles tem os mesmos olhos verdes expressivos, o nariz fino e os lábios pequenos e cheios. Algo me diz que ela viu essas semelhanças e ligou os pontos. Tio Arthur é seu pai e eu sua prima.