Escrito nas estrelas
20 Caindo
– Gabriel! — o Tobias diz com os dentes cerrados.
– Não sei como conseguirão sair, mas não irão a lugar algum!
– Quem vai nos impedir? você? — a Clara pergunta, ouço um pouco de sarcasmo em sua voz. Olha pra ela e seu rosto é uma mascara de ódio. Não pensei que ela fosse tão intensa.
– Calma! não precisa ser assim. Podemos resolver isso civilizadamente, não é mesmo Gabriel? — torço para que ele diga sim, por que não quero brigar nem com ele e nem com a Tris.
– Não vai se dar bem dessa vez Claire. — O Clone da Tris diz o meu nome com desdém, me olhando de cima a baixo. Sei que estou horrível, mas não me importo.
– Não queremos brigar, apenas nos deixe ir e ninguém se machuca! — digo olhando para o Gabriel e ignorando deliberadamente o clone da Tris.
– Vocês ouviram a Tris! Ninguém sai daqui. É colaborarem. — ele diz com firmeza, sei que não temos tempo pois cada minuto aqui aumenta as chances deles conseguirem reforços e nos dominar.
– Por que você está fazendo isso? a verdadeira tris jamais agiria assim. — ouço o Tobias se falar pro clone da Tris. Percebo uma pouco de desapontamento em sua voz.
– Ah! por favor. Eu não sou a Tris, lembra? se você quis acreditar que eu sou igual a ela problema seu. Na verdade tenho que te agradecer, você facilitou meu trabalho. Foi mais fácil te manipular do quetirar doce de criança. — ela diz com zombaria.
– Tem razão, deveria ter visto que você jamais poderia ser igual a ela. Você é muito egoísta, só pensa em você.
– Finalmente você entendeu. — aquilo já tinha ido longe demais.
– Chega! Sarah, encontre uma forma de ligar um desses carros. — olho pro verdadeiro Gabriel que está ao lado da Clara. — e você é melhor não se envolver ou vai se machucar. Tobias, qual dos clone você quer? Gabriel ou Tris.
– Pode ser o Gabriel? — ele diz rindo.
– Eu quero a Tris.
– Sem problemas, o Gabriel é meu. Clara você dá conta dos guardinhas?
– Claro! — ela diz e nos três investimos contra os outro sete.
Antes que eu chegue até a Tris um guarda me intercepta. Seguro seu punho quando ele tenta me socar, ouço o som do seu nariz se quebrando quando lhe dou um soco de direita. Giro meu corpo e dou uma rasteira. O guarda sobe meio meio metro e desaba no chão, e depois fica imóvel. Estou impressionada com a minha força. Foi muito fácil executar esses movimentos.
Procuro pela Tris e não a encontro. A Clara já derrubou um guarda e está no segundo, a minha esquerda o clone do Gabriel joga o Tobias em cima do para-brisa de um carro. Pelo canto do olho vejo a silhueta do clone da Tris, atrás da Sarah. Sua expressão é de puro ódio. A Tris entra dentro do carro e as duas começam a lutar, a Sarah foi pega de surpresa.
Um onda de raiva se apodera de mim, quem ela pensa que é pra atacar a Sarah, só por cima do meu cadáver. Corro até as duas, a primeira coisa que vejo é que o rosto da Sarah está ficando branco. Me inclino dentro do carro e puxo a garota pelos cabelos. Assim que ela solta a Sarah dou um puxão bem forte, e ela sai rolando pelo chão.
Não espero que ela se recupere, vejo tudo através da minha raiva. Minha vontade é matá-la. Sento na sua barriga e prendo suas pernas com as minhas e começo a dar uma série de socos em seu rosto que ela tenta proteger com as mãos. Seu nariz está sangrando e os nós dos meus dedos estão esfolados, mas não paro.
– Sua vadia! — grito transtornada de raiva. — vou acabar com você!
Me levanto e começo a arrasta-la pelo cabelo. Ela grita para que eu pare.
– Parar? acha mesmo que vou ter misericórdia de você, depois do que você tentou fazer? Vou te ensinar a nunca mais se meter comigo! — A empurro e ela bate na parede como se fosse uma boneca de pano.
Só percebo que não tem ninguém lutando quando sinto alguém segurar minha cintura enquanto invisto novamente no clone Tris. Quando me viro me deparo com os olhos verdes do Gabriel, em algum momento eles pararam de brigar.
– Não sabia que você tinha esse temperamento explosivo. — ele diz sorrido e eu lhe dou uma joelhada entre as pernas. Ele grita e se curva de dor.
– Miserável! eu não queria lutar com você. Só queria que me deixasse em paz. Mas nem isso consigo. — Tento me controlar, mas é muito difícil. Minha respiração está rápida, meu coração bate a mil. Olho ao redor e vejo os guardas caídos no chão, a Clara está encostada em um carro enquanto a Sarah e o Tobias estão próximos de mim. A Sarah parece estar bem, pois já viu esse tipo de crise de fúria antes, mas o Tobias está de olhos arregalados. Ele abre a boca para dizer algo, mas depois desiste.
– Eu gosto de mulheres de temperamento forte! — ouço o clone do Gabriel dizer.
– Pra mim isso não faz diferença. — vejo a Sarah voltar para o carro. — Mas sugiro que você fique fora do meu caminho.
– Claro! você já me colocou pra correr uma vez, lembra?. — eu o ignoro, mas não deveria ter feito isso. Ele me segura e me puxa para seus braços, me prendendo ali. — Agora vou reclamar o que é meu por direito.
Abro a boca para manda-lo para o inferno, mas ele me cala com um beijo. Isso me pega de surpresa, mal tenho tempo para processar o que está acontecendo quando ele aprofunda o beijo. Tento me soltar, mas ele é forte e não consigo. O seu beijo não é tão ruim assim, se fosse em outra situação, até poderia ter gostado.
De repente sou arrancada dos braços dele com um puxão forte. Estou meio desorientada, mas quando olho pra cima vejo a raiva brilhando nos olhos do Tobias.
– Já chega! — ele diz com uma voz que seria capaz de congelar o inferno.
– Só estava pegando o que é meu. — o clone do Gabriel diz sorrindo.
– O que você está falando? — pergunto brava.
– Eu e seu namorado fizemos uma aposta agora a pouco, se eu ganhasse poderia te beijar. — olho para o Tobias sem conseguir acreditar no que estou ouvindo.
– Mas você não ganhou! então não se atreva a colocar essas mão nela de novo.
– Eu ia ganhar, mas a ferinha aqui nos interrompeu com seu acesso de fúria. Não que eu esteja reclamando querida. Acabei de descobrir que por trás dessa fachada de garotinha frágil, você é uma mulher ardente. — ele disse piscando um olho pra mim.
– Vamos! — o Tobias diz e me puxa em direção ao carro, onde a Sarah nos espera.
– Espere! — o clone do Gabriel diz e coloca a mão no bolso e tira de dentro o meu medalhão. — pensei que você fosse querer isso de volta. — ele diz e o coloca no meu pescoço.
– Obrigada! — digo e o abraço. — Espero que você encontre o seu caminho.
– Talvez, e só talvez eu siga o conselho que você me deu. — seus olhos adquirem um brilho diferente.
– Dê uma chance pra Cara! você pode se surpreender. — digo me soltando e dando um passo para trás.
– Vou pensar nisso. Tenha muito cuidado, nem todos é o que parece! e vê se não vai ficar correndo atrás de quem não te merece. — ele olha para o Tobias. — Cuida bem dela, ou eu acabo com você da próxima vez.
– Se eu não acabar com você antes!
– Obrigada. — digo mais uma vez. — eu sabia que você só precisava de uma chance para ser bom.
– Eu que te peço perdão por tudo que fiz, mas é melhor vocês não perderem mais tempo e ir logo. — ele olha para as escadas.
– Claro, vamos! — pego a mão do Tobias e corremos para o carro.
Me sento atrás do volante e assim que todos entram, saio cantando pneu. Piso no acelerador até o final. Assim que pegamos a rua, vemos a dimensão do tumulto que o vídeo causou. Há varias pessoas pelas ruas. Começo a buzinar para que saiam da frente, pelo retrovisor vejo dois carros pretos nos seguindo.
– Droga! — seguro a buzina e a deixo tocando. As pessoas começam a se afastar, mas não tão rápido, pego um desvio, mas os carros estão chegando cada vez mais perto.
– Vai! vai! — a Sarah grita.
– Estou tentando! — grito de volta.
Finalmente pegamos a rua Lincoln blvd, nesse momento começam a atirar no nosso carro.
– Abaixem-se. — grito enquanto tento manter o carro na estrada.
Suas armas são de munição pesada, que perfura o carro em alguns lugares, ouço um dos pneus estourar e perco o controle do veiculo. A Clara está histérica gritando, primeiro penso que ela está com medo, mas quando olho uma segunda vez percebo que ela está adorando essa adrenalina. Dou uma olhada no Tobias e seu rosto está branco como papel. Sei que preciso manter a calma.
O carro dá vários solavancos e em cada um deles batemos com a cabeça no teto. A nossa frente está a rua Funston Ave, que faz travessa com a rua em que estamos. De repente um carro preto sai dessa rua e nos bloqueia.
– Ouçam todos com atenção! — digo enquanto tento controlar o carro que nesse momento começa a derrapar. — Quando eu mandar quero que saiam do carro e entrem naquele carro preto. Estão ouvindo?. — Grito acima do barulho.
A Sarah e o Tobias me olharam com olhos arregalados, enquanto a Clara batia palmas de excitamento. O Gabriel apenas se segurava firme com uma expressão neutra no rosto. Estávamos cada vez mais próximos do carro da frente, no entanto os dois de trás não estava chegando cada vez mais perto.
– Vocês entenderam? desçam do carro e entrem no da frente! — todos assentiram alguns ainda relutantes.
A poucos metros do carro preto, pisei no freio, o carro começou a rodar, por eu ter pisado fundo demais. Por pouco não batemos.
– Vamos! agora! — gritei novamente, e todos saímos do carro.
A Clara e a Sarah foram as primeiras a entrarem, seguidos pelo Gabriel. Eu corri para o banco do motorista e o Tobias entrou na porta de trás. Entrei no carro mas antes de colocar a perna esquerda pra dentro uma bala me pegou. A dor me pegou de surpresa e fiquei algum tempo tentando respirar novamente devido ao choque. Mas eles continuavam a atirar, usei as duas mãos e puxei a perna e fechei a porta, o tipo pegou na perna um pouco acima do joelho, mas não dava tempo para ver o tamanho do estrago.
O Carro já estava ligado, dei partida e saímos em disparada. O ronco do motor me acalmou um pouco e eu pisei no acelerador até o fim. Só parei quando o velocímetro marcou 400 km/h.
Chegamos rapidamente a rodovia que dava para a ponte Golden Gate.
– Estava com saudades! — Do meu lado vejo o Uriah se inclinar para trás.
– Eu também! — a Sarah responde.
– Estão todos bem? — pergunto tentando controlar a dor.
– Sim. Todos respondem.
Olho pelo retrovisor e vejo que os dois carros ainda nos seguem, um pouco lentos, mas ainda estão lá.
Ao longe vejo a cerca no final da Ponte golden Gate. Ela nos mantém presos aqui dentro mas não mais.
– Uriah? — pergunto e ele acena. de dentro de um porta luvas ele retira uma pequena bomba. — Vamos te dar cobertura.
Paro o carro lentamente no meio da ponte. O Uriah desce e corre para a lateral da ponte mais a frente. Deixa a bomba e volta assim que ele entra no carro, aperto um botão no painel do carro e a bomba explode. Os danos causados foram poucos somente na grade, no final da ponte os guardas começam a vir na nossa direção.
– O que você está fazendo? — o Tobias que asé então estava calado pergunta.
– Só observa!
Assim que os guardas da audácia saem de perto da cerca eu aperto um segundo botão e dessa vez a explosão é mais alta, mandando pelos ares a cerca. Os guardas param e olham para trás assustados. Pelo retrovisor vejo que os dois carros pretos estão se aproximando.
– Segurem-se! — digo e dou marcha ré indo em direção aos dois carros, eles começam a atirar novamente, mas as balas não fazem nada com o carro por que ele blindado. Bato a traseira no primeiro carro e em seguida piso no acelerador até o fim.
– O que você vai fazer Claire? — Ouço o grito assustado da Sarah.
– Meu deus! — não sei quem gritou, por que agora todos estão gritando no meu ouvido para parar, eu os ignoro e sigo em direção ao muro de proteção. Minha perna está doendo muito, olho pro banco e ele está sujo de sangue, escorrendo para o tapete do carro. Só percebo que saímos da ponte quando o carro bate onde a bomba menor destruiu. Estamos em queda livre em direção ao Mar!
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