Escrito nas Estrelas
13 Chegada a Fazenda
Notas iniciais
O freio do veículo avisou-lhe de que finalmente haviam chegado ao seu destino. O solavanco causado pela freada fê-la acordar do pequeno cochilo que tirava quase ao fim da viagem. Nem o trote dos cavalos fora capaz de acordá-la. Durante quase todo o trajeto pôde observar as lindas paisagens que formavam o percurso para a fazenda da família Brown, com algumas observações do condutor sobre as mesmas e sobre a propriedade. Somente quando já se aproximavam do ponto final é que deixou seus olhos fecharem-se e resvalou para um sono tranquilo.
Viajar era imensamente satisfatório, Sara não negava. Ela mesma adorava viajar e conhecer lugares novos. Desde que passara a viver com a madrinha pudera conhecer lugares que nunca antes havia sonhado. A vida que levara com a mãe, quando esta ainda era viva, era bastante modesta, portanto não dava para gastar dinheiro com viagens por mais curtas e perto que fossem. Contudo quando se tratava de viagens sempre havia inconvenientes como arrumar os baús com as vestimentas e adornos os quais necessitaria durante a estadia e o próprio desconforto do coche de aluguel. Geralmente os carros de aluguel eram extremamente desconfortáveis, porém aquele em especial, até que tinha um pouco de conforto e espaço, por isso as três damas puderam realizar o trajeto com um pouco de espaço, sem apertos, mesmo transportando seus baús. Agradeceu aos céus por ter escolhido um vestido simples sem muitos babados ou saias.
O coche parou em frente de uma imensa casa feita de madeira, pintada de branco, com uma grande varanda na qual havia um balanço. Sara achou a propriedade graciosa. O cocheiro desceu do veículo, abriu a porta e ajudou-as a descer. Primeiro Catherine, depois Sara e por último Lindsey.
— Chegamos madames – ele informou e voltou para junto do coche a fim de retirar a bagagem. Levou-as para a varanda. Catherine pegou sua bolsinha de seda preta e de lá retirou duas notas com as quais efetuou o pagamento do cocheiro.
— Por favor, retorne na segunda pela manhã, estaremos lhe aguardando – ela pediu.
O cocheiro assentiu em confirmação, subiu ao veículo e partiu. Sara viu o coche preto com excelente parelha de cavalos – uma das melhores que tinha visto até então. Perdia apenas para a parelha de cavalos do conde Grissom. Perguntou-se por que Grissom lhe havia surgido na mente naquele momento. Muito provavelmente não o veria durante aquele maravilhoso final de semana, entretanto tinha certeza absoluta de que veria o barão Stokes — partir pelo mesmo caminho que haviam chegado.
Quando finalmente as três estavam sós e não havia mais sinal do coche que as havia trazido, Catherine respirou fundo, contendo a ansiedade que a consumia e bateu na grande e pesada porta de madeira da casa. Aguardaram alguns minutos até que alguém veio abri-la. Elas estavam exaustas. A viagem havia sido cansativa. Precisavam de um banho, um bom jantar e uma boa noite de sono.
— Boa noite! – elas saudaram.
— Viemos aqui a convite do Visconde Brown. Somos Catherine, Lindsey e Sara Willows.
Sara havia alertado no dia anterior antes da viagem que deveria anunciá-la como Willows. A bondosa senhora não compreendeu o motivo daquele pedido, contudo resolveu não contrariar a afilhada e achou por bem supor que o pedido para usar o seu sobrenome era porque se sentia como se fosse sua filha.
— Que bom que chegaram – falou a jovem criada que atendeu a porta – Milorde as aguarda. Faltavam apenas miladies para chegarem.
Já era começo da noite de sexta feira. Visconde Brown sugeriu que os convidados chegassem naquele horário para que pudessem desfrutar da bela vista da fazenda o final de semana inteiro.
A criada abriu a porta para que elas pudessem entrar. Assim que entraram, viram todos os convidados de Brown sentados nos grandes sofás da imensa sala de estar. Entre as pessoas que estavam ali, havia algumas que elas não conheciam. Pelo menos Sara não conhecia, não sabia dizer quanto a sua madrinha. Ela sorria para cada um dos visitantes, porém estancou ao ver a qual não espera ver tão cedo. Mais uma vez agradeceu aos céus por ter pedido a sua madrinha que lhe apresentasse como Willows. Menos mal. Ao vê-lo, o sorriso morreu em seus lábios.
— Boa noite senhorita Willows – ele a saudou com um sorriso debochado como se somente ela houvesse chegado ao recinto – É um prazer vê-la por aqui.
Grissom levantou-se do lugar em que estava sentado, aproximou-se das recém-chegadas. Tomou uma das mãos de Sara sob as suas e levou-a aos seus lábios sem deixar de fitá-la. Sara não sabia o que fazer. Subitamente havia perdido a fala e ficado paralisada.
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