Escrito nas Estrelas
12 Cartas
Notas iniciais
Sara chegou a sua casa exausta após o longo passeio pelo parque com o barão Stokes, sua madrinha, o visconde Brown e o emproado conde Grissom. O passeio até que estava agradável – com exceção da conversa monótona do barão – até o momento em que Grissom apareceu. Ainda que o conde fosse irritantemente atraente, ela não podia dar-se ao luxo de desistir ou mesmo esquecer-se de seu plano de vingança. Ainda não tinha nada concreto, a única certeza que possuía era que devia seduzir Grissom sem, contudo, perder seu coração.
Dirigiu-se ao seu quarto, tendo antes se despedido e pedido a benção a sua adorada madrinha e durante o trajeto encontrou Vivian a qual pediu cortesmente que viesse auxiliá-la com o banho. Pediu que a jovem criada providenciasse água quente para sua tina. Retirou suas luvas e quando retirava os sapatos e as meias, ouviu a porta de seu quarto abrir-se e por ela entrar Vivian.
— Com licença senhorita! – ela pediu servilmente.
— Pode entrar, Vivian – ela autorizou a entrada.
A jovem empregada então entrou no recinto, colocou a bacia com água sobre o aparador e acendeu a vela que servia para iluminar a habitação. Depois pegou novamente a bacia com o líquido para o banho e o despejou na tina. A seguir ajudou sua senhora a livrar-se do vestido que usara para o passeio, desabotoando os pequenos botões de pérolas que havia nas costas da veste. Ajudou-a também a retirar o camisolão e a anágua que usava sob as vestes. Totalmente nua como viera ao mundo, entrou na tina e desfrutou de um agradável e prazeroso banho.
Permitiu-se ficar parada apenas desfrutando do revigorante banho por longos minutos. Em seguida pediu que Vivian lhe entregasse o óleo de banho que sua madrinha tão carinhosamente lhe presenteara quando fora a Paris. Quando enfim terminou, levantou-se. Sua criada, sua dama de companhia já estava a postos com a toalha nas mãos a fim de auxiliá-la a enxugar-se. Vivian executou sua tarefa com presteza. Como já era noite, optou por vestir sua camisola de renda.
Sentou-se diante do aparador, abriu a gaveta e de lá tirou papel, pena e o tinteiro e pôs-se a escrever a carta que havia prometido a sua amiga Morgan. Promessa era dívida. Mergulhou a pena no tinteiro, retirou o excesso de tinta e narrou para a amiga tudo o que lhe tinha sucedido durante o passeio.
Cara amiga Morg,
Bem se vê que sou cumpridora de minhas promessas e cá estou eu a cumpri-la através desta missiva. Escrevo conforme você me havia pedido que lhe escrevesse antes de partir aqui de casa para retornar ao seu lar. Como folgo em poder escrever-lhe! Tenho tanto a lhe contar sobre o passeio no parque! Você não imagina como desejei que você estivesse lá comigo.
Vou começar pelo princípio para que possa compreender-me. O barão Nicholas Stokes veio aqui em casa buscar a mim e a madrinha em seu coche. Lindsey ficou em casa com Vivian e Finley. A pobrezinha ficou muito triste quando soube que não iria conosco, pois se tratava de um passeio de adultos. Devo confessar que minha vontade era permanecer em casa junto com a menina, mas você conhece minha madrinha, não? Ela não sossegou enquanto eu não aceitei a oferta do passeio. Pois bem, Lindsey somente se alegrou um pouco quando lhe prometi que a levaria ao parque outro dia, Quando formos ao parque você nos acompanha querida amiga? Diga que sim, por favor! Será uma grande oportunidade para nos encontrarmos e conversarmos tranquilamente. Se você for lhe pago um sorvete.
Voltando ao assunto do passeio. Chegamos ao parque e começamos a andar em pares. Minha madrinha, lady Catherine com o visconde Warrick Brown alguns passos atrás e eu com o barão Stokes na frente. Você me conhece e sabe que me enfado muito facilmente com algumas conversas. Vou contar um segredo a você. Lorde Nicholas pode ser muito charmoso, porém na arte da retórica é enfadonho. Não consegui prestar atenção a uma única palavra do que ele me falava. Não ria! Isso é sério!
Levávamos um bom tempo caminhando quando apareceu como surgido do inferno o emproado conde Grissom. Ele mesmo! Não é de admirar? Algumas pessoas dizem que ele quase nunca sai de casa, mas pelo que vejo o conde anda bem saidinho para meu gosto. Cumprimentou-nos e perguntou se poderia juntar-se a nós no passeio. Confesso que não fui capaz de resistir a uma brincadeira. Disse a ele que o parque era público e que não poderíamos impedi-lo de fazê-lo se acaso quisesse. Minha madrinha repreendeu-me por tal insubordinação. Eu gostei de provocá-lo. Sabe o que o irritante conde respondeu a minha madrinha? Disse que não se sentia insultado com a provocação e que adorava meninas atrevidas que dizem tudo o que pensam. Quem ele pensa que é? Adora? Pois sim! Veremos se ele adora mesmo!
Isso foi tudo querida amiga. Aguardo ansiosa sua resposta ao meu convite e se eu tiver mais novidades lhe escrevo mais.
Com todo meu amor,
Da sempre sua,
Sara Sidle.
Assim que terminou de escrever, releu o que havia escrito, dobrou-a e selou-a. Colocou no verso o destinatário. Na manhã seguinte entregaria a missiva a James para que ele a entregasse a quem fosse de direito. Exausta tanto física quanto emocionalmente, deitou-se em sua cama e logo resvalou para o sono profundo.
****
Três dias depois batia na porta da casa dos Willows um homem de pele cor de ébano, cabelos crespos e olhos negros. Usava barba e trajava roupas de mordomo. James, como excelente empregado que era, abriu a porta com seu ar severo.
— Missiva para lady Catherine Willows – ele informou, entregando a carta para o mordomo da casa.
— Obrigado. Pode deixar que entregarei a milady.
James fechou a porta. E dirigiu-se a sala onde sua senhora se encontrava sentada conversando com a afilhada.
— Carta para milady – James anunciou imediatamente entregando a missiva.
— Carta para mim? – ela indagou curiosa – Eu quase nunca recebo cartas.
Ela olhou para a folha dobrada em forma de envelope fechada com um selo que ela já conhecia. Um grande B envolto por flores de lótus selava a carta.
— Para tudo há uma primeira vez. De quem é a carta madrinha? – indagou Sara curiosa.
— Do visconde Brown.
— Do visconde? Será que minha madrinha conquistou o coração do jovem visconde Brown? – brincou a jovem.
Catherine corou ante o comentário.
— Não seja tola menina! – Catherine a repreendeu — Olhe para mim! Tenho idade para ser a mãe do visconde.
— Mas não é! – Sara contestou – O que diz a carta?
Catherine abriu-a e passou os olhos pela missiva. Quando terminou abriu um largo sorriso.
— O visconde nos convida para passar o final de semana na fazenda de sua família. O convite se estende a você e a Lindsey também. O visconde disse que lá haverá crianças da mesma idade de Lind com as quais ela poderá brincar. Ele pede também que confirmemos nossa presença.
— Quem será que estará presente? Sara perguntou mais para si que para a madrinha.
— Ele diz que estarão presentes diversas pessoas, inclusive pediu-me que lhe dissesse que convidou Greg e Morgan.
Sara não conteve um gritinho de alegria. Seus melhores amigos estariam presentes na fazenda.
— Nós vamos, não é madrinha? – Sara questionou suplicante.
— Sim querida. Pode arrumar suas coisas que nós iremos.
Dentro de dois dias as mulheres da casa estariam de partida para a fazenda da família Brown.
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