Escrito nas Estrelas
24 A Volta para a Cidade
Notas iniciais
O dia seguinte foi o dia do retorno para a cidade. Ele amanheceu ensolarado o que era contraditório já que era o último dia em que permaneceriam na fazenda dos Brown. Logo mais depois do almoço iriam embora. A estadia não poderia ter sido melhor. O tratamento dispensado pelos anfitriões dá residência rural havia sido perfeito, não havia nada do que reclamar. A afabilidade e o respeito dos donos da casa fazia com que os convidados tivessem vontade de retornar para lá na primeira oportunidade que surgisse.
Um silêncio avassalador reinou durante o desjejum naquela manhã. Os envolvidos na cena da noite anterior agiram como se nada tivesse ocorrido. Sara e Grissom mantiveram-se afastados o tempo todo um do outro como se tivessem medo de se queimarem. Sara resolveu dar atenção ao Barão Stokes, ouvindo com relutância seus elogios e rindo forçadamente de suas piadas sem graça. Grissom a tudo observava enciumado, contudo, nada fez. Enquanto isso, Catherine manteve-se calada como se de nada soubesse, apenas analisando os comportamentos de sua afilhada e do futuro conde. O alvoroço reinou na residência. Logo após o café dá manhã, as mulheres arrumaram seus baús e os homens da casa desceram as bagagens para o andar de baixo.
Depois do saboroso almoço, houve abraços de despedidas e até choros emocionados. O cocheiro de Catherine chegou pontualmente como havia sido estabelecido. Ele ajudou-as a colocar as bagagens no coche. Grissom mais do que depressa adiantou-se para ajudar as damas a subirem no automóvel. Ele segurou a mão de Sara dando-lhe apoio para subir e ainda que a moça estivesse usando luvas, ele sentiu um forte arrepio somente por tocar-lhe a mão. Ela o afetava em demasia e de diversas formas.
Catherine, Sara e Lindsey fizeram boa parte da viagem em silêncio. As duas mulheres mais velhas estavam cada uma perdida em seus pensamentos. O silêncio avassalador foi quebrado por Sara.
— A madrinha está tão calada... – Sara comentou baixinho.
—Tenho alguns problemas para resolver — limitou-se a dizer – E não sei por onde começar.
— É algum segredo? – ela perguntou curiosa.
— Sim, é segredo por enquanto.
Sara voltou a ajeitar-se no encosto da charrete.
— Me diga Sara, você esconde algum segredo de mim?
— Por que me faz essa pergunta madrinha? – ela perguntou desconfiada.
— Por nada – Catherine desconversou – Você sabe que pode confiar em mim, não é? Sua mãe confiou você a mim porque confiava em mim. E você pode fazer o mesmo. Você sabe disso.
— Sim, eu sei madrinha.
A conversa foi interrompida pelo cocheiro que anunciou a chegada na casa dos Willows. Ele as auxiliou na condução das bagagens para dentro da residência. Quando enfim as damas estavam em casa, Catherine disse:
— Finalmente em casa!
Dirigiu-se ao seu escritório e sentou-se diante de sua mesa. Pegou pena e papel e pôs-se a escrever a carta que tanto desejava. Ao terminar, selou-a e pediu que o cocheiro a entregasse ao seu destinatário.
— Espere a resposta – ela completou.
Era hora de começar a reparar a situação em que sua afilhada se encontrava.
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