Escrito nas Estrelas
27 A Chantagem
Notas iniciais
Catherine recuperou-se rapidamente do espanto ante o pedido de casamento proposto pelo Barão Nick Stokes a Sara. Aquilo definitivamente não estava em seus planos.
― Sinto muito barão, mas o senhor chegou demasiado tarde, pois o futuro conde de Nevada já o fez primeiro – lady Catherine explicou.
Grissom esboçou um sorriso forçado para o barão Stokes.
― A senhora já respondeu? A menina Willows concordou? – Nick indagou, tentando se apegar a última esperança. A de que lady Catherine ainda não houvesse concordado com o pedido de casamento feito pelo futuro conde.
Os dois cavalheiros ouviram um pigarrear vindo de detrás deles. Era Sara quem lhes chamava a atenção e desejava falar-lhes.
― Com licença! – Sara pediu a palavra – A interessada nesse assunto sou eu, então creio que eu devo expor minha opinião sobre o assunto aqui tratado.
― Eu estou de pleno acordo – concordou Nick, tentando assim ganhar alguns pontos com sua pretendida.
― Eu também – assentiu Grissom sinceramente.
― Fico completamente lisonjeada com os pedidos de casamento aqui propostos, mas não quero e não admitirei ser tratada como uma mercadoria a qual levará quem pagar mais. Eu não estou à venda e, portanto, não me casarei com nenhum dos cavalheiros aqui presentes – ela finalizou.
Nick aceitou relutantemente a decisão de Sara. Pediu licença para as damas e o cavalheiro presentes no escritório e deixou a residência. Sara festejou silenciosamente o feito e aguardou ansiosa que Grissom fizesse o mesmo, entretanto, o futuro conde não moveu um único músculo em sinal de que sairia dali. Em vez disso, Grissom dirigiu a palavra a lady Catherine:
― Milady, poderia conceder-me o privilégio de conversar com a menina Willows em privado? Creio que devemos conversar a sós – ele pediu.
Sara sentiu-se ultrajada ante o pedido dele. Quem ele pensava que era para tratá-la como uma criança? Ela já não era uma criança. Já era uma mulher!
― Eu não ficarei sozinha com o senhor Grissom de jeito nenhum! – Sara objetou, batendo o pé esquerdo no chão e cruzando os braços diante do peito, também fazia bico. Ela ainda recordava muito bem do que lhe acontecera nos momentos em que estivera sozinha com o charmoso conde. De modo algum ela abriria possibilidade para render-se á tentação – Não mesmo!
― Há algum problema querida? Há algo que você queira me contar? – indagou Catherine curiosa. Ainda não se conformava de sua afilhada não confiava nela a ponto de contar-lhe que estava envolvida emocionalmente com o futuro conde.
― Não madrinha! Não há problema algum – Sara respondeu com as faces em brasa. Ela não podia confessar à sua madrinha que tinha medo de não resistir aos encantos do futuro conde – É que eu mal conheço lorde Grissom, portanto não é apropriado que fiquemos sozinhos.
Catherine conteve o ímpeto de dizer que os dois, Sara e Grissom, já estiveram sozinhos, que eles não se preocuparam com os burburinhos e que ela mesma sabia disso. Entretanto, aquilo era segredo. Por isso, limitou-se a dizer:
― Pois essa será uma excelente oportunidade de se conhecerem. Vocês podem ir para o jardim a fim de conversar. Lá terão toda a privacidade de que precisam.
Sara parecia inconformada por sua madrinha ter permitido que ela fosse conversar a sós com o futuro conde de Nevada no jardim. Sem alternativa, aceitou o braço que o conde lhe ofereceu e seguiram para o jardim.
Aquele lugar lhe despertava diversas lembranças. Principalmente o flerte que praticara com o conde durante o baile de máscaras ofertado por sua madrinha. Recordava também da boca dele sobre sua pele. A simples lembrança fez seu corpo todo estremecer.
― Aviso-lhe, senhor conde, que nada do que o senhor disser poderá me convencer a casar-me consigo. Não me casaria com milorde, nem que fosse o único homem em toda a terra – debochou Sara, saindo finalmente do devaneio em que estivera.
― Eu não teria tanta certeza, minha querida – ele informou colocando a mão no bolso, aproximando-se cada vez mais dela.
― O que milorde quer dizer com isso? – ela engoliu em seco.
― Eu quero dizer que se eu fosse a senhorita pensaria duas vezes antes de rejeitar-me como marido. Eu posso, sem querer, contar para sua madrinha e toda a sociedade que a senhorita não é mais donzela. Sua reputação ficaria arruinada – ele a chantageou como se comentasse sobre trivialidades.
― Milorde não teria coragem! – ela tornou a engolir em seco, sentindo-se insultada. Ele não teria coragem. Ou teria?
― Novamente eu se fosse a senhorita, não me provocaria. Eu, de minha parte, não tenho nada a perder, o máximo que pode me acontecer é ganhar a fama de devasso, e a isso eu me acostumo. Já a senhorita... – ele deixou a frase solta no ar.
― E então, minha querida, aceita ser minha esposa? – ele indagou acariciando-lhe a face.
Gilbert Grissom, o futuro conde de Nevada tinha um brilho estranho no olhar. Ele podia muito bem estar fazendo troça dela, ou podia mesmo estar falando a verdade, contudo, ela não tinha a menor intenção de descobrir.
― Eu aceito! – ela não teve escolha a não ser aceitar. Porém, se o futuro conde achava que ela seria uma esposa obediente e submissa, estava muito enganado.
― Ótimo! – ele festejou beijando-lhe os lábios – Agora vamos anunciar nosso noivado para sua madrinha.
Grissom tomou a mão de Sara sob a sua e dirigiu-se de volta ao escritório de Catherine a fim de comunicar-lhe que havia dissuadido Sara a aceitar seu pedido de casamento.
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