Escolhas
10 Preparada para o teste?
Aro me mandou ir para um dos corredores por onde as “vítimas” passavam pensando que estavam numa excursão.
No meio desse corredor vi uma menininha chorando e fui até ela. Tinha o cabelo louro e aparentava ter uns seis anos, era pequena e parecia estar muito assustada.
—Você está bem, querida?
Senti que alguém nos observava, e percebi que o meu teste era beber o sangue dessa garotinha. Mas eu não ligo e me aproximo mais da menina. Ela me olha assustada e com o rosto cheio de lagrimas.
—Quero minha mãe. –Fala entre os soluços.
Eu coloco a mão em seu ombro, não querendo me aproximar demais e assustá-la.
—Calma, eu ajudo você a encontrar a sua mãe. –Eu me abaixo um pouco. –Qual é o seu nome?
—Lizzie e o seu?
—Meu nome é Cindy.
Penso em como é cruel o que Aro quer que eu faça com essa garota e em como ele está enganado achando mesmo que eu iria fazê-lo.
—Vamos procurar a sua mãe?
Ela acena com a cabeça me olhando com olhos tristes.
Eu seguro sua pequenina mão e começo a levá-la devagar.
—Sua mão é quente.
Eu dou um sorriso para ela, não sabendo o que falar sobre isso. Estava tão acostumada em não ser notada por isso de onde eu vim.
Ao virarmos o corredor uma moça que aparentava ter uns trinta e cinco ou trinta e seis anos, de rosto bonito, nos viu e logo veio até nós. Percebi que se tratava da mãe da garota. Na verdade, são bem parecidas com cabelo e olhos de mesma cor.
—Lizzie! Onde você estava?
A menina solta a minha mão e vai até sua mãe que a pega no colo, a abraçando.
—Ela estava no outro corredor.
A mãe olha para mim sobre o ombro da menina e sorri.
—Obrigada por achá-la.
—De nada. –Eu dou um sorriso para ela e vou para o outro corredor.
Onde encontro Aro olhando para mim, sério.
Passo por ele com um sorriso, sem olhar em sua direção. Vou para meu quarto e fecho a porta. Me deito na cama e fico olhando a janela. Foi muito bom deixar Aro furioso, mas me lembro o que ele pode fazer para me punir e percebo que devo tomar mais cuidado com minhas ações.
Então, escuto batidas na porta.
—Entra!
Eu me sento, enquanto vejo Wendy entrar e vir em minha direção.
—Como foi o teste?
—Eu só sei que Aro ficou muito bravo.
—Por quê?
—Por que eu não bebi o sangue da pobre criança, eu a levei para sua mãe.
—Eu sabia que você não iria beber sangue humano.
—Eu não faria isso, principalmente com uma pobre criança.
Ela coloca a mão em meu ombro. Então percebo que talvez, ele tente me punir matando as duas.
—Será que elas estão bem?
—Não fique assim, a culpa não é sua se acontecer algo.
—Eu sei, mas ele vai querer me punir.
Escuto outra batida.
Vou até a porta e encontro Alec do lado de fora.
—Oi, Alec, entra!
—Oi. –Ele entra. –Por que Aro está tão bravo?
—A culpa é minha. Eu não fiz o teste, levei a garota para a mãe dela. –Eu me sento na cama de novo. –Eu não iria matar aquela garotinha inocente.
—Aro vai querer falar com você amanhã. –Alec diz.
—Eu sei. –Eu digo dando um suspiro.
Vou até a janela para ver se encontro a garotinha e sua mãe lá fora, então decido ir até a praça para ver se estão.
—Acho que vou dar uma volta.
—Mas ainda está de dia. –Diz Alec.
—Eu sei, mas não tenho problema com isso. Eu não brilho na luz do sol.
—Olha, você não precisa fazer isso. Você só vai se magoar se descobrir o que aconteceu com elas. –Fala Wendy.
—O que aconteceu com quem? –Pergunta Alec. Então ele percebe. –Ah, você está preocupada com a garotinha?
—Sim, tenho que saber se ela e sua mãe estão bem. –Explico e saio do quarto, sendo seguida por eles. –Não precisam vir comigo. Eu tenho que fazer isso se não vou ficar me perguntando o que aconteceu.
—Está bem. Vou estar no meu quarto se quiser conversar. –Fala Wendy.
—Eu vou com você até a porta, pelo menos. –Diz Alec.
—Está bem.
Vamos pelo mesmo corredor que eu tinha passado antes e quando chegamos à porta de saída, vejo Heidi conversar com a mãe e a garota. Parecia que estava pedindo para irem com ela e eu já até imaginei para onde. Alec segura meu braço, mas eu me solto dele e vou até lá.
—Olá, está tudo bem? –Pergunto e Heidi me olha com fúria, então disfarça.
—Está tudo bem, Cindy.
—Ah, você trabalha aqui também? –Pergunta a mulher.
—Sim. –Mostro minha capa. –Somos monitores.
—Ah, legal. Eu estava falando para Heidi, que adoraríamos ver mais coisas, mas devemos ir. Está ficando tarde.
—Que pena. Mas vocês podem voltar outro dia, talvez.
—Que pena que vamos voltar para o Canadá amanhã, mas outra vez que viajarmos para cá, aproveitamos mais.
—Claro. Adeus. Boa viajem!
—Obrigada! Adeus.
—Tchau! –Diz a menina.
As duas saem do prédio e Heidi olha para mim.
—Você está muito encrencada. –Ela aponta para mim.
—Não tenho medo de você. –Falo provocando.
Alec entra no meio.
—Chega. Vocês não podem brigar aqui. E é Aro quem vai decidir quem está ou não encrencada.
—Claro. –Diz Heidi se virando e saindo de perto de nós.
Respiro fundo e tento me manter calma.
—Acho que Aro vai querer falar com você amanhã.
—Bem, eu tenho certeza que vai.
—Você deveria tomar mais cuidado com que faz. Isso foi perigoso. Ele podia ter feito algo para alguém que você gosta, ou até mesmo com você. –Alec termina de falar me olhando nos olhos, com uma expressão triste. E
Eu sabia que ele tinha razão, desafiar Aro foi inconsequente e poderia ter colocado as pessoas com quem me importo em perigo e bem, até a mim.
No dia seguinte, coloco uma saia preta e uma camisa de manga comprida rosa claro. E vou para a sala principal. Dessa vez não espero a Wendy, talvez ela já esteja lá. E estava, todos estavam lá.
—Buon giorno, Cindy! –Disse Aro, não parecendo nem um pouco nervoso.
—Buon giorno! –Respondi por educação e vou até o canto.
—Bem, já que estão todos aqui. Posso apresentar Georgina. –diz apontando para a porta na hora que entra uma mulher de cabelos pretos, ondulados e compridos. Com olhos e a boca vermelha, sustentando um sorriso que era ao mesmo tento sedutor e malvado. Dava para perceber que se assemelhava bastante com Aro, que ambos eram pessoas cruéis e perigosas.
—Buon giorno! –Disse a todos.
—Bem, não esqueci o que aconteceu ontem cindy e soube que houve um mal-entendido entre você e Heidi, mas vamos pensar em outro teste para você fazer. –Ele falou compreensivo demais. Senti um arrepio, como se algo fosse acontecer. –Talvez você se concentrasse melhor em sua tarefa, depois de visitarmos a sua família.
Penso por um momento, tentando entender se aquilo era uma ameaça ou um convite de paz. Não sei, mas gostaria de avisar minha família disso.
Passamos o dia entre ficar na sala principal, esperando Aro resolver seus problemas e andando pelos corredores para observar os visitantes. De tarde, após comer algo, vou para meu quarto e Wendy vem comigo.
—Eu senti uma ameaça no tom de voz dele. –falo.
—Eu não gostei muito da nossa nova colega de clã. Ela parece ter algum dom, mas qual seria ele?
—Não sei, mas gostaria de avisar a minha família de que estamos indo visita-los.
—Bem, seria bom. – Diz Wendy. –Acho que já vou indo para meu quarto. Quando falar com eles avisa que eu mandei lembranças.
—Ok. Tchau.
—Tchau. –Disse ela saindo de meu quarto.
Pego meu celular e tento ligar para minha mãe, mas percebo que estou sem sinal. Acho estranho e vou até a janela para ver se consigo alguma coisa. Mas não consigo nenhum sinal. Desligo e religo o celular, mas mesmo assim nada muda.
Escuto uma batida na porta e vou ver quem é. Encontra a garota nova do lado de fora.
—Olá, espero não estar te incomodando. –disse dando um de seus sorrisos maléficos.
—Não, você não está me incomodando.
—Bem, quando soube que você vira um lobo fiquei curiosa. Pensei que a sua espécie estava extinta.
—Bem, acho que era o desejo de Aro, mas não estamos extintos.
—Já ouvi falar bastante dos cullen. É verdade que não se alimentam de sangue humano?
—Sim, só nos alimentamos de sangue animal. Meu bisavô ama sua profissão de médico também.
—Interessante. Mesmo assim, alguma vontade deve dar de esquecer as regras e ser selvagens as vezes, não dá?
—Não sei. Nunca senti isso.
Ela sorriu.
—Bem, acho que vou deixa-la agora. Você devia estar ocupada com alguma coisa. Buona notte!
—Buona notte!
Responde e entro em meu quarto, fechando a porta. Tive uma sensação estranha de que ela sabia o que eu estava fazendo, como se ela tivesse envolvida na falta de sinal do meu celular.
Tento esquecer, minha sensação de que tem algo acontecendo de estranho lá e vou tomar um banho para ver se relaxo. Depois vou até a cozinha e faço um chá de camomila. Vou para meu quarto e vou tomando, enquanto olho pela janela. Sinto que o sono se aproxima e me deito, dormindo logo.
Me vejo em uma campina, mas não é qualquer campina, é a campina que a minha família usa para jogar beisebol. Eu estou do lado de Aro, onde todos os Volturis estão em uma forma triangular.
Do outro lado da campina está a minha família.
Olho para cada rosto, vendo em seus rostos dor por terem que lutar contra mim. Eu sei que eles vão dar um jeito de não me machucar, o que me faz sentir pior ainda. É como se eu fosse uma traidora, e eu sou traidora ao estar do lado do inimigo.
Um uivo me faz olhar para a borda da clareira, onde encontro os lobos e pude diferenciar o meu pai no meio de todas aquelas figuras enormes pronta para a batalha. Passo os olhos em cada um deles, até que vejo um diferente. Ele estava sentado nas patas traseiras, olhando na minha direção com lagrimas nos olhos.
—Justin! –Sussurro, então acordo como se aquele sonho tivesse sido interrompido. Fico sem ar e me sento na cama.
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