Escolhas
11 O dia da batalha.
Não consigo dormir direito depois disso, tenho uma sensação de que algo está acontecendo e estou a par. Preciso saber mais, pois se sonhei com minha família, com certeza tem a ver com eles e eu descobri que meus sonhos tem um pouco de verdade.
Me levanto e me arrumo para mais um dia na guarda real. Vou até o quarto de Wendy e bato na porta. Ela a abre e sorri para mim, terminando de colocar a capa, seus cabelos vermelhos soltos sobre o ombro.
—Vamos na cozinha? Podemos conversar, enquanto como algo. –Falo, pensando se podia ou não contar para ela sobre o que estou pensando aqui dentro e se devemos sair para algum lugar mais distante de Aro e seus guardas.
—Vamos.
Fomos até a cozinha e no corredor próximo a ela encontramos Georgina.
—Wendy, Cindy! Buon giorno! Aro gostaria de falar com vocês?
—Claro. Só ia comer algo na cozinha e já estávamos indo. –Falo para dispensa-la, mas ela mantém o mesmo sorrisinho no rosto.
—Acho que será rápido o que ele tem a dizer.
—Está bem. Vamos falar com Aro.
Fomos nós três até a sala principal, onde encontramos os três sentados em suas cadeiras e ao seu lado, Jane e Alec.
—Buon Giorno!
—Gostaria de falar com a gente? –Pergunta Wendy.
—Gostaria, sim. Vamos para Forks visitar a sua família Cindy. Você deve estar com saudades deles, não está?
—Sim, estou. Mas pensei que teria que fazer mais um teste, já que não fui tão bem no primeiro.
—Ah, depois resolvemos isso! –Diz Aro com um sorriso esquisito no rosto. E cada vez mais aquela sensação aumenta dentro de mim: algo ruim vai acontecer. -Vamos amanhã de manhã.
—Bem, e você irá avisa-los?
—Seria muito bom fazer uma surpresa para eles, mas acho que Alice vai prever isso.
—Provavelmente ela soube que vamos passar lá antes mesmo que você! -Completa Marcus, se envolvendo na conversa e parecendo algo mais do que uma estátua ao lado de seu líder Aro.
—Bem, é só isso! Soube que está com fome. Está livre para ir se alimentar.
—Tudo bem. Mas acho que vou dar uma volta.
O dia estava estranhamente nublado hoje, então perguntei se Alec e Wendy gostariam de ir comigo. Paramos em um restaurante e sentamos na parte de fora.
—Você nos chamou aqui para conversar, não é mesmo? –Pergunta Wendy.
—Sim. Desde ontem sinto que algo ruim vai acontecer na visita a minha família.
—Você os avisou que vamos visita-los? –Pergunta Alec.
—Ontem tentei ligar, mas não consegui sinal.
—Bem, talvez aqui tenha sinal. –Diz Wendy. –Também sinto que Georgina tem alguma coisa a ver com isso. Eu acho muito estranho ter uma nova pessoa nos Volturi e nós nem sabemos se passou por todo o processo de aprovação.
—Talvez ele já a conhecesse. –Digo.
—Nunca a vi antes. –Diz Alec.
—Bem, vou tentar ligar para meus pais. –Digo.
Me levanto da mesa e dou alguns passos, não para me afastar deles, mas sim para ver se consigo um sinal melhor em uma área aberta.
Tento ligar para meus pais, mas não consigo completar a ligação. Uma mensagem diz que não tenho sinal para isso. Acho estranha e tento de novo e mais uma vez, variando entre ligar para meus pais, meus avós e até para meu namorado.
Volto para a mesa onde está meus amigos e o almoço já está na mesa. Sento e bebo um pouco do suco.
—Não consegui sinal de novo. –Falo.
—Vou tentar também. –Diz Wendy.
—Tudo bem. –Digo.
Enquanto ela tenta ligar para minha família, eu almoço. Mas pela feição que ela faz, percebo que também não conseguiu.
—Bem, pelo jeito, não vamos conseguir falar com eles. –Diz ela, derrotada.
—Mas como Marcus disse, você não precisa se preocupar, pois se eles estiverem planejando alguma coisa, Alice vai ver até mesmo antes de nós. –Diz Alec.
—Certo. –Falo ainda não me contentando com a situação.
—Ok. Que tal um passeio entre meninas. –Diz Wendy. –Desculpa, Alec, nada contra.
—Tudo bem. Vão e se distraiam. –Diz ele sorrindo. –Vou voltar para o castelo.
—Está bem. Até mais. –Digo.
—Tchau. –Diz ele.
Quando ele se afasta, olho para Wendy.
—E aí, para onde vamos?
—Na verdade, queria te perguntar se você confia nele?
—Wendy! –Falo seria. –Confio sim, não acho que ele vá me enganar.
—Não, só acho que para alguém de confiança de Aro, ele sabe muito pouco do que está acontecendo.
—Bem, não podemos acusa-lo. Talvez Aro só tenha compartilhado as novas informações com seus irmãos e até, quem sabe, com Georgina.
—Tudo bem. Esqueci que ele é seu amigo mais tempo que eu.
—Ah, Wendy, não é isso. Só não consigo acreditar que ele possa esconder segredos de mim.
—Ok. Vamos esquecer esse assunto. Que tal darmos uma volta por aí e vermos se encontramos alguns gatinhos.
Olhei seria para ela de novo, mas dessa vez de brincadeira.
—Está bem, esquece. Só eu vou olhar os gatinhos. Esqueci que você já é comprometida com um cachorro.
—Wendy, não fala assim. –Falo sorrindo da brincadeira. –Vamos dar uma volta. Mas se eu fosse você não zoava muito os lobisomens não, vai que você se apaixona por um.
—Credo. Se isso acontecer me interna que eu fiquei louca.
Dou risada da cara que ela faz e então vamos andando pela praça. Andamos e passamos por vários lojinhas, paro para tomar um sorvete e Wendy aproveita para paquerar o cara que estava me atendendo, dou um sorriso e continuamos andando. Ao entardecer, voltamos para o castelo, mas não sei por que sinto uma presença próxima de nós, como se estivessem nos seguindo.
Chegando no castelo, vou para meu quarto e então decido dar uma olhada na frente do castelo e vejo Alec chegando depois de nós. Me lembro do que Wendy falou e mesmo sem querer, começo a desconfiar dele. Não, mas não pode ser ele que estava nos seguindo.
Tento esquecer disso e tento ligar de novo para minha família. Pelo jeito, uma carta funcionaria melhor.
Deito um pouco na cama para pensar e acabo dormindo. Sonho de novo com minha família no campo de batalha, mas dessa vez, só vejo o campo e alguns rostos familiares. E então, como ontem, acordo assustada, como se o sonho tivesse sido interrompido por alguém de fora.
Levanto e escuto vozes no corredor. Saio do quarto e encontro Wendy e Georgina conversando.
—Olá! –Digo.
—Olá! –Diz Georgina. –Estava passando por aqui, então encontrei sua amiga e paramos para conversar.
—Estava perguntando de onde ela conhece Aro. Achei interessante ela não ter feito o teste para entrar no clã.
—E eu disse que nos conhecemos a um tempo e eu entrei no clã, pois ele achou que eu seria útil.
—Você tem algum poder? –Pergunto.
—Na verdade, não. Posso ser boa em esconder alguns segredos, mas acho que nada interessante.
—Bem, vou para a cozinha beber alguma coisa. –Digo.
—Também, vou. –diz Wendy. –Preciso falar com você, Cindy.
—Tchau, meninas. –Diz Georgina com um sorriso falso.
Depois que nos afastamos dela e chegamos perto da porta da cozinha, Wendy diz baixinho.
—Encontrei ela do lado de fora do seu quarto, como se estivesse ouvindo atrás da porta ou te espiando. –Diz ela. –Achei, aquilo estranho.
—Então, será que é ela que estava nos seguindo. –Digo. –Senti como se alguém estivesse nos vigiando.
—Bem, talvez não tivesse sido Alec que tenha haver com as coisas estranhas que estão acontecendo. Talvez seja ela a culpada. –Diz. –Mas, não diz para ninguém que fui eu que o defendi.
Dou risada e entramos na cozinha.
Depois de beber alguma coisa e conversamos mais um pouco, decido ir para meu quarto, arrumo as coisas na mala e deixo tudo preparado para voltar para casa e espero que não tenha que voltar tão cedo. Deito e tento dormir mais um pouco, já que não sabia a hora que iriamos.
Acordo com o nascer do sol e me arrumo, vestindo a capa dos Volturi e o colar. Planejava jogar os dois na frente de Aro para irrita-lo. Pego minha mala e saio do quarto encontrando Wendy fechando a porta do seu quarto.
—Bom dia! –Falo.
—Bom dia! –Responde ela.
Ao virar para o corredor encontramos Alec se aproximando de nós.
—Buon giorno! Deixe que eu leve as malas. –Disse educado.
—Tudo bem, mas eu consigo carregar a minha. –Responde Wendy.
Alec pega a mala antes dela e depois vem pegar a minha.
—Imaginei que diria isso! –Diz ele sorrindo.
Vamos para a porta de trás onde tem dois carros sedans pretos nos esperando. Imagino que os três Volturi e seus guardas de segurança estão em um dos carros. No outro encontramos Jane no banco da frente, nos esperando.
—Buon giorno! –Diz ela.
Nunca conversamos muito, sempre fui mais amiga de seu irmão e achava ela muito reservada.
Partimos para o aeroporto, onde encontramos o avião particular deles nos esperando. Entramos e depois de quase vinte horas de viagem chegamos ao aeroporto de Portland, com um carro alugado chegamos a Forks. Ainda era fim de tarde em Forks, por causa do fuso horário.
Vamos direto para o campo de batalha, onde encontro minha família do outro lado. Fico contente em vê-los lá, mas algo em seus rostos me deixa preocupada e um sentimento ruim me incomoda. Olho para os rostos de todos para ver se estão bem e quando chego nos lobisomens, sinto falta de um. Então meu coração se aperta e percebo que tem algo de errado acontecendo.
Olho para Wendy e ela percebe meu pânico, então se aproxima de mim, segurando a minha mão.
—Calma. Estou aqui para te ajudar.
—Justin, não está lá. –Sussurro para ela.
Olhamos para o lado e vimos que está formado o triangulo e que estamos na ponta. Até aqui estava confiante de que só os poucos guardas dos Volturis não iam conseguir deter meus parentes. Mas acho que subestimei Aro. Talvez ele já tenha cometido esse erro e agora tenha planejado melhor.
Procuro por Georgina e então a encontro do outro lado da formação e ao seu lado uma gaiola. Então meu coração doí, como se fosse parar. Dentro dela está Justin, olhando diretamente para mim. Por um momento fico sem ar e não sei o que fazer.
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