Escolhas
4 Despedidas.
—Então, eu vou indo. Boa noite, Cindy.
—Boa noite.
—Boa noite, Renesmee.
—Boa noite, Alec.
Quando ele sai e fecha a porta, minha mãe se vira para mim, com uma cara de interrogação.
—O que vocês estavam fazendo tão próximos?
—Próximos? Não mãe. Nós estávamos um passo de distância. -Tento disfarçar abrindo um leve sorriso e balançando a cabeça de vagar, como se ela não tivesse visto direito.
—Você quis dizer que estava há um beijo dele.
—Não. –Falo, mas não sei o que mais falar, então vou até a minha cama, pego a bolsa e vou ao banheiro sem nem dar uma olhada para a minha mãe. Eu sei que ela vai perceber que está falando a verdade só de olhar a minha cara. Lavo bem o rosto e me apronto para dormir. Saio do banheiro novamente sem olhar para ela e vou direto para cama, deixando a bolsa no chão.
—Eu sei que você está tentando disfarçar, mocinha, mas eu percebi que você gosta dele.
Sinto minhas bochechas corarem, mas outra vez eu tento disfarçar, isso seria para o meu bem, pois eu não vou ficar com ele.
—Não, mãe, você entendeu errado, eu nã...
—E eu também acho que ele gosta de você, por que ele me perguntou várias vezes quando você viria para cá.
—Verdade, quantas vezes? –Falo me empolgando demais e resolvo olhar para minha mãe, ela me olha com aquela cara que as mães usam para falar “Eu sabia”. –Mãe, você me conhece mesmo.
—Não é porque você mora longe que eu não vou te conhecer. –Ela se senta ao meu lado e me abraça, falando em meu ouvido. –Isso não é tão ruim assim, filha, por que você queria esconder de mim?
—Porque eu não vou ficar aqui, mãe, essa vida não combina comigo, o meu lugar é na floresta. –Falo a soltando para olhar seu rosto.
—Logo imaginei que você diria isso. Mas pensei que você iria passar alguns dias aqui. Você já vai voltar para casa, filha?
—Sim, eu só vim falar com Aro.
—Então, amanhã nós vamos falar com ele, preciso ver se posso ir com você para ficar alguns dias lá. Boa noite, querida.
—Boa noite, mãe.
Me deito, dormindo logo.
Acordo de noite, mas me encontro novamente no quarto do meu outro sonho, que não é tão diferente do quarto da minha mãe. Me levanto para tentar me localizar, então eu avisto uma janela perto de onde estou e vou até lá. Dela dá para ver o céu e a lua cheia, que deixa a noite tão linda e romântica. Fico lá admirando a beleza da lua, quando sinto um toque gelado em meu ombro.
—Cindy?
Eu reconheço aquela voz e aquele cheiro, só podia ser o Alec. Me viro e vejo que estamos meio passo de distância.
—O que você queria me dizer mesmo?
—Que eu vou embora. –O que? Por que eu estou falando isso? Não é para eu o beijar antes de ir? Mas eu falo a verdade, eu vou mesmo embora e se acontecer alguma coisa entre nós, só vai piorar a situação.
—Por que tão cedo?
—Essa não é minha vida, eu estou acostumada a viver na floresta, a me transformar em loba e não em beber sangue de vários humanos inocentes que vem a passeio.
—Mas, e nós?
—Nós? Nunca houve nós! –Falo com um aperto no peito.
—É verdade, ainda não houve nós. –E se aproxima de mim, para me beijar.
Acordo assustada de novo e me sento na minha cama para tentar respirar um pouco.
—O que foi filha? –Pergunta minha mãe se sentando ao meu lado.
—Nada, só tive um sonho... que se tornará realidade.
Ela me abraça como se eu voltasse a ser criança e fala para mim.
—Calma, está tudo bem. Eu estou aqui.
—Mãe, eu estou bem. –Falo sorrindo de leve.
—Desculpa, de vez em quando eu esqueço que você não é mais uma criança.
—Mas de vez em quando é bom voltar a ser criança. –E eu deito abraçada com a minha mãe e durmo com ela, uma coisa que eu não faço há muito tempo, mais de dez anos.
Acordo de manhã, mas não dá para saber que horas são, pois a cortina está fechada. Me levanto e reparo que estou sozinha no quarto. Pego minha bolsa e vou ao banheiro para me arrumar. Troco de roupa, coloco um vestido de frente única de cor bege com um cinto marrom e uma sapatilha marrom com dourado, escovo os dentes e penteio o cabelo, deixando ele solto. Quando volto para o quarto, encontro Alec sentado na cama, olhando para mim.
—Você já vai embora?
Eu coloco a bolsa do lado da porta do banheiro e vou até a cama, me sentando ao lado dele.
—Sim, eu vou hoje mesmo.
Ele se vira para mim e segura a minha mão.
—Por quê?
—Por que esse não é o meu lugar. –Me viro para olhar seu rosto. –Meu lugar é na floresta, ao ar livre para eu poder me transformar em loba quando quiser.
—Eu preciso falar uma coisa que eu tentei falar ontem, mas não consegui. –Ele se aproxima como faz nos meus sonhos, mas dessa vez não dá tempo de me beijar, pois alguém bate na porta. Eu me afasto.
—Vou ver quem é. –Quase! Chego à porta e a abro. É a Jane, talvez queira falar com seu irmão. –Oi, Jane, tudo bem?
—Tudo e você?
—Estou bem. –Falo e saio do caminho da porta. –Quer entrar?
—Obrigada, mas Aro quer falar com você. Ele está te esperando na sala principal. –Ela se vira e sai andando.
Eu me viro para o Alec e o encontro mais próximo do que esperava, ele está bem na minha frente.
—É melhor nós terminamos a conversa depois. –Diz ele, apontando para a porta. –Primeiro as damas.
Eu passo e o espero no corredor. Passamos por uma pequena sala de recepção, entramos no elevador e saímos numa sala de recepção onde Diana, que foi transformada em vampiro pelo Aro, está sentada em sua mesa.
— Buon giorno, Cindy.
—Buon giorno, Diana.
Entramos na sala onde Aro me espera sentado em sua cadeira, do seu lado estão Caius e Marcos, Wendy está do lado de minha mãe, que está de pé ao lado das cadeiras.
—Buon giorno, Cindy, como está?
—Estou bem e você?
—Estou bem. –Ele muda de posição na cadeira, e segura as mãos repousadas no colo. –E então, o que decidiu sobre o convite?
—Desculpe, mas terei que falar não. Essa não é minha vida, eu não bebo sangue humano. E, além disso, não tem como eu me transformar aqui e não ser percebida, aqui é uma cidade grande, não tem florestas por perto. –Quando paro de falar vejo que Aro e os outros, incluindo Jane ao seu lado estavam de boca aberta. Eles estavam bem confiantes de que eu aceitaria o convite para ficar mais tempo com a minha mãe, mas eu não penso só nisso. Penso em vários outros fatores.
—Então essa é sua decisão? –Não respondo, só balanço a cabeça. –Tudo bem, mas é um desperdício não aproveitar o seu dom. –Estranho como ele aceita a minha negativa tão fácil, geralmente ele força as pessoas a fazerem o que ele quer. Me preocupo imaginado o que ele pode estar planejando, mas não posso fazer nada além de esperar o que pode acontecer. –Vou mandar que providenciem as passagens. Renesmee, você irá junto? – Continua ele.
—Sim, eu estava pensando em ficar lá alguns dias.
—Claro, se você quiser pode ficar uma ou duas semanas.
—Obrigada. Vou arrumar as coisas.
—Tudo bem, pode ir.
Minha mãe faz sim com a cabeça e olha para mim antes de ir até a porta, eu vou atrás. Nós duas olhamos para dentro antes dela fechar a porta e vamos para o quarto pelo mesmo trajeto que eu fiz para vir até aqui.
Minha mãe arruma a mala rapidamente e coloca um vestido preto que parece veludo de alcinha decotado. Assisti tudo sentada. Ela está até mais alegre, quase saltitando de alegria ao andar.
—Vou ver que horas é o vôo. –Ela diz saindo do quarto.
Alguns minutos depois que ela saiu, escuto batidas na porta e vou ver quem é. Alec. Ele veio novamente falar comigo, é verdade ele gosta mesmo de mim.
—Entra.
Ele entra e se senta na cama, eu fecho a porta e vou me sentar ao seu lado.
—Você já deve imaginar sobre que vim falar, mas mesmo assim vou falar. –Ele respira fundo e se vira para olhar para mim. –Eu te amo.
Isso me pega de surpresa e faz meu coração bater mais alto e descontrolado, e eu sinto minha bocejas corando. Eu respiro e olho para ele, que está muito próximo. Ele aproveita esse momento para segurar o meu rosto e me beijar, aquele beijo foi delicado e curto. Logo ele se afasta e olha para mim.
E mais uma vez eu fui surpreendida, respiro fundo e me preparo para falar.
—Eu também te amo, mas não vou ficar. Então seria mais fácil para nós dois, se não acontecesse nada entre nós. –Falo e me levanto indo até a porta, a abro e vejo que minha mãe está vindo. –Tenho que ajudar a minha mãe.
Ele logo entende o que eu quis dizer e se levanta com uma cara meio triste e chocada com a minha atitude. Então ele olhou novamente nos meus olhos e isso partiu meu coração. Eu queria correr atrás dele e pedir desculpas, mas sabia que só iria magoá-lo mais. E eu sentia lá no fundo, que deixar ele era o certo a se fazer, mesmo não querendo.
Minha mãe passa por ele para entrar no quarto e se vira para trás para vê-lo partir.
—O que houve com ele? –Pergunta se virando para mim. Eu também estou com a cara triste, pois desmoronei quando vi os olhos dele. –Quer dizer, o que houve com vocês?
—Nada, foi por isso que ele saiu triste. Ele tinha se declarado pra mim, então eu falei que também gostava dele, mas que não ia acontecer nada entre nós, pois eu ia embora. –Termino respirando fundo, como se estivesse segurando as lagrimas.
Minha mãe vem me abraçar e nos leva até a cama, quase me sentando em seu colo.
—Oh, querida, porque você se tortura desse jeito? Por que você não fica com ele? –Fala me abraçando mais apertado. Eu a abraço também.
—Não sei por que, mãe, mas sinto que é o que devo fazer. Ir para casa e não ficar por causa dele. –Falo e sinto que é verdade, mas mesmo assim começo a chorar. Ainda gosto dele.
—Então, está bem, querida, mas se precisar de um ombro pode sempre contar comigo. –Ela me solta após um tempo. E logo em seguida ouvimos batidas na porta.
Minha mãe vai abrir a porta. Enquanto isso eu limpo o rosto, não quero que ninguém me veja chorando.
—Oi, Wendy, pode entrar. Tudo bem? –Diz minha mãe educadamente para Wendy que já está entrando com sua bolsa na mão.
—Tudo e você, Renesmee?
—Também estou bem.
—O que houve com você? –Ela vem até mim e se senta a meu lado. Eu ainda estou com cara de quem chorou, eu vi no espelho do banheiro. –Você está bem?
—Estou! –Dou um suspiro audível e olho para baixo, sentindo uma mão gelada em meu queixo, o levantando.
—O que foi? Pode falar para mim!
—Ela gosta do Alec e ele gosta dela, mas ela sente que não pode ficar aqui, nem para ficar com ele. Ela está meio triste por isso. –Eu olho para a minha mãe boquiaberta e vejo que Wendy também a olha meio surpresa.
—Então, você está assim por causa de um garoto? –Concordo e ela me abraça carinhosamente.
—Logo vamos partir para Forks, vou terminar de arrumar as minhas coisas. – Diz minha mãe indo para o guarda-roupa. Eu me solto de Wendy e vou até o banheiro arrumar minha roupa amassada, dou uma penteada no meu cabelo bagunçado e lavo bem o meu rosto. Depois olho no espelho. É, está bem melhor assim. Penso olhando para o rosto no espelho que não parece ter chorado tanto. Saio do banheiro e vejo que as duas estão prontas na porta me esperando.
—Vamos? –Minha mãe olha para mim.
—Vamos! -Digo indo até elas e nós três fomos para a saída dos fundos do castelo, onde Aro e os dois irmãos nos esperam.
—Viemos falar adeus.
—Adeus, Aro. –Wendy se despede primeiro.
—Adeus, Wendy, estou esperando sua visita. –Diz ele pegando a mão de Wendy para beijá-la.
—Adeus, Alec e Jane. –Olha para eles, que fazem um sinal com a cabeça e se vira para sair.
—Adeus, Aro. –Digo sentindo o meu coração se apertar contra meu peito.
—Adeus, querida, se mudar de ideia é só vir, estaremos te esperando.
—Adeus, Jane e Alec! –Olho para eles, tentando focar só em Jane, se eu vir o Alec não aguentaria mais segurar as lagrimas. Ela faz um sinal com a cabeça e eu me viro para sair. Eu saio, escutando a minha mãe se despedir deles e vou para o carro, onde Wendy já nos espera sentada no banco de trás. Entro e me sento no banco do motorista. Logo em seguida minha mãe se senta ao meu lado. Olho de relance para a porta por onde saí e vejo Alec também olhar em minha direção, abaixar a cabeça e entrar com a expressão fria, sem sentimentos. Ligo o carro e começo a dirigir em direção de onde eu aluguei o carro, que é perto do aeroporto, para irmos de volta para Forks.
E esse pensamento me faz me sentir mais tranquila, talvez meu lugar seja lá mesmo. Eu dou um leve sorriso com o pensamento de que tudo vai melhorar e um dia eu irei esquecê-lo e ele irá me esquecer.
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