Escolhas
5 Um encontro especial.
Chegando ao aeroporto, minha família está nos esperando, até o meu pai está lá no canto. Quando ele me vê vem até mim antes de todos e me abraça.
—Filha, eu estava com muitas saudades de você.
—Eu também estava com saudades de você, pai.
—E de mim, você não está com saudades?
Meu pai olha sobre o meu ombro, surpreso por ouvir a voz de minha mãe. Eu o solto para que ele vá falar com ela. Meu pai vai até minha mãe e a abraça.
—Claro que eu senti sau... -minha mãe o beija, não deixando terminar o que ia falar. Então eu me viro e vou falar com os outros.
Meu avô e minha avó vêm primeiro e me abraçam.
—Estávamos com saudades, querida. –Diz a minha Bella pelos dois, então me soltam.
Logo em seguida vêm meus bisavós e meus tios. Falando que estavam com saudades. Quando todos acabam de me dar abraços, eu só quero uma coisa: ir para casa. E isso me faz sentir um frio na barriga, como se algo fosse acontecer.
Vou até os meus pais, minha mãe acabou de falar com todos e agora quem está sendo recebida é Wendy. Meu pai está abraçando minha mãe pela cintura e não a solta por um segundo.
—Vamos para casa? –Pergunta ele para nós duas.
—Ah, vamos. –Diz minha mãe alegre com alguma coisa, que eu nem me interesso em saber o que é.
—Vamos. –Falo dando de ombros. Vamos juntos para a Ferrari preta que meus pais ganharam do meu avô de casamento. Entramos no carro e partimos a caminho de casa.
Antes de ir para casa, é preciso parar na casa do meu bisavô para guardar o carro na garagem, enquanto meu pai faz isso eu saio do carro e vou para casa correndo. Em casa, vou direto para o meu quarto e me deito, dormindo rápido.
E novamente eu acordo naquele quarto de meu antigo sonho. Só que quando eu me sento reparo que tem alguém na janela, olhando para fora. Eu olho diretamente para a figura, mas não consigo identificar quem é, porque ele está de costa. Então me levanto e vou até ele, ficando surpresa quando descubro que é Alec. O que ele faz aqui depois do que eu fiz? Será que ele não desistiu? Paro de me fazer perguntas e procuro o que ou quem ele está olhando pela janela.
—O que foi? –Pergunto ainda olhando pela janela.
—Você vai embora para encontrá-lo, não vai?
—Encontrar quem?
—Aquele do outro lado da praça! –Ele aponta e eu sigo o seu dedo para ver quem é, mas mesmo tendo uma ótima visão no escuro, eu não consigo ver o seu rosto. Que estranho, eu só consigo ver uma figura negra.
—Mas eu nem o conheço!
—Você irá conhecer quando partir. –Ele fala, mas não dá tempo de fazer perguntas, pois eu acordo logo em seguida.
—Eu tenho que parar de ter esses sonhos! – Me levanto ainda com sono e vou até o corredor encontrando a luz dos meus pais acessa, mas eu nem penso em nada, só vou até o banheiro. Lavo meu rosto e vou para a pequena cozinha improvisada para beber alguma coisa. A porta da cozinha é do lado do corredor. Ela foi reformada quando minha mãe se casou com meu pai.
Bebo um suco de maracujá e vou para sala me sentando um pouco no sofá. Mas como eu não consigo me distrair aqui em casa, decido ir até o penhasco.
Chegando lá me sento na rocha e fico olhando para o mar, respirando fundo para sentir o cheiro salgado da água.
—Você também não consegue dormir?
Quando eu ouço essa voz, eu travo. Só penso em me defender de um estranho que me pegou de surpresa, mas quando me viro, dou de cara com um moço de mais ou menos um metro e oitenta, cabelo castanho escuro e olho castanho esverdeado. Reparo que é forte por que ele está sem camisa, mostrando assim o seu “tanquinho”. Enquanto reparo no seu físico, eu sinto algo que eu nunca tinha sentido em minha vida, algo novo, diferente e que faz com que noventa e cinco por cento dos meus pensamentos tenham o rosto desse estranho que eu acabei de conhecer. Imprinting. Eu senti imprinting por ele, como meu pai sentiu pela minha mãe. Então eu decido que devo pelo menos saber o seu nome.
—Eu te assustei? Desculpa!
—Tudo bem. Eu me assusto à toa quando estou perdida nos meus pensamentos. –Eu me levanto e vou até ele, estendendo a minha mão. –Meu nome é Cindy!
—O meu é Justin! –Ele pega a minha mão e a beija. –Finalmente eu conheci a filha do Jake. –Ele solta a minha mão, como se lembrasse que a está segurando.
Eu sorrio e vou me sentar. Fico olhando para o mar, esperando ele vir se sentar também.
—Posso me sentar com você? –Pergunta ele se aproximando de onde eu estou sentada.
—Pode, claro. –Eu espero ele se sentar. –Faz quanto tempo que você chegou à cidade?
—Três dias à trás, mas não conheço quase nada aqui.
—Se você quiser, eu posso lhe mostrar La Push.
—Quero sim. Pode ser agora? –Ele nem tinha acabado de se sentar direito e já estava de pé quando fez essa pergunta.
—Pode. Vamos lá. –Quando vou me levantar ele me dá sua mão me ajudando. –Obrigada!
—De nada.
Eu sorrio para ele e deixo minha mão na dele, enquanto andamos sob luz da lua pela pequena La Push. Nós paramos em todo lugar para eu poder falar sobre ele. Quando chegamos na frente de minha casa, eu me sento no tronco e ele vem se sentar comigo.
—Você é lobo há quanto tempo?
—Faz um mês. –Ele olha para o meu rosto. –E você, é loba há quanto tempo?
—Já faz uns três anos.
—Três anos?
—É, eu tinha dezessete quando me transformei, agora eu tenho vinte.
—Eu tinha dezessete quando me transformei e agora eu ainda tenho dezessete. –Ele sorri com sua afirmação e eu também sorrio, até que eu escuto um barulho em casa.
—Tenho que ir! –Falo me levantando, ele também se levanta. Antes de eu me virar para entrar, eu chego mais perto dele para lhe dar um beijo no rosto, mas ele se vira bem nesse momento, fazendo com que eu lhe desse um selinho. Eu me afasto rapidamente sentindo minha bochecha corar.
—Desculpa! –Diz ele.
—Tudo bem. Boa noite!
—Boa noite!
Vou até a porta a abrindo, me viro e o vejo indo embora.
—Onde você estava mocinha? –Escuto minha mãe falando e pela segunda vez nesse dia, eu me assusto. Então me viro.
—Passeando por aí, mãe.
—Ela gosta de passear à noite. –Diz meu pai vindo para a sala.
—Quem era aquele moço?
—Era o Justin.
—Ah, você conheceu o novo lobo da matilha! –Fala meu pai se aproximando de minha mãe e a abraçando pela cintura de novo. –Têm dois lobisomens novos na matilha, ele e seu irmão mais velho Jack. Jack sentiu imprinting pela Leah e ela por ele, então você vai ver eles juntos.
—Eu só estava mostrando La Push para ele. –Penso em uma forma natural de dizer que acabei de sentir imprinting por um desconhecido, mas lembro que meu pai também passou por isso e que deveria entender minha situação. E... eu senti Imprinting por ele. – Falo pausadamente. Meus pais ficam quietos por um longo minuto.
—Bem, não posso ficar muito surpreso, por que sabia que um dia isso ia acabar acontecendo, mas ainda assim, parece tão cedo. –Diz meu pai.
—Querido, você sentiu imprinting por mim quando eu era um bebê e meus pais compreenderam e aceitaram isso. Agora é nossa vez de apoiar nossa filha.
—Obrigada, mãe! –Falo sorrindo e a abraçando, e então meu pai nos abraça.
—Só promete que não vai esquecer de nós. – Fala meu pai.
—É claro que não, pai. Eu amo vocês!
—Também te amamos, filha! –Diz minha mãe.
Nos soltamos e minha mãe volta a falar.
—Então foi por isso que você não queria ficar em Volterra, por que algo a puxava para cá.
—É, foi por isso que eu ficava perto da Bella.
—Não, você ficava perto da minha mãe por que você gostava dela.
—Então, foi por isso que eu gostava dela, por que eu tinha que ficar por perto para te conhecer.
—Boa noite, mãe! Boa noite, pai! –Me viro e vou para o meu quarto. Eles iam demorar um pouco e eu estava começando a ficar com sono.
Me deito e fico pensando um pouco. Antes eu era como uma adolescente se apaixonando pela primeira vez, mas agora era diferente. Não é paixão, nem amor o que sinto por Justin. É algo que parece me prender para sempre a ele, claro que me prender de uma forma boa, como nos contos de fada.
Dou um sorriso com esse pensamento, mas me lembro de Alec e de como ainda sinto algo por ele. Talvez amizade ou simpatia, mas mesmo assim sei que quando ele descobrir de Justin vai ficar chateado e isso, também me deixará triste. Agora que encontrei a felicidade também quero que ele encontre. Acabo dormindo enquanto penso, mas desta vez um sono tranquilo.
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