Escolhas
7 Ameaça.
Minha tia está se aproximando.
—Você se arruma e vem ficar aqui na floresta? Vamos entrar. Venha.
—Está bom. –Falo soltando Justin. E então vamos atrás dela, de mãos dadas.
Justin e eu vamos até o meu bisavô, para lhe dar os parabéns e os presentes. Ele adora o quadro e decide ir pendura-lo, Aro vai com ele para conversarem a sós. Wendy vem falar com a gente, ela está com um vestido vinho longo.
—Oi, Cindy, tudo bem? Você está linda.
—Estou bem e você? Obrigada, você também está linda.
—Obrigada!
—Este é Justin. –Falo segurando em seu braço.
—Oi, prazer em conhecê-la.
—Prazer, meu nome é Wendy.
Mas logo ela vai falar com a minha avó, elas parecem ter virado amigas. Depois ficamos conversando a festa inteira, quando a festa ia acabar, saímos de novo, só que dessa vez vamos um pouco mais longe, para o penhasco em La Push. Onde tínhamos nos conhecidos. Nos sentamos e ele passa os braços pelo meu ombro.
— Agora somos namorados?
—Acho que sim. –Digo o beijando. Esse beijo é demorado.
—Foi aqui que nos conhecemos.
—Nossa, você fala como se isso tivesse acontecido a um mês atrás e não a um dia.
—Eu sinto que te conheço há um mês.
Nos beijamos de novo e ficamos olhando as estrelas por um tempo, até que eu percebo que está muito tarde. A festa terminou tarde, mas nós ficamos aqui por mais ou menos uma hora.
—Tenho que ir, está ficando muito tarde.
—Você já vai?
—Vou. Mas você pode me acompanhar até lá.
Ele sorri e se levanta, oferecendo-me a sua mão. E assim, de mãos dadas, nós vamos até a porta de minha casa. Abro a porta, não encontrando ninguém na sala. Meus pais devem estar dormindo. Viro-me para Justin.
—Boa noite! –Eu o beijo.
—Boa noite!
Eu entro e fecho a porta devagar para não acordar meus pais. Vou para o meu quarto e me troco, dormindo rápido.
Eu sonho que estou dançando com o Justin a luz da lua. Só nós dois em um lugar lindo. Acordo alegre por causa do sonho e me arrumo rápido para sair. Passo na cozinha e como uma fruta.
Onde será que estão os meus pais? Eles devem estar na casa do meu bisavô.
Saio de casa e vou para a casa do meu bisavô, entrando pela janela. Na sala, estão os meus pais e os Volturi e também, meu avô e minha avó, só que observam tudo do canto.
—Cindy, eu estava te aguardando. Você mudou de idéia sobre ser uma Volturi? –Aro diz ao me ver entrar no cômodo.
—Não, me desculpe, mas eu vou continuar com a resposta negativa.
—Podemos conversar a sós? –Pergunta meio frio, mas tentando disfarçar aos olhos dos outros. Ele não deve estar gostando de ver nossa família crescendo tanto e com o apoio de mais lobos.
Eu olho para todos que começam a sair sem reclamar, deixando apenas eu e Aro na sala.
—A sua escolha tem algo a ver com o seu namorado? Por que se tiver vou ter que fazer algo para mudar isso. – Diz neutro, sem demonstrar expressão nenhuma.
—Não, a minha escolha... – Paro bruscamente quando percebo o que quer dizer. – O que você faria?
—Eu faria ele deixar você ir. –Seu rosto sem expressão dá lugar a um sorriso maléfico.
—Deixe-me ver se entendi. Você está ameaçando meu namorado para eu ir com vocês? –Digo, não acreditando como ele podia ser tão frio.
—Eu sempre soube que você é esperta. –Ele se aproxima de mim, colocando a boca perto de meu ouvido. –Cindy Volturi. Você não acha que combina?
Eu me afasto dele e o fito, tendo um vislumbre daquilo que deve ser seu plano, ele deve querer ter uma loba como aliada e talvez assim, consiga outros. Ia ser o grupo mais forte de vampiros e assim, teria o controle sobre todos.
—Não, não acho que combina muito. – Eu quero provocá-lo, mas ao ver sua expressão e seu olhar sem vida percebo que ele é capaz de fazer qualquer coisa para conseguir o que quer e temo pelos que eu amo.
—Você se acostuma, querida. –Diz encostando a mão no meu ombro. Ele vai até a porta e se vira para mim. –Vou caçar! Você quer ir? Assim você pode se acostumar com isso também.
Eu viro de costas e saio andando furiosa, ouvindo sua risada ao pular pela janela. Corro pela floresta torcendo para não encontrar ninguém. Vou para o local onde sabia que ia ficar mais tranquila, um lugar onde poderia pensar com calma no que iria fazer. Na floresta ao norte da casa de meus avós, quase ninguém ia lá.
Passa meia hora enquanto eu penso, até que eu escuto alguém se aproximar e percebo que é Wendy. Ela vem até onde eu estou sentada e se senta ao meu lado na rocha. Hoje o dia está nublado, então ela não brilha.
—Ontem você parecia alegre. Esqueceu do Alec?
—Não completamente, mas agora eu não penso nele como antes, agora eu amo o Justin.
—Como isso foi acontecer tão rápido? –Pergunta confusa e percebo que não expliquei a ela como funciona o ‘imprinting”, na verdade, faz tempo que não conversamos direito.
—Eu senti imprinting por ele. Meu pai sentiu isso pela minha mãe. É como se fosse amor a primeira vista, só que mais forte. Como se não fosse mais a gravidade que te segurasse aqui, mas sim a pessoa.
Ela ainda tem uma expressão confusa, mas não faz mais perguntas.Ainda bem, pois é bem difícil explicar o que se sente em um imprinting.
—O que Aro te disse?
Eu respiro fundo me lembrando do que Aro falou que faria se eu não fosse uma Volturi. Já que Edward, Alice e nem Bella iriam ser um deles, eles queriam pelo menos ter eu e minha mãe.
—Aro quer que eu entre para os Volturi, se não, ele deixou bem claro que machucaria Justin.
—Eu vou com você, eu vou ser uma Volturi.
—Você não precisa ir comigo. Eu não ia te pedir isso.
—Agora não tem mais jeito. Eu já falei com eles logo que Edward percebeu o que aconteceu na sala.
Eu a abraço.
—Obrigada! Você está sendo uma grande amiga. –Eu a solto para olhá-la. –Mas e se você não quiser mais ser uma deles? O que você vai fazer?
—Acho que eu vou fugir de novo. Talvez funcione mais uma vez.
Nós rimos juntas e ela saí para arrumar as coisas dela para a viagem. Mas eu ainda não sabia como dar essa notícia para Justin. Me levanto e vou até La Push, quero falar com Justin primeiro e eu sabia que encontraria ele no penhasco. Me sento na rocha de sempre e fico esperando ele lá. Até que ouço alguém se aproximar e sinto seu cheiro. Justin. Penso o seu nome triste.
—Parece que só nos encontramos aqui. –Ele diz sorridente e vem me beijar. Eu o abraço pelo pescoço. Então, ele se afasta um pouco para me ver e vê uma lagrima escorrer pelo meu rosto. –O que aconteceu? –Ele me abraça.
—Eu vou ser uma Volturi.
—Eu pensei que você não quisesse ser uma Volturi.
—Eu não quero, mas estou sendo obrigada.
Ele me solta e segura meu rosto com delicadeza.
—Obrigada? Por quem?
—Pelo Aro. Se eu não for, ele disse que iria fazer uma coisa horrível.
—Não precisa temê-lo. Nós podemos pensar em algo.
—Não, não podemos. Ele é capaz de fazer coisas que nem poderíamos imaginar. –Digo segurando a sua mão em meu rosto. –E além disso eu só vou ficar lá por alguns dias. Eu prometo. Vou pensar em algo para que ele me deixe voltar para casa.
Ele pega a minha mão para beijá-la.
—Eu vou com você.
—Não, fique. Eu vou ficar bem.
—Então, me prometa que não vai fazer nada perigoso.
—Prometo.
— E me avise quando você for. Quero lhe dizer adeus.
—Vou avisar. –O beijo, me demorando um pouco. –Mas agora tenho que ir.
—Até mais.
Eu saio de lá e vou para a minha casa. Precisava arrumar as malas para viajar e dessa vez eu não ia só ficar dois dias.
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