Escolhas

8 Viagem forçada


De tarde, descido que tenho que tomar coragem e sair do quarto. Vou para cozinha comer alguma coisa e encontro meus pais sentados à mesa.

—Querida, onde você estava? –pergunta minha mãe.

—Na floresta, pensando um pouco.

—Nós sabemos o que Aro fez. Vamos dar um jeito nisso. –Diz meu pai.

—Não podemos. Mãe, você me entende, sabe que eles não ameaçariam os Cullen, mas os lobisomens... os Volturi já os extinguiram uma vez.

—Está bem. Eu vou com você. –Diz minha mãe.

—O que? – Meu pai pergunta.

—Não, mãe, Aro te deu um tempo para ficar aqui. E além disso, Wendy vai comigo.

—E você confia nela? –Pergunta meu pai. –Por que eu não confio.

—Pai, Carlisle confiou nela um dia. Quero dar mais uma chance para ela.

Eles se olharam e deram as mãos concordando comigo. Fizemos um lanche da tarde como uma família normal, conversando e rindo, mas o mais importante, juntos. E por um momento nos esquecemos do que ia acontecer, da minha viagem para a Itália.

Volto para o meu quarto e termino de arrumar as malas. Me sento na cama e penso em descansar um pouco, já que o voo só sairia de noite. Deito um pouco, mas depois de me virar algumas vezes, desisto e me levanto. Saio de casa, falando para meus pais que ia dar uma volta e vou até La Push, até a casa de Justin. Chegando a sua porta, bato três vezes e espero até que seu irmão, Joseph a abre.

—Oi, Cindy, meu irmão está lá em cima. Quer que eu o chame?

—Não. Posso subir?

—Claro, pode ir lá. Eu vou sair. –Diz saindo pela porta e antes de fecha-la atrás de si, complementa. – Primeira porta a esquerda.

Me vejo dentro da casa de Justin pela primeira vez, é pequena, mas confortável. A sala tem dois sofás, uma porta que vai acho que para a cozinha e uma escada em direção aos quartos. Vou até ela e subo indo até a primeira porta a esquerda. Bato nela e espero resposta.

—Entra, Joseph!

—O Joseph saiu. –Falo e logo que eu termino a porta se abre.

—Cindy. –Fala e me abraça. –Venho me propor para fugirmos juntos?

—Não, vim me despedir.

Ele fica triste e me abraça mais forte.

—Assim parece que você não vai voltar.

—Eu prometi que ia, lembra?

Ele acente com a cabeça e me beija delicadamente, suas mãos em minha nuca.

—Você vai viajar hoje?

—Sim, vamos à noite.

—Então fique aqui até a hora de ir.

—É o que eu estava pensando.

Continua me beijando enquanto faz as perguntas e agora, me empurra em direção a porta, aproximando nossos corpos. Passo os braços pelo seu pescoço e ele me segura pela cintura. Então, me levanta em seu colo e começa a me levar para mais perto da cama. Me coloca de pé no chão e eu começo a tirar a sua blusa. Ele segura a minha blusa e começa a levanta-la de vagar, até que ouvimos batidas na porta.

Nos separamos sem querer realmente fazer isso e depois de nos ajeitarmos, descemos juntos para ver quem é. Justin a abre a porta e encontramos Seth do lado de fora.

—Oi, Justin. A Leah está aí com Joseph?

—Não. Meu irmão acabou de sair. Quer entrar?

Ele olha para nós e responde.

—Não, obrigado. Não quero atrapalhar.

—Pode entrar, Seth. –Fala Justin.

—É verdade que você vai para Volterra? –Pergunta para mim, enquanto vamos nos sentar no sofá.

—Sim. Mas não vou ficar por muito tempo. Vou dar um jeito.

—Que não seja perigoso. – Completa Justin.

—Claro, um jeito que não seja perigoso. –Repito.

Seth sorri, mas ao mesmo tempo parece triste.

—Não podemos fazer nada?

—Não. É melhor eu ir e mostrar para ele que talvez ele não me queira de verdade no seu clã.

Dou um sorriso e percebo que Justin fica preocupado e Seth também nota.

—Prometo que não vou me meter em encrencas. –Falo, olhando para Justin.

—Parece o Seth falando, mas ele nunca cumpre.

—Haha. Não estou mais me metendo em encrencas.

Damos risadas e conversamos por um tempo. Então Seth descide ir embora e nos deixa sozinhos de novo.

—E então, onde paramos antes de Seth entrar? –Me pergunta sorrindo.

—Acho que eu lembro.

Beijo ele e quando percebo, estou em seu colo. O beijo começa a ficar mais demorado e então, meu celular toca. Eu o pego no bolso e atendo.

—Alô?!

—Oi, Cindy. –Diz minha mãe. –Onde você está? É bom você terminar de se preparar, Os Volturi querem partir mais cedo.

—Está bem. Já estou indo. –Desligo o telefone e o coloco de volta no bolso. –Querem sair mais cedo, então tenho que ir.

—Que pena.

Eu o beijo, então nos levantamos e vamos em direção a porta.

—Você não vai me levar até lá?

—Claro que vou. –Ele segura a minha mão, enquanto vamos em direção a minha casa.

Chegando em casa, minha mãe está a minha espera na porta.

—Oi, Justin! –Diz minha mãe.

—Oi, senhora Black.

—Pode me chamar de Renesmee.

—Claro, Renesmee.

Meu pai também aparece na porta e fala.

—Oi, Justin.

—Oi, Jake.

—Vamos pegar as suas coisas no quarto. –Diz minha mãe e deixamos os dois conversando.

Entramos no meu quarto e vou direto em direção a mala, para conferir que peguei tudo. Minha mãe encosta a porta e vem me ajudar.

—Você estava na casa dele?

—Sim, por que? –Então percebo o que ela poderia estar pensando. –Ah, não. Não estávamos sozinhos, Seth ficou conosco.

—Ah... Sabe, não que seja errado vocês ficarem sozinhos, também passei por isso, mas pode falar qualquer coisa para mim. Você sabe, não é?

—Sei, mãe. –Falo sorrindo. -Acho que já arrumei tudo. –Olho ao redor para ter certeza e então, afirmo. –Já estou pronta.

—Então, já podemos ir para casa dos seus avós. Eles querem te ver antes de você ir.

Pego as malas e saio do quarto junto de minha mãe. Quando saímos de casa encontramos o meu pai e o Justin conversando sentados no tronco. Eles se levantam ao nos ver.

—Vamos? –Pergunta meu pai, olhando para minha mãe.

—Sim.

Justin pega as malas de minha mão. Vamos para a casa de meus avós onde todos nos esperam na sala. Dá para sentir a pressão no ar. Como da última vez todos vieram falar adeus e me abraçaram. Abraço os meus pais e falo que não é para eles se preocuparem comigo e dou um último beijo em “meu namorado” repetindo que eu ia voltar logo. Vou para o carro e me sento no banco de trás ao lado Wendy. Os Volturi estão em outro carro. Meu bisavô, Carlisle e minha bisavó, Esme estão no banco da frente. Vamos em silêncio até o aeroporto onde meus bisavós nos dão um adeus e vão embora. A viagem de avião parece ser mais entediante desta vez, Wendy e Jane se sentam ao meu lado. Converso um pouco com Wendy, mas logo acabo dormindo e quando acordo, não é mais Jane que está sentada ao meu lado e sim seu irmão, Alec.

—Sinto muito por você ter que deixar seu namorado.

Olho para ele e respondo:

—Sente mesmo? –Falo séria e vejo tristeza em seus olhos. –Sinto muito. Não deveria descontar em você.

—Tudo bem. Sou praticamente cumplice de tudo por fazer parte do clã, não é mesmo?

—Não acho que seja igual a eles. –Falo baixo.

Ele dá um sorrisinho. Percebo que ele tem um livro em mãos.

—O que está lendo?

—É um livro de poesias.

—Legal. Poderia ler uma para mim?

—Claro. –Responde e logo escolhe uma para ler. Enquanto o escuto, como alguma coisa e fico pensando no que diz, principalmente em uma frase de Maquiavel.

"Os homens quando não são forçados a lutar por necessidade, lutam por ambição."

Chegando ao castelo Volturi, Aro me fala que poderia ficar com o quarto de minha mãe por enquanto, como se eu fosse precisar de um quarto só meu, ele pode até não saber, mas não planejo ficar por muito tempo. Wendy fica no quarto ao lado.

Entro no quarto e coloco as malas no chão, não queria ter que desfaze-las e guardar as coisas no guarda-roupa. Assim, ia parecer que ia ficar por muito tempo e não penso em fazer isso.

Como já é tarde, vou me deitar. E demoro até cair no sono. Não conseguia parar de pensar no Justin. Ou em como eu fui parar aqui. Este lugar não me deixava confortável, não sentia que estava em meu lugar e então, me lembro de minha mãe e em como ela deve ter sentido o mesmo.

Quando consigo dormir, tenho um pesadelo. Eu estou em uma rua escura, uma coisa que não me assusta geralmente. Mas que agora me tira o fôlego.

Entro em um beco procurando alguém. Talvez o Justin. Mas quando chego ao final, percebo que estou de volta a mesma rua escura. Então, ao olhar para trás vejo Aro. Da onde ele veio? Pergunto-me.

—Procurando alguém, Cindy? –Ele chega mais perto. –Se for o cachorro, os Volturi darão um jeito nele. –Diz friamente, com um sorriso no olhar.