Notas iniciais
Vamos a mais um experiência, por favor, me informe se vocês curtem.

Hermione sorriu para os pais, passou as mãos pelo vestido amarelo que ia até seus joelhos e se sentou no banco da igreja, cumprimentou a todos de longe e baixou a cabeça constrangida quando recebeu alguns acenos de cabeça de meninos. Esperou pacientemente o padre começar a dar o seu sermão.

A garota adorava domingos, pois assim que a missa acabava ela ia com os pais até o parque da cidade, andavam por um tempo, discutindo sobre os estudos da menina e voltavam para a casa, onde Hermione se enterrava em seus livros acadêmicos.

—Temos uma surpresa para você, iremos dar uma volta de carro ao invés de ir ao parque. – Seu pai falou lhe abrindo um sorriso que ela devolveu minimamente e logo desviou o olhar.

—Obrigada, papai. – Agradeceu e sentiu o aperto de sua mãe em seu ombro e um sinal de que fez tudo certo.

Eles entraram no carro em silencio, logo Alfred começou a dirigir, eles trocaram rápidos olhares, quando ele sorriu brevemente ela se sentiu aliviada, sabia que seria algo bom, sentiu a mão pesada de seu pai em sua coxa direita e viu a divisória sendo subida.

—Desculpe, papai. – Sussurrou se virando para a janela, tinha errado novamente.

Chegaram uma hora depois, a garota tentou ao máximo segurar qualquer expressão dentro de si, mas ela estava maravilhada demais com a construção que enxergou ao longe.

—Estamos indo ao circo? – Perguntou animada abrindo um sorriso amplo.

—Se comporte, querida. – Sua mãe falou abrindo um sorriso também.

Logo eles desceram do carro e começaram a cumprimentar os cidadãos de sua pequena cidade, seu pai era o grande e bondoso prefeito, que tinha uma família honrada e respeitada.

—Dê uma volta pelo lugar, quero você as seis em ponto dentro da tenda, eu e sua mãe iremos conversar com alguns sócios. – John Granger rosnou e sorriu quando a filha rapidamente saiu.

—Vamos, querido. – Jane o chamou.

Hermione sentia que iria se rasgar de alegria por dentro, amava o circo, queria tanto extravasar aquilo, mas manteve sua máscara de desinteresse somente abrindo um mínimo sorriso para alguns conhecidos, mas não por muito tempo, somente para eles notarem que não passaram despercebidos.

Ela finalmente pode sorrir quando estava longe de todos, sentiu o vento no rosto e fechou os olhos, como amava seus preciosos segundos sozinha, segurou o grito quando sentiu algo se enrolar em sua perna, abriu os olhos com calma e levou as mãos na boca quando viu o pequeno ser. Ele era totalmente branco, com grandes olhos azuis e a olhava com pura curiosidade.

—Irá me machucar? – Perguntou se sentindo uma perfeita idiota, isso se fez o animar escalar ainda mais seu corpo ficando cara a cara com ela. – Irá me machucar? – Perguntou novamente pronta para aceitar sua morte, mas somente recebeu um abraço.

—Viso! – A garota pulou novamente de susto quando escutou a voz forte atrás dela. – O que está fazendo aqui? Essa área é restrita para funcionários.

Hermione não respondeu, se virou com calma se deparando com um homem extremamente forte, ele possuía cabelos ruivos até os ombros e era alguns centímetros mais alto que ela. Desviou os olhos, sentindo suas mãos soarem de nervoso.

—Desculpe, senhor. – Sussurrou, encarando o chão. – Eu não tinha percebido, estava só caminhando não era minha intenção violar suas restrições. – Encarou novamente o pequeno animal e tentou se soltar, mas ele lhe agarrou com um pouco mais de força. – Como se faz para ele soltar? – Perguntou e corou com a gargalhada do homem.

—Não sei, ele nunca agarrou ninguém. – O ruivo sorriu quando a garota corou mais ainda.

—Eu preciso ir. – Ela sussurrou novamente, ainda não encarando o homem a sua frente, ela suspirou quando nenhum dos dois se mexeu para ajudá-la. – Viso, querido, por favor, me deixe ir. – Hermione encarou o animal, que soltou um muxoxo a fazendo sorrir. – Também gostei de você. – Ela sussurrou quase inaudível. – Por favor. – Pediu novamente e sorriu aliviada quando o animal foi para o colo do homem.

-Impressionante. – Ele sussurrou e encarou de relance os olhos da garota que os desviou novamente, sentiu o coração se apertar para logo disparar.

—Novamente, desculpe, senhor. – E então ela partiu como um furacão.

Hermione se sentou ao lado de seu pai ás 18:01, baixou o olhar quando o mesmo lhe encarou, sabia que tinha errado, mas como iria lhe explicar que tinha ajudado uma senhora perdida no lado de fora da tenda, tremeu levemente segurando o choro.

Porém ela se esqueceu de tudo quando o espetáculo começou, ela encarava encantada cada parte, não se segurou nas risadas, fora quando chegou a parte das criaturas, ela vira Viso, era um semi-inviso, ele realmente parecia desaparecer por alguns minutos ficando somente os dois olhinhos azuis a vista, quando Charlie, o domador, o soltou para fazer algum truque ele logo correu para ela.

—Acho que ele está apaixonado demais para fazer qualquer outra coisa. – Charlie falou divertido, fazendo todos rirem e Hermione se encolher, fizera outra coisa errada, olhou desesperada para o animal que se agarrou em seus cabelos.

—Se livre desse macaco. – Seu pai rosnou baixo o suficiente somente para ela escutar. – Agora, Hermione! – Ele rosnou, beliscando levemente seu braço.

Fora tudo muito rápido, uma hora Viso estava em seu colo, na outra em cima de seu pai puxando os cabelos do mesmo, ela sentiu que ia chorar, logo Charlie estava ao seu lado segurando com força o semi-inviso.

—Desculpe senhores. – Charlie falou colocando a mão em seu ombro, a garota apenas baixou a cabeça enquanto a plateia aplaudia e ria.

—Tudo bem, meu rapaz, acho que ele apenas estava tentando pedir a mão da minha filha, no linguajar dele. – John falou divertido fazendo a plateia rir, seu pai segurou sua mão. – Mas só irei entregar ela para alguém direito e humano. – Ele falou sorrindo, Charlie sorriu e continuou seu show, Hermione segurou sua cara de dor e suas lágrimas quando sentiu sua mão torcer.

Quando o espetáculo acabou, ela se esforçou para bater palmas, eles esperaram todos saírem, para se levantarem, seu pai rapidamente colocou a mão em seu ombro, a guiando para fora da tenda, quando estavam quase na saída, ouviram um grito.

—Realmente o circo gostaria de pedir desculpas a vocês, não sabemos o que deu nele. – Charlie falou se aproximando rapidamente.

—Animais selvagens são assim mesmo. – John falou com desdém.

—Mesmo assim...

—Já falei que não tem problema garoto. – O homem repetiu com paciência, quando ele viu que o ruivo não ia desistir ele sorriu. – Podem se desculpar dando aula de trapézio para nossas crianças, elas realmente iam amar, não acham?

—Sim, querido. – Jane falou sorrindo amorosa, Hermione apenas assentiu.

—Ótimo, podem ser nas quartas-feiras. – Charlie sorriu e viu os três rapidamente irem embora.

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Hermione tentou respirar, mas estava tão difícil, sua cabeça estava dolorida, ela precisava de algum remédio, encarou seu rosto com maquiagem para disfarçar os roxos e colocou o uniforme do colégio de Ilvermorny, fez uma trança lateral nos cabelos rebeldes, tomo seu café da manhã e ouviu as orientações dos pais:

—Nada de meninos, Hermione, ou meninas vulgares. – Seu pai dizia mexendo no bigode. – Sua escola está cada vez pior.

—Ainda não sei porque não a botamos em um convento.

—Hermione tem que apreender a lidar com essas pessoas! Mas ano que vem, eu prometo, minha menina, que te mandaremos para lá.

Hermione segurou a careta e abriu um sorriso forçado, apesar de gostar de suas crenças, não queria ir para um convento. Se despediu dos pais e correu para chegar a tempo de pegar o ônibus, sorriu para todos e não ligou para as piadas que recebeu.

Apesar de ser a filha do prefeito, ou melhor dizendo, por ser filha do prefeito, ela sempre recebia muitas ofensas, piadas sem graças e algumas vezes quando era menor chegou até mesmo a apanhar de algumas meninas.

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As aulas passaram com pressa para o seu alivio, já estava no meio da semana para a sua felicidade, dali a dois dias teria alguma paz, estava estudando em seu quarto, quando a porta do mesmo fora aberta com um estrondo, seu cabelo fora puxado com força e logo vira a face irritada de seu pai.

—Está atrasada, vamos. – Ele gritou a arrastando para fora do quarto.

Hermione ficou quieta, estava se perguntando no que tinha errado, o silencio se fez presente em cada segundo da pequena viagem, fora quinze minutos e ela conseguiu ver a estrutura do circo.

—Não quero que você fique fazendo essas coisas. – Seu pai rosnou antes de abrir a porta do carro. – Apenas que fique de olho em nossas crianças, posso contar com você?

—Claro, papai. – Ela abriu um sorriso pequeno que fez o pai sorrir.

—Ótimo, passo aqui as sete em ponto, esteja pronta.

Ela desceu do carro e sorriu para as crianças que pularam animadas em sua volta, aquelas pestinhas era a melhor coisa de sua cidade, abraçou uma por uma e as conduziu para dentro da tenda.

—Ótimo vocês chegaram! – A garota encarou um homem alto e ruivo, ele era magro, cheio de sardas no rosto e parecia ter sua idade.

—Somos pontuais. – Jeremy falou fazendo Hermione sorrir.

—Eles estão ansiosos. – Ela falou encarando novamente o homem, se recordava que o nome dele era Ronald, ele cuidava dos trapézios.

—Perfeito, então vamos a primeira lição, acho que você não irá participar, não é? – O homem perguntou encarando a mão de Hermione que sorriu sem jeito.

—Não, eu vou ficar assistindo.

—Vamos, então. – Ronald bateu palmas animado.

A aula se passou relativamente calma, por isso ela se permitiu pegar um livro para ler, assim poderia acabar logo seu trabalho de literatura, a garota percebeu que algo estava errado quando os pequenos começaram a se aglomerar perto de Ronald.

—O que aconteceu? – Ela perguntou se aproximando com pressa.

—Valentina está com medo, ela não quer descer. – Ronald sussurrou e Hermione olhou para cima vendo a garota agarrada no poste.

—Faça o exercício normalmente, ela vai descer. – Hermione falou e encarou a escada de metal que levaria até a sua menina.

—Tia! – Valentina a chamou.

—Estou subindo, querida. – Hermione suspirou e se concentrou em subir com certa rapidez apesar da tala no braço. – Pronto, estamos juntas agora.

—Aqui é muito alto. – A garota chorou.

—Eu sei, venha cá. – Hermione se sentou na estrutura de madeira, tentando não encarar os metros de altura que afastava do chão.

—Odeio altura. – A garota se recusou a largar o poste.

—Eu também pequena, talvez, podemos morar aqui, o que acha? – Perguntou divertida e a garotinha riu.

—Eu não queria ter medo.

—Posso lhe contar um segredo? – Perguntou e a garota assentiu com força. – A muito tempo atrás, quando eu tinha a sua idade, eu também fiz essa aula, me agarrei no poste assim como você fez.

—E como você desceu?

—Tinha uma mulher, Molly, ela foi meu anjo, me deu duas opções, ficar aqui para sempre ou então terminar o exercício e descer com ela. – Hermione abriu um sorriso de nostalgia. – Foi a melhor decisão que eu tomei, depois disso todas as outras aulas foram fáceis, eu ainda tinha pavor de altura, mas sabia que estava segura aqui.

—Você desce comigo? – Valentina perguntou, Hermione a encarou sorrindo calma.

—Eu não posso querida. – Ela mostrou a mão torcida e tinha quase certeza que a menina iria chorar. – Mas Ronald estará do outro lado para te pegar.

—Mas eu queria você.

—Olha para ele, querida. – Hermione encarou o homem ruivo e sorriu. – Ele é bem mais forte que eu, ele não vai deixar você cair, eu prometo, você confia em mim?

—Eu confia, Mimi.

—Ótimo, então confie nele também. – Valentina encarava Hermione para depois encarar Bill, fora quando ela finamente largou o poste.

—Eu vou confiar. – Valentina sussurrou a abraçando.

Depois que finalmente o exercício terminou, Hermione desceu as escadas com calma, era extremamente difícil fazer isso com uma mão só.

—Foi sensacional! – Valentina gritava dando pulos em volta dela.

—Brilhante! — Ronald abriu um sorriso encarando Hermione.

—Vamos, crianças. – Hermione chamou conduzindo todas para fora da tenda.

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Hermione terminou de rezar e se levantou devagar, tirou a pequena sugeria do vestido e se encaminhou para fora da igreja.

—Você não foi na última quarta. – Hermione soltou um grito de susto, acabou chocando seu corpo em um corpo forte.

—Meu Deus. – A garota levou a mão no coração, ele parecia que iria explodir.

—Calma, garota. – Ela respirou devagar, a raiva a domando aos poucos, encarou o homem ruivo que segurava os seus ombros com força.

—Geralmente se pede desculpas. – Falou soltando seu corpo e saindo da roda de ruivos.

Ela já poderia sentir a dor da surra que ganharia, ter sua mão torcida não seria nem uma comparação para a punição que receberia, ela sentiu o ar faltar, morreria.

—Hery garota nos desculpe, não era nossa intenção... – Ates que o homem ruivo, que possuía algumas cicatrizes no rosto e o cabelo comprido, ela lembrava que o nome dele era William.

—Posso ajudar cavalheiros? – O homem perguntou passando a mão pelos ombros da filha.

—As crianças gostariam que vocês fossem ver uma apresentação que elas estavam preparando em homenagem aos senhores. – Hermione inclinou levemente a cabeça para ver qual dos gêmeos é que estavam falando.

—Elas estavam fazendo questão que estivessem lá! – O outro completou.

—Temos uma agenda realmente apertada, mas podemos encaixar esse importante compromisso, me diga senhor que dia que é?

—Daqui a quatro semanas, no próximo domingo à noite, sabemos como são os compromissos dos prefeitos, por isso viemos adiantar o serviço. – O de óculos falou.

—E me diga as crianças faram somente trapézios ou iram apresentar um show completo?

—Um show completo! – O domador Charlie falou animado.

—Perfeito! As crianças então irão todos os dias ao circo fazer as aulas, os pais delas irão amar. – John falou visualmente animado e puxou a filha para mais perto de seu corpo. – Agora, cavalheiros precisamos ir.

Hermione sentiu o tapa em seu rosto assim que o carro virou a esquina, ela podia ver o olhar de surpresa de William, mas antes que pudesse pensar em qualquer coisa outro tapa foi acertado e a divisório do carro subiu, sua mãe abriu seu livro e Hermione suspirou.

Notas finais
Me contem nos comentários o que acharam, por favor!