Era Ândromeda.
1 Prólogo
Ano 4042, Aldrez — Cliria (capital)
— Ei, acorde! — Disse uma voz levemente grossa me acordando.
Com o abrir dos olhos, senti uma imensa dor de cabeça, porém esse era o menor de meus problemas diante da situação.
— Consegue se lembrar de algo? Questionou o rapaz que se encontrava em pé, do outro lado das grades do que parecia ser uma cela.
— Parcialmente... — Respondi tentando me mover, sem sucesso.
Meus braços e pernas estavam algemados e presos a parede, além disso uma espécie de força criada pelas algemas me impedia de mover um dedo se quer.
— Isso não é um pouco exagerado? Eu já estou trancado nessa cela afinal...
— É estranho ouvir isso da pessoa que tentou me matar.
— Está nervoso? Não leve para o pessoal, era somente meu trabalho, Sillion.
— Nervoso? Claro que não, estou bem, e o mais importante, estou inteiro.
Sillion Yuudai, um jovem garoto alto, de cabelos azuis claro, com pontas mais escuras, era nada menos do que o filho único do Praefectus* e meu alvo de assassinato. Porém minhas memórias sobre como eu fui parar naquela situação estavam confusas, e não tinham sentido.
— Há quanto tempo estou aqui? — Perguntei.
— Aproximadamente 7 dias...
— Eu fiquei apagado por 7 dias!?
— Não exatamente, você passou por experimentos que te fizeram confessar várias coisas, como o motivo de estar atrás de minha cabeça, quem era seu cliente, e lógico, informações pessoais suas.
— Eu definitivamente não me lembro disso...
— Era de se esperar, amnésia e confusão são sintomas comuns causados por esse processo.
— Não poderiam ter simplesmente perguntado? Ou me recusei a falar? Eu não lembro de quase nada sobre o que aconteceu após a emboscada ter falhado.
— Não importa, estou aqui para te levar ao Praefectus.
— Hã!? Porque? Já não arrancaram toda a explicação a força? Não irei ser executado?
— Ser executado ou não, depende de você.
Ao abrir a cela, Sillion se aproximou e me desprendeu das algemas, me dando o seguinte aviso:
— Não preciso dizer o que acontece se tentar algo né?
— Por acaso pareço tão idiota assim? — Questionei irritado.
— Sim. Afinal não é todo dia que aparece alguém tentando me matar, sabendo quem eu sou.
Enquanto eu era guiado, por corredores e escadas, tentei organizar meus pensamentos, que estavam bem confusos diante da situação.
“Isso não tem sentido... Eu sou um assassino de aluguel, e meu alvo era o Sillion, mas porque acabou daquela forma?”
Em minhas memórias eu tentei emboscar Sillion em um ponto de teletransporte, com informações prévias do horário e dia em que ele iria utiliza-lo, porém, a emboscada falho e eu tentei fugir, sem sucesso.
“Medo? Eu senti medo naquele momento?”
O fato de eu ter sentido medo era a única explicação possível para o fato de eu ter tentado fugir. Não importa o quanto eu pensava e revisava a situação, eu não teria tentado fugir, e sim teria tentado lutar.
“Não adianta... Não consigo lembrar...”
— Sillion, eu tentei resistir durante esses experimentos?
— Não, pelo contrário. Você não teve muita escolha
— Nesse caso, é realmente exagero. Me colocar em uma cela isolada com um caminho de saída tão confuso. O que raios é esse monte de portas com senhas? Outras celas? Me sinto totalmente enfraquecido, mesmo assim aquelas algemas não me deixavam me mover. Eu tentei te matar ou destruir o mundo?
— Ao meu ver, não tem diferença, mas considere isso como um teste. Esse complexo nunca foi utilizado e precisava de alguém para ser testado. E sobre as portas, não te diz respeito.
Com essa resposta, continuamos andando até chegarmos em um pequeno ponto de teletransporte.
— Chegamos.
Para minha surpresa, o ponto levava diretamente para a sala do Praefectus, que já estava à minha espera.
— Olá Rinigo! — Disse Lummus, se levantando.
O Praefectus, de nome Lummus Yuudai, era um homem alto e forte, de olhos e cabelos acinzentados e voz grave. Como líder do país era bastante ativo em seu papel, e apesar de não ser tão carismático, fazia discursos constantes.
— Rinigo Layer, 16 anos, abandonou a graduação no 2º Ano e passou a viver como assassino aluguel. Quando ainda estudava, mantinha notas excelentes, contudo era isolado socialmente devido à natureza de seus poderes, o que contribuiu para o abandono da graduação. Os pais foram mortos em guerra a 7 anos atrás e não se tem nenhuma informação sobre algum outro parente próximo. Tem um único amigo, um garoto de sua idade que conheceu quando ainda estudava, Edron Merinde. Alguma dessas informações está incorreta? — Questionou.
— Não... Mas onde quer chegar com isso?
— Se não tivesse abandonado a graduação, teria um futuro brilhante pela frente como blaster*, ainda mais com um poder tão forte e inexplicável como o controle de chamas negras.
— E?
— Eu quero que volte para a graduação, irei colocá-lo no quarto e último ano da graduação. Suponho que a diferença de 2 anos não irá lhe afetar, você tem uma inteligência acima da média Felizmente estamos no começo do ano, a graduação ainda está para começar.
“Começo do ano? Porque não me lembro de algo tão simples assim? Tudo está confuso demais...”
— E se eu me recusar? Serei Executado?
— Não, isso seria muito simples. Nesse momento deve estar pensando que seria melhor do que servir o país como blaster não é? Se recusar passará o resto da vida naquela cela. — Falou abrindo um sorriso.
— Uau, estou tão feliz! Meu sonho é se tornar um blaster!
— Sillion, leve o de volta a cela, parece que ele não entendeu a situação.
— Espere! Me desculpa... Eu não garanto nada, mas tentarei meu máximo...
— Está tudo bem, tenho certeza que consegue. Tem algum questionamento a respeito?
— Tenho muitos. Onde é o colégio? Vou ter minhas despesas pagas? Quando começarão as aulas?
— Como eu disse, você pulará direto para o quarto e último ano de graduação, que será realizada em um colégio especializado somente na ultima graduação. O colégio Emprea. É um colégio somente para elite do país, com dormitórios a disposição dos alunos, por isso não se preocupe com moradia. Quanto as suas despesas, serão disponibilizados 15 mil Lavors* mensais, e suas aulas começarão em uma semana Outros detalhes serão fornecidos pelo próprio colégio.
— O sistema de metodologia é aquela futilidade de trabalho em grupo?
— Sim, atualmente não há um único colégio nesse país que não use essa metodologia, você deve saber a importância que isso tem pro país certo?
Esse sistema de ensino em questão foi implementado após as guerras que acabaram 5 anos atrás para cobrir uma grande falha que foi encontrada nos blasters, sua individualidade extrema. Quanto maior o poder, maior o ego, o que atrapalhavam estratégias de guerra que exigiam cooperação em grupo, por isso os colégios passaram a avaliar e ensinar os alunos em pequenos grupos para aprenderem a importância do trabalho em grupo.
— Então, a partir de agora estou livre?
— Sim, Sillion, guie ele até o dormitório do colégio.
— Espere, e os meus pertences?
— Já foram realocados, não se preocupe.
Notas finais
Blasters: Vem de blaster, do inglês significa explosão. Assim eram chamados os soldados que lutavam na guerra.
Praefectus: Do latim significa Comandante. Era assim chamado o líder de cada país.
Lavors: Nome da moeda predominante do país.
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