Era para ser você
42 Capítulo 40
Notas iniciais
Assim que vi aquela cama espaçosa, me joguei nela. Estava tão exausta da viagem, mas também havia adorado cada momento. Foi divertido viajar todos juntos, mas nosso passeio não tinha nem começado.
Ennye foi desfazendo sua mala, enquanto meus pensamentos divagavam para bem longe, em algum momento eu acabei dormindo, mas se não fosse meu celular tocando, eu nem teria percebido.
–Alô? -disse com uma voz rouca e grogue de sono.
–Consegui uma reserva para às nove da noite. -aquela voz grave e sedutora falou.
–Que horas são?
–Oito horas ma chéri.
–Hummmm. -resmunguei.
–Acho bom você tomar um banho, e se arrumar. Estarei te esperando no restaurante.
–Tudo bem. -concordei sem vontade, preferiria ficar dormindo, mas minha barriga gritou implorando por comida.
–Até logo. -ele disse, e então desligou.
Por muito custo eu me levantei, procurei uma roupa na minha mala. Achei um vestido azul marinho, que eu nem sabia que tinha, até ir arrumar minhas coisas para a viagem. Ele era justo até a cintura, e rodado na saia, de manga longa, era simples, nada chique e exagerado, mas ainda lindo.
Fui para o banheiro e minha irmã estava saindo, toda maquiada e produzida.
–Está bonita "Bella", onde está a sua "Fera"? -disse tentando fazer uma piada, que não soou nenhum pouco engraçada.
–A "Bella" aqui é você, moça apaixonada pelos livros. Eu estou mais para a "Ariel" dos cabelos negros.
–Tá certo, mister sereia. -disse entrando no banheiro e fechando a porta logo atrás.
Abri o chuveiro, e comecei a me despir. Deixei meu vestido no canto, entrei na água quente, e comecei a relaxar. Aos poucos a água ia levando meu cansaço, mas infelizmente não meu sono. Lavei meus cabelos, o shampoo tinha cheiro de rosas, depois do banho terminado, me enrolei na toalha, e comecei a pentear meus cabelos, peguei o secador na gaveta da pia, e os sequei. Ele estava comprido, um pouco abaixo dos ombros, e fazia aqueles ondulados nas pontas.
Vesti meu vestido, ele ficou perfeito. Sai do banheiro e minha irmã já estava quase pronta.
–Já são oito e quarenta e cinco Pietra.
–Tudo bem, eu só vou passar um rímel e um batom de leve.
–Vai calçar o quê? -perguntou olhando para os meus pés descalços.
–Ahm... -não tinha trazido muitos sapatos, apenas meu all-star e chinelo. -Meu all-star, eu acho. -disse dando de ombros.
Ela foi até sua mala, e me trouxe um salto preto, e estendeu para mim.
–Uma mulher prevenida, é uma mulher segura. -ela deu uma piscadela e voltou a arrumar o cabelo.
–Obrigada. -agradeci e comecei a me maquiar.
Assim que estávamos prontas, saímos do quarto. Fomos até o saguão do hotel, perguntamos pra recepcionista onde ficava o restaurante, e ela nos endicou.
Parei na porta e fiquei procurando a mesa, até que meus olhos pararam em um certo alguém. O Christoph estava sentado na cadeira, com um braço esticado numa cadeira vazia ao lado, sua perna direita em cima da outra, e a mão apoiada no joelho. Ele me olhava sério, sem desviar, senti meu rosto corar, olhei para baixo, e quando voltei a olhar para ele, ainda estava me encarando, com um sorriso brincando no canto de sua boca, que mal dava para notar.
–Achou? -Ennye perguntou me tirando do meu paradoxo.
–Estão ali. -comecei a andar em direção da mesa, e ela veio atrás.
Meus olhos seguiam em direção ao Christoph, meus pais, tia Amber, Colin e Ian estavam distraídos conversando. Quando nos aproximamos, o Christoph se levantou, puxou a cadeira vazia do seu lado para mim se sentar.
Logo que se sentou ao meu lado, ele se inclinou e sussurrou apenas para eu ouvir.
–Você está deslumbrante ma chéri.
Fiquei sem graça, minha vontade era de beija-lo ali e agora, mas não podia fazer isso com toda a minha família ali.
–Eu também. -ele disse, como se lesse meu pensamento.
Ele sorriu de canto, e ficou olhando fixamente em meus olhos, sem piscar. Depois de uns três minutos o garçom apareceu fazendo nossos pedidos, assim que ele se retirou, não demorou muito e voltou com as bebidas.
–Um bom vinho para o nosso brinde. -meu pai disse erguendo sua taça.
Todos fizemos o mesmo, e bebericavamos enquanto esperávamos a comida. Estavam entretidos na conversa, Christoph segurava minha mão, e vez ou outra ele apertava levemente, olhava para mim e sorria. Parecia que ele estava guardando alguma coisa, como se ele estivesse escondendo algo que quisesse me contar.
O garçom finalmente chegou com a comida, devorei lentamente saboreando cada sensação de sabor, estava com muita fome. Depois que terminei de comer, o sono bateu violentamente, eu mal conseguia ficar com os olhos abertos, sem que precisasse deixar de me esforçar.
–Está com sono docinho? -mamãe perguntou me fazendo abrir os olhos.
–Varada de sono mãe. -resmunguei.
–Que horas são? -Tia Amber perguntou.
–Dez e vinte. -Ian respondeu olhando no relógio.
–Ah poxa, está ficando tarde, amanhã temos muito pra visitar ainda. O que acha de irmos dormir querido? -tia Amber perguntou ao Colin.
–Ótima ideia amor. A viagem foi bem cansativa.
–Bem, então vamos todos para a cama. O jantar estava muito bom. -papai falou se levantando. -Vou pagar a conta, já volto minha querida.
–Não se preocupe Peter, eu pago. -Colin se levantou.
–De modo algum. É cortesia da viagem. -meu pai disse, e se dirigiu ao garçom para pagar a conta.
Todos levantaram e se encaminharam até a porta.
–Eu te acompanho até seu quarto ma chéri. -Christoph disse.
–Boa noite, eu não vejo a hora de deitar e dormir. -disse me despedindo de todos.
–Boa noite. -todos disseram em uníssono.
Christoph pegou minha mão, e fomos andando até o elevador. Entramos, e estava vazio, ele apertou o botão com o número 5, que era o andar onde ficava meu quarto, e a porta se fechou.
Ele se aproximou de mim me pegando desprevenida, colocou uma mão no meu cabelo, e a outra segurou minha cintura me fazendo encostar na parede. Ele me beijou de um modo desesperado, nossas línguas dançavam num ritmo apenas nosso, ele mordiscou meu lábio e terminou o beijo com um longo selinho.
–Pietra. Você é incrível. -ele sussurrou de olhos fechados, sua testa encostada na minha. -Você é tão linda, que me deixa louco.
A porta se abriu e então ele se afastou, segurou minha mão e me conduziu até o corredor, caminhamos em silêncio, assim que ele parou em frente a porta, olhou para mim.
–Eu tenho um presente para você. -disse finalmente.
–O que é? -perguntei curiosa.
Ele ergueu minhas mãos e olhou nos meus pulsos, viu em um deles a pulseira que ele havia me dado de aniversário. Sempre que saía eu a colocava, mesmo que tivesse poucos pingentes, eu a adorava.
Um meio sorriso apareceu no canto de sua boca, então ele soltou de minhas mãos, e colocou a sua no bolso, retirou uma caixinha e abriu.
Retirou algo pequeno de dentro, e então pegou minha mão que estava com a pulseira e segurou, colocou algo nela, e depois me mostrou. Era um pequeno pingente de um avião, era delicado e bonito.
–Christoph. -disse em um sussurro.
–Enquanto você estava dormindo, eu fui até a joalheria do hotel, e achei. Pela nossa viagem.
Olhei pra ele é sorri, joguei meus braços em volta do seu pescoço e o beijei, era um gesto simples da parte dele, mas são os pequenos detalhes que me faz se apaixonar por ele um pouco mais.
–Obrigada. -eu disse depois que separei nossos lábios, mas sem soltar seu pescoço.
–Não precisa agradecer. O objetivo é colocar pingentes significativos.
–Mesmo assim. -o beijei novamente e depois de alguns longos minutos nos afastamos.
–Acho melhor você ir se deitar. Deve estar exausta.
–Estou mesmo. -suspirei.
–Boa noite ma chéri. Nos vemos amanhã. -ele deu um beijo ñ minha testa e abriu a porta para mim.
–Então até amanhã.
Entrei e fechei a porta. Peguei meu pijama dentro da mala e fui até o banheiro, me troquei escovei os dentes e voltei para aquela cama enorme e macia. Minha irmã já estava deitada também, ficamos vendo algo na tevê, mas levou o tempo apenas de ela ter ligado, para eu já estar dormindo.
Tive um sono pesado e profundo, sem sonhos. Não queria acordar cedo, e acreditava que não faria isso, até que minha irmã estava pulando em cima de mim, como se eu fosse uma cama elástica.
–Sai daqui Ennye. -resmunguei.
As cortinas já estavam abertas, a claridade do sol batia bem no meu rosto, estiquei a coberta em cima dos meus olhos implorando para poder dormir mais dez minutos.
–Mamãe já mandou nós irmos tomar o café. Vamos visitar alguns lugares hoje.
–Que horas são? -tentei abrir os olhos.
–Oito e meia.
–Que isso! É madrugada ainda.
–Deixa de ser chata e resmungona Pietra. Levanta logo.
Ela jogou um travesseiro em mim e entrou no banheiro. Com muito custo me levantei e fui até minha mala pegar minha roupa, sondei pela janela e o calor estava agradável lá fora.
Peguei um shorts e uma camiseta, coloquei meu all-star, prendi o cabelo, passei apenas um rímel e ja estava pronta.
Ennye e eu descemos até o restaurante, todos já estavam ali tomando café.
–Demoraram hein. -tia Amber falou.
–A Pietra que só pensa em dormir. Foi um sacrifício fazer com que ela levantasse da cama.
Não disse nada, me sentei no meu lugar ao lado do Christoph, que deu um beijo na minha bochecha e me ofereceu a xícara com café.
–Obrigada. -agradeci pegando a xícara.
Tomamos nosso café tranquilamente, estávamos animados conversando, mamãe falando da programação do dia.
–Então meus queridos. Prontos pra aventura? -tia Amber falou animada como sempre, já se levantando.
Nos levantamos e fomos até os carros.
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