Era para ser você
43 Capítulo 41
Notas iniciais
Saímos do hotel, e paramos na calçada. O dia estava quente e agradável, as pessoas andavam na rua com seus cachorros, bicicletas, pais com seus filhos. Este sábado estava muito caloroso.
–O que acham de irmos fazer um tour pela cidade antes, conhecendo os lugares? Ainda temos até a sexta para visitar. -tia Amber disse olhando o mapa em suas mãos.
–Vamos andando? -Ennye perguntou.
–Exatamente. Está um dia tão bom. Depois paramos e almoçamos em algum lugar.
–Eu acho uma ótima ideia. -mamãe disse animada.
–Certo. Vamos fazer uma caminhada pela cidade. -papai disse sorrindo.
Minha irmã fez uma careta, Ian pegou sua mão e deu um beijo na sua bochecha.
Christoph segurava minha mão enquanto caminhávamos, o lugar era bem agradável, e lindo. Essa era minha primeira vez em Orlando, e dessa vez estava tudo diferente. A viagem não era como as outras que eu já fizera. Pela primeira vez viajamos em família, um passeio agradável e aconchegante.
Já era meio dia. Passamos por algumas lojas de confeitaria, em frente ao parque temático, a Universal, que me deixou eufórica, eu precisava ir neste parque, e com certeza eu iria, já minha irmã ficou choramingando para irmos à Disney. Paramos em uma lanchonete, um rapaz veio fazer nossos pedidos, alguns minutos depois trouxe nossas bebidas.
–O que estão achando? -meu pai perguntou animando.
–Estou a-d-o-r-a-n-d-o. -tia Amber disse pausadamente.
–Este lugar é muito belo. -Colin acrescentou.
–Amanhã podíamos ir até Lake Eola em Downtown. Li que é um excelente lugar para se passear num domingo. -Christoph sugeriu.
–É uma ótima ideia. -papai concordou.
–Na segunda podíamos ir ao parque aquático, terça na praia de Cocoa Beatch, quarta na Universal, quinta na Disney, já que a escolha de irmandade é divergente. E sexta num parque de diversão. -tia Amber falava enquanto olhava seu bloco de notas junto com um mapa.
Ela foi interrompida pelo garçom que chegou com nossas comidas.
Comemos enquanto conversávamos, nem percebemos o tempo passar, até que minha mãe decide passear mais um pouco. Andávamos em uma praça, tinha alguns bancos, pessoas andando de patins, bicicleta, outras correndo.
–Quer uma maçã-do-amor? -Christoph perguntou.
–Quero sim. Obrigada. -disse sorrindo.
Ele comprou um para mim. Tia Amber assim que viu pediu para o Colin comprar pra ela, seguido do meu pai e Ian.
Continuamos caminhando, estava uma tarde descontraída.
–O que acham de voltarmos para o hotel e depois sairmos para jantar? -papai sugeriu.
–Por favor. Já estou muito cansada de ficar andando. -Ennye reclamou.
–Deixa de ser resmungona Ennye. -murmurei.
Ela fez uma careta para mim.
–Tudo bem, vamos voltar. Tomamos um banho e descansamos um pouco antes do jantar. -minha mãe falou.
–Eu sei um restaurante ótimo para irmos. Que hora são?
–Duas e vinte Amber. -Ian respondeu olhando no relógio de pulso.
–Acho que consigo ligar e reservar a mesa.
Enquanto caminhavamos de volta para o hotel, pegamos uma rua diferente. Passamos em frente a um teatro, estava com um cartaz enorme dizendo que estava em peça uma ópera italiana.
–Hei. Poderíamos vir ao teatro ao invés de irmos no restaurante. -sugeri.
–Que horas começa? -meu pai perguntou interessado.
–Sete e meia senhor. -Christoph disse olhando no cartaz.
–Ótima ideia Piet. Ai minha nossa precisamos comprar uma roupa adequada para vir. Esse lugar é chique para as roupas que eu trouxe. -tia Amber falou empolgada demais.
–Eu também não trouxe roupa para a ocasião. -mamãe comentou.
–Será que eu sou a única prevenida nessa família? -Ennye disse.
–Você é exceção Ennye. Por que foi trocada na maternidade. Minha irmã gêmea está desolada em alguma outra família. -disse de um modo brincalhão.
Minha irmã revirou os olhos e bufou.
–Ao longo desses dezoito anos eu aprendi que não adianta te retrucar Pietra. Você é muito sem graça.
Eu ri e ela riu também. Uma das melhores coisas era provocar minha irmã, eu nunca me cansava disso, éramos assim desde criança, e continuariamos até ficarmos velhas.
–Vamos passar naquela loja perto do hotel. -mamãe falou.
–Aquela que eu vi aquele sapato divino e amei? -tia Amber perguntou em dúvida.
–Essa.
Voltamos a caminho do hotel. Enquanto eu tia Amber, mamãe e Ennye íamos as compras. Os rapazes voltaram para o hotel. Assim que entramos na loja tia Amber foi correndo escolher o sapato que ela gostou. Enquanto eu e minha mãe nos caminhamos até os vestidos. Depois que compramos nossas roupas fomos até o salão. Se bem que eu não achava muito necessário, já que teríamos que tomar banho antes de começar a se arrumar, mas tia Amber e a Ennye insistiram. Fiz uma hidratação, pintei as unhas, e a moça fez um penteado. O deixando liso apenas. Depois que terminamos ja era cinco e meia da tarde. Voltamos para o hotel para terminarmos de nos arrumar. Minha irmã foi primeiro tomar banho, pois segundo ela eu me enrolava demais, deixei meu vestido separado, ele era preto, de alça, ia até meus joelhos, as costas tinha uma abertura, e o decote era comportado, o sapato era de salto também na mesma cor. Era simples mas chique. Passei uma sombra de leve e rímel, me olhei no espelho e gostei do que vi, tinha feito um bom trabalho.
Quando eu e minha irmã terminamos de nos arrumar, deixamos o quarto e fomos em direção ao hall de entrada do hotel, minha mãe e papai já estavam ali, Ian também, não demorou muito e tia Amber apareceu deslumbrante ao lado do Colin.
–Cadê o Christoph? -perguntei olhando em volta.
–Ele teve um probleminha com a roupa, já deve estar chegando. -Ian explicou.
–Já são sete e quinze. Será que ele vai demorar? -perguntei um pouco ansiosa demais.
–Quando sai, ele já estava terminando.
Eu estava um pouco aflita, pois poderia ter acontecido alguma coisa, mas deixei de pensar nas muitas possibilidades quando avistei um Christoph todo bem arrumado com um terno preto, camisa branca e uma gravata fina, também preto, quando se aproximava sem tirar os olhos da minha figura paralisada naquele hall.
–Desculpe a demora, podemos ir. -ele disse todo educado parando ao meu lado.
Fomos caminhando para fora do hotel, Christoph colocou uma das mãos nas minhas costas me conduzindo. Ele cheirava a loção de banho e perfume, era inebriante esse cheiro, seu cabelo estava um pouco bagunçado, mas bem cortado.
–Cortou o cabelo? -perguntei o olhando.
–Sim. Não ficou bom? -ele fez uma careta.
–Está ótimo. -sorri.
Ele sorriu novamente. Paramos à porta do hotel esperando o manobrista trazer os carros.
–Por que demorou tanto? -perguntei curiosa.
–Tive um pequeno problema com alfaiate. Ele teve que ajustar as mangas do terno.
–Pensei que tivesse alugado.
–Não. -ele me olhou e sorriu de canto.
Faltava cinco minutos para às sete e meia. Assim que chegamos ao teatro deixamos os bilhetes que haviamos comprado mais cedo, com a recepcionista e nos encaminhamos até nossos lugares. O lugar não estava cheio, mas também não estava vazio, nos assentos tinha o folheto com a sinopse na peça, e os nomes dos atores.
–Você está incrivelmente linda, ma chéri. -Christoph sussurrou no meu ouvido beijando minha bochecha.
–Você também não está nada mal. -sorri para ele.
E não estava mesmo, ele estava impecável, todo formal sem dispensar o charme, depois de uns três minutos as luzes se apagaram, deixando apenas o palco iluminado. E então começou a cantoria, tinha uma pitada de paixão, um toque de harmonia, mas o que deixava a peça ainda mais incrível, era a melancolia que a atriz expressava.
Christoph segurava minha mão, eu o olhei de canto e ele estava concentrado na peça, eu não estava entendendo muita coisa já que meu forte não era italiano.
–Está entendendo? -sussurrei.
–Sim. Ela fala sobre o amor impossível, e que o único jeito seria deles fugirem.- ele dizia olhando para o palco- Já que suas família são rivais, eles querem se casar escondidos e o pai dela quer que ela se case com outro rapaz.
–Espera. -o interrompi.
Ele olhou para mim e então abriu um sorriso maravilhoso.
–Sim ma chéri. É Romeu e Julieta. -ele falou como se fosse tão óbvio.
–Você também fala italiano?
–Não muito bem, eu apenas entendo melhor do que falo.
–Ahm.
–Meus descendentes vieram da Itália, lembra?
Eu não me lembrava disso, mas também não tinha sido surpresa nenhuma. Eu tentava não me surpreender com as coisas que o Christoph sabia, ou fazia, por que eram surpreendentes demais. E uma hora eu iria ter que acabar me acostumando, já que ele é um poço de mistério, o que o deixava ainda mais charmoso.
A peça acabou quase dez da noite, ao invés de jantarmos comemos algum lanche e voltamos para o hotel.
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