Era para ser você
36 Capítulo 34
Notas iniciais
Mal consegui dormir direito, ficava me virando de um lado para o outro, só conseguia pensar em tudo o que eu fiz o Christoph passar. Não era nenhum pouco obvio para mim, assim que amanheceu eu já estava com os olhos bem abertos, na verdade acho que nem os fechei a noite toda.
—Vai sair já cedo, docinho? –minha mãe perguntou quando eu desci para o café.
—Vou.... tô meio entediada.
Eu não gostava de mentir pra minha mãe, mas achei melhor não falar nada pra ela, pelo menos por enquanto.
—Vai pra onde?
—Acho que vou dar uma volta na praia, aproveitar que agora não tem muita gente. Ninguém acordou ainda? –perguntei mudando de assunto.
—Só seu pai, mas ele já foi pro trabalho, teve algumas coisas para resolver.
—Hmm. –murmurei.
Tomei meu café em silêncio, não comi nada, estava ansiosa para falar com o Christoph. Assim que larguei a xícara, me levantei e dei tchau para minha mãe. Peguei a chave da minha picape, e sai. O céu estava nublado, sem um raio de sol que fosse, mas não parecia que ia chover. Quando cheguei na praia, a mesma que ele me encontrou da última vez, não tinha ninguém, absolutamente ninguém ali. Estacionei o carro, e fui caminhando até a areia, sentei perto do mar, e fiquei olhando pro horizonte, o mar estava um pouco agitado hoje.
—Faz tempo que está aqui? –ouvi uma voz atrás de mim.
—A uns três minutos, eu acho. –disse me levantando.
—Pode ficar sentada. –Christoph sorriu para e mim, e se sentou ao meu lado.
—Ahm... o que você quer falar? –perguntei de uma vez, estava curiosa demais.
—Como você está? –ele me olhava com ternura.
—Bem. –disse meio sem jeito, ele ainda me intimidava com aquele olhar.
—Faz tempo que não tenho noticias suas, não diretamente pelo menos.
—Como assim? –perguntei confusa.
—Sua irmã me deixava informado de tudo. –ele disse olhando pra areia branca.
—Ah é? –aquela traidora, nem pra me contar.
—Sinto muito Pietra, a última coisa que eu quero na vida é te ver triste. Mas eu também não fiquei muito diferente de você.
—Do que você está falando Christoph? –eu realemnte não estava entendendo o que ele estava querendo dizer.
—Você não sabe o que senti quando você me mandou ir embora aquela noite, fiquei com muita raiva. Esse tempo todo eu achei que você tinha feito aquilo, por causa do Logan.
—Eu e o Logan somos só amigos...
—Eu sei. –ele me interrompeu. –Agora eu sei disso.
—E o que eu te fiz passar. Você tinha dito que te fiz passar por tudo isso, o que seria exatamente?
Ele ficou me olhando por um tempo, sem dizer nada. Parecia que estava pensando nas palavras.
—Eu fiquei maluco Pietra, não ter noticias suas, ainda mais quando te deixei naquele estado, doente. Ainda mais pensar que não podia chegar perto de você, porque você não queria me ver, pensando que era por causa de outro cara. Eu não conseguia dormir, e quando dormia era só com você que eu sonhava, era perturbador. Eu ficava desligado em tudo, só precisava saber como você estava, foi quando eu fui até sua irmã, e pedi pra ela me deixar a par de você, sem que você soubesse é claro. E foi ainda pior, saber que você também estava triste, você não imagina...
Ele fechou os olhos, e apertou forte, quando abriu estava um cinza escuro, a pupila dilatada, ele sorriu torto e pegou minha mão, ficou olhando pra ela por alguns segundo e olhou no meu pescoço, em seguida voltou a olhar nos meus olhos..
—Gostou do presente? –ele perguntou de um modo gentil, olhando para minha corrente.
—Ahm... -olhei pra corrente também. –Sinceramente? –ele mexeu a cabeça.
—Sim. –um sorriso brincava no canto da sua boca.
—Achei bem criativo da sua parte, e não, eu não gostei. –ele levantou uma sobrancelha. –Amei, é lindo Christoph. –sorri.
Ele ficou me olhando sério, seus olhos não piscavam, nem desviavam dos meus.
—Eu te amo Pietra. Esses dias que passei longe de você foram os piores da minha vida. Eu te amo como nunca amei outra pessoa. Eu me apaixonei por você no exato momento em que te vi. Eu me apaixonei por você, cada minuto dos dias que passamos juntos, e me apaixonava cada vez mais, quando estava te ajudando com o Logan. Mas percebi no exato momento que te amava, quando te vi, linda, na minha casa, eu fiquei minutos de olhando do alto daquela escada, e desde então, eu tenho te amado um pouco mais a cada dia que passa. Eu não posso, não me deixe ficar longe de você, é insuportavel esse sentimento.
Ele se inclinou para a frente e me beijou, um beijo urgente, com amor, eu sentia isso. Meus pensamentos estavam um turbilhão, eu não podia acreditar que isso está acontecendo, que não é mais um dos meus sonhos. Eu queria dizer que também o amava, e que nunca, jamais iria dizer para ele ir embora novamente, mas as palavras não saiam, então eu só conseguia retribuir no beijo, cada palavra que eu estava querendo dizer, estava nesse beijo.
—Espera. –eu disse empurrando ele um pouco. –Se você estava apaixonado por mim, enquanto me ajudava com o Logan. Então porque me ajudou?
—Era o único jeito de ficar perto de você. E meu primo, disse que eu deveria fazer com que você me notasse. –ele revirou os olhos.
Ah... “O primo”. Claro que ele sabia de tudo desde o começo, era eu quem não desconfiava de nada, boba do jeito que sou, nem se o Titanic estivesse afundando na minha frente, eu iria perceber. Eu ainda tenho que conhecer “O primo”, estava começando a desconfiar que esse cara nem existia.
—Ta. Mas e agora?
—O que tem?
—Como ficamos. Agora que eu sei, você sabe.
—Eu não sei de nada. –ele disse brincalhão.
Ah claro, agora ele iria me obrigar a dizer, que também o amava, como se já não fosse óbvio demais.
—Não seja bobo Christoph. –revirei os olhos.
—Eu gosto quando você diz meu nome. É a única quem fala meu nome inteiro. –ele parecia tímido.
—Ah é? Como os outros te chama?
—Normalmente. Chris, ou quem é mais intimo, de alguma coisa mais... intima. –ele riu.
—Por exemplo...?
—Minha mãe.
—Como ela te chama?
—Você não quer saber.
—Ah eu quero sim. –disse rindo.
—Não fuja do assunto Pietra. –ele falou agora sério.
—Tudo bem. Eu posso descobrir sozinha. Mas então, como ficamos agora?
—Eu posso falar com seus pais se quiser.
—Falar sobre o que exatamente?
—Dizer que eu... –ele beijou minha bochecha. –Amo... –agora a outra. –A filha deles. –agora beijou meu queixo. –E prentendo. –agora ele deu um leve beijo no meu lábio. –Namorar ela.
—Mas antes eu tenho que aceitar.
—Ah ma chéri. –ele disse com sotaque francês. –Pietra Von Uckermann, você da a honra, de me fazer o cara mais feliz, satisfeiro, e orgulhoso desse mundo, aceitando ser amada, respeitada, e feliz ao meu lado. Você ma chéri, quer namorar comigo?
—Orgulhoso?
—Vai ser o maior orgulho, poder sair por aí, mostrando pra todos que você é minha. Então... aceita?
—E se eu disser não?
—Eu sei que quer dizer sim. Então não precisa ficar se fazendo. Mas se disser não, eu vou te convencer, e fazer você aceitar.
—Eu adoraria ver você tentar Sr.Voughan. Mas ao invés disso, eu digo sim, yes, oui, ja, sí. Em todas as linguas. –joguei meus braços em volta do pescoço dele, e o beijei.
Eu imaginei este momento inumeras vezes, mas não pensei que fosse tão bom quanto meus sonhos, porque agora está sendo reciproco, agora eu posso sentir os lábios quentes e macios do Christoph nos meus, e não quero parar este momento por nada, só quero eterniza-lo.
Ficamos ali pelo que me pareceu o infinito, eu não queria ir embora, um raio de sol brincou em surgir, mas o tempo continuou fechado. Estava tudo lindo, o mar com aquelas ondas, o céu acinzentado, como os olhos do Christoph. Mas o melhor de tudo era esse sentimento, eu não estava mais me sentindo vazia, não sentia mais meu coração rasgado, todo estraçalhado. E ainda, eu me sentia vitoriosa, pois sou eu aqui com ele, eu estou nos braços do Christoph, eu recebi uma declaração, e não aquela oxigenada da Ashley. Mas alguma coisa, lá no fundo, me dizia que ela ainda ia atrapalhar de alguma maneira.
—Christoph? –disse em um sussurro.
—Hum? –ele resmungou.
—Você me promete. –me ajeitei e olhei nos seus olhos.
—O que você quiser ma chéri. –ele sorriu para mim.
—Promete que não vai deixar mais aquela réplica falsa da Britney Spears atrapalhar de novo, mesmo que ela não faça nada, não vai mais nem mencionar o nome daquela...
—Eu prometo. –ele me beijou. –Eu nunca mais vou te perder de novo, nem pela Ash... aquela réplica falsa da Britney, nem por qualquer pessoa que seja.
Sorri pra ele, eu sentia que se ele me prometesse, nada ia acontecer. Ele sorriu para mim, e me beijou. O beijo dele era suave, e ao mesmo tempo urgente, eu me sentia única no mundo, só eu e ele, nada mais importava, eu não tinha problema que fosse, eu esquecia de absolutamente tudo. De repente meu celular começa a vribrar no meu bolso, e a “Pocketful of Sunshine” começa a tocar. Christoph começou a rir e ficou me vendo tentar atender o celular toda atrapalhada.
—Oi? Mas já... eu não vi. É estou. É... é mãe. MÃE! Ta legal, eu já vou, ta bom. Tchau. Te amo.
Olhei pro Christoph e ele estava com uma expressão divertida no rosto, eu senti meu rosto pegar fogo. Minha mãe estava toda contente no telefone, ela é uma telepata, só pode, como ela soube que eu estou com ele.
—Aconteceu alguma coisa? –ele perguntou.
—Não. Ahm... minha mãe te convidou pro almoço. –disse olhando pro chão. –Aparentemente alguém contou a ela que você está comigo.
—Huuum. Você não contou a ela, que iria me encontrar?
—Não. Achei melhor contar depois, ela iria fazer um interrogatório, já que não estavamos se falando.
—Entendo. –ele respondeu sério.
—Você contou pra alguém?
—Não. Quer dizer, talvez. É acho que sim. –ele disse parecendo culpado.
—Quem foi a lingua fofoqueira?
—Sua irmã.
—Você contou pra minha irmã? –perguntei incrédula. –Porquê?
—Bom, ela tem me ajudado um pouco nessas ultimas semanas, foi ela quem me ajudou a ir até seu quarto deixar seu presente. Ela tem sido bastante útil pra estarmos aqui agora.
—Aquela traidora, e ainda por cima é fofoqueira.
—Não fale assim, ela só quer o seu bem.
Ele vai defender ela agora? Aposto que se fosse “O primo”, quem tivesse tramando pelas costas dele, ele também iria ficar bravo. Apesar dela ter feito isso por uma boa causa, eu confiava nela, achei que contassemos tudo uma pra outra, e ela sabia todo esse tempo do sentimento do Christoph por mim, nem pra me contar, eu fingiria que não sabia de nada, e mesmo assim me deixou pensar que ele gostava de outra, me deixou quase apodrecer no meu cantinho no sofá.
—Acho melhor nós irmos. –o Christoph disse, já se levantando.
Peguei sua mão e fomos caminhando até minha picape.
—Cadê seu carro?
—Eu vim sem. Gosto de andar, é uma boa forma de terapia. –ele disse sério.
Abri a porta do motorista, enquanto ele dava a volta pela frente do carro. Assim que ele entrou liguei a chave, dei marcha ré e sai dali.
Quando estacionei o carro em frente minha casa, meu coração começou a acelerar, eu não sabia porque estava tão nervosa assim. Sai do carro e fiquei parada no portão, ouvi o Christoph fechar a porta, e escutei seus passos, até pararem ao meu lado.
—Não precisa ficar nervosa. –ele sussurrou no meu ouvido.
Respirei fundo, e abri o portão, ele veio logo atrás de mim.
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