Era para ser você
37 Capitulo 35
Notas iniciais
Assim que abri a porta da sala, tia Amber e Colin estavam sentados no sofá vendo tevê. Aquela traidora da Ennye estava vindo da cozinha, assim que nos viu abriu um sorriso estonteante.
—Que bom que chegaram, o almoço já está quase pronto.
Assim que ela falou, tia Amber e Colin olharam para trás e nos viram parados na porta.
—Christoph. –ela disse toda animada se levantando. –Mas que maravilha você por aqui.
Christoph passou por mim, e deu dois passos a frente para cumprimentar minha tia.
—É bom reve-la Amber. –ele disse todo educado estendendo a mão. –Você também Colin.
Colin também se levantou para cumprimentá-lo. Eu fiquei parada na porta, sem dizer nada. Ennye me olhou ainda com o sorriso no rosto, e eu fiz uma cara feia para ela, que me ignorou completamente.
Christoph e Colin começaram a conversar, alguma coisa sobre pesca ou corrida de cavalos, eu não estava prestando a mínima atenção pra ser sincera.
—Não vai fechar a porta Piet? –tia Amber perguntou, me tirando do meu transe.
Olhei para ela, e me virei para fechar a porta, assim que encostei senti alguém empurrando-a para abrir de novo. Deu um passo para trás para a pessoa entrar, assim que meu pai me viu, abriu um sorriso e fechou a porta atrás de si.
—Olá princesa. –ele disse beijando o topo da minha cabeça.
—Oi pai.
—Christoph, mas que ótima surpresa vê-lo aqui meu jovem.
Meu pai disse me ignorando, e indo até onde o Christoph estava conversando com o Colin.
—É bom te ver também senhor Uckermann.
—Piet, vem cá conversar com a gente. –minha tia chamou do sofá.
Caminhei até lá, Colin se levantou do seu lugar ao lado do Christoph, e foi se sentar ao lado da minha tia, então só me restou ficar perto do dono daquele sorriso lindo, que estava olhando para mim. Enquanto meu pai, e Colin estavam numa conversa animada com o Christoph, eu fiquei apenas fingindo prestar atenção neles. Volte e meia, minha tia me olhava e soltava uma piscadela, como se soubesse mais do que eu achava que sabia.
Não demorou muito e minha mãe veio chamar para o almoço, todos levantaram, assim que me pus em pé, o Christoph segurou na minha mão, e entrelaçou nossos dedos, e seguimos logo atrás do meu pai.
Tenho que confessar que eu estou muito nervosa, estou tentanto ao máximo mostrar tranquilidade, mas por dentro eu estava roendo as unhas e preferia estar escondida no meu cantinho no sofá, mas acontece que não tem motivo e nem explicação para eu estar assim. Assim que chegamos na cozinha todos já estavam sentados, Christoph sentou ao meu lado, ele ficava me olhando o tempo todo, vez ou outra ele respondia alguma coisa que lhe perguntavam. Eu olhei bem no fundo daqueles olhos cinza, e me esqueci do porque de eu estar nervosa, era como se não tivesse mais ninguém aqui, somente eu e ele.
—Pietra. –minha mãe falou me tirando do meu paradoxo.
—Humm. –resmunguei.
—Quer suco docinho? –ela perguntou sorrindo.
—Por favor. –eu disse meio gaguejando.
Enquanto eu voltava a ficar nervosa, o Christoph estava muito tranquilo conversando com todo mundo. Parecia que eles se conheciam a anos, ele pegou minha mão embaixo da mesa, e se inclinou um pouco para o meu lado.
—Está tudo bem? Você parece nervosa. –ele apertou minha mão de leve, e continuou segurando.
Assim que minha mãe terminou de postar a mesa, todos começamos a comer. Eu não conseguia falar nada. Estava apreensiva demais, será que meu pai ia perguntar alguma coisa, ou será que o Christoph ia dizer alguma coisa sobre estarmos namorando.
Poxa vida, eu e o Christoph namorando, acho que minha ficha não caiu ainda, isso estava sendo alusinação da minha cabeça, com certeza eu vou acordar e tudo não passou de um sonho, um sonho bom demais. De repente eu percebo que todos estão olhando para mim, e o silêncio ecoava.
—O que foi? Tem comida no meu rosto? –eu passei a mão para limpar.
Eu não estava entendendo nada, de repente o Christoph pigarreia, e pega na minha mão que agora está em cima da mesa. Ele olha para mim e um sorriso brinca no canto da sua boca.
—Senhor Uckermann, eu sei que o senhor está ciente, mas eu gostaria de tornar isso oficial.
Eu fiquei olhando pra ele, sem entender o que estava acontecendo, afinal sobre o que meu pai estava ciente?
—Aproveitando que estão todos aqui. –ele continuou, apenas fiquei olhando para ele. –Eu quero deixar claro minhas boas intenções, e oficializar meu compromisso com sua filha.
Eu fiquei paralisada olhando pro Christoph, que estava tão calmo e sereno ao meu lado, enquanto ouvia minha tia bater palmas, olhei para o meu pai e ele estava com um sorriso no rosto, ele olhou para mim, e ficou me encarando por alguns segundos.
—Eu sei que irá fazer minha filha feliz, meu jovem. Mas é como obrigação de pai, que te aviso que qualquer gracinha, ou se você fizer alguma coisa que a faça sofrer, eu esqueço que você é um rapaz de boa indole, e te caço.
—Não se preocupe enquanto a isso senhor, meu objetivo é faze-la feliz.
—Eu sei que você fará bem ao meu docinho Christoph, e acho muito bonito a sua atitude.
—Obrigado senhora Uckermann.
Depois desse discurso, se é que pode chamar isso de um discurso, todos voltaram aos seus pratos, eu ainda estava nervosa sem motivo, e confusa. Será que todos aqui estavam sabendo sobre isso, e era apenas eu quem estava no escuro, divagando e alucinando o Christoph perdido de paixão pela Ashley?
Bem, era isso que parecia. Depois que todos terminaram, o Christoph se ofereceu para me ajudar com a louça, minha mãe disse que era desnecessario, pois ele era visita, mas ainda assim ele insistiu. Depois que retiramos a mesa, ele começou a lavar a louça, e eu peguei o pano de prato.
—Viu, não era preciso tanto nervosismo ma chéri.
Estavamos só nós dois na cozinha.
—Você disse que meu pai estava ciente. Sobre o quê?
—Ontem, na sua festa de aniversário, eu conversei com seu pai. Pedi a permissão dele para te pedir em namoro. E ele concedeu. –ele disse com um sorriso no rosto.
—Eu não acredito. Então todos aqui estavam sabendo, menos eu? –falei incredula.
Eles sabiam mesmo guardar segredo, eu não desconfiei de absolutamente nada, e o pior é que não era só minha irmã quem escondeu de mim, meus pais também foram traisoeiros.
—Foi eu quem pedi para o seu pai guardar segredo chéri, eu queria fazer uma surpresa. A final, sobre sua irmã também, ela disse que não podia esconder as coisas de você, mas eu implorei para que ela não falasse nada.
—O que você fez pra manipular minha família? –perguntei rindo.
Depois que terminamos a louça, fomos até a sala. Estava tia Amber, o Colin e minha irmã. Eu e o Christoph nos sentamos junto com eles, e assistimos um pouco de tevê. Quando meus pais voltaram para a sala, o Christoph se levantou e disse que já teria que ir.
—Cedo ainda meu jovem. –meu pai disse para ele, eu também me levantei.
—Eu vim sem meu carro senhor, se demorar fica muito tarde para voltar.
—Senta e relaxa, eu te levo.
—É, fica mais um pouco. –eu pedi.
Ele olhou para mim, e beijou minha testa, então voltou a se sentar no sofá ao meu lado.
Ficamos vendo algum programa de tevê, o Christoph interagia com a minha família, e eu não poderia me sentir melhor, depois de tantos dias me remoendo em tristeza, ele finalmente estava aqui, estava ao meu lado, e estavamos juntos. Eu não posso descrever esse sentimento como nada menos que paixão, ainda melhor. Eu amo o Christoph, como nunca achei possível amar alguém. Eu sei que sou nova demais para falar de amor, mas acontece que quando você sente, você sabe, tem certeza, isso não tem explicação, tem apenas que sentir, é como estar com borboletas no estômado o tempo todo, é ver unicórnios e tudo rosa, estou sendo exagerada, pode até ser, mas sobre a dor e o amor, eu fico com a segunda opção.
Depois de um tempo, o Christoph teve que ir, meu pai tinha dormido no sofá, e minha mãe achou melhor não acorda-lo, pois disse que ele anda trabalhando muito, e precisava descansar. Então ela disse que eu mesma poderia levar o Christoph pra casa. Ele se despediu de todos, e então caminhou até a porta, ele abriu e deu passagem para mim, assim que sai, ele veio atrás. Perguntei se ele não queria dirigir, e ele disse que não. Ele entrou no banco do passageiro e fechou a porta, entrei no carro e dei a partida.
—Ainda não acredito que isso está acontecendo. –ele disse olhando para mim.
—O quê? –perguntei confusa, e voltando a olhar para a estrada.
—Você, eu. Nós. Esperei por esse momento tanto tempo Pietra.
Eu pude ver de canto do olho, que ele não tirava os olhos de mim por um segundo sequer. Confesso que senti muita falta desse olhar intimidador.
—Nem eu Christoph. Parece que isso é mais um dos meus sonhos. –eu sorri e olhei pra ele.
Durante o caminho ficamos conversando sobre coisas aleatórias, o tempo passou mais rápido do que deveria, e eu ainda estava andado abaixo do limite. Assim que parei o carro em frente a casa dele, ele se aproximou de mim.
—Amanhã eu vou te levar a um lugar. –ele sussurrou.
—Posso saber onde?
—Não. –ele me beijou. –É surpresa.
—Nem uma pista?
—Não ma chéri.
—Assim não vale.
—Claro que sim, se eu te contar deixa de ser surpresa, e aí não tem graça.
—Okay. –ergui as duas mãos para cima. –Não pergunto mais.
Ele sorriu pra mim, e me beijou novamente.
—Boa garota. –ele disse entre o beijo.
—Você é tão convencido, ou só finge? –disse num tom de brincadeira.
—Um pouco dos dois, eu acho. –ele riu.
Fomos interrompidos pelo celular do Christoph que começou a tocar, ele se atrapalhou um pouco até tirar do bolso, atendeu, e começou a falar com alguém, que parecia ser sua mãe. Ele avisou que chegava em cinco minutos e então desligou, guardou o celular no bolso, e olhou para mim.
—Agora eu preciso mesmo ir, amanhã eu te pego. –ele disse me beijando. –Assim que chegar em casa me avise.
—Pode deixar senhorio. –dessa vez eu o beijei.
—Eu te amo, ma chéri. –ele disse olhando bem nos meus olhos.
—Eu te amo.
Ele me deu um último beijo, e então saiu do carro, dei a marcha ré, e sai. Quando cheguei em casa todos já haviam ido dormir, então subi direto para o meu quarto, peguei meu pijama e fui tomar um banho, quando voltei para o quarto, meu celular que estava no criado mudo tocou, fui ver o que era, e tinha uma mensagem do Christoph.
*esqueceu de me avisar?*
Deitei na cama e comecei a digitar uma resposta.
*eu precisava de um banho, mas agora já estou bem segura na minha confortavel cama, não se preocupe*
Não demorou nem dois minutos, e outra mensagem chegou.
*é perigoso andar por aí sozinha, eu prezo pelo seu bem estar ma chéri*
Eu estava adorando ele me chamar de ma chéri, o modo como ele fala com um leve sotaque francês, e aquela voz rouca dele, me deixa ainda mais apaixonada.
*fico grata pela sua atenção, mas te garanto que não tem perigo por aqui*
...
*perigo ou não, ainda assim eu gosto de você viva, e sem nenhum arranhão*
...
*está querendo me chamar de barbeira senhor Voughan?*
...
*de modo algum, minha cara senhorita, mas nunca se sabe se um esquilo pode aparecer*
...
*pois ainda acho que você quis dizer que eu não sei dirigir*
...
*confesso que tenho certo receio de andar com você dirigindo, mas vale a pena correr o risco, você fica linda quando está prestando atenção na estrada*
...
*posso te garantir que não sou a única, você fica lindo em qualquer ocasião*
...
*está ficando tarde, acho bom a senhorita ir dormir, amanhã temos um longo dia*
...
*então tenha um bom descanso senhor Voughan, eu te aguardo ansiosamente, com amor Pietra*
...
*sonharei contigo ma chéri, do seu amor C.*
Fale com o autor